INICIAR SESIÓN
Eliot Lessan ajustou os punhos da camisa sob o elegante Armani branco antes de sair de seu apartamento. O tecido leve e sofisticado parecia uma segunda pele, capturando os reflexos suaves das luzes da cidade que se infiltravam pelas amplas janelas de vidro, onde a noite de Curitiba já se instalava como um manto escuro e pulsante. As ruas lá embaixo, no bairro do Batel, o mais caro e vibrante da capital paranaense, fervilhavam com o burburinho noturno: faróis de carros cortando a escuridão úmida, o som distante de risadas em bares chiques e o aroma sutil de chuva recente misturado ao perfume de pinheiros urbanos. O ar carregava uma umidade fresca, típica das noites curitibanas de primavera, com uma brisa leve que sussurrava promessas de tempestades inesperadas, fazendo Eliot sentir uma mistura intensa de nostalgia e determinação, como se cada respiração o reconectasse à sua Ucrânia distante, onde noites assim podiam significar abrigo ou perigo.
O evento daquela noite era especial, uma arrecadação de fundos para refugiados de guerra na Ucrânia, sua terra natal, e isso mexia profundamente com ele, despertando um turbilhão de emoções: orgulho por ajudar, mas também uma dor crua, acentuada pela memória de perdas pessoais que ainda latejavam como feridas não cicatrizadas. No elevador particular que o conduzia ao térreo do Batel, seu mordomo, assessor e conselheiro, Uriel, já o aguardava. O homem de postura impecável observou Eliot com um olhar crítico, carregado de uma lealdade feroz que beirava o paternalismo, como se cada detalhe do patrão fosse uma extensão de sua própria honra. Uriel sentia uma frustração sutil, misturada a um afeto profundo, ao ver Eliot renegar partes de si mesmo, uma luta interna que o fazia questionar sua própria identidade enraizada no passado. - Esse Armani branco lhe caiu muito bem, Lorde Lessan. Harmoniza com sua pele e cabelos. Eliot sorriu, sempre cortês, mas respondeu com firmeza, sentindo uma pontada de irritação temperada por gratidão. Ele valorizava Uriel como um irmão, mas o título o fazia se sentir exposto, vulnerável, como se carregasse o peso de séculos em seus ombros modernos. - Não me chame assim, Uriel. Não quero parecer superior às pessoas. “Senhor” é mais apropriado para os tempos em que vivemos. Uriel entortou a boca, apertando o botão do elevador para o subsolo, uma onda de resignação o invadiu, misturada a um orgulho teimoso, ele via em Eliot não apenas um chefe, mas um legado vivo, e cada recusa do título doía como uma rejeição pessoal, transformando sua lealdade em algo quase doloroso. - É um título herdado de sua família. Não deveria se sentir mal em usá-lo. Eliot suspirou, encerrando o assunto com um tom definitivo, sentindo uma fadiga emocional profunda, como se cada menção ao passado reabrisse cicatrizes antigas, mas também a forte resolução, ancorada na empatia por um mundo que ele queria mudar. - Já faz muito tempo, Uriel. Foi em outra época. Como já lhe disse, esse título não cabe neste século. Portanto, limite-se a “senhor”. Uriel assentiu, respeitoso, e quando as portas do elevador se abriram, deu passagem para Eliot antes de segui-lo, um sedan de luxo os aguardava com os faróis acesos, iluminando discretamente o estacionamento subterrâneo, onde sombras dançavam nas paredes de concreto, ecoando a solitude noturna de Curitiba. O motorista, Marcel, já estava a postos. Assim que Eliot se aproximou, ele abriu a porta com um gesto preciso e o cumprimentou, sentindo uma admiração genuína e uma pitada de inveja saudável, Marcel via em Eliot um homem acessível, e isso o enchia de uma alegria simples, marcada pela aspiração de crescer. - Boa noite, senhor Lessan. Aconselho a colocar os óculos escuros. A previsão do tempo indica uma lua clara, mas o brilho das luzes da cidade pode ofuscar. Eliot sorriu, pegou os óculos e os colocou antes de entrar no carro, cujos vidros escurecidos garantiam privacidade. O interior era climatizado, e o ar fresco contrastava com o calor abafado do lado de fora, onde a noite curitibana pulsava com vida: neon de prédios altos piscando como estrelas artificiais, pedestres apressados sob postes de luz amarelada, e o som abafado de música distante de um clube próximo. Assim que Uriel se acomodou ao seu lado, Marcel fechou a porta e assumiu sua posição ao volante, dando partida no veículo, sentindo uma excitação sutil pelo papel que desempenhava, como um guardião leal em uma jornada noturna. Enquanto cruzavam as ruas movimentadas de Curitiba em direção ao Centro de Eventos FIEP, sob o céu estrelado salpicado de nuvens esparsas e o brilho difuso das luzes urbanas que pintavam a cidade em tons de âmbar e índigo, Eliot lançou um olhar divertido para Uriel, sentindo uma camaradagem afetuosa que aliviava o peso de suas responsabilidades. - Devia seguir o exemplo de Marcel. Ele nunca me chama de “Lorde”, nem fica relembrando meu passado. Me trata como se eu sempre pertencesse a este século. Uriel sorriu ironicamente, cruzando os braços, uma faísca de ciúme o atravessava, temperada por um humor genuíno, ele sabia que Marcel era ambicioso, mas isso só intensificava sua própria dedicação, como uma rivalidade fraterna. - Esse motorista safado só te trata assim porque está de olho no meu posto... Pensa que não sei disso. - Disse ele o encarando com um sorriso de lado. Os três riram, e a atmosfera no carro se tornou mais leve, um momento de conexão humana que dissipava tensões, enchendo o espaço com uma alegria coletiva e efêmera. O som discreto do motor e o movimento suave do veículo pelas avenidas bem planejadas da cidade criavam um cenário quase cinematográfico, com as luzes noturnas de Curitiba dançando nas janelas como reflexos de sonhos. Marcel, sempre atento, lançou um comentário descontraído, sentindo uma satisfação profunda em pertencer àquele círculo, ligados pela lealdade que o motivava. - Não se preocupe, Uriel. Eu aprecio ser o piloto de fuga do senhor Lessan. Eliot sorriu, observando a paisagem urbana através do vidro escurecido, uma onda de expectativa e melancolia o invadia, a noite prometia ser longa, mas ele estava pronto para ela, carregando no peito a intensidade de um homem dividido entre passado e futuro, sobrecarregado pela esperança de fazer a diferença. Durante o trajeto até o FIEP, enquanto o sedan de luxo serpenteava pelas avenidas iluminadas de Curitiba sob o céu noturno salpicado de estrelas e nuvens carregadas, Eliot pegou seu celular e deu uma olhada rápida em alguns e-mails, o brilho azul da tela contrastando com as luzes amareladas dos postes que piscavam ritmicamente nas janelas escurecidas. A noite curitibana pulsava com uma energia urbana sutil: o tráfego fluido de veículos cortando a escuridão úmida, o som abafado de buzinas distantes e o aroma de terra molhada misturado ao cheiro de comida de rua de lanchonetes abertas até tarde, evocando uma sensação de vida incessante em meio à tranquilidade aparente. Eliot sentia uma inquietude crescente, seu corpo estremecia pela pressão de responsabilidades que pesavam como sombras antigas em seu peito, misturando ansiedade pelo evento à frente com uma urgência paternal de resolver assuntos domésticos. Então, voltou-se para Uriel e perguntou, sua voz carregada de uma preocupação genuína e afetuosa, como um pai dividido entre o mundo exterior e o lar. - Conseguiu a babá noturna?URIEL LESSANEu simplesmente não conseguia acreditar em tudo o que acabou de acontecer, a Bella simplesmente aceitou a proposta do Marcel, a mesma proposta que eu mesmo achava uma loucura. Eu não sabia dizer como ou por quê, mas eu estava me sentindo o homem mais feliz do mundo. Desde que meu irmão fez a proposta para ela, eu sabia que ele tinha cruzado uma linha perigosa, eu sabia que a Bella era uma mulher moderna, mas ela havia sido criada sobre valores e, mesmo que não fosse, ela ainda era uma mulher muito inocente. Marcel não me falou nada, mas eu sei com toda a certeza que ele foi o primeiro homem que a beijou e o primeiro com quem ela fez amor na vida, sair disso para um relacionamento a três era uma mudança e tanto.Esses dias que eu esperei por uma resposta pareceram uma eternidade, Marcel não dormiu com ela porque não queria que ela pensasse que ele a estava pressionando e nem queria confundir os pensamentos dela. Ele queria deixá-la escolher por conta própria o que queria.
BELLA VERMONTEu não preciso dizer que mesmo encontrando tarefas em casa para me ocupar, eu não consegui parar de pensar na conversa que eu teria com os rapazes, eu sei que eles estão ansiosos para saber a minha resposta, e que eu enrolei demais para isso. A expectativa pela resposta deve estar alta, pelo menos da parte do Uriel eu sei que está, eu já me decidi e espero que essa decisão não machuque um ou outro, porque eu os amo muito.Ando de um lado para o outro em meu quarto, eu não sei mais o que fazer para me acalmar, eu estou simplesmente suando sem parar e não consigo me controlar com os vários pensamentos que povoam a minha mente, alguns sobre a reação dos dois e outros eu simplesmente não consigo evitar de pensar constantemente, mesmo que o momento não seja propício para pensar nas coisas que eu estou pensando.Olho no espelho e me vejo tão vermelha que fico incomodada, se eles chegarem e me verem assim, com toda a certeza saberão o que eu estou pensando e desejando avidament
BELLA VERMONTHoje fazem exatos quatro dias desde que os rapazes me fizeram aquela proposta. Eu achei que com a impaciência que ambos têm, logo estariam no meu pé cobrando uma resposta, mas se mostraram estranhamente pacientes. Entre cuidar da Lumina e da Eiva e os afazeres diários, eu continuava pensando como seria viver uma vida a três. Eu achava isso tudo uma loucura, mas confesso que não era totalmente indiferente a essa ideia.Eu seria hipócrita de dizer que não sinto nada pelo Uriel, ele é um homem maravilhoso e eu acabei me apaixonando, não sei como pude fazer isso, mas fiz e isso me perturba até agora quando ambos querem esse relacionamento. A quem eu estava querendo enganar, fingindo que não queria nada disso? Eu sou uma mulher adulta e não devo me preocupar com o que a sociedade vai pensar, somos três pessoas esclarecidas e tudo o que importa é o que cada um pensa sobre isso. Eu preciso realmente falar com eles, mas como?Pego um copo com água e me sento na cadeira próxima d
BELLA VERMONTDepois que Marcel e Uriel saíram, eu me deixei cair deitada em cima da cama. Eu não sabia o que dizer sobre tudo o que eu havia escutado. O fato de que Uriel sentia algo por mim já me havia passado pela cabeça, mas eu não me senti confortável em ficar presumindo isso, afinal, eu estava com o Marcel e eu não queria que o meu companheiro, que tanto amo, se sentisse traído. Repasso tudo o que tem acontecido comigo desde que cheguei à casa dos irmãos Lessan, toda a fase da entrevista e a admissão, o meu mal-entendendido com Marcel porque eu não queria que ele se aproximasse e, logo depois, Eliot se ferindo e Marcel quase morrendo.Quando esgotei as forças para salvar a vida do Eliot, eu não sabia que o Marcel estava machucado. Nós estávamos estremecidos porque eu o afastei de forma arredia quando ele somente estava sendo gentil. A verdade é que eu me senti mal pela forma como o tratei e queria voltar a conversar normalmente com ele, mas ele foi irredutível, o que me machucav
MARCEL LESSANEu estava inquieto durante a semana inteira, eu não sabia como eu deveria reagir com tudo o que eu sabia. O meu irmão Uriel e eu sempre fomos muito ligados desde sempre, somos gêmeos e por isso não era estranho que um sentisse o que o outro estava sentindo vez ou outra. Antes eu sentia que ele estava inquieto, nervoso e muito preocupado, mas sempre que eu perguntava o motivo, ele sempre me dizia que era impressão minha e que estava tudo bem. Eu sabia que ele não queria falar nada comigo, caso contrário ele não inventaria uma desculpa sempre que eu perguntava alguma coisa, então eu escolhi simplesmente ignorar.O tempo foi passando e eu sentia cada vez mais os seus sentimentos confusos e em conflito. Meu irmão sempre foi o exemplo de controle e saber que ele estava quase à beira do colapso era algo que mexia comigo e pior… parecia que dessa vez ele não queria a minha ajuda. Mesmo a contragosto eu fiquei longe e não o questionei mais, isso até o dia que a Bella foi sequest
URIEL LESSANOlho em volta do quarto por um momento, enquanto tento organizar os meus pensamentos. Não sei o que ela está pensando de mim agora e por um momento fico com receio de saber. Olho em seus olhos sem realmente conseguir manter contato visual e percebo que isso a deixa ainda mais confusa, seu olhar me diz que ela não entende o que está acontecendo, mas que também está muito curiosa. "Vamos Uriel… essa é a chance da sua vida, cara!", pensei.- Uriel, você está bem? Você parece um tanto nervoso demais… nunca te vi assim. - pergunta Bella ao se aproximar. - Olha, vem cá, senta perto e relaxa, tá bom? - disse ela puxando a minha mão e me levando para sentar de frente para ela na cama.Nós estávamos tão perto agora, mais um pouco e eu conseguiria sentir o toque quente das suas lindas pernas junto das minhas. Olhei em seus olhos lindos e tão carinhosos, os mesmos pelos quais eu me apaixonei, e me aproximei um pouco mais antes de começar… que seja o que tiver que ser.- Então Bella,







