MasukAlguns minutos depois, ainda sentada na bancada, Helena ajeitou o cabelo enquanto Ethan religava o fogo. A cozinha continuava com cheiro de alho e mostarda, e o barulho baixo da panela era o único som além da respiração dos dois.— Espero que você saiba terminar o que começou — provocou.Ele olhou para ela por cima do ombro, com um sorriso de canto.— O jantar ou outra coisa?Helena arqueou a sobrancelha.— Ainda dá para salvar o jantar?Ele levantou a tampa e examinou a panela com a seriedade de quem não admitia falhas nem na própria cozinha.— Por sorte, eu sei o que estou fazendo.— Claro. Não esperava outra resposta.Ela desceu da bancada, alisou a blusa e foi ajudar com os legumes. O molho voltou a engrossar, o arroz soltou vapor, e por alguns minutos trabalharam lado a lado sem precisar de muitas palavras. Helena reparou no jeito como ele provava o tempero, concentrado, e nos antebraços ainda expostos pelas mangas dobradas. Desviou o olhar antes que ele a flagrasse.Quando Ethan
Lucas baixou os olhos para a mesa e demorou alguns segundos para responder. Girou o copo entre os dedos, sem olhar para ela.— Não muita coisa. Na última vez que soube alguma coisa, ele tinha ido embora de Brasília.Helena franziu a testa.— Foi embora? Para onde?— Não sei. — Ele tomou um gole antes de continuar. — Depois disso, nunca mais tive notícias.A resposta veio rápida demais, e ele ainda não a tinha encarado. Helena percebeu, mas não soube dizer por quê.— Que estranho. A gente era tão próximo. Às vezes, parece que aquela época aconteceu com outra pessoa.— Você era muito nova quando tudo aconteceu, Helena. Muita coisa mudou.— Eu sei. Só queria saber se ele está bem.Lucas assentiu e chamou o garçom para pedir a sobremesa, mudando de assunto sem dar espaço para novas perguntas. Helena não insistiu. Era triste pensar que talvez nunca mais encontrasse o menino de quem guardava tantas lembranças, mas não havia muito que pudesse fazer a respeito.---Quando chegou ao apartament
O quarto estava silencioso, e Helena permanecia deitada ao lado de Ethan, com a cabeça apoiada no travesseiro. Havia algo que queria dizer desde a noite anterior, mas só agora encontrava coragem para tocar no assunto. — Ethan? — Hum? Ela virou o rosto para ele. — Eu queria te pedir desculpas por mais cedo. Ele franziu ligeiramente a testa. — Pelo quê? — Por ter corrido para te abraçar quando você chegou. Fui impulsiva. Fiquei feliz em te ver e nem pensei direito. Ethan a observou, esperando que continuasse. — Eu sei que existe um acordo entre nós e não quero ultrapassar os limites que estabelecemos. Depois, fiquei pensando se aquele abraço não tinha sido íntimo demais. — Foi só um abraço, Helena. — Eu sei, mas… — Não precisa se desculpar por isso. Se me incomodasse, eu teria dito. Ela estudou a expressão dele por alguns segundos, procurando alguma indicação de que estivesse apenas tentando encerrar o assunto. — Então está tudo bem? — Está. Helena relaxou contra o trave
O restaurante ficava em uma área reservada de um hotel de luxo. Ethan havia escolhido uma mesa em um espaço mais discreto, longe do salão principal, onde poderiam jantar sem chamar a atenção de outros clientes.Helena percebeu o cuidado assim que chegaram. O ambiente era elegante, com iluminação suave, mesas bem distribuídas e janelas amplas que enquadravam a cidade lá embaixo, um tapete de luzes amarelas e vermelhas.Não havia fotógrafos, curiosos ou pessoas se aproximando para cumprimentá-lo. Apenas o suficiente para que Ethan pudesse desfrutar de uma refeição tranquila.— Você costuma vir aqui? — ela perguntou enquanto se acomodava.— De vez em quando. É discreto, a comida é boa e ninguém fica tentando puxar conversa durante o jantar.— Imagino que isso seja importante para você.— É bastante conveniente.Helena abriu o cardápio. A resposta combinava perfeitamente com ele.O garçom se aproximou, apresentou as opções da casa e explicou alguns dos pratos. Ethan fez algumas perguntas
Helena terminou de fechar a mala e conferiu pela última vez se não havia esquecido nada. Não estava levando muita coisa, apenas algumas roupas, produtos de uso pessoal e o necessário para passar o fim de semana no apartamento de Ethan.Ainda assim, enquanto observava a mala ao lado da porta, não conseguiu conter o sorriso.Seria a primeira vez que deixaria tantas coisas suas no apartamento dele. Até então, suas visitas tinham uma duração definida, e ela sempre voltava para casa levando tudo o que havia trazido. Agora, teria algumas roupas no armário, seus produtos no banheiro e a liberdade de chegar sem precisar combinar cada detalhe com Ethan.Isso não mudava o que existia entre eles. Os dois já haviam conversado sobre os limites daquela relação, e Helena sabia que ele não lhe prometera nada além do que tinham acordado. Ainda assim, não havia motivo para negar a satisfação de poder passar aquele fim de semana com ele.Pegou o celular e enviou uma mensagem.Helena: Estou saindo de cas
Assim que as portas do elevador privativo se abriram, Clara deu alguns passos para fora e parou, observando o ambiente à sua frente. A sala era ampla, elegante e muito diferente de qualquer lugar que ela se lembrasse de ter frequentado.Ela olhou para Vinícius, confusa.— Eu moro aqui?— Sim. Este é o nosso apartamento.Clara voltou a olhar ao redor, tentando encontrar alguma coisa que lhe parecesse familiar, mas nada despertou qualquer lembrança. Antes que pudesse fazer outra pergunta, viu Marta se aproximando.— Minha filha!A mãe abriu os braços, e Clara não hesitou em aceitar o abraço. Marta a apertou contra si, emocionada, acariciando seus cabelos como se quisesse compensar, naquele instante, todos os dias em que estiveram separadas.— Eu estava tão preocupada com você — murmurou, afastando-se apenas o suficiente para olhar seu rosto. — Como está se sentindo? E o bebê?— Estou melhor, mãe. Ainda me sinto um pouco perdida, mas estou bem. Disseram que precisamos continuar acompanha







