FAZER LOGINPOV Tessa
Novembro, 2018. Meu coração estava batendo tão forte que eu conseguia sentir nas mãos. Talvez até no rosto. Talvez Matteo também conseguisse perceber. A ideia fez meu estômago virar imediatamente. O elevador subia devagar enquanto eu encarava os números mudando acima da porta, tentando parecer normal. Calma. Madura. Mas era impossível. Porque aquilo estava mesmo acontecendo. Eu estava subindo para um quarto de hotel com Matteo. E só de pensar nisso minha cabeça entrava em curto-circuito. O pior era que ele parecia absurdamente tranquilo. Relaxado, encostado na parede espelhada do elevador, como se não estivesse prestes a mudar completamente a minha vida. Aquilo provavelmente não era grande coisa pra ele. Meu peito apertou com o pensamento. Não porque Matteo fosse cruel. Mas porque ele tinha experiência. Eu não. Ele já tinha namorado garotas lindas. Já tinha ficado com metade das meninas populares do colégio. Já devia ter vivido aquilo mil vezes, enquanto eu ainda ficava nervosa quando ele segurava minha mão em público. Então por que ele estaria nervoso? A verdade era simples. Ele não estava. Eu que estava surtando sozinha. — Vem aqui. Pisiquei, saindo dos próprios pensamentos. — O quê? Matteo levantou o celular. — Foto. Arregalei os olhos imediatamente. — Agora? — Agora. — Matteo… Ele riu baixo. — Anda logo, Tess. Acabei indo até ele, meio sem jeito. O braço dele passou pela minha cintura naturalmente, puxando meu corpo contra o dele enquanto abria a câmera no espelho do elevador. Meu coração simplesmente perdeu o controle. Porque a gente parecia… Um casal de verdade. A cabeça dele inclinou levemente na direção da minha enquanto analisava a tela. — Tá linda — murmurou distraído, como se fosse só um pensamento escapando. Meu rosto queimou inteiro. — Pra quê a foto? Ele deu de ombros. Mas o sorriso diminuiu um pouco. — Quero lembrar desse dia. Aquilo bateu forte demais em mim. Só nós dois refletidos no espelho dourado do elevador, próximos demais, felizes demais. O tipo de foto que parecia íntima mesmo sem mostrar quase nada. As portas se abriram segundos depois. Eu ainda tentava controlar a respiração quando Matteo pegou a chave do quarto no bolso e a girou entre os dedos. — Vantagens de finalmente ter dezoito anos. Soltei uma risadinha nervosa. — Impressionante como você ficou metido depois que virou oficialmente um adulto. Ele virou o rosto lentamente pra mim. E o sorriso que apareceu no canto da boca dele fez meu corpo inteiro arrepiar. — Você ainda não viu nada. Minha respiração falhou imediatamente. Antes que eu conseguisse responder qualquer coisa, ele me puxou pela cintura outra vez. Só que, dessa vez, diferente. Mais firme. Mais perto. O beijo veio antes que eu pudesse pensar. E não foi como os selinhos tímidos das últimas semanas. Foi lento. Quente. Intenso de um jeito que fez minhas pernas enfraquecerem quase instantaneamente. Minha mão segurou automaticamente a camisa dele enquanto os dedos de Matteo deslizavam devagar pelas minhas costas. Mais baixos. Mais ousados. Como se ele estivesse tentando me enlouquecer aos poucos. E talvez estivesse funcionando. Porque, quando ele se afastou só o suficiente pra respirar, minha cabeça já estava completamente bagunçada. Os olhos dele encontraram os meus por um segundo. Escuros. Quentes. E aquilo fez meu coração disparar outra vez. A porta do quarto apareceu logo à frente, mas parecia distante demais porque eu mal conseguia pensar direito. Matteo abriu a porta enquanto eu tentava inutilmente recuperar algum raciocínio lógico. Será que isso ia mesmo acontecer? Meu Deus. Aquilo ia mesmo acontecer. O quarto era lindo. Grande demais. Sofisticado demais. Mas eu quase não consegui prestar atenção porque meu cérebro estava ocupado demais tentando sobreviver à proximidade dele. A porta fechou atrás de nós. O silêncio caiu pesado no ambiente. E, pela primeira vez naquela noite, Matteo pareceu nervoso também. Aquilo me pegou desprevenida. Porque ele desviou o olhar por meio segundo. Respirou fundo. E então voltou a me encarar daquele jeito intenso que fazia tudo dentro de mim derreter. Meu coração acelerou ainda mais. Ele voltou a me beijar devagar. Como se estivesse tentando sentir cada segundo. E foi aquilo que me deu coragem. Minhas mãos encontraram a camisa dele outra vez. Os dedos trêmulos abriram o primeiro botão. Depois o segundo. Depois o terceiro.POV Tessa … Escutei a porta da frente se abrir e olhei na direção do corredor. Finalmente. — Você demorou, aniversariante. Noah apareceu alguns segundos depois, soltando o paletó sobre o encosto de uma cadeira. — Eu tive que assumir a última reunião do Matteo. Ele soltou um suspiro e passou a mão pelos cabelos. — O coitado estava acabado. Comecei a rir. — Valentin e Vicente aprontaram a noite inteira, não foi? — A noite inteira é pouco. Ele se aproximou da mesa. — Aqueles dois não deixaram o Matteo e a Natasha dormirem nem uma hora. Balancei a cabeça, ainda rindo. — Se com uma a gente já passou algumas noites em claro, imagina com dois bebês de três meses. — Exatamente. Noah finalmente levantou os olhos para mim. E parou. O olhar dele percorreu meu corpo inteiro antes de voltar para o meu rosto. Sorri. — O quê? Ele apontou para a mesa. — Nossa. Olhei para a mesa que tinha preparado. Velas acesas, comida, vinho e todos os detalhes que eu tinha escolhido para a
Ver Matteo ali, esperando no altar, foi uma daquelas imagens que eu sabia que guardaria para sempre. Meu irmão estava prestes a se casar. E, naquele momento, eu percebi que não estava apenas vendo o casamento dele. Estava vendo uma parte da nossa história chegar a um daqueles momentos que a gente nunca esquece. Depois de tudo que tínhamos vivido juntos, depois de todas as fases, brigas, perdas, recomeços e mudanças, vê-lo ali, esperando pela mulher que tinha escolhido para dividir a vida, mexeu comigo de um jeito que eu não esperava. Olhei para meus pais. Minha mãe já estava emocionada. Ela tentava disfarçar, mas os olhos entregavam tudo. Meu pai mantinha a postura, como sempre. Mas eu conhecia aquele homem bem demais. O brilho nos olhos dele também estava ali. E, de repente, eu senti um aperto bom no peito. Porque aquela cena não era apenas sobre Matteo e Natasha. Era sobre nós. Sobre tudo que tinha nos trazido até ali. A família reunida. Meu irmão p
POV Noah Dezembro, 2026. Eu estava tentando colocar um sapato em Aurora pela terceira vez. Na primeira, ela arrancou. Na segunda, arrancou e imediatamente levou para a boca. Na terceira, eu já estava começando a questionar minhas escolhas de vida. — Filha… Ela me encarou com aqueles olhos cor de mel completamente inocentes, enquanto segurava o próprio sapato com as duas mãos. E levou novamente à boca. — Não. Ela ignorou. Claro. Aurora tinha acabado de completar seis meses e, aparentemente, uma das maiores descobertas daquela nova fase era que tudo podia ser levado à boca. Inclusive os próprios sapatos. Principalmente os próprios sapatos. Tessália tinha sido arbitrária ao decidir que ela precisava usar aquilo naquela noite. Segundo ela, não existia a menor possibilidade de Aurora aparecer na cerimônia da madrinha sem sapatos. Eu, particularmente, não via problema nenhum. Ela via ainda menos. Tinha aprendido a sentar sozinha havia pouco tempo e demo
E, entre uma coisa e outra, até Lurdinha tinha mudado completamente de função. No começo, aparecia de vez em quando, como quem estava apenas passando para dar uma olhada. Depois, deixou de ser visita e virou presença diária. Ela sempre tinha uma desculpa diferente. Precisava falar com algum funcionário. Tinha esquecido alguma coisa. Precisava resolver alguma coisa da casa. Qualquer coisa servia. Mas eu sabia muito bem o verdadeiro motivo. Ela queria ver Aurora. Ou melhor, queria babar um pouco na Aurora. E eu achava engraçado como, em menos de um mês, praticamente todo mundo tinha encontrado uma desculpa para passar pela nossa casa. Talvez porque, desde que ela nasceu, ninguém parecesse conseguir ficar muito tempo longe dela. E talvez a mudança mais engraçada tivesse acontecido com Natasha e Matteo. Os dois passaram de: “Não quero filhos tão cedo.” Para uma espécie de: “Olha que bonitinho… talvez a gente pudesse fazer um desses.” Eles nunca diziam i
POV Tessa Agosto, 2026. Eu olhava para Aurora enquanto ela mamava e ainda não conseguia acreditar. Aquele era o último dia em que eu teria uma recém-nascida. Vinte e oito dias. Vinte e oito dias desde que ela tinha chegado e transformado completamente a nossa casa. E, de repente, eu estava percebendo que aquele primeiro mês tinha passado rápido demais. Eu sabia que Aurora continuaria sendo minha filha, continuaria pequena, continuaria precisando de mim. Mas aquela fase específica estava acabando. A fase dos primeiros dias. Do corpinho minúsculo. Dos sonos intermináveis. Das madrugadas em que eu acordava sem saber que horas eram. Dos pequenos sons que eu ainda estava aprendendo a reconhecer. Em menos de um mês, tudo tinha mudado. A casa tinha ganhado cheiro de bebê. Cheiro de banho, de roupinhas limpas, de creme e daquele cheirinho delicioso que parecia ficar em tudo. O som preferido das minhas noites também tinha mudado. Antes, eu gostava do silênc
POV Noah Julho, 2026. A primeira visita a chegar foi Helena. Ela apareceu no quarto carregando as bolsas que Tessália tinha deixado em casa, trazendo tudo o que ela e Aurora precisariam para os próximos dias. Assim que entrou, olhou para nós três e abriu um sorriso enorme. — Finalmente posso conhecer minha sobrinha. Tessália sorriu. Eu ainda não conseguia acreditar que, poucas horas antes, estávamos correndo contra o tempo para salvar as duas. Agora estávamos ali. No hospital. Com Aurora dormindo tranquilamente nos braços da mãe. E foi só o começo. Porque o início da noite foi marcado por uma sequência de visitas. Família chegando, gente querendo conhecer Aurora, abraços, beijos e todo mundo querendo ver de perto a nova integrante da família. E, naquele momento, eu me arrependi profundamente de todas as vezes em que chamei Tessália de germofóbica. Porque bastava imaginar que algum daqueles visitantes poderia querer pegar Aurora no colo para eu sentir vont







