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Capítulo 2

Penulis: Monalisa
last update Tanggal publikasi: 2026-05-19 09:17:10

POV Matteo

Novembro, 2018.

Eu estava nervoso.

E aquilo era ridículo.

Porque eu nunca ficava nervoso.

Não daquele jeito.

Eu já tinha saído com praticamente metade das garotas populares do colégio. Algumas tinham sido legais. Outras, insuportáveis. A maioria só gostava da ideia de estar comigo.

O sobrenome ajudava.

A reputação do meu irmão mais velho naquele colégio também.

E, honestamente? Eu nunca precisei me esforçar muito.

As garotas apareciam.

Sempre apareceram.

Então por que diabos minhas mãos estavam suando encostadas naquele carro como se eu tivesse quinze anos?

Eu sabia exatamente o motivo.

Porque naquela noite eu pretendia contar a verdade pra Tessália.

Ou pelo menos parte dela.

Eu precisava explicar por que me aproximei dela no começo do ano.

Precisava pedir desculpas direito.

Não aquelas desculpas rasas que a gente dá só pra aliviar a consciência.

Uma de verdade.

Porque ela merecia isso.

Ela merecia muito mais do que eu tinha sido nos primeiros meses.

Fechei os olhos por um segundo e passei a mão no rosto.

Aquilo ia dar errado.

Assim que eu falasse a verdade, ela provavelmente ia me odiar.

E talvez tivesse razão.

Mas e se ainda existisse uma chance?

Uma chance de a gente começar direito agora.

Sem mentira.

Sem jogo.

Sem eu fingindo que não passava metade do dia pensando nela.

Soltei o ar devagar e me encostei no carro outra vez, tentando organizar os pensamentos.

Foi então que a porta da mansão dos Blake se abriu.

E eu esqueci completamente como respirava.

Porque ela apareceu.

Porra.

Tessa desceu os degraus devagar, claramente nervosa, segurando a bolsa pequena contra o corpo como se precisasse dela pra se manter firme.

O vestido rosa-claro parecia ter sido feito especificamente pra ela.

Delicado.

Bonito.

Perigoso pra caralho.

O cabelo caía em ondas suaves pelos ombros e, sem os óculos enormes que ela normalmente usava, os olhos dela pareciam ainda maiores.

Mais doces.

Ela parecia o tipo de garota que você olha uma vez e passa o resto da vida tentando olhar de novo.

Meu peito apertou de um jeito estranho.

Porque eu conhecia Tessália Blake fazia anos.

Mas nunca tinha visto ela daquele jeito.

Ou talvez nunca tivesse me permitido ver.

Ela foi se aproximando devagar até parar na minha frente.

Timidamente.

— Oi.

Meu cérebro simplesmente parou de funcionar.

Ela franziu levemente a testa.

— Matteo?

— Oi — respondi rápido demais.

E esquisito demais.

Tessa soltou uma risadinha abafada.

E aquilo me destruiu completamente.

Meu Deus.

Eu tava ferrado.

— Você tá linda — falei antes mesmo de pensar.

As bochechas dela ficaram rosadas na mesma hora.

Então eu me inclinei e dei um selinho rápido nela.

Pequeno.

Mas suficiente pra deixar ela ainda mais tímida.

Sorri sem conseguir evitar e abri a porta do passageiro pra ela.

Depois dei a volta no carro e entrei também.

O silêncio ficou imediatamente estranho.

Não ruim.

Só intenso demais.

Como se tivesse coisa demais presa entre a gente.

Resolvi falar qualquer coisa antes de enlouquecer.

— Meu pai tá agindo como se eu tivesse descoberto a cura do câncer porque passei na mesma faculdade que ele e meu irmão fizeram.

Ela riu baixinho.

— Imagino.

— Acho que ele já contou pra cidade inteira.

Ela virou um pouco o rosto pra mim, sorrindo daquele jeito pequeno que fazia meu estômago virar.

— Então ele obrigou você a me convidar hoje?

Ela claramente tentou falar brincando.

Mas tinha insegurança ali.

Pequena.

Escondida.

E eu odiei perceber aquilo.

Porque significava que uma parte dela ainda não acreditava que eu podia simplesmente querer estar ali.

Com ela.

— Não — respondi baixo. — Eu teria vindo de qualquer jeito.

Ela desviou os olhos imediatamente, tímida.

E o silêncio voltou.

Mas, dessa vez, não pareceu tão ruim.

Quando chegamos ao restaurante, as coisas ficaram mais leves.

A gente conversou sobre a formatura chegando.

Sobre faculdade.

Sobre professores insuportáveis.

Sobre Chloe quase ter sido suspensa três vezes no mesmo semestre.

Tessa ria com o corpo inteiro.

E aquilo era perigoso.

Porque, quanto mais ela ria, pior eu me sentia.

Pior ficava a culpa dentro do meu peito.

Quando os pratos chegaram, eu soube que precisava falar logo antes de perder a coragem.

— Tess… eu preciso te contar uma coisa.

Ela pareceu surpresa.

Mas então respirou fundo e mexeu nervosamente no guardanapo sobre o colo.

— Eu também preciso falar uma coisa pra você.

Franzi a testa.

— Fala primeiro.

Ela prendeu a respiração por um segundo inteiro antes de criar coragem.

— Você disse pra eu pensar direito sobre hoje.

Meu coração acelerou imediatamente.

— E eu pensei.

Ela evitava meus olhos enquanto falava, claramente nervosa.

— Eu sei que… provavelmente a gente vai acabar em lugares diferentes depois da formatura. Faculdade, rotina nova… essas coisas.

Ela respirou fundo.

— Mas eu pensei bastante e… eu quero que seja com você.

Meu corpo inteiro travou.

— Tess…

— E eu não tô colocando nenhuma responsabilidade em você — ela continuou rápido, nervosa. — Eu sei que as coisas podem mudar depois e—

— Ei.

Ela finalmente olhou pra mim.

Os olhos grandes.

Sinceros.

Confiando em mim daquele jeito absurdo.

Meu peito doeu.

— Você não precisa se justificar.

Ela ficou quieta.

E então completou, mais baixo:

— Só é importante pra mim que seja com alguém de quem eu gosto de verdade.

Aquilo acabou comigo.

Porque naquele instante eu percebi duas coisas ao mesmo tempo:

A primeira era que eu nunca tinha gostado de ninguém daquele jeito antes.

A segunda…

Era que eu não conseguia contar a verdade.

Não ali.

Não depois dela olhar pra mim daquele jeito.

Ela sorriu nervosa.

— O que você ia me falar?

Essa era minha chance.

Era agora.

Eu podia acabar com aquilo antes dela se machucar de verdade.

Eu devia fazer isso.

Mas, quando abri a boca…

Nada saiu.

Só covardia.

Só medo de perder ela.

Então eu menti.

Ou talvez tenha sido pior, porque não era exatamente mentira.

Era só a parte egoísta da verdade.

Respirei fundo e segurei a mão dela sobre a mesa.

— Na verdade… eu ia dizer que quero fazer isso dar certo.

Ela piscou, surpresa.

— Mesmo com a distância. Mesmo com faculdade. Com tudo.

Os olhos dela brilharam devagar.

E aquele sorriso apareceu outra vez.

Pequeno.

Lindo.

Confiando em mim.

Meu estômago afundou completamente.

Porque, pela primeira vez na vida…

Eu sabia exatamente como era não merecer alguém.

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