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As Duas Coisas...

last update publish date: 2026-09-21 11:43:03

O silêncio que se formou entre nós após a súplica de Isaque não era apenas a ausência de som; era um espaço denso, preenchido pelo som ritmado das nossas respirações e pelo calor quase febril que emanava de sua pele.

Ele continuava aa deslizar os lábios pelo meu pesoço, meu coração martelava desordenado contra o peito. Eu conseguia sentir a vibração sutil de suas cordas vocais, o tremor contido em seus ombros largos e a expectativa silenciosa que parecia travar cada músculo do seu corpo.

Isaq
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    POV ISAQUE— Corpo na estrada velha. Ataque de animal.A caminhonete do Bruno sumiu na curva da estrada de terra levantando poeira, e o ronco do motor foi morrendo até virar só vento.Respirei fundo e o ar frio entrou pelo meu nariz, refrescando meus pulmões, quando o nome veio sozinho:Thane.Tinha que ser ele.Fazia dias desde que eu entrei no clube dele e saí deixando recado. Desde então, eu dormia com um olho aberto, esperando retaliação. O tipo dele não engole desaforo. Apostaria cem contos que aquele corpo largado perto da ponte é o cartão de visitas dele.O jeito covarde de dizer cheguei. Sem mostrar a cara.Outra coisa me incomodava. O xerife olhou para a Bia antes de entrar no carro.Foi um segundo rápido, mas eu peguei.Não era a primeira vez.Ele sempre fazia coisas assim. O interesse de outro macho pela minha fêmea, obviamente, me incomodava, incomodava muito mais a minha natureza.Minha primeira vontade foi acompanhar o xerife e ver o corpo.Sentir o cheiro da cena, ver s

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    POV THANE O quarto cheirava a cigarro barato, suor, sexo e perfume doce demais. A fêmea de pernas abertas embaixo de mim tinha cabelos compridos e escuros como os da Beatriz. Foi por isso que a escolhi: olhos castanhos, pequena, magra, baixa, com curvas onde tinha que ter. Ela se parecia o bastante com ela quando a encontrei no bar procurando alguém para me aliviar. Deve ter sido o álcool, porque já não se parecia tanto agora... Metia nela com força, precisava esvaziar o saco, mas a cada gemido dela a minha raiva aumentava. Voz irritante, no rosto errado. Queixo muito fino. A boca muito vermelha. Um jeito ansioso de agradar e fingir que estava gostando de ser fodida por um estranho. Não era a Beatriz. Eu sabia disso, e esse fato me deixou irritado. Segurei o pescoço dela com força, a cada estocada o meu pau chegava no fundo. Até que era apertada e estava bem molhada para uma puta de rua. Fechei os olhos e pensei na Beatriz. Ela não ficava molhada, frígida e fria, mas a boceta d

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    POV BIAMinhas mãos estavam geladas. Eu esfregava uma na outra sem parar, mas não adiantava. A boca seca, o estômago embrulhado. A cadeira de plástico duro rangia cada vez que eu mudava de posição.Eu, o Hector, a Maia e o xerife.Ninguém falava nada. O Hector estava de braços cruzados, o olhar fixo na porta dupla. A Maia balançava a perna sem parar, o tênis batendo no piso. O xerife girava o chapéu nas mãos...Quando o Dimas e o Léo entraram, ainda sujos de sangue e poeira, todo mundo se levantou de um pulo.— E ele? — minha voz saiu antes de qualquer outra.Léo olhou primeiro para o Hector. O Dimas também. Foi rápido, mas eu vi. Podia imaginar que aquele olhar significava algo tipo:"Pode falar na frente dela? Ela é humana."O Hector assentiu uma vez, curto.O Dimas puxou o ar.— O médico falou que não tem perigo, não. Ele está bem.Desde que cheguei, não tive nenhuma informação concreta sobre o estado do Isaque, e minha ansiedade, meu nervosismo estavam me fazendo temer que ele est

  • O Lobo Renegado e a Companheira Indesejada   Sombras do Passado

    POV ISAQUEAlgum tempo antes.O que vi lá embaixo fez meu lobo rosnar baixo, arranhando para sair.O cheiro me atingiu primeiro. Sangue velho impregnado nas paredes, suor azedo, álcool derramado, testosterona pesada no ar. Por baixo de tudo, o fedor de várias espécies misturadas. E cortando tudo isso, nítido, o cheiro de pele queimada pela prata.A arquibancada em círculo estava lotada. Gente que humano nenhum imagina que existe. Um demônio de chifre curto apostando alto, uma vampira pálida lambendo o polegar, elfos magros rindo com os dentes afiados à mostra...Corações batendo fora de ritmo em todo canto. Meus ouvidos captaram cada um, cada respiração ofegante, cada copo batendo.No meio, o ringue de lona manchada.Um beta estava de joelhos. Era forte pra caralho, ombros largos, peito subindo e descendo rápido. A pele brilhava de suor e sangue, com marcas de ferida ainda abertas nos braços. No pescoço dele, uma coleira grossa de prata com uma luz vermelha piscando.Eu sentia o cheir

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    POV BIAO quarto do Hector e da Maia era igual ao meu, no mesmo andar, porta ao lado. Pequeno e sem luxo, como tudo naquele hotel simples da cidade. O abajur do canto estava aceso.Depois que o Isaque saiu, minha ansiedade piorou. Minhas mãos suavam frio e eu não conseguia ficar parada. A ideia de ficar sozinha naquele silêncio me parecia impossível. Quando a Maia me chamou para ficar com eles, aceitei na hora.Ela disse que já imaginava que eu não conseguiria dormir.Fazia duas horas que o Isaque tinha saído e eu ainda sentia a pressão dos dedos dele no meu rosto. Ele tinha me dito num tom de quase pedido:"Confia em mim.""Eu sou forte, Bia. Eu sei o que estou fazendo."Eu tinha medo que ele se machucasse. Por minha causa. Tinha medo do que o Thane podia fazer com ele. Depois de tudo o que fez comigo.Mas o Isaque... parecia tão seguro. Que chegou a me irritar.Agora aquela segurança me assombrava.— Bia, senta um pouco — a Maia pediu. Ela estava sentada na cadeira e bateu de leve n

  • O Lobo Renegado e a Companheira Indesejada   Vértice

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