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####CAPÍTULO 31

last update Data de publicação: 2026-07-06 19:51:48
O ARREPENDIMENTO

GIORGIO

Cruzo o umbral do meu quarto com os passos pesados de quem carrega o mundo nas costas. Fecho a porta de madeira maciça atrás de mim, trancando o som do resto da mansão do lado de fora, e caminho lentamente em direção à imensa janela de vidro que dá para as terras da nossa fazenda.

A noite siciliana já cobriu toda a propriedade com o seu manto escuro e denso. As lâmpadas de poste dispostas pelos caminhos iluminam apenas uma fração muito pequena dos nossos olivais ma
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Último capítulo

  • O MAGNATA EM BUSCA DO PERDÃO    ####EPÍLOGO BÔNUS

    CAPÍTULO BÔNUS – BETTINATrês anos em uma clínica psiquiatrica, esse foi o tempo exato que passei isolada na clínica de reabilitação.No início, o ódio e o ressentimento me consumiam por dentro. Achei que meu pai estava me punindo, mas, no fundo, ele não me deu trégua porque sabia que aquela era a minha única chance de salvação. E hoje eu reconheço: foi a melhor coisa que ele já fez por mim.Durante todo esse tempo, fui submetida a um tratamento rigoroso e a regras estritas. Não podíamos ter nenhum tipo de relacionamento, contato afetuoso ou distrações externas. Tivemos que encarar nossos próprios demônios de frente. Foi um processo doloroso, arrastado e profundo, mas indispensável.Foi lá dentro que conheci o meu terapeuta, Lucero. Ele foi o homem que me ajudou a desmontar a carcaça de egoísmo e obsessão que construí durante a vida, ensinando-me a entender que nem tudo o que a gente quer na vida a gente pode ter. Mas Lucero foi muito além do profissionalismo impecável: ele enxergou

  • O MAGNATA EM BUSCA DO PERDÃO    ####EPÍLOGO

    GIORGIOCinco anos depois do nascimento dos gêmeos.O fim de tarde na fazenda tingia o céu da Sicília em tons vibrantes de dourado e lilás. O aroma dos limões-sicilianos e do azeite fresco vindo do laboratório de Gemima preenchia o ar, criando aquela atmosfera de paz que, no passado, eu jamais julguei ser possível alcançar.Sentei-me na varanda da casa principal, com um copo de suco de laranja na mão, observando com orgulho a cena que se desenrolava no gramado à minha frente.Enzo e Lorenzo, agora com cinco anos, e as pequenas Marina e Mariana, nossas outras gêmeas que vieram logo em seguida e já estavam com três aninhos esbanjando fofura, corriam atrás de uma bola de futebol pelo terreiro. E à frente de todo esse time, comandando a partida com a severidade e a dignidade de uma verdadeira técnica profissional, estava Georgina.Aos dez anos, nossa filha mais velha havia se tornado uma garotinha linda, esperta e completamente imbatível em suas convicções.— Passa a bola, Enzo! Lorenzo,

  • O MAGNATA EM BUSCA DO PERDÃO    ####CAPÍTULO 145

    GEMIMAA volta para casa com Enzo e Lorenzo nos braços trouxe uma movimentação diferente para a fazenda. O aroma suave de sabonete infantil e o silêncio sereno da casa logo foram preenchidos pela expectativa do nosso reencontro. Minha mãe estava na sala com Georgina, segurando as mãozinhas inquietas da nossa pequena, que pulava no lugar de tanta ansiedade.Assim que cruzamos a porta de entrada, Georgina correu na nossa direção, parando abruptamente com os olhos bem abertos diante dos dois moisés decorados.Em vez do esperado abraço calmo de boas-vindas, ela colocou as mãos nas cintoquinhas, olhou diretamente para Giorgio e para mim e disparou, com o tom mais sério e desesperado do mundo:— Quando é que vocês vão se ajoelhar de novo e pedir para o Papai do Céu mais irmãozinhos? Agora que chegou esses dois, quando é que vai vir o resto do meu time?Eu e Giorgio nos olhamos no mesmo instante. Tentei conter o riso, mas a expressão da minha filha era de puro e genuíno desespero logístico.

  • O MAGNATA EM BUSCA DO PERDÃO    ####CAPÍTULO 144

    GEMIMASaímos do hospital radiantes, flutuando em uma nuvem de pura felicidade. Antes de ir buscar a nossa filha na escola, fizemos questão de parar em uma loja de artigos infantis. Giorgio fazia questão de escolher cada detalhe pessoalmente. Compramos dois ursinhos de pelúcia idênticos, macios e delicados, cada um trazendo uma fitinha bordada no peito com a frase perfeita: "Parabéns, você vai ser nossa irmã mais velha!".No caminho para casa, Giorgio ligou para o nosso cozinheiro e pediu que preparasse um bolo especial de comemoração, bem bonito e decorado, para receber a nossa garotinha.Fomos juntos até a escola e, assim que Georgina passou pelo portão e nos viu esperando por ela do lado de fora, veio correndo com os braços abertos, cheia de energia. O trajeto de volta para a fazenda foi puro suspense, com Giorgio piscando para mim pelo retrovisor enquanto ela tentava adivinhar o motivo de estarmos tão sorridentes.Assim que entramos em casa, a mesa da sala de jantar já estava pos

  • O MAGNATA EM BUSCA DO PERDÃO    ####CAPÍTULO 143

    GEMIMADois meses se passaram desde o nosso casamento. A vida na fazenda havia ganhado uma rotina harmoniosa e abençoada. O meu laboratório de azeites já estava em pleno funcionamento, Georgina estava radiante com a sua nova rotina e o meu amor por Giorgio crescia a cada amanhecer.Estávamos todos reunidos à mesa para o café da manhã. A mesa estava farta com pães frescos, queijos da região, frutas e o café recém-passado, cujo aroma costumava ser um dos meus preferidos. Mas, de repente, no exato momento em que Giorgio serviu a sua xícara, uma onda súbita e devastadora de enjoo atingiu o meu estômago. O cheiro do café, antes tão agradável, pareceu insuportável.Senti a minha garganta fechar e a salivação aumentar rapidamente.— Licença... — murmurei com a voz falhada, levantando-me às pressas da mesa e levando a mão à boca.Corri em direção ao lavabo mais próximo do corredor. Mal deu tempo de fechar a porta; debrucei-me sobre a pia e vomitei de forma violenta, o meu estômago contorcend

  • O MAGNATA EM BUSCA DO PERDÃO    ####CAPÍTULO 142

    – HENRIQUEA luz fraca do final de tarde que entrava pelas cortinas do escritório parecia deixar o ambiente ainda mais pesado. Eu observava a minha filha andar de um lado para o outro como um animal enjaulado, as mãos trêmulas, o olhar desprovido de qualquer traço de lucidez.Bettina havia ultrapassado todos os limites aceitáveis para a razão humana.— O Giorgio é meu! Ele é meu, pai! — ela gritava, a voz estridente cortando o silêncio da casa enquanto cravava as unhas na própria palma da mão. — Aquele casamento é uma farsa! Aquela camponesa desgraçada usou feitiço, usou aquela criança para prender ele! O Giorgio me ama, ele tem que voltar para mim! Ele não pode me largar assim!— Chega, Bettina! — minha voz ecoou firme pelo cômodo, embora o meu peito estivesse destruído por dentro ao ver o estado lamentável em que ela se encontrava. — Pela amor de Deus, olhe para você! Pare de se humilhar e de encarar o mundo através dessa sua obsessão doentia!— Eu não estou doentia! — ela vocifero

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