Mag-log inAgradeço à psicóloga pelas explicações e sigo em direção ao quarto, tentando assimilar tudo o que acabei de ouvir. Entretanto, no momento, não consigo pensar em outra coisa além de vê-lo e ter certeza de que ele está descansando.
Entro silenciosamente na enfermaria e o encontro deitado, com os olhos fechados, dormindo profundamente por causa da medicação. Aproximo-me da cama, puxo uma cadeira e me sento ao seu lado, segurando uma de suas mãos entre as minhas. Observo seu rosto cansado, os cabelos que começam a apresentar os primeiros fios grisalhos e a expressão abatida de um homem que dedicou tantos anos da própria vida a cuidar de mim, mesmo carregando uma tristeza que nunca conseguiu superar. — Papai, o senhor cuidou de mim desde o dia em que nasci até agora, quando completei dezoito anos, sei que o senhor passou todos esses anos com o coração ferido pela perda da mamãe e que suportou muita coisa para conseguir me criar, não conheci minha mãe, mas conheço o amor que o senhor sentia por ela através das histórias que me contou, das fotografias que guardou e da maneira como sempre o senhor falou dela. Acaricio sua mão, emocionada, e permaneço alguns instantes observando seu rosto adormecido, me recordo quantas vezes meu pai chegou cansado do trabalho e, mesmo assim, encontrou disposição para preparar meu jantar, acompanhar minhas tarefas escolares ou conversar comigo sobre os acontecimentos do dia. Nunca precisei pedir que estivesse presente, porque ele sempre esteve e fazia questão de participar da minha vida. Agora, ao vê-lo naquela cama, compreendo que chegou o momento de retribuir parte de tudo o que recebi, não porque existe uma dívida entre nós, mas porque o amo e não suportaria abandoná-lo justamente quando mais necessita de mim. — Papai, agora é o senhor quem precisa de mim, chegou a minha vez de cuidar de você. Não é uma obrigação que alguém esteja me impondo, é meu dever como filha. Permaneço ao seu lado por mais algum tempo, segurando sua mão e desejando que ele possa me ouvir, mesmo adormecido. A notícia da aprovação na universidade ainda está guardada em minha memória, mas já não consigo pensar na minha conquista. Sei que meu pai ficou todos esses meses tão ansioso com a possibilidade de me ver ingressar na faculdade, porém também sei que ele jamais aceitará se eu desistir por ele. Antes de sair, ajeito cuidadosamente a coberta sobre seu corpo e beijo sua testa, despedindo-me em voz baixa. Encontro a psicóloga no corredor e pergunto se papai permanecerá dormindo até o dia seguinte. Ela confirma que a medicação o deixou bastante sonolento e que a equipe continuará acompanhando seu estado durante a internação. Explico que preciso retornar para casa, pois tenho algumas providências urgentes a tomar e pretendo começar a procurar emprego ainda naquele dia. Ele é tudo o que tenho e eu sou tudo o que ele tem, amanhã de manhã virei para levá-lo para casa. Entretanto, agora preciso encontrar um trabalho que ofereça uma renda suficiente para manter nossa casa enquanto meu pai estiver impossibilitado de trabalhar. Não pretendo desistir definitivamente dos estudos, apenas adiá-los até que nossa situação esteja mais estável. Cheguei em casa, abro meu computador e começo a preparar um currículo. Examino as informações que posso apresentar e me pergunto que experiência profissional realmente possuo. Já trabalhei em uma lanchonete, ajudando no atendimento e na organização do estabelecimento, e também fiz faxinas em algumas residências para conseguir algum dinheiro. Não tenho uma formação profissional nem experiência em grandes empresas, mas sei trabalhar, sou responsável e não tenho medo de aprender. Enquanto procuro oportunidades, encontro anúncios de hotéis que estão recebendo currículos e penso que talvez consiga uma vaga de camareira. Conheço as tarefas de limpeza e organização, estou acostumada a trabalhar com atenção e acredito que poderei desempenhar a função se alguém me oferecer uma oportunidade. Preencho cuidadosamente meus dados, confiro as informações e encaminhar os currículos para vários hotéis do estado, e cada currículo enviado, espero que alguma empresa me convoque para uma entrevista, embora saiba que existem muitas pessoas procurando emprego. Cheguei às sete horas no hospital, fui à enfermaria onde papai está internado, felizmente, não há outros pacientes no quarto, e encontro o papai ainda dormindo. Aproximei-me da cama para observá-lo e percebo que continua descansando tranquilamente. Às oito horas, meu telefone emite o aviso de uma nova mensagem, pego o aparelho, abro a caixa de e-mails e descubro que um dos hotéis para os quais encaminhei meu currículo está me convidando para uma entrevista naquela mesma tarde. Leio a mensagem mais de uma vez para confirmar que compreendi corretamente e sinto uma esperança que não experimentava desde o momento em que encontrei meu pai desmaiado. Não sei se conseguirei a vaga, mas pelo menos terei a oportunidade de conversar com alguém e demonstrar que estou disposta a trabalhar. Confirmo minha presença e verifico o horário da entrevista, calculando que poderei comparecer depois de levar o papai para casa e preparar seu almoço. Aguardei a liberação do papai, acompanho atentamente as orientações sobre os medicamentos e a continuidade do tratamento que papai vai precisar fazer. E quando finalmente recebemos autorização para sair, ajudo-o a se arrumar e o acompanho de volta para nossa casa, no trajeto, o observo que ele ainda está abatido e procuro não demonstrar todas as preocupações que me acompanham desde o dia anterior. — Papai, hoje à tarde irei a uma entrevista de emprego, ontem enviei currículos, e hoje fui chamada, espero conseguir a vaga. — Entrevista de emprego, filha, mas e sua faculdade? Papai perguntou, olhando para mim com preocupação. — A faculdade fica para depois, papai, o senhor precisa de mim, e hoje à tarde irei a uma entrevista para uma vaga de camareira. Sei que o senhor está enfrentando uma depressão grave, e vai precisar de tratamento. Por dezoito anos, o senhor cuidou de mim, dedicou sua vida à minha criação e fez tudo o que estava ao seu alcance para que nada me faltasse, agora chegou a minha vez de cuidar do senhor. — Minha filha, você precisa ir para a faculdade, não pode abandonar seus estudos por minha causa. — Eu já disse, papai, a faculdade fica para depois o mais importante agora é a sua saúde, não quero que nada de ruim aconteça com o senhor, já perdi minha mãe no dia em que nasci e não posso perder meu pai, te amo, papai.ASTREA POVEstou em meus aposentos quando recebo a ligação do detetive particular que enviei aos Estados Unidos para investigar a vida de Isadora Rivera. Desde que Stéphanos anunciou seu noivado com aquela americana, não consigo encontrar um momento de tranquilidade. Alexos decidiu se divorciar de mim, meus filhos estão cada vez mais distantes e agora preciso suportar a ideia de que uma mulher de origem humilde poderá ocupar um lugar que jamais desejei lhe conceder. Não pretendo aceitar essa situação, principalmente porque conheço minha capacidade de encontrar soluções para problemas que outras pessoas considerariam impossíveis de resolver. Observo o telefone enquanto atendo à chamada, esperando que finalmente tenha descoberto alguma coisa que possa ser utilizada contra a noiva do meu filho.— Você não sabe o que eu descobri, Astrea.— Só vou saber quando você falar, imbecil.— Veja bem como fala comigo, Astrea. Estou trabalhando para você, mas isso não significa que precise aceitar s
STÉPHANOS POVOs dias estão passando e, cada vez mais, percebo que não consigo ficar longe de Isadora. Desde que a trouxe para a Grécia, minha vida ganhou uma tranquilidade que não experimentava havia muito tempo. Mesmo quando estou ocupado com os negócios, encontro-me pensando nela, imaginando o que está fazendo e desejando terminar logo meus compromissos para voltar à ilha. Nunca fui um homem que deixasse os assuntos pessoais interferirem no trabalho, mas agora compreendo que existe uma diferença enorme entre administrar empresas e encontrar alguém com quem realmente desejamos compartilhar a vida. Posso passar horas diante de contratos e reuniões, mas nada me proporciona tanta satisfação quanto chegar em casa e encontrar Isadora esperando por mim.Hoje retorno um pouco mais cansado, depois de resolver alguns assuntos que ficaram pendentes durante minha permanência em Nova York. Assim que entro na mansão, percebo um aroma agradável vindo da cozinha, diferente dos pratos que costumam
ASTREA POVSaio do escritório do meu filho sentindo uma indignação que mal consigo controlar. Alexos decidiu se divorciar de mim, Stéphanos praticamente me expulsou da empresa e Alexander há anos se recusa a manter qualquer contato comigo. Agora, como se todas essas afrontas não fossem suficientes, aquela americanazinha aparece e conquista o lugar que jamais deveria ocupar em nossa família. Não admito que uma simples camareira tenha conseguido despertar em Stéphanos sentimentos que nenhuma das mulheres da nossa sociedade conseguiu. Ela vai me pagar por essa humilhação, e vai pagar caro. Meu filho pode acreditar que está apaixonado e que terá uma vida maravilhosa ao lado dela, mas não conhece minha capacidade de destruir aquilo que se coloca em meu caminho.Durante o trajeto até a mansão, procuro controlar minha raiva e pensar na maneira mais eficiente de acabar com esse relacionamento. Não adianta continuar discutindo com Stéphanos, porque ele está decidido a enfrentar qualquer pessoa
ASTREA POV— Você viu a afronta de Alexos, Natina, ao dizer que não suporta mais a minha presença? Depois de tantos anos de casamento, ele simplesmente anuncia que vai se divorciar de mim, como se eu não tivesse importância alguma. Se pensa que conseguirá se livrar de mim dessa maneira, está muito enganado. Vou tirar tudo o que puder dele. Quero ver se continuará tão arrogante quando perceber o que está prestes a perder.Ainda estou indignada com o que aconteceu na ilha. Alexos teve a ousadia de me enfrentar diante de uma desconhecida, anunciar que já assinou os documentos do divórcio e exigir que eu respeite aquela mulher que Stéphanos resolveu apresentar como noiva. Não consigo aceitar que meu próprio marido tenha me tratado daquela maneira, principalmente depois de tantos anos em que me dediquei a ocupar a posição de esposa de um dos homens mais ricos da Grécia. Agora ele imagina que poderá simplesmente se mudar para a ilha, deixar alguns documentos em uma pasta e determinar que no
Estou na sala quando as duas entram. A mulher mais velha me observa dos pés à cabeça, com uma expressão que imediatamente me causa desconforto. Seu olhar percorre minhas roupas e meu rosto antes que faça qualquer tentativa de me cumprimentar.— Quem é você?Apesar da maneira desagradável como se dirige a mim, procuro responder com educação, pois ainda não sei quem são aquelas mulheres.— Sou Isadora, a noiva de Stéphanos. E a senhora, quem é?Ela ergue o queixo e me observa com uma expressão de superioridade, como se estivesse surpresa por encontrar alguém que não a reconhece imediatamente.— Eu sou a mãe dele, Astrea Vasilis, e esta aqui é Natina, a verdadeira noiva de Stéphanos.Agora compreendo quem está diante de mim. Recordo todas as conversas que tive com meu noivo sobre a mãe e sobre a mulher com quem ela insiste que ele se case. Apesar do nervosismo, não permito que minha expressão demonstre medo, pois sei que Stéphanos foi muito claro quando falou sobre o relacionamento que t
ISADORA POVNo dia seguinte à nossa chegada à Grécia, acordo com uma felicidade que ainda me parece difícil de acreditar. Estou em uma ilha lindíssima, cercada por jardins e paisagens que nunca imaginei conhecer, ao lado do homem que escolhi para compartilhar minha vida. Entretanto, minha primeira preocupação é saber como papai está passando. Apesar de ter conversado com ele antes de embarcar, sinto saudade da sua presença e quero mostrar o lugar onde estou hospedada. Stéphanos permanece ao meu lado enquanto faço a ligação pelo telefone que ele providenciou para meu pai, e fico contente quando Edward atende, demonstrando estar bem-disposto.— Bom dia, papai, como o senhor está? Dormiu bem? Está seguindo direitinho o tratamento?— Bom dia, minha filha, estou bem. Pode ficar tranquila, porque estou sendo muito bem cuidado. E você, como está? Gostou da Grécia?— Estou adorando, papai. A ilha é maravilhosa, e o senhor precisa conhecer os jardins que existem aqui. Stéphanos está comigo, e







