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O MAGNATA GREGO E A CAMAREIRA PLUS SIZE
O MAGNATA GREGO E A CAMAREIRA PLUS SIZE
Author: Tônia Fernandes

####CAPÍTULO 01

last update Petsa ng paglalathala: 2026-10-28 16:40:02

ISADORA POV

Cheguei em casa depois da escola e fui direto à caixa de correspondência, ansiosa para saber se recebi a resposta da universidade.

Quando encontro o envelope que tanto espero, meu coração disparou, sinto que minhas mãos tremerem enquanto abro o envelope.

Percorri as primeiras linhas com os olhos até encontrar a confirmação de que fui aprovada.

— Não consigo conter minha felicidade, pois finalmente terei a oportunidade de cursar uma faculdade, conquistar uma profissão e melhorar nossa vida.

 Penso imediatamente no papai,  em todos os anos que ele se dedicou  trabalhando para que nunca me faltasse nada e em quantas vezes precisou abrir mão das próprias necessidades para atender às minhas. 

Chega de tanto sacrifício! Quando terminar meus estudos, poderei conseguir um bom emprego e proporcionar a ele o descanso que merece, o papai merece aperto a carta contra o peito  entro em casa, desejando compartilhar minha conquista com o homem que sempre acreditou em mim.

 Entretanto, assim que atravesso a porta, toda a alegria que sinto desaparece ao encontrar meu pai caído no chão, aparentemente desacordado.

—  Papai,  que aconteceu por favor, acorde! Corro  em sua direção, ajoelhei-me ao lado dele, tocando seu rosto e tento obter alguma reação, mas meu pai não responde. 

O desespero toma conta de mim quando percebo que não consigo fazê-lo despertar. Pego meu telefone e ligo  para o serviço de emergência, solicitando uma ambulância e explicando que encontrei meu pai desmaiado dentro de casa. 

— Enquanto aguardo o socorro, permaneço junto dele, chamando-o repetidas vezes observo sua respiração, com medo de que algo muito grave esteja acontecendo. 

A espera parece interminável, embora a ambulância chegue cerca de meia hora depois, nesse intervalo, meu pai recupera a consciência, mas continua tão distante que tenho a impressão de que não está inteiramente presente.

 Seus olhos permanecem abertos, porém seu olhar não acompanha meus movimentos como de costume, e essa expressão me assusta ainda mais do que o desmaio.

— Pai, sou eu, sua filha Isadora, o senhor está me ouvindo papai, o que aconteceu com o senhor? — pergunto, segurando sua mão enquanto os socorristas começam a examiná-lo.

A equipe explica que precisamos levá-lo ao hospital para descobrir o motivo do desmaio e verificar se existe algum problema de saúde que exija atendimento imediato. 

— Concordo sem hesitar, pois não consigo imaginar deixá-lo sozinho naquele estado.

Antes de sair, deixo a carta da universidade sobre a mesa, peguei nossos documentos e acompanho meu papai até a ambulância. Durante o trajeto, permaneço sentada ao lado da maca, segurando sua mão enquanto ele recebe soro.

 Observo seu rosto abatido e procuro compreender o que poderia ter acontecido, já que, apesar de sua tristeza constante, nunca o encontrei desacordado, essa foi a primeira vez que ele fica dessa maneira. Meu pai percebeu minha preocupação e apertou levemente meus dedos, tentando me tranquilizar.

— Filha, eu estou bem, não se preocupe, vou ficar bem.

— Não, papai, o senhor não está bem,  o encontrei desmaiado no chão e fiquei desesperada, preciso saber o que aconteceu com o senhor, estava sentindo alguma coisa antes de perder os sentidos?

Papai fecha os olhos por alguns instantes, como se procurasse forças para me responder. 

E quando ele  volta a me olhar, percebo uma tristeza  profunda,  que faz meu coração se apertar. Conheço esse sofrimento desde pequena, embora meu papai sempre tenha procurado escondê-lo de mim, principalmente quando eu era criança. Entretanto, nesse momento, existe algo diferente em sua expressão, uma espécie de esgotamento que nunca havia percebido com tanta intensidade.

— Senti uma dor muito forte no peito, filha, uma dor , acompanhada de  saudade que nunca passou. Faz dezoito anos que um pedaço do meu coração foi arrancado quando sua mãe partiu, e  hoje, a saudade foi tão grande que pensei que estivesse morrendo.

Ouço suas palavras sem conseguir responder, sei o quanto  papai amou minha mãe e conheço a história dos dois pelas fotografias que ele conserva, pelas lembranças que compartilhou comigo e pela maneira como sua voz se modifica sempre que pronuncia o nome dela. Aperto sua mão com carinho, desejando encontrar alguma maneira de aliviar aquela dor, embora saiba que nenhuma palavra minha poderá devolver a mulher que ele perdeu.

— Quando chegamos ao hospital, os profissionais encaminham meu pai para atendimento e solicitam os exames necessários, e toda vez que alguém se aproxima, volto minha atenção para a pessoa, imaginando que finalmente saberei o que está acontecendo.

Não consigo afastar da memória a imagem do papai caído no chão da nossa sala, tampouco suas palavras sobre a dor no peito e a saudade da mamãe. Depois de algum tempo, uma mulher se aproxima e me chama.

— Você é a filha de Edward Walsh?

— Sim, senhora, sou Isadora Walsh, como está meu pai?

— Precisamos conversar, sou a psicóloga que está acompanhando a avaliação dele, seu pai apresenta um quadro de depressão profunda.

Pelo que consegui compreender durante nossa conversa, existe uma perda que ele nunca conseguiu superar e, ao longo dos anos, esse sofrimento foi se agravando até chegar à situação atual.

Sinto uma preocupação ainda maior ao ouvir o diagnóstico, embora reconheça que meu pai vem demonstrando mudanças de comportamento há algum tempo. 

Conto que sempre papai é um homem amoroso  e trabalhador, mas também muito triste, principalmente quando acreditava que eu não estava observando, por toda minha infância, muitas vezes o encontrei contemplando fotografias da mamãe, ele sempre procurou sorrir quando percebia minha presença, como se não quisesse permitir que eu compartilhasse seu sofrimento.

— Doutora, meu pai cuidou de mim por todos esses anos, ele nunca deixou que me faltasse nada, mas sempre foi triste,  tentou esconder de mim o que sentia.

Agora percebo que a saudade da minha mãe foi maior do que ele conseguiu suportar. Eu sei que ele me ama, nunca tive dúvidas disso, mas estou muito preocupada, o que pode acontecer com ele?

— Isadora, a depressão é uma doença séria e precisa ser tratada adequadamente, seu pai necessita de acompanhamento psiquiátrico e psicológico por um período prolongado, além de medicamentos que serão prescritos pelo psiquiatra.

— É importante compreender que essa condição não desaparece simplesmente porque a pessoa deseja melhorar, sem os cuidados necessários, pode se agravar e colocar a saúde e a vida do paciente em risco.

— Mas ele vai melhorar, não vai, doutora?

Eu posso fazer alguma coisa para ajudá-lo, posso vê-lo agora? — Ele poderá apresentar melhora com o tratamento, mas precisará de acompanhamento e paciência, quanto à visita, pode entrar no quarto, os exames realizados não identificaram nenhuma alteração física grave que explique o desmaio.

Ele já foi medicado e está descansando, conversei com seu pai sobre a necessidade de tratamento, mas ele ainda demonstra certa resistência em aceitar que precisa de ajuda.

Respiro um pouco mais aliviada ao saber que os exames não revelaram nenhuma doença física grave, embora continue preocupada com a depressão. Quero compreender tudo o que será necessário fazer, principalmente porque meu pai nunca precisou de cuidados tão constantes. Pergunto quando ele poderá voltar para casa e como funcionará o acompanhamento recomendado, pois sei que precisamos organizar nossa rotina para que não falte às consultas nem deixe de tomar os medicamentos.

— Quando ele terá alta, doutora?

— Amanhã, se continuar estável, o psiquiatra fará a prescrição dos medicamentos e encaminharemos seu pai para o tratamento. Você poderá trazê-lo aqui no hospital ou procurar uma clínica particular, o plano de saúde não cobre cem por cento das despesas, mas oferece um desconto considerável. 

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