Mag-log inISADORA POV
Os dias vão se passando, e minha gerente me designa para trabalhar no andar executivo do hotel. Não entendo por que o senhor Stéphanos Vasilis exigiu terminantemente que eu seja a responsável pela limpeza de sua suíte e por todos os serviços que solicitar durante sua hospedagem. Não fazia parte das minhas funções servir refeições, mas ele pediu que fosse eu quem levasse tudo de que necessitasse, e agora estou seguindo para o apartamento com seu almoço. Desde que comecei a trabalhar no setor executivo, percebo que o senhor Vasilis é um hóspede bastante exigente, embora sempre me trate com educação. Chego à suíte 1105, aperto a campainha e anuncio: — Serviço de quarto, senhor. Ele pede que eu entre, e encontro-o sentado diante do computador, concentrado no trabalho. Assim que percebe minha presença, levanta rapidamente os olhos e indica onde devo deixar a refeição. — Deixe aí, por favor, Isadora. Ergo a cabeça, surpresa por ele se lembrar do meu nome, principalmente porque costuma receber atendimento de tantos funcionários. — O senhor gravou meu nome? Ele me olha novamente e responde: — Sim, Isadora Rivera, não é? Confirmo, ainda, um pouco de surpresa. — Sim, senhor. O magnata se afasta ligeiramente do computador e, em vez de voltar imediatamente ao trabalho, demonstra interesse em conversar comigo. — Me diga uma coisa, Isadora, você não descansa? — Como assim, senhor? — De manhã, quando desço ou saio para as reuniões, você já está trabalhando neste andar, limpando os outros quartos e realizando seus serviços. À noite, continuo vendo você pelos corredores. Que horas você descansa? — Às vezes preciso fazer serviço dobrado, senhor. Em algumas ocasiões, até viro o expediente. — Por quê? — É um assunto particular, mas eu descanso, sim. Quando vou para casa, consigo descansar. — Ah, entendi. Faz muito tempo que você trabalha neste hotel? — Sim, senhor. Um pouco mais de dois anos, quase três. — Percebo sua eficiência. Você é muito profissional. Tem formação em alguma outra área? — Não, senhor. Tenho apenas o ensino médio, o high school. Precisei abandonar o sonho de cursar uma faculdade depois que meu pai adoeceu, porque alguém tinha que trabalhar para sustentar nossa casa. Somos apenas eu e meu pai. Não costumo conversar sobre minha vida particular com os hóspedes, principalmente porque acredito que meus problemas não dizem respeito às pessoas que estão no hotel para descansar ou cuidar de seus negócios. Entretanto, a pergunta do senhor Vasilis me faz recordar o dia em que recebi a carta de aprovação da universidade, justamente quando encontrei meu pai desmaiado em nossa casa. Desde então, minha vida mudou completamente. Não me arrependo de ter escolhido cuidar dele, mas sei que precisarei esperar até que sua saúde melhore para voltar a pensar nos estudos. O senhor Vasilis permanece me observando, e começo a me sentir constrangida por ter revelado uma parte tão pessoal da minha vida. Não desejo que sinta pena de mim, pois trabalho honestamente e faço tudo o que está ao meu alcance para manter nossa casa. Por isso, procuro encerrar a conversa com educação, lembrando que preciso sair mais cedo para acompanhar meu pai a um compromisso importante. — Agora, o senhor precisa de mais alguma coisa? — Não, Isadora. — Posso me retirar? Hoje preciso sair mais cedo porque tenho um assunto pessoal para resolver, mas voltarei antes do jantar. — Tudo bem, Isadora. Obrigado. Tem uma gorjeta aí para você. — Não precisa, senhor. — Tem uma gorjeta para você. Se todos os outros funcionários recebem gorjetas pelos serviços que prestam, você também deve receber. É o seu trabalho, e sei que as gorjetas ajudam vocês. Então, por favor, aceite. Agradeço e pego o dinheiro, embora ainda me sinta um pouco constrangida, pois não estou acostumada a receber gorjetas tão diretamente. Despeço-me e saio da suíte, seguindo pelo corredor até um lugar onde possa verificar a quantia sem que ninguém perceba. Quando olho as notas, fico completamente surpresa. São duzentos dólares! Conto novamente, sem acreditar que ele me entregou uma quantia tão generosa apenas por ter levado seu almoço. Imediatamente penso no papai, nos medicamentos que precisa tomar e na consulta com a terapeuta que marcamos para hoje. O dinheiro será suficiente para comprar o remédio e ainda poderemos utilizar um táxi para ir ao atendimento, evitando que meu pai precise enfrentar o transporte público enquanto continua debilitado. Guardo cuidadosamente as notas, agradecida pela oportunidade de proporcionar a ele um pouco mais de conforto, e desço para conversar com minha gerente antes de sair. — Senhora, já servi o almoço do senhor Vasilis. A senhora poderia pedir que outra pessoa recolhesse a refeição quando ele terminar? Preciso buscar meu pai em casa para levá-lo à psicóloga. — Tudo bem, Isadora, não se preocupe. Um dos garçons buscará o carrinho. Só esteja aqui a tempo de levar o jantar, porque o senhor Vasilis exige que seja você a responsável por todo esse atendimento, embora não trabalhe como garçonete nem no serviço de quarto. — Sim, senhora. Vou apenas trocar de roupa, buscar meu pai, levá-lo à consulta e retornar antes do jantar. Recebo autorização para sair e sigo até o vestiário, onde retiro o uniforme e visto minhas roupas. Procuro não perder tempo, pois ainda preciso pegar o ônibus e chegar em casa antes do horário marcado para a terapia. Quando finalmente desço no ponto próximo da nossa rua, caminho rapidamente até nossa pequena residência e encontro meu pai pronto, esperando por mim. Ele continua seguindo o tratamento, mas há dias em que a tristeza parece consumir suas forças, tornando até as tarefas mais simples difíceis de realizar. Fico satisfeita por encontrá-lo vestido e preparado para sair, pois sei quanto esforço precisa fazer em determinadas manhãs. Pego nossos documentos, confiro o horário e chamo um táxi, decidi utilizar parte da gorjeta para tornar nosso deslocamento mais confortável. — Mas um táxi, minha filha? pergunta meu pai, surpreso ao perceber que não iremos de ônibus. — Recebi uma gorjeta muito boa hoje, papai. Vai dar para comprar seu remédio e também para irmos de táxi à consulta e voltarmos. O senhor não precisa se preocupar. Meu pai me observa com aquela expressão que conheço tão bem, misturando carinho e preocupação com as despesas da casa. — Sei que ele não gosta de me ver trabalhando tanto, principalmente porque sempre desejou que eu frequentasse a universidade e conquistasse uma profissão. Entretanto, neste momento, o mais importante é que continue o tratamento, tome os medicamentos corretamente e tenha a oportunidade de recuperar sua saúde. — Entramos no táxi e seguimos para o atendimento. Durante o trajeto, procuro conversar sobre assuntos tranquilos, sem sobrecarregar com minhas preocupações, e fico satisfeita quando percebo que está disposto a responder e prestar atenção ao que acontece ao nosso redor. Chegamos à clínica, e acompanho meu pai até o local onde realiza suas sessões de terapia. Enquanto ele está em atendimento, aguardo o término da consulta, pensando nas tarefas que ainda preciso cumprir quando retornar ao hotel. Não posso chegar atrasada, pois minha gerente já me avisou que o senhor Vasilis espera receber o jantar às dezenove horas. Quando meu pai termina a sessão, verifico se está bem e explico que iremos aproveitar a proximidade de uma farmácia para comprar os medicamentos. — Agora vamos comprar seu remédio, papai. Tem uma farmácia aqui perto. Depois pegaremos um táxi, que me deixará no hotel e levará o senhor para casa. Por favor, assim que chegar, me ligue. Meu pai concorda, mas demonstra preocupação quando menciono que ainda voltarei ao trabalho. Explico que provavelmente só chegarei em casa por volta das dez ou onze horas da noite, pois um hóspede solicitou que eu fosse responsável pelo atendimento de sua suíte e preciso estar no hotel a tempo de servir o jantar. — Quem é esse hóspede, minha filha? — É um grego, papai. Ele dá boas gorjetas. Foi ele quem me deu o dinheiro hoje, e por isso estamos conseguindo comprar seus medicamentos e andar de táxi. Meu pai compreende, embora continue preocupado com minha jornada de trabalho. Não quero que pense que estou me sacrificando além do necessário, mas também não posso esconder que preciso das horas extras para manter nossas despesas em dia. Compramos o medicamento na farmácia e chamamos outro táxi, seguindo primeiro em direção ao hotel. Quando chegamos à entrada do Grand Manhattan Palace, entrego ao motorista o endereço da nossa casa e dou ao papai o dinheiro necessário para pagar a corrida. Antes de sair do veículo, inclino-me para me despedir e reforçar o pedido que fiz anteriormente. — Por favor, deixe meu pai neste endereço. Papai, não esqueça de me ligar assim que chegar em casa. Ele segura minha mão por um instante e procura me tranquilizar. — Sim, minha filha, não se preocupe. Eu ligo assim que chegar. Despeço-me com um beijo, observo o táxi para me afastar e entro no hotel, satisfeita por ter conseguido acompanhá-lo à terapia sem deixar de cumprir meus compromissos profissionais.ASTREA POVEstou em meus aposentos quando recebo a ligação do detetive particular que enviei aos Estados Unidos para investigar a vida de Isadora Rivera. Desde que Stéphanos anunciou seu noivado com aquela americana, não consigo encontrar um momento de tranquilidade. Alexos decidiu se divorciar de mim, meus filhos estão cada vez mais distantes e agora preciso suportar a ideia de que uma mulher de origem humilde poderá ocupar um lugar que jamais desejei lhe conceder. Não pretendo aceitar essa situação, principalmente porque conheço minha capacidade de encontrar soluções para problemas que outras pessoas considerariam impossíveis de resolver. Observo o telefone enquanto atendo à chamada, esperando que finalmente tenha descoberto alguma coisa que possa ser utilizada contra a noiva do meu filho.— Você não sabe o que eu descobri, Astrea.— Só vou saber quando você falar, imbecil.— Veja bem como fala comigo, Astrea. Estou trabalhando para você, mas isso não significa que precise aceitar s
STÉPHANOS POVOs dias estão passando e, cada vez mais, percebo que não consigo ficar longe de Isadora. Desde que a trouxe para a Grécia, minha vida ganhou uma tranquilidade que não experimentava havia muito tempo. Mesmo quando estou ocupado com os negócios, encontro-me pensando nela, imaginando o que está fazendo e desejando terminar logo meus compromissos para voltar à ilha. Nunca fui um homem que deixasse os assuntos pessoais interferirem no trabalho, mas agora compreendo que existe uma diferença enorme entre administrar empresas e encontrar alguém com quem realmente desejamos compartilhar a vida. Posso passar horas diante de contratos e reuniões, mas nada me proporciona tanta satisfação quanto chegar em casa e encontrar Isadora esperando por mim.Hoje retorno um pouco mais cansado, depois de resolver alguns assuntos que ficaram pendentes durante minha permanência em Nova York. Assim que entro na mansão, percebo um aroma agradável vindo da cozinha, diferente dos pratos que costumam
ASTREA POVSaio do escritório do meu filho sentindo uma indignação que mal consigo controlar. Alexos decidiu se divorciar de mim, Stéphanos praticamente me expulsou da empresa e Alexander há anos se recusa a manter qualquer contato comigo. Agora, como se todas essas afrontas não fossem suficientes, aquela americanazinha aparece e conquista o lugar que jamais deveria ocupar em nossa família. Não admito que uma simples camareira tenha conseguido despertar em Stéphanos sentimentos que nenhuma das mulheres da nossa sociedade conseguiu. Ela vai me pagar por essa humilhação, e vai pagar caro. Meu filho pode acreditar que está apaixonado e que terá uma vida maravilhosa ao lado dela, mas não conhece minha capacidade de destruir aquilo que se coloca em meu caminho.Durante o trajeto até a mansão, procuro controlar minha raiva e pensar na maneira mais eficiente de acabar com esse relacionamento. Não adianta continuar discutindo com Stéphanos, porque ele está decidido a enfrentar qualquer pessoa
ASTREA POV— Você viu a afronta de Alexos, Natina, ao dizer que não suporta mais a minha presença? Depois de tantos anos de casamento, ele simplesmente anuncia que vai se divorciar de mim, como se eu não tivesse importância alguma. Se pensa que conseguirá se livrar de mim dessa maneira, está muito enganado. Vou tirar tudo o que puder dele. Quero ver se continuará tão arrogante quando perceber o que está prestes a perder.Ainda estou indignada com o que aconteceu na ilha. Alexos teve a ousadia de me enfrentar diante de uma desconhecida, anunciar que já assinou os documentos do divórcio e exigir que eu respeite aquela mulher que Stéphanos resolveu apresentar como noiva. Não consigo aceitar que meu próprio marido tenha me tratado daquela maneira, principalmente depois de tantos anos em que me dediquei a ocupar a posição de esposa de um dos homens mais ricos da Grécia. Agora ele imagina que poderá simplesmente se mudar para a ilha, deixar alguns documentos em uma pasta e determinar que no
Estou na sala quando as duas entram. A mulher mais velha me observa dos pés à cabeça, com uma expressão que imediatamente me causa desconforto. Seu olhar percorre minhas roupas e meu rosto antes que faça qualquer tentativa de me cumprimentar.— Quem é você?Apesar da maneira desagradável como se dirige a mim, procuro responder com educação, pois ainda não sei quem são aquelas mulheres.— Sou Isadora, a noiva de Stéphanos. E a senhora, quem é?Ela ergue o queixo e me observa com uma expressão de superioridade, como se estivesse surpresa por encontrar alguém que não a reconhece imediatamente.— Eu sou a mãe dele, Astrea Vasilis, e esta aqui é Natina, a verdadeira noiva de Stéphanos.Agora compreendo quem está diante de mim. Recordo todas as conversas que tive com meu noivo sobre a mãe e sobre a mulher com quem ela insiste que ele se case. Apesar do nervosismo, não permito que minha expressão demonstre medo, pois sei que Stéphanos foi muito claro quando falou sobre o relacionamento que t
ISADORA POVNo dia seguinte à nossa chegada à Grécia, acordo com uma felicidade que ainda me parece difícil de acreditar. Estou em uma ilha lindíssima, cercada por jardins e paisagens que nunca imaginei conhecer, ao lado do homem que escolhi para compartilhar minha vida. Entretanto, minha primeira preocupação é saber como papai está passando. Apesar de ter conversado com ele antes de embarcar, sinto saudade da sua presença e quero mostrar o lugar onde estou hospedada. Stéphanos permanece ao meu lado enquanto faço a ligação pelo telefone que ele providenciou para meu pai, e fico contente quando Edward atende, demonstrando estar bem-disposto.— Bom dia, papai, como o senhor está? Dormiu bem? Está seguindo direitinho o tratamento?— Bom dia, minha filha, estou bem. Pode ficar tranquila, porque estou sendo muito bem cuidado. E você, como está? Gostou da Grécia?— Estou adorando, papai. A ilha é maravilhosa, e o senhor precisa conhecer os jardins que existem aqui. Stéphanos está comigo, e







