Mag-log inSão dezessete horas quando retorno ao meu setor. Vou ao vestiário, passo um pouco de água no rosto e uma toalha molhada nos braços, pois estou suada depois de tantas idas e vindas durante a tarde.
— Arrumo meus cabelos, visto novamente o uniforme e procuro minha gerente para saber se existe algum quarto que precise ser organizado antes do jantar. — Ela me indica os serviços pendentes e aproveita para lembrar o horário em que devo atender ao senhor Vasilis. — Não esqueça, Isadora, às dezenove horas você precisa pegar o jantar do senhor Vasilis e levá-lo à suíte 1105. Confirmo que cumprirei a orientação e começo a trabalhar, concentrando-me na limpeza e na organização dos quartos designados. Apesar do cansaço, fico tranquila por saber que meu pai já está a caminho de casa e que conseguimos comprar seus medicamentos. Trabalho sem interromper minhas atividades e, quando percebo que o horário do jantar está se aproximando, concluo o último serviço para não me atrasar. Às dezoito horas e cinquenta minutos, já estou no setor responsável pelas refeições, preparando o carrinho com o jantar do senhor Vasilis. Verifico se tudo está organizado conforme as orientações e sigo para o elevador, calculando o tempo necessário para chegar à suíte às dezenove horas em ponto. Quando alcanço o quarto 1105, aperto a campainha e aguardo sua autorização. Ele manda que eu entre, e abro a porta cuidadosamente, conduzindo o carrinho até o interior da suíte. Entretanto, assim que atravesso a entrada, encontro o senhor Vasilis saindo do banheiro, usando apenas um roupão enquanto enxuga os cabelos com uma toalha. Fico completamente sem jeito, pois não esperava encontrá-lo daquela maneira e não sei para onde olhar. Procuro manter a postura profissional, evitando demonstrar meu constrangimento, ao anuncio a refeição. — O seu jantar, senhor. Ele percebe minha reação e parece compreender imediatamente o motivo do meu desconforto. — Desculpe, Isadora. Pensei que fosse um dos meus seguranças. Sem prolongar a situação, retorna ao banheiro e, pouco depois, aparece usando uma calça de moletom. Sinto-me mais tranquila, embora ainda esteja tentando afastar da cabeça a imagem inesperada que acabei de ver. Continuo organizando a refeição, procurando concentrar minha atenção no trabalho, quando ele volta a conversar comigo. — Deu tudo certo, Isadora? — Sim, senhor. — Quem era aquele senhor que você colocou no táxi? Eu vi quando chegou e estava se despedindo dele. — É o meu pai, senhor. — Ah, então seu compromisso era com seu pai? — Sim. — Ele está doente? Percebi que parecia um pouco debilitado. — Meu pai sofre de depressão, senhor. Hoje ele teve uma sessão de terapia, e precisei acompanhá-lo. O ideal seria que ficasse internado em uma clínica para realizar o tratamento completo, mas não tenho condições financeiras para isso. Por mais que trabalhe dobrado, não consigo pagar uma internação. Não tenho o costume de dar explicações tão detalhadas sobre nossa situação, mas ele perguntou diretamente sobre a saúde do papai, e não vejo motivo para esconder que estamos enfrentando dificuldades. Meu pai precisa de um tratamento mais intensivo, e tenho consciência de que uma clínica especializada poderia ajudá-lo a se recuperar melhor, principalmente porque a depressão continua comprometendo sua disposição para as atividades cotidianas. Entretanto, precisamos pagar as contas da casa, comprar medicamentos e arcar com parte das consultas, o que torna impossível reservar dinheiro suficiente para uma internação particular. O senhor Vasilis permanece atento enquanto expliquei nossa situação, e continuo falando, procurando esclarecer por que preciso trabalhar tantas horas. — O hotel oferece um plano de saúde, senhor, mas a cobertura é básica. O plano cobre apenas metade das despesas com determinados atendimentos, e eu preciso pagar a outra metade, além dos medicamentos e de outras necessidades do meu pai. Então não sobra dinheiro para internação em uma clínica. Se eu tivesse condições de colocá-lo em um lugar especializado, pelo menos durante uns noventa dias, acredito que ele conseguiria se recuperar melhor. Não desejo prolongar o assunto, principalmente porque o jantar está servido e o senhor Vasilis provavelmente quer comer com tranquilidade. Por isso, verifico se deixei tudo organizado e me preparo para sair, lembrando que ainda preciso concluir outros serviços antes de voltar para casa. Também preciso preparar as refeições do papai para os próximos dias, pois não quero que ele fique preocupado com o almoço ou o jantar enquanto estou trabalhando. — Quando o senhor terminar o jantar, por favor, avise à recepção para que eu venha buscar o carrinho. Hoje preciso sair mais cedo porque tenho que deixar a comida do meu pai preparada para o restante da semana. Ele me observa com uma expressão preocupada e responde de uma maneira que me surpreende. — Isadora, você vai ter um esgotamento físico. — Não, senhor, não vou ter. Meu pai é minha força, e ele é a única pessoa que tenho. Então preciso ser forte. Agora, com licença e bom apetite. Despeço-me e saio da suíte, procurando disfarçar o nervosismo que ainda sinto desde que encontrei o senhor Vasilis saindo do banheiro. — Mesmo depois que ele vestiu a calça de moletom, o roupão permaneceu um pouco entreaberto, permitindo que eu visse parte de seu peitoral e percebesse que é um homem muito bem constituído. A imagem insiste em voltar à minha cabeça, embora eu tente me afastar, principalmente porque não estou acostumada a observar os homens dessa maneira. Meu Deus, tira esses pensamentos da minha cabeça! Não posso ficar pensando na aparência de um hóspede, muito menos em alguém como o senhor Vasilis, que pertence a uma realidade completamente diferente da minha. Tenho meu trabalho, minhas responsabilidades e um pai que depende de mim, por isso procuro recuperar a concentração enquanto caminho pelo corredor e retorno às atividades que ainda preciso concluir. Recebo mais alguns serviços e continuo trabalhando até que minha gerente me avisa que devo subir para recolher o carrinho do jantar do senhor Vasilis e buscar algumas roupas que ele deseja encaminhar à lavanderia. Sigo novamente para a suíte 1105 e, depois de receber autorização para entrar, verifico que ele já terminou a refeição. Aproximo o carrinho para recolher os pratos e os demais utensílios, tomando cuidado para não deixar nada fora do lugar, enquanto o senhor Vasilis indica as peças que separou para serem lavadas. — Por favor, você pode pedir à lavanderia que lave essas roupas e as entregue aqui amanhã de manhã? Eu ia ficar somente uma semana, mas vou precisar permanecer um pouco mais de tempo. Confirmo que encaminharei tudo ao setor responsável e providenciarei a entrega no horário solicitado. Quando estou prestes a sair, ele chama minha atenção novamente. — Sua gorjeta está aí, embaixo do prato. — Senhor, o senhor já me deu uma gorjeta na hora do almoço. — Eu já disse a você, Isadora, que dou gorjetas aos funcionários pelos serviços que fazem para mim. Se dou gorjetas a todos os outros, por que não posso dar a você? Não encontro uma resposta para sua pergunta, pois compreendo que ele está apenas reconhecendo meu trabalho, embora continue achando suas gorjetas muito generosas. Agradeço, pego o dinheiro e termino de organizar o carrinho com a louça e as roupas que precisam ser encaminhadas à lavanderia. Antes que eu deixe a suíte, ele se despede com a mesma educação que costuma demonstrar comigo. — Boa noite, Isadora. Até amanhã. Retribuo o cumprimento e sigo para o corredor, onde finalmente verifico quanto recebi. São mais duzentos dólares! Fico surpresa ao perceber que, somente hoje, o senhor Vasilis me entregou quatrocentos dólares em gorjetas. É uma quantia muito importante para mim, principalmente porque permitirá comprar alimentos melhores para meu pai, além dos medicamentos que já consegui adquirir durante a tarde.ASTREA POVEstou em meus aposentos quando recebo a ligação do detetive particular que enviei aos Estados Unidos para investigar a vida de Isadora Rivera. Desde que Stéphanos anunciou seu noivado com aquela americana, não consigo encontrar um momento de tranquilidade. Alexos decidiu se divorciar de mim, meus filhos estão cada vez mais distantes e agora preciso suportar a ideia de que uma mulher de origem humilde poderá ocupar um lugar que jamais desejei lhe conceder. Não pretendo aceitar essa situação, principalmente porque conheço minha capacidade de encontrar soluções para problemas que outras pessoas considerariam impossíveis de resolver. Observo o telefone enquanto atendo à chamada, esperando que finalmente tenha descoberto alguma coisa que possa ser utilizada contra a noiva do meu filho.— Você não sabe o que eu descobri, Astrea.— Só vou saber quando você falar, imbecil.— Veja bem como fala comigo, Astrea. Estou trabalhando para você, mas isso não significa que precise aceitar s
STÉPHANOS POVOs dias estão passando e, cada vez mais, percebo que não consigo ficar longe de Isadora. Desde que a trouxe para a Grécia, minha vida ganhou uma tranquilidade que não experimentava havia muito tempo. Mesmo quando estou ocupado com os negócios, encontro-me pensando nela, imaginando o que está fazendo e desejando terminar logo meus compromissos para voltar à ilha. Nunca fui um homem que deixasse os assuntos pessoais interferirem no trabalho, mas agora compreendo que existe uma diferença enorme entre administrar empresas e encontrar alguém com quem realmente desejamos compartilhar a vida. Posso passar horas diante de contratos e reuniões, mas nada me proporciona tanta satisfação quanto chegar em casa e encontrar Isadora esperando por mim.Hoje retorno um pouco mais cansado, depois de resolver alguns assuntos que ficaram pendentes durante minha permanência em Nova York. Assim que entro na mansão, percebo um aroma agradável vindo da cozinha, diferente dos pratos que costumam
ASTREA POVSaio do escritório do meu filho sentindo uma indignação que mal consigo controlar. Alexos decidiu se divorciar de mim, Stéphanos praticamente me expulsou da empresa e Alexander há anos se recusa a manter qualquer contato comigo. Agora, como se todas essas afrontas não fossem suficientes, aquela americanazinha aparece e conquista o lugar que jamais deveria ocupar em nossa família. Não admito que uma simples camareira tenha conseguido despertar em Stéphanos sentimentos que nenhuma das mulheres da nossa sociedade conseguiu. Ela vai me pagar por essa humilhação, e vai pagar caro. Meu filho pode acreditar que está apaixonado e que terá uma vida maravilhosa ao lado dela, mas não conhece minha capacidade de destruir aquilo que se coloca em meu caminho.Durante o trajeto até a mansão, procuro controlar minha raiva e pensar na maneira mais eficiente de acabar com esse relacionamento. Não adianta continuar discutindo com Stéphanos, porque ele está decidido a enfrentar qualquer pessoa
ASTREA POV— Você viu a afronta de Alexos, Natina, ao dizer que não suporta mais a minha presença? Depois de tantos anos de casamento, ele simplesmente anuncia que vai se divorciar de mim, como se eu não tivesse importância alguma. Se pensa que conseguirá se livrar de mim dessa maneira, está muito enganado. Vou tirar tudo o que puder dele. Quero ver se continuará tão arrogante quando perceber o que está prestes a perder.Ainda estou indignada com o que aconteceu na ilha. Alexos teve a ousadia de me enfrentar diante de uma desconhecida, anunciar que já assinou os documentos do divórcio e exigir que eu respeite aquela mulher que Stéphanos resolveu apresentar como noiva. Não consigo aceitar que meu próprio marido tenha me tratado daquela maneira, principalmente depois de tantos anos em que me dediquei a ocupar a posição de esposa de um dos homens mais ricos da Grécia. Agora ele imagina que poderá simplesmente se mudar para a ilha, deixar alguns documentos em uma pasta e determinar que no
Estou na sala quando as duas entram. A mulher mais velha me observa dos pés à cabeça, com uma expressão que imediatamente me causa desconforto. Seu olhar percorre minhas roupas e meu rosto antes que faça qualquer tentativa de me cumprimentar.— Quem é você?Apesar da maneira desagradável como se dirige a mim, procuro responder com educação, pois ainda não sei quem são aquelas mulheres.— Sou Isadora, a noiva de Stéphanos. E a senhora, quem é?Ela ergue o queixo e me observa com uma expressão de superioridade, como se estivesse surpresa por encontrar alguém que não a reconhece imediatamente.— Eu sou a mãe dele, Astrea Vasilis, e esta aqui é Natina, a verdadeira noiva de Stéphanos.Agora compreendo quem está diante de mim. Recordo todas as conversas que tive com meu noivo sobre a mãe e sobre a mulher com quem ela insiste que ele se case. Apesar do nervosismo, não permito que minha expressão demonstre medo, pois sei que Stéphanos foi muito claro quando falou sobre o relacionamento que t
ISADORA POVNo dia seguinte à nossa chegada à Grécia, acordo com uma felicidade que ainda me parece difícil de acreditar. Estou em uma ilha lindíssima, cercada por jardins e paisagens que nunca imaginei conhecer, ao lado do homem que escolhi para compartilhar minha vida. Entretanto, minha primeira preocupação é saber como papai está passando. Apesar de ter conversado com ele antes de embarcar, sinto saudade da sua presença e quero mostrar o lugar onde estou hospedada. Stéphanos permanece ao meu lado enquanto faço a ligação pelo telefone que ele providenciou para meu pai, e fico contente quando Edward atende, demonstrando estar bem-disposto.— Bom dia, papai, como o senhor está? Dormiu bem? Está seguindo direitinho o tratamento?— Bom dia, minha filha, estou bem. Pode ficar tranquila, porque estou sendo muito bem cuidado. E você, como está? Gostou da Grécia?— Estou adorando, papai. A ilha é maravilhosa, e o senhor precisa conhecer os jardins que existem aqui. Stéphanos está comigo, e







