LOGINAbaixou a cabeça tendo consciência de que tudo o que via com seus olhos, Mike, Lilian e Cassius assistiriam pela lente de contato que adotou quando entrou naquele lugar. Quando a ergueu novamente, ousou olhar novamente para Tristan e, como da outra vez, ele a encarava, seu olhar era profundo. Temeu ter sido descoberta.
Ah, como ela poderia ser? Sempre usou o mesmo disfarce e quando prendia seus bandidos, era conhecida apenas como uma garota qualquer, e antes da prisão fugia pedindo ajuda para outro bandido, pulando de casa em casa, então, não havia como ele reconhecê-la em lugar algum na sua vida dupla.
— Valentin, se apresse, eu não gosto dessa cidade — Oscar reclamou cortando as explicações de Calvin e seu sobrinho assentiu. Olhou para Teodoro que parecia mais preocupado com os homens naquele lugar do que as escolhas do… Namorado? Amante? Seja lá o que os dois tinham, Oscar fingia não ver, e Gildy fingia não saber dos detalhes.
Ele preferia que fosse assim, nunca negaram, mas nunca disseram que sim. Deixando Teodoro e seus segredos, ele focou em Tristan e estreitou os olhos quando notou a atenção que ele deu na última garota que chegou. Seus pés começaram a se movimentar, passando pelas garotas, por Valentin, Calvin, Luke, Teodoro, sem tirar os olhos do filho. E ele estava certo, os olhos do mais novo estavam em cima da garota da ponta, e foi só quando parou na frente dela, de lado que teve o olhar de seu filho de volta.
Ajustando o casaco longo em seus ombros, Oscar girou para Jenie, era mais baixa, quase quinze centímetros mais baixa que ele. De perto, notou os olhos claros, bonitos demais, como pérolas. Não era de Seant, era diferente, charmosa… Jenie deu um passo para trás, os olhos de Oscar talvez botassem mais medo que os de Tristan, mas com eles ela sentia o pior dos terrores que poderiam acontecer com ela se ele a reconhecesse se soubesse das coisas dela.
— Qual seu nome? — perguntou ele.
— Jenie — respondeu três segundos depois.
— Bonito nome. E quantos anos tem?
— Vinte e quatro — respondeu calma, mas sabendo lidar com qualquer situação que fosse acontecer a partir dali.
— Ah, é bonita, é nova, tem olhos diferentes. — Ele sorriu estendendo sua mão a ela, Jenie encarou a mão que esperava sua própria vontade segurar, claro que ela tinha que fazer isso, e ia, mas esperar um pouco para não parecer tão óbvio era o certo. Jenie tinha que ser escolhida naquela seleção, mas ficar presa nos olhos de Tristan tirara sua concentração de chamar atenção, porém, nenhum esforço foi feito, Oscar mesmo veio em sua direção.
Sem esperar mais, ela ergueu sua mão para o mais velho e esse sorriu tirando-a da fila, caminhou com a mesma sem conseguir tirar os olhos do quadril que subia e descia conforme andava. Os seios grandes cobertos apenas por um fino sutiã cheio de brilho, certamente trabalhava com as garotas poucas horas atrás. O cabelo longo batendo em sua bunda, e a franja que sempre caía no rosto, mesmo que ela brigasse para que ficasse para trás. Oscar só parou de andar quando estava diante de Tristan, encarou o filho e sorriu de canto deixando a menina na sua frente.
— É sua. — Foi o disse antes de dar as coisas e voltar para seu lugar.
Jenie entreabriu os lábios, um frio percorreu seu corpo inteiro quando o moreno sorriu em sua direção.
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— Então garotas, eu vou explicar como as coisas acontecem por aqui. — A voz de Valentin era divertida, alegre demais para a situação em que se encontravam.
As cinco garotas estavam novamente diante de uma fila encarando aquele homem que andava e falava de um lado para o outro. Cada uma com suas dúvidas, sem saber como agir, ou esperando a hora certa para correr. O que não era o caso de Jenie, no entanto a garota estudava cada canto da sala na esperança de conhecer melhor o território, a parte maior daquele plano já estava concluída, foi escolhida para ir a Muzan a cidade dos Bennett para saber mais sobre eles e finalmente os prender.
— Eu sou Valentin Bennett, mas vocês já sabem disso, não é mesmo? Tiveram uma viagem divertida conosco até nossa maravilhosa mansão e a nova casa de vocês. — Parou entre elas com as mãos na cintura, não havia sorriso naqueles rostos e isso lhe perturbava.
Certo que o ramo que seguiram era complicado e difícil, mas desde que conheceu o mesmo, soube que Oscar Bennett nunca obrigou uma mulher a se prostituir para ganhar dinheiro com seu corpo. Elas iam e vinham quando queriam, e pagavam uma taxa para usarem a boate, a única coisa que era obrigada a fazer, era manter uma boa aparência e oferecer bebidas aos clientes para que gastassem mais e firmarem-se como clientes fixos.
Isso não era difícil.
— Quer dizer, talvez sirva para vocês como recomeço — murmurou mais para si mesmo. — Enfim podem ao menos se apresentar? — As garotas apenas se entreolharam como se perguntassem umas as outras se podiam ou não falar.
— Eu sou Jenie Jones — A morena começou e todas as garotas olharam para a mesma. — Era nova na boate, e quase nunca via essas meninas, me mantinham num quarto escondido, eu só podia ver os clientes quando entravam pela porta. — Valentin concordou se aproximando da morena e parou em sua frente. — Eu tenho vinte e quatro anos e sou de…
— Não quero saber muito a seu respeito. Pelo o que entendi você é uma garota rebelde que quer fugir dos guardas. Mas aqui você não terá esse problema. Não vamos te prender, afinal, você não foi escolhida para a boate, foi escolhida para Tristan, meu primo.
— Prefiro dançar. Eu gosto de dançar. — Valentin estreitou os olhos, interessado. — Eu danço pole dance há muito tempo. Talvez seja por isso que me pegaram. Tá que tentei fugir aquelas vezes, mas sempre fiz meu trabalho muito bem feito.
— Não sei se poderá ou não ir dançar como quer — debochou Valentin analisando bem o rosto da menina.
Quando Oscar entregou-a nas mãos do filho, Tristan apenas concordou a deixando ao seu lado, não disse uma só palavra e a manteve junto das outras por toda viagem, uma ou duas trocas de olhares foi o que viu, nenhuma palavra foi dita aos dois. Talvez Oscar quisesse uma mulher para Tristan a fim de fazê-lo esquecer de Lilian, e se isso acontecesse, já seria lucro.
— Tudo bem. Eu posso te colocar num palco e ver do que você é capaz. — Ela riu e isso deixou o coração quase acelerado. Mudou para a outra parando à frente — E você, como se chama?
— Tain. — A voz saiu baixa. — Sou de Beathan, e só queria poder ver meus pais de novo — fez menção de chorar e Valentin deu um passo à frente para acalentar a garota, mas o que teve foi um afastamento brusco da garota que logo percebeu que podia apanhar como na outra casa. — Eu não queria fazer isso.
— Tá. Entendi que você não gosta que se aproximem, então vou te mandar primeiramente para um lugar aonde você vai se sentir melhor e mais confortável. Não posso te levar aos seus pais porque não é nossa, está aqui apenas emprestada, mas podemos te dar fotos, ou telefonemas, desde que não chame a polícia. Nós queremos viver em harmonia, pode ser? — Tain assentiu ainda amedrontada, Valentin a guiou para uma das garotas que lhe ajudava a manter tanto as meninas confortáveis, e mesmo desconfiada, seguiu-a. — E você?
— Maria. Sou de Valcolink, você sabe. — Ele concordou e até achou bom ter um sorriso discreto em seus lábios. — Você me escolheu.
— É, escolhi. Você se sente bem? — Ela balançou a cabeça confirmando. — O que você gosta de fazer?
— Eu já dormia com homens antes, mas eram encontros marcados por minhas amigas e recebia o quanto queria. Então eu marquei um encontro com uma pessoa errada e me vi no inferno — disse mostrando-se calma, mas podia sentir a falta de ar lhe chegando uma vez que o medo de contar essa história novamente lhe deixasse em maus lençóis. — Não me importo de dormir com alguns homens, se eu puder escolher.
— Antes de fazer isso, você também precisa…
— Você disse que dorme com as garotas para testá-las. Você pode me testar se quiser. — Valentin riu e passou para a outra, presa, porém pronta para qualquer coisa.
— Eu sou Sina de Luiziana e se for para testá-la, eu também quero ser testada por você — avisou de uma vez.
— Vadias — A quinta garota bradou chamando atenção de Valentin que já não podia conter o sorriso no rosto. — A gente passou por um grande trauma e a única coisa que vocês pensam é em transar com ele? Porque acham que serão as primeiras?
— Podem ser todas juntas, não nos importamos. — Outra voz masculina apareceu na sala assustando as meninas. Valentin só riu se afastando um pouco. — Menos a morena, ela não é nossa.
Todos olharam para Jenie que só piscou os olhos sem saber se aquilo era bom ou ruim de verdade. — Meu pai quer te ver.
Silêncio.— Lilian — a mãe chamou, quase num pedido.Mas agora já era tarde.— Você encontra o Tristan escondida?— Não é assim.— Então como é?Lilian respirou fundo.— Algumas vezes nossos caminhos se cruzaram.O pai gargalhou.— Caminhos? Ele arrisca ser preso para passar algumas horas com você.— PARA!A voz de Lilian ecoou pelo quarto.Todos ficaram em silêncio.Ela apontou para a porta.— Saiam.— Quero o dinheiro — Jorge respondeu.— Você não vai receber nada.— Então todo mundo vai saber quem você realmente é.— Conte.Ele franziu o cenho.— O quê?— Conte tudo.Lilian se aproximou.— Conte que me abandonou grávida. Conte que voltou anos depois interessado na minha filha porque descobriu que havia dinheiro envolvido. Conte que mexeu em documentos policiais para descobrir a conta dela. E enquanto estiver contando, explique para todo mundo que tipo de pai faz isso.O sorriso desapareceu.— Você vai se arrepender.— Já me arrependi de muitas coisas nessa vida.Olhou para a mãe.—
Aquela era mesmo uma Bennett.Dos pés à cabeça.— Tome banho. Troque de roupa.— Vamos à prisão?— Vamos. — Lizzie abriu um sorriso enorme. — Depois mudaremos de hotel novamente.— Por quê?— Porque se meus pais conseguiram nos encontrar, qualquer pessoa consegue.A garota já ia embora quando voltou.— Meu celular.— Não.— Mãe...— Não.— Você é insuportável.— Herdou de mim.Lizzie saiu. Lilian permaneceu sentada na cama. Passou as mãos pelo rosto. Sua vida estava acabada. Carreira ameaçada. Casa destruída. Namorado morto. Filha praticamente entrando para o crime organizado. Ex-marido mafioso prometendo buscar a menina. Podia piorar?A porta abriu.Seu pai entrou novamente.Um brilho estranho iluminava os olhos dele.Lilian conhecia aquele olhar.Ganância.Ela levantou.Cansada ou não, quebrada ou não, jamais abaixaria a cabeça diante daquele homem.— O que você quer?Ele sorriu.— Dinheiro.E Lilian percebeu que, sim, sua vida ainda podia piorar.— Que dinheiro?O pai de Lilian entr
— Não precisamos sair desse quarto. Ela vai acordar logo.A voz de Lizzie chegou primeiro.Lilian abriu os olhos depressa demais e imediatamente se arrependeu.O teto branco girou sobre sua cabeça. O estômago embrulhou, uma dor atravessou suas têmporas e ela precisou fechar os olhos outra vez, levando uma das mãos à testa.— Mãe?Sentiu os dedos da filha em seu braço.— Calma. Você dormiu bastante.Lilian abriu os olhos novamente, dessa vez devagar.Lizzie estava sentada ao seu lado.Os cabelos escuros caíam pelos ombros, os olhos atentos demais para uma garota de dezesseis anos e aquele pequeno sorriso preocupado fez alguma coisa se apertar dentro do peito de Lilian.Sua filha.A única coisa que ela tinha feito de verdade naquela vida e pela qual jamais se arrependeria.— Onde estamos?— No hotel.Lilian franziu o cenho.— Que hotel?— O hotel para onde você veio depois que nossa casa deixou de ser uma casa e virou praticamente uma cena de crime.As lembranças voltaram de uma vez.Mik
— Droga Lilian, que merda você se tornou? Eu te pedi, implorei pra você ser tudo, tudo menos o meu inimigo. Todo mundo que conheço quer te matar.— Eu sei que já deveria ter morrido há muito tempo, mas eu mantive firme, porque eu precisava ser forte para criar a minha filha — A escutou chorar e logo se procurou. — Mas eu acho que não consigo mais, antes de morrer, quero fazer um pedido.— Você não vai morrer caralho. — Chutou a mesa de centro do quarto espalhando todas as armas e o vaso de vidro — Eu já falei pra você, era pra ter se tornado qualquer desgraça nessa vida, mas não a minha desgraça e muito menos a da minha família. Você não aprendeu nada durante todos os nossos encontros nesses anos? Sabe o quanto é difícil ficar aqui querendo que as pessoas não te matem?— Eu nunca te pedir nada. É só você deixar isso acontecer.— Eu não posso deixar você morrer — respondeu rápido… respirou, escutou quando ela chorou mais do outro lado — A Lizzie está bem?— Cassius sabe das contas, você
A noite na boate estava agitada, muito agitada para Tristan realmente querer andar entre as pessoas e beber e dançar. Tinha tanta coisa acontecendo ao seu redor, com seu pai e as loucuras de que havia alguém ali observando…Quem seria?Ela?Um garçom?Ela?O DJ?Ela?Quem sabe alguém da limpeza…Ah… E se fosse seu segurança?Era ela…Não, Arthuro já lhe conhecia há muito, desde criança, jamais iria traí-lo. Mas que era estranho e corajoso era.Aos poucos, seu olhar chegou a mulher que dançava no palco, Jenie era incrivelmente maravilhosa, em seu modo de falar, de andar, de sorrir, de como tocava em seu corpo e de como gemia seu nome, tudo isso era perfeito. Perfeito demais… MERDA!E mais lindo ainda, era vê-la dançar, abrir e fechar as pernas enquanto subia e descia naquela barra… Os homens iam à loucura.Sua arma era a sedução… DROGA!E nenhum deles poderia tê-la, porque no momento, a única pessoa a qual ela tinha que rebolar em cima, era ele.Sentiu o celular vibrar no bolso, poderia
Os dois deram as costas para aquilo e Lilian saiu do hospital com a cabeça erguida, não poderia fazer isso, uma vez que dormira com um homem casado.Mas para sua defesa, caso alguém se aproximasse ou lhe acusasse, ela não sabia de nada, e ninguém sequer notou ou contou sobre a família de Mike. Eram homens que trabalhavam para a Agente Secreta. Maldita mulher que sempre estivera atrapalhando sua vida dentro dessa missão.A delegacia estava em festa, prender um membro daquela família era como ganhar na loteria, todos sabiam que ganhariam prêmios, que a delegacia seria falada. Entrevistas, jornais, tudo.Alguns aplaudiram a delegada quando passou, mas sendo sincera, ela serviu apenas montou toda a estratégia, e se mostrou para iscar, na hora de prender Teodoro Bennett, ela ficou parada, como uma estatua. Parecia com defeito, não fez nada nem mesmo quando seu amante caiu morto bem a sua frente.— Seja bem-vinda, demorou em chegar, achei que estaria aqui logo atrás de Teodoro Bennett. — Jam







