INICIAR SESIÓN— Meu pai quer te ver.
— O quê? — Jenie se assustou — Como assim quer me ver eu não fiz nada de errado.
— Vamos, te levo lá — Teodoro abriu passagem para que a mesma seguisse pelo caminho com suas próprias pernas e depois de muito relutar atendeu ao comando do mais velho o seguindo para fora da sala. — Ah, tem mais uma coisa — Teodoro parou na porta e mirou os olhos nas mulheres que apenas lhe encaram — Antes de irem para nosso quarto, precisamos conhecer onde as outras garotas ficam, e não que estejam sujas, mas não gosto de mulheres que transpiram medo. Não estamos as obrigando a nada.
Dizendo isso, voltou a caminhar em frente à Jenie que lhe seguiu imediatamente.
Não saberia dizer se estava assustada ou se seu plano estava de fato dando certo. Deveria se infiltrar sem chamar muita atenção, ganhar confiança de um ou outro para saber de seus planos mais intensos, de pessoas próximas, família, relacionamento, mas desde que entrou naquela fila, havia sido escolhida a dedo pelo pior de todos. E quando adentrou aquele avião, achou que o “É sua” tivesse ficado lá na sala, mas ali estava, entrando aparentemente no covil dos Bennett.
Não custou a encontrar Oscar Bennett no fim da sala, mas desviou o olhar quando o viu subir as calças deixando uma garota na cama, está apenas riu de volta se aconchegando dentre os lençóis e as cortinas que escondem o pequeno espaço dedicado a… prazer?
— Achei que fosse demorar mais — avisou o homem colocando a camisa que apanhou no caminho. Teodoro olhou da cama para o pai. Não que também não se aproveitasse das garotas que imploravam para ter atenção, mas sua mãe não merecia. — Jenie Jones, você é muito bonita.
— Obrigada — respondeu alguns segundos depois ainda se sentindo exposta dentro de um lugar pequeno com dois homens poderosos, perigosos, começaria seu trabalho naquele momento. — O que posso fazer para lhe ajudar?
— Quando te escolhi, te dei especificamente para um homem, para um dos meus filhos, quero que você fique perto dele. — Jenie não disse nada. — Você é bonita e charmosa, o tipo de garota que ele procura quando está afim.
— Por quê? — Cruzou os braços — E o que vou ganhar em troca? Dinheiro? Não preciso disso.
— Luke disse que você é de Seant e as garotas de Seant aparentemente são rebeldes, quentes e selvagens. Interessei-me por você não porque é bonita, mas porque é de Seant, nossa terra natal, onde Tristan se apaixonou por uma filha da puta que o tira do sério e também nos tira do sério. Se fizer com que ele esqueça aquela mulher, manteremos você aqui. Até comprarmos-te de Calvin. Sei que viver lá é um grande inferno, não é?
— Não quer voltar aos seus pais? — Teodoro perguntou parando logo atrás do pai. — Rever sua mãe, ou qualquer pessoa que conheça? Não têm amigas ou uma vida que queira de volta?
— Não faço milagres, por acaso a outra mulher tem algum laço com ele? Se ainda se encontram?
— Não é da sua conta. — Oscar respondeu. — Agora vá. Teodoro te levará a um lugar, faça o que você sabe fazer de melhor.
Sem questionamento, Jenie seguiu o homem de volta aos corredores, subiram algumas escadas e no fim de tudo, foi colocada em frente a uma porta e depois um sorriso de Teodoro, ele foi embora a deixando ali. Ficou algum tempo do lado de fora até ter coragem para entrar, encarou todo o quarto antes de parar em cima da cama com algumas roupas.
Ela arfou dando alguns passos para trás e antes de chegar a porta, viu o dono do quarto sair do banho enxugando os cabelos numa toalha branca, trajando nada mais que uma cueca. Eles se encararam por alguns segundos e então Tristan voltou a caminhar como se ela não estivesse ali. Vestiu uma calça que buscou do armário e se jogou na cama fechando os olhos. Jenie encarou o tronco desnudo e desviou para o resto do quarto, o que diabos ela estava fazendo ali mesmo?
— Eu sei o que ele te mandou fazer. Mas eu não to afim. Pode ir e dizer que fez seu trabalho. — Ah, então a garota que as pessoas querem que ele esqueça é Lilian Stewart, mas vendo-o daquele jeito, não seria nada fácil. Porque eles não se pegavam logo? Lilian ainda era apaixonada por ele, e pelo visto…
Saberia disso com um pouco mais de tempo, e então, precisava mesmo ganhar a confiança ao menos de Oscar.
— Assim tão rápido? O que vão pensar de você?
— Como assim o que vão pensar de mim? — murmurou quase dormindo, realmente não estava ligando para ela ali.
— Dizem que os Bennett são bons tanto nos negócios quanto na cama com mulheres, então se eu sair agora, as pessoas vão desconfiar dessa fama. — Tristan abriu os olhos puxando seu corpo para se sentar. — Podemos sentar e conversar, ou podemos…
— Sai — ordenou mais forte e Jenie sorriu jogando o cabelo para trás. Viu a garota dar costas e fazer pouco da situação. — Por que você estava me olhando?
— Porque tenho olhos. Adeus. — Bateu a porta de uma vez. Tristan estreitou os olhos admirando todo o lugar antes de encarar a porta outra vez.
— Vadia. — Tornou a deitar.
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O dia amanheceu belo em Seant. Mais uma semana se iniciava com aquele gosto doce e tranquilo no ar. E isso era radiantemente bom, até para uma delegada que passou meses trancados numa sala ao lado dos seus homens mais confiáveis para planejar uma prisão que deu tudo errado. Contudo, estava disposta a esquecer de nove meses da sua vida se aquela nova estratégia desse certo. Até beijaria os pés de Jenie Jones se trancaria aquele homem dentro de uma cela e nunca mais soltasse.
Desceu da cama pronta para mais um dia de trabalho, e enquanto se arrumava parada em frente ao espelho, ousou sorrir como se não fazia. Desde quando deixou de pentear os cabelos para o lado e mostrar sua franja belíssima, e o decote na camisa branca social que gostava de expor? Fechou os olhos respirando fundo, buscando lá em seu íntimo as respostas para suas perguntas mentais e todas elas indicavam apenas uma pessoa. Tristan Bennett.
Não era amor que sentia por aquele homem. Claro que falar isso em voz alta ou para outra pessoa soaria como piada, mas era verdade. A fissuração que tinha por aquele homem não era simplesmente por amá-lo, e sim porque foi enganada. Ela se permitiu amar uma pessoa, um homem, mesmo conhecendo bem o tipo que estava se metendo, e no fim de tudo não teve seu valor. Isso lhe causou ódio. Ele tinha que sofrer de alguma forma. Contudo, esse sofrimento não podia levá-la junto.
Ele tinha que sofrer sozinho.
Abriu os olhos novamente terminando de abotoar a camisa e deixar o seu famoso decote à mostra. A calça social apenas lhe deixava mais sexy mostrando que as curvas da delegada nunca sumiram e que seu bumbum estava pronto para rebolar pelos corredores daquela delegacia em cima de seus saltos negros.
Saiu do quarto procurando por seus pertences parando na cozinha, abriu um sorriso ao ver Lizzie fazendo o café da manhã com os fones de ouvido. Talvez nem precisasse perguntar o motivo daquilo, talvez não perceber que sua mãe saiu mais cedo para não lhe encontrar doeria menos que vê-la partir sem ao menos dizer um tchau.
Aproximou-se da filha e a abraçou por trás, o que deixou a garota surpresa, mas protegida pelo carinho inesperado. Quando o abraço terminou, Lizzie tirou os fones virando para sua mãe.
— O que aconteceu com você e o que fez com minha mãe? — Lilian revirou os olhos arrumando o cabelo da filha para lado, assim como o seu. — Faz tempo que não via arrumar esses cabelos bonitos, o que houve?
— Nada. Apenas acordei melhor, pronta para combater o crime e prender alguns bandidos. — Lizzie sorriu — Quer carona para a escola?
— Não, não precisa. Eu vou com a Mônica. Que, a propósito, me convidou para ir ao shopping. — Lilian assentiu enchendo sua garrafa de café. — A senhora quer alguma coisa?
— Como assim alguma coisa? Estou bem. — riu para a filha.
— É seu aniversário. — Lilian parou um momento e então encarou a filha. Será que trabalhar tanto como vem trabalhando acabou lhe deixando inerte até mesmo para isso? Uma data importante como seu aniversário. — Parabéns!
— Obrigada. — Agradeceu depois de outro abraço da filha e se despediu alegando não precisar de nada, mas sabia que a ida ao shopping da filha resultaria em um presente ótimo. Entrou no carro e sacou o celular na mesma hora e sua filha estava mais do que certa, 28 de março, seu aniversário. — Não sei como as pessoas acham mesmo que estou apaixonada por você, babaca! Você me faz mal, me faz esquecer até mesmo as datas mais importantes para mim. — Riu de canto.
Silêncio.— Lilian — a mãe chamou, quase num pedido.Mas agora já era tarde.— Você encontra o Tristan escondida?— Não é assim.— Então como é?Lilian respirou fundo.— Algumas vezes nossos caminhos se cruzaram.O pai gargalhou.— Caminhos? Ele arrisca ser preso para passar algumas horas com você.— PARA!A voz de Lilian ecoou pelo quarto.Todos ficaram em silêncio.Ela apontou para a porta.— Saiam.— Quero o dinheiro — Jorge respondeu.— Você não vai receber nada.— Então todo mundo vai saber quem você realmente é.— Conte.Ele franziu o cenho.— O quê?— Conte tudo.Lilian se aproximou.— Conte que me abandonou grávida. Conte que voltou anos depois interessado na minha filha porque descobriu que havia dinheiro envolvido. Conte que mexeu em documentos policiais para descobrir a conta dela. E enquanto estiver contando, explique para todo mundo que tipo de pai faz isso.O sorriso desapareceu.— Você vai se arrepender.— Já me arrependi de muitas coisas nessa vida.Olhou para a mãe.—
Aquela era mesmo uma Bennett.Dos pés à cabeça.— Tome banho. Troque de roupa.— Vamos à prisão?— Vamos. — Lizzie abriu um sorriso enorme. — Depois mudaremos de hotel novamente.— Por quê?— Porque se meus pais conseguiram nos encontrar, qualquer pessoa consegue.A garota já ia embora quando voltou.— Meu celular.— Não.— Mãe...— Não.— Você é insuportável.— Herdou de mim.Lizzie saiu. Lilian permaneceu sentada na cama. Passou as mãos pelo rosto. Sua vida estava acabada. Carreira ameaçada. Casa destruída. Namorado morto. Filha praticamente entrando para o crime organizado. Ex-marido mafioso prometendo buscar a menina. Podia piorar?A porta abriu.Seu pai entrou novamente.Um brilho estranho iluminava os olhos dele.Lilian conhecia aquele olhar.Ganância.Ela levantou.Cansada ou não, quebrada ou não, jamais abaixaria a cabeça diante daquele homem.— O que você quer?Ele sorriu.— Dinheiro.E Lilian percebeu que, sim, sua vida ainda podia piorar.— Que dinheiro?O pai de Lilian entr
— Não precisamos sair desse quarto. Ela vai acordar logo.A voz de Lizzie chegou primeiro.Lilian abriu os olhos depressa demais e imediatamente se arrependeu.O teto branco girou sobre sua cabeça. O estômago embrulhou, uma dor atravessou suas têmporas e ela precisou fechar os olhos outra vez, levando uma das mãos à testa.— Mãe?Sentiu os dedos da filha em seu braço.— Calma. Você dormiu bastante.Lilian abriu os olhos novamente, dessa vez devagar.Lizzie estava sentada ao seu lado.Os cabelos escuros caíam pelos ombros, os olhos atentos demais para uma garota de dezesseis anos e aquele pequeno sorriso preocupado fez alguma coisa se apertar dentro do peito de Lilian.Sua filha.A única coisa que ela tinha feito de verdade naquela vida e pela qual jamais se arrependeria.— Onde estamos?— No hotel.Lilian franziu o cenho.— Que hotel?— O hotel para onde você veio depois que nossa casa deixou de ser uma casa e virou praticamente uma cena de crime.As lembranças voltaram de uma vez.Mik
— Droga Lilian, que merda você se tornou? Eu te pedi, implorei pra você ser tudo, tudo menos o meu inimigo. Todo mundo que conheço quer te matar.— Eu sei que já deveria ter morrido há muito tempo, mas eu mantive firme, porque eu precisava ser forte para criar a minha filha — A escutou chorar e logo se procurou. — Mas eu acho que não consigo mais, antes de morrer, quero fazer um pedido.— Você não vai morrer caralho. — Chutou a mesa de centro do quarto espalhando todas as armas e o vaso de vidro — Eu já falei pra você, era pra ter se tornado qualquer desgraça nessa vida, mas não a minha desgraça e muito menos a da minha família. Você não aprendeu nada durante todos os nossos encontros nesses anos? Sabe o quanto é difícil ficar aqui querendo que as pessoas não te matem?— Eu nunca te pedir nada. É só você deixar isso acontecer.— Eu não posso deixar você morrer — respondeu rápido… respirou, escutou quando ela chorou mais do outro lado — A Lizzie está bem?— Cassius sabe das contas, você
A noite na boate estava agitada, muito agitada para Tristan realmente querer andar entre as pessoas e beber e dançar. Tinha tanta coisa acontecendo ao seu redor, com seu pai e as loucuras de que havia alguém ali observando…Quem seria?Ela?Um garçom?Ela?O DJ?Ela?Quem sabe alguém da limpeza…Ah… E se fosse seu segurança?Era ela…Não, Arthuro já lhe conhecia há muito, desde criança, jamais iria traí-lo. Mas que era estranho e corajoso era.Aos poucos, seu olhar chegou a mulher que dançava no palco, Jenie era incrivelmente maravilhosa, em seu modo de falar, de andar, de sorrir, de como tocava em seu corpo e de como gemia seu nome, tudo isso era perfeito. Perfeito demais… MERDA!E mais lindo ainda, era vê-la dançar, abrir e fechar as pernas enquanto subia e descia naquela barra… Os homens iam à loucura.Sua arma era a sedução… DROGA!E nenhum deles poderia tê-la, porque no momento, a única pessoa a qual ela tinha que rebolar em cima, era ele.Sentiu o celular vibrar no bolso, poderia
Os dois deram as costas para aquilo e Lilian saiu do hospital com a cabeça erguida, não poderia fazer isso, uma vez que dormira com um homem casado.Mas para sua defesa, caso alguém se aproximasse ou lhe acusasse, ela não sabia de nada, e ninguém sequer notou ou contou sobre a família de Mike. Eram homens que trabalhavam para a Agente Secreta. Maldita mulher que sempre estivera atrapalhando sua vida dentro dessa missão.A delegacia estava em festa, prender um membro daquela família era como ganhar na loteria, todos sabiam que ganhariam prêmios, que a delegacia seria falada. Entrevistas, jornais, tudo.Alguns aplaudiram a delegada quando passou, mas sendo sincera, ela serviu apenas montou toda a estratégia, e se mostrou para iscar, na hora de prender Teodoro Bennett, ela ficou parada, como uma estatua. Parecia com defeito, não fez nada nem mesmo quando seu amante caiu morto bem a sua frente.— Seja bem-vinda, demorou em chegar, achei que estaria aqui logo atrás de Teodoro Bennett. — Jam







