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Capítulo 4

Author: Shirley
Tinha a intenção de subir direto para o quarto, mas Horton olhou para cima e me viu. Seu sorriso desapareceu.

— Você finalmente voltou. Luca esperou duas horas pelo lanche noturno dele.

— Fiz uns biscoitinhos e leite morno para ele — Millie interveio inocentemente. — Ele disse que gostou muito.

Olhei para os petiscos requintados na mesa de centro, cada um no padrão de um hotel cinco estrelas.

Parei, virando-me cansada. Minha voz estava sem vida.

— Parece que você já resolveu. Posso dar minhas receitas para a Millie. Vocês terão uma substituta depois que eu for embora.

Horton bateu o copo na mesa de mármore, o som agudo cortando o ar.

— Christine. Parece que tenho sido leniente demais com você. Esqueceu qual é o seu lugar? — Ele se levantou do sofá, seus dedos apertando meu pulso como um torno, apertando até eu achar que o osso ia se estilhaçar. — Você realmente achou que eu não ousaria te calar de vez?

Eu sabia que ele ousaria. Ele nunca teve uma gota de afeição por mim. Nem uma única gota.

A única razão pela qual ele ainda não tinha se livrado de mim era provavelmente aquele maldito contrato e o filho dele. Ele precisava fazer o papel de marido devotado para o mundo exterior.

Forcei-me a permanecer calma, olhando-o diretamente nos olhos.

— Por que você não pergunta ao seu filho precioso o que ele quer?

Nesse momento, a voz de Luca soou do sofá.

— Pai, eu quero que você se livre dessa mulher há séculos! Eu odeio ela! Gosto mais da Millie. Ela é um milhão de vezes melhor que a assassina que matou minha mãe!

Millie colocou uma mão teatral na boca dele.

— Meu Deus, Luca, você não deveria dizer essas coisas...

— Deixe ele falar — eu disse, olhando para Horton. — Já que você e Luca gostam tanto da Millie, por que não fazer dela a nova Sra. Falcone? O momento é perfeito. Nosso contrato acabou.

A testa de Horton se franziu profundamente. Ele ordenou ao mordomo que levasse Luca de volta ao quarto.

— Com quem você pensa que está falando? Está tão ansiosa assim para me empurrar para outra mulher?

Olhei para ele, genuinamente confusa. O que diabos ele queria dizer com isso? Cinco anos depois da morte de Seraphina, ele finalmente havia encontrado uma réplica perfeita, uma tão semelhante que era de tirar o fôlego. Ele não deveria estar extasiado?

O rosto de Horton ficou mais sombrio. Ele puxou Millie diretamente para a frente dele.

— Você quer que eu case com ela? — Sua voz era baixa, mas me fez sentir um calafrio na espinha. — Então, como quiser.

Ele tirou uma pequena caixa de veludo do bolso do paletó. Dentro estava o anel de rubi da matriarca Falcone. Ele o enfiou no dedo de Millie, bem na minha frente.

Eu havia experimentado aquele anel na frente do espelho inúmeras vezes, imaginando o dia em que poderia realmente possuí-lo.

Mas nunca esperei que a primeira vez que o veria de perto seria na mão de outra mulher.

Observei enquanto Horton erguia uma Millie lacrimejante de alegria nos braços e caminhava como um conquistador em direção ao quarto principal.

E por todas as vezes que ele usou meu corpo para descarregar suas frustrações, nunca uma vez me permitiu entrar no quarto principal.

A porta bateu, e logo sons crus e carnais ecoaram de dentro.

Meu coração se transformou em cinzas no meu peito.

Pensei que nunca tinha vindo para esta família por amor, apenas para pagar a dívida de sangue da família Rossi. Mas vendo essa cena se desenrolar, meus olhos ainda ardiam incontrolavelmente.

Que seja. Eu nunca tinha ousado esperar por mais de qualquer forma. Deveria ficar feliz por ele. Ele finalmente havia encontrado uma réplica perfeita que se parecia mais com Seraphina do que eu.

Ele devia estar satisfeito. Afinal, as habilidades de Millie na cama provavelmente eram muito melhores que as minhas.

Olhei para o relógio. O carro que eu havia reservado chegaria em breve.

Coloquei silenciosamente o acordo de rescisão assinado na mesa de centro, peguei minha mala já feita e caminhei em direção à porta da frente.

Mas assim que cheguei ao hall de entrada, Luca bloqueou meu caminho como um pequeno demônio.

Ele chutou minha mala, fazendo-a voar.

— O quê, algumas palavras duras te assustaram? — Sua voz estava carregada da crueldade única da linhagem Falcone. — Você acha que esse truquezinho patético vai chamar a atenção do meu pai? Acha que ele vai correr atrás de você e implorar para você voltar como em algum filme estúpido? Você é absolutamente patética.

Não disse nada. Apenas me ajoelhei em silêncio para recolher meus pertences espalhados.

Entre eles, um suéter de caxemira azul-claro estava quieto sobre o tapete.

Era aquele que minha irmã, Seraphina, havia tricotado para Luca com as próprias mãos antes de morrer.

Ela passou três meses inteiros nele, ponto por ponto.

— Quando Luca ficar um pouco mais velho, ele vai amar esse suéter — ela me disse uma vez.

Ele nunca o tinha usado em todos esses anos. Pensei que ele não se importava com ele, e como minha irmã havia deixado tão poucas coisas, decidi levá-lo comigo como lembrança.

Nunca imaginei que a visão daquele suéter o faria congelar.

Seu rosto ficou mortalmente pálido, depois corou em um carmesim profundo.

— Sua vadia! Que direito você tem de levar as coisas da minha mãe! — ele gritou. Um nervo exposto havia sido tocado. Ele avançou sobre mim por trás.

Com toda a força que seu pequeno corpo conseguia reunir, Luca me empurrou forte por trás. Pega completamente desprevenida, perdi o equilíbrio e tropecei para frente.

E bem no meu caminho estava a enorme lareira de pedra, sua quina afiada me esperando como uma lâmina.
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