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Capítulo 3

Author: Shirley
Por cinco anos, dediquei meu coração a administrar a propriedade Falcone e criar Luca para ser o jovem príncipe astuto que todos no submundo já sussurravam que ele se tornaria.

Eu era um lembrete vivo de sua esposa, a única pessoa mantendo a alma desta família de se despedaçar completamente.

Mas não importava o que eu fizesse, nunca recebi sequer um fragmento de reconhecimento deles.

Para Horton, eu era apenas uma ferramenta, da qual ele só se lembrava quando tinha necessidades físicas. Na cama, ele sempre mantinha os olhos fechados, sem querer sequer olhar para mim.

— Seraphina... — ele sussurrava no clímax. Sempre o nome dela.

E Luca, desde o primeiro dia, me via como a assassina que matou a mãe dele.

— Por que você simplesmente não morre? — ele me perguntou uma vez quando tinha cinco anos. — Se você morresse, minha mãe poderia voltar?

Como um inferno assim poderia ser chamado de lar?

Don Corrado finalmente desistiu. Ele fez um gesto para seu advogado me entregar o acordo de rescisão, com sua voz velha e cansada.

— Assim que você assinar isso, não há volta.

Sem hesitar, assinei meu nome no documento.

O sol estava se pondo quando voltei de carro para a propriedade naquela noite. Apertei o controle remoto do portão principal, mas o visor piscou: ACESSO NEGADO.

Toquei o interfone, mas não houve resposta.

Um guarda apareceu, seu tom respeitoso mas firme.

— Desculpe, senhora, mas temos convidados importantes esta noite. Apenas membros principais da família têm permissão para entrar.

Eu sabia que essa era a forma de Horton me punir pela minha "incompetência" hoje, por não ter voltado à propriedade para preparar o jantar de Luca. Desde criança, Luca tinha o paladar exigente de um herdeiro de família, comendo apenas ingredientes específicos preparados de uma certa maneira.

Foi por isso que aprendi culinária tradicional siciliana, dominando cada receita clássica servida à mesa da família Falcone.

Lembrei de como ele costumava abraçar minha perna, implorando com sua vozinha:

— Christine, suas almôndegas são as melhores do mundo inteiro. Eu quero que você fique aqui comigo para sempre.

Mas em algum momento, tudo tinha mudado. Agora, tudo o que ele queria era me fazer desaparecer deste mundo da forma mais cruel possível.

Um vento cortante atravessou meu rosto como uma navalha. A noite de Nova York estava congelante, e a fina caxemira que eu usava não era defesa contra o frio de dezembro.

Em minutos, eu estava tremendo incontrolavelmente. Não tinha para onde ir para me aquecer, forçada a ficar do lado de fora dos portões de ferro da propriedade como uma mendiga abandonada.

Através das pesadas barras de ferro, eu podia ver a luz quente e primaveril da sala de estar.

Uma mulher em um vestido de gala de grife descia a escadaria em espiral, movendo-se como se fosse dona do lugar enquanto se aproximava de Luca.

Quando me viu congelando do lado de fora do portão, um sorriso frio e triunfante cruzou seus lábios.

Eu a reconheci. Millie. Uma mulher deslumbrante recrutada de uma casa de strip de alto padrão de Manhattan, com cabelos como fios de ouro e olhos da cor de um mar turquesa.

Suas feições eram um eco impressionante de Seraphina, ainda mais que as minhas. Ela era a mais convincente das dezenove substitutas que Horton havia trazido para casa.

— Oh, olha quem é. Sinto muito, querida, mas Horton vai passar a noite comigo. Parece que você vai ter que aproveitar o ar fresco.

Então ela se virou para Luca, um sorriso perfeito no rosto.

— Vamos, meu pequeno príncipe. O jantar está servido, e seu papai está nos esperando na sala de jantar.

— Ótimo! Adoro comer com a Millie! — Luca pulou, pegando a mão dela. — Você é mil vezes melhor que aquela assassina! Pelo menos você não matou minha mãe!

Observei-os desaparecer atrás da grande porta, a cena calorosa me atingiu como uma bala no meu peito.

A criança que eu havia criado, o menino cuja vida eu havia moldado por cinco anos, não via nada disso.

Em vez disso, ele se apegava lealmente a uma mulher que Horton havia trazido de fora, simplesmente porque ela tinha o mesmo cabelo loiro e olhos azuis de Seraphina.

E porque ela oferecia um estilo de parentalidade permissivo e bajulador que o deixava fazer o que quisesse.

Era tarde demais para chamar um táxi agora, e a noite de inverno rigoroso em Nova York era brutalmente fria. Encolhi-me em um canto do lado de fora dos portões como um cachorro abandonado, o vento cortante rasgando minha pele.

Bem quando pensei que poderia congelar até a morte ali mesmo, meu telefone tocou. A voz do mordomo era fria pelo receptor.

— Sra. Falcone, o Chefe disse que a senhora pode entrar agora. Por favor, use a entrada de serviço.

Meu corpo estava entorpecido de frio, mas me forcei a levantar e cambalear em direção à porta lateral.

A essa altura, sobreviver importava mais que orgulho.

Caminhando pelo corredor, que era tão frio quanto um necrotério, eu os vi: Horton, Luca e Millie, sentados em um triângulo perfeito sobre o tapete persa diante da lareira.

O brilho alaranjado do fogo dançava em seus rostos, tão acolhedor quanto uma pintura a óleo.

Luca estava no colo de Millie, pegando tiramisu com uma pequena colher de prata.

— Abra a boquinha, pequeno príncipe — Millie disse suavemente, sua voz enjoativamente doce.

Luca obedientemente abriu a boca, então fechou os olhos em satisfação.

— A sobremesa da Millie é a melhor do mundo!

Horton os observava, um sorriso gentil nos lábios que eu nunca tinha visto antes.

Era assim que uma família deveria se parecer. Calorosa, harmoniosa e cheia de amor. Era uma pena que nada daquilo jamais tivesse sido para mim.

Fiquei nas sombras como uma intrusa, observando essa peça comovente se desenrolar.
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