เข้าสู่ระบบCAPÍTULO 43 — AS SOMBRAS DO PASSADO NO ORFANATO Helena O rotor do helicóptero foi perdendo rotação gradualmente até silenciar por completo, deixando em seu lugar apenas o som abafado e constante da garoa fina que caía sobre a vegetação densa e emaranhada do interior paulistana. A carcaça decrépita e melancólica do antigo Instituto de Amparo Infantil Esperança erguia-se à nossa frente como um monumento esquecido pelo tempo e pela piedade humana. As paredes cinzentas ostentavam a pintura completamente descascada, as janelas estavam estilhaçadas, com cacos pontiagudos refletindo a luz cinzenta do dia, e os portões de ferro enferrujados rangiam lugubremente a cada lufada de vento gelado que cortava a região. — O perímetro está totalmente isolado e varrido pelos nossos homens, Helena — informou Julian, desamarrando o cinto de segurança com movimentos precisos e virando-se para mim. O maxilar dele estava rígido, traçado por uma concentração férrea. Ele vestia uma jaqueta de couro escuro
CAPÍTULO 42 — A SOMBRA DO PASSADO E O VOO PARA O INTERIOR Helena O som das hélices do helicóptero executivo cortando o ar da madrugada de São Paulo era ensurdecedor, mas dentro da cabine revestida de couro o silêncio era denso e carregado de eletricidade. Abaixo de nós, o mar de luzes da capital paulistana ia desaparecendo à medida que subíamos em direção ao interior do estado. A fotografia do antigo orfanato com o "X" vermelho, enviada por Isa, continuava sobre o meu colo, queimando entre os meus dedos como brasa viva. Aquele lugar guardava os fragmentos mais vulneráveis da minha infância, os anos em que eu ainda acreditava em promessas e laços familiares, antes de ser sugada para o mundo frio e predatório dos negócios e das alianças falsas. Ao meu lado, Julian mantinha os braços cruzados sobre o peito largo, o rosto iluminado apenas pela luz azulada do painel de instrumentos. Os olhos cinzentos e cortantes examinavam a rota no mapa digital, mas de vez em quando ele desviava o fo
CAPÍTULO 41 — O CAFÉ DA MANHÃ E A PRIMEIRA CILADA Helena O sol da manhã de São Paulo cortava as persianas metálicas da minha cobertura nos Jardins, projetando feixes de luz dourada sobre a mesa de mármore branco onde o café da manhã estava servido. Era o primeiro dia útil após o meu retorno triunfal da Europa, e a pilha de relatórios financeiros da Martins & Cia aguardava ao lado do meu tablete corporativo. A campainha privativa do elevador soou com um bipe suave. Antes que Camila, que organizava os compromissos do dia na ilha da cozinha, pudesse se mover, a porta se abriu com a familiaridade de quem tinha total liberdade de trânsito. Julian Vance adentrou o ambiente vestindo uma camisa social de linho branco com as mangas levemente dobradas nos antebraços, carregando uma caixa de doces finos de uma confeitaria francesa tradicional da Rua Augusta e um exemplar recente do Financial Times. — Bom dia, Helena — cumprimentou Julian, depositando a caixa sobre a mesa e lançando-me um so
CAPÍTULO 40 — O RETORNO DA RAINHA E A SOMBRA DO DESESPERO Helena O jato executivo da Vance Global Capital aterrissou na pista privativa do Aeroporto de Congonhas sob uma cortina de chuva fina que embaçava as luzes da pista paulistana. Assim que a porta da aeronave se abriu, o ar abafado e úmido da capital brasileira invadiu a cabine, misturando-se ao perfume sofisticado de sândalo que Julian usava. — Preparada para enfrentar os lobos da imprensa local, majestade? — perguntou Julian, recostando-se na poltrona de couro com um sorriso irônico e magnético, ajeitando os punhos do paletó com aquela calma típica de quem é dono do próprio destino. Virei-me para ele, ajustando o cinto do meu sobretudo cinza-escuro e erguendo o queixo com a firmeza de quem não teme nenhuma tempestade. — Os lobos costumavam governar esta cidade, Julian — respondi, o tom gélido carregado de uma segurança cortante. — Agora, eles vão aprender quem é que alimenta a matilha. Descemos a escada retrátil juntos. O
CAPÍTULO 39 — O BANQUETE DE GALA E A SEDUÇÃO DO LOBO DE MAYFAIR Helena As luzes de cristal do salão principal do Hotel Beau-Rivage, às margens do Lago Lemán, projetavam reflexos dourados sobre os painéis de madeira antiga e as mesas cobertas de linho branco. O ar estava impregnado pelo perfume sutil de rosas brancas importadas e pelo murmúrio polido da elite financeira europeia e latino-americana. Era o banquete de celebração pela homologação da presidência da Martins & Cia, um evento que eu havia planejado como uma demonstração fria e calculista de poder corporativo. Mas, à medida que a noite avançava, percebi que o controle daquela noite já não pertencia inteiramente a mim. Vestindo um longo vestido de alta-costura em tom de verde-esmeralda, com um decote nas costas discreto e uma fenda lateral que revelava a sobriedade dos meus sapatos de salto agulha, eu caminhava entre os convidados com a postura rígida de quem construiu uma armadura impenetrável. Cada aperto de mão era medid
CAPÍTULO 38 — O ECO DA SUCESSÃO GLOBAL Helena O vento cortante que soprava das montanhas nevadas sobre o Lago Lemán não era nada comparado ao gelo que eu precisava manter nas veias para lidar com a nova burocracia do comitê arbitral. Na manhã seguinte, a sala de reuniões anexa à Junta Comercial de Genebra estava ainda mais tensa do que na nossa primeira tentativa. O Dr. Meier, com sua expressão habitual de rigidez inflexível, cruzou os braços sobre a mesa de carvalho, encarando os papéis da nova perícia médica que os advogados de Otávio haviam conseguido estorvar de última hora. — Compreendo a frustração da senhora, Dra. Helena — ponderou o presidente da corte, ajustando os óculos de grau. — As contestações sobre a sanidade do senhor Augusto Martins podem ser infundadas, mas o regimento internacional exige que o perito nomeado pela corte realize uma bateria presencial de entrevistas e exames cognitivos de trinta e seis horas. Infelizmente, o nosso perito titular sofreu um imprevis







