FAZER LOGINLeonardo
Quando Luísa saiu da sala, dei uma última olhada nela e depois me virei para o meu pai que me olhava com uma cara esquisita, então fui o primeiro a falar:
- Pai, vim para já começar a trabalhar hoje, já consegui resolver as coisas que precisava, agora estou à disposição.
- Que ótimo meu filho, é bom ter você de volta. Bom, o departamento jurídico não mudou muito, então não é necessário apresentações, sua mesa ainda está lá esperando por você. Fale com o André, e ele te direciona para os trabalhos disponíveis.
André era o advogado responsável pelo departamento, conhecia meu pai e era muito competente no que fazia. Eu estava animado para rever o pessoal, mas ainda tinha uma curiosidade.
- Pai, aquela moça, Luisa, ela trabalha aqui há muito tempo?
- Já faz um bom tempo, ela começou como estagiária, mas já se formou, foi efetivada e hoje atua à frente de alguns projetos. Por que?
- Só curiosidade, não me lembrava dela aqui.
- Ela começou aqui, logo que você viajou, então não se encontraram.
- Entendi, bom, então vou indo, qualquer coisa sabe onde me encontrar.
Sai da sala e fui ao departamento jurídico, chegando lá, André e os outros funcionários me receberam muito bem, conversamos bastante, ele me mostrou uns contratos que poderíamos trabalhar e quando vimos, já era hora do almoço, resolvemos ir almoçar no restaurante do prédio mesmo, chegando lá, me deparo com a visão mais bonita que tive naquele dia, Luísa tomando sorvete, acenei com a cabeça, ela fez cara de simpática e segui para pegar meu almoço. Enquanto almoçamos, os meus colegas conversavam sobre coisas do trabalho, até que um deles disse: A Luísa é tão linda, qualquer dia podemos convidá-la para almoçar. Aquilo chamou minha atenção, e eu ficava cada dia mais interessado por ela: Luísa.
A semana passou voando, mesmo trabalhando na mesma empresa, não encontrei mais com aquela mulher, já era sexta a tarde e meu pai me chamou para conversar:
- Filho, sente-se.
- Sobre o que gostaria de falar pai?
- Filho, é um assunto delicado, talvez você não goste muito, mas gostaria de contar com a sua ajuda.
- Diga Pai, aconteceu alguma coisa com o senhor? Com a mamãe?
- Não filho, aconteceu com o Antônio, pai da Luísa.
Então me contou que um contador da empresa de Antonio havia feito vários desvios e acabou fugindo do país, deixando um grande desfalque, meu pai havia oferecido uma sociedade, mas ele não aceitou, pois achava que se misturasse as coisas poderia estragar a amizade. O maior medo de Antonio era que acontecesse algo e ele deixasse Luisa desamparada. Após contar tudo isso, eu ainda não havia entendido onde eu me encaixava nessa história.
- Pai, mas no que eu posso ajudar?
- Filho, pensei em você trabalhar por um tempo com Antonio, ajudando a equipe jurídica dele, recomendei um bom contador para ajudá-lo na empresa e verificar como resolver seus problemas.
- Bom, claro que eu posso ajudar, já posso ir para lá na segunda-feira. E a Luísa, já sabe?
- Não, ele disse que iria contar amanhã, pois é quando ela vai visitá-los. E filho, tem mais uma coisa.
- Pode falar pai.
- Luisa é filha única, é uma boa menina, estudiosa, trabalhadora, e Antônio têm muito medo de que aconteça algo e ela fique sozinha, ele gostaria que ela encontrasse uma boa pessoa, que a apoiasse, a ajudasse e que fosse um bom marido para ela, e bem, eu pensei em você.
- Eu?
- Sim, você.
- Você é um rapaz honesto, trabalhador, é inteligente, sei que saberá tratar uma mulher com respeito.
- Pai, nós nem nos conhecemos, e acredito que ela não aceitará isso.
- Isso nós não sabemos, mas por favor filho, pense nisso, não é como se vocês fossem casar amanhã, mas podem se conhecer, fazerem uma amizade, até podemos estipular um prazo, um contrato de 2 anos, até a empresa da família dela se reerguer, depois desse tempo vocês resolvem o que querem fazer.
- Nos conhecemos melhor? Um contrato de dois anos?? E se a empresa não se recuperar??? Bom pai, eu preciso ir, tenho um compromisso agora.
Sai da sala do meu pai um pouco agitado, aquilo parecia um pouco loucura, passei na minha sala, peguei minhas coisas e fui para casa, Eduardo, um amigo meu estava fazendo aniversário e vi que aquela era uma ótima oportunidade de esquecer um pouco aquela conversa e me divertir.
Me arrumei, peguei meu carro e fui para o aniversário, chegando lá, a primeira pessoa que vi foi ela: Luísa, ela estava linda, mas diferente, não estava com sua roupa de trabalho, usava um batom vermelho, o cabelo mais solto, qualquer um ficaria encantado em namorar com ela ou até mesmo casar, mas eu queria isso? Percebi que ela me olhava, fui em sua direção e cumprimentei, ela tinha um lindo sorriso e era muito educada, após comprimentá-la, fui atrás de Eduardo para parabenizá-lo. A festa estava legal, encontrei alguns amigos que não via há muito tempo, mas aquela conversa não saia da minha cabeça.
Casar com Luísa.
Percebi ela sozinha na festa e quando pensei em me aproximar, um cara chegou perto dela, eles conversaram por um bom tempo, vi que ela sorria bastante, o papo deveria estar agradável, ele pegou na mão dela e os dois saíram, depois não há vi mais, será que ela tinha um namorado e o pai não sabia?
LuísaNo dia seguinte à festa, o clima era de calmaria. Luca brincava com os laços dos presentes, mais interessado nas embalagens do que nos brinquedos em si. E Laura, claro, fazia questão de mostrar tudo a ele.— Esse é do vovô e da vovó, olha que legal! — dizia com entusiasmo, balançando um carrinho de madeira na frente do irmão.Ela pegava os brinquedos, apertava os botões, mostrava como funcionavam e ria toda vez que Luca se encantava com o som ou com as luzes. E quando ele tentava se levantar para pegar algum, ela já estendia as mãos.— Vem, eu te ajudo — dizia com delicadeza.Ele segurava nos dedinhos dela e dava passinhos ainda incertos, mas firmes, e ela seguia guiando com paciência e orgulho. Era incrível ver como Laura havia se tornado uma irmã mais velha carinhosa, cuidadosa, atenta. Era como se ela tivesse nascido para aquele papel.— Você está fazendo um excelente trabalho, mocinha — disse Leonardo, observando os dois.— Eu sou a irmã mais velha, né papai? — respondeu ela
LuísaOs dias estavam passando rápido, e eu sentia que, finalmente, tudo estava entrando nos eixos. Me sentia bem, inteira. Voltar ao trabalho foi revigorante. Eu amo o que faço, e estar envolvida novamente nos meus projetos me faz sentir viva. A rotina com as crianças era puxada, mas encontrar esse equilíbrio entre casa e profissão me trazia um orgulho silencioso.O resort que estávamos trabalhando no litoral estava com a obra bem avançada. Os projetos estavam ficando lindos, do jeitinho que eu havia imaginado. As áreas externas estavam ganhando forma, os quartos começando a receber acabamento, e eu me pegava sonhando com o dia em que tudo estaria pronto. Ver algo nascer do papel, do meu traço, e se tornar um espaço real... era mágico. Me realizava.E além da rotina corrida, estávamos animados com a nossa primeira viagem em família. Havíamos escolhido a data para a viagem a Belize. O lugar onde vivi um dos momentos mais especiais da minha vida ao lado de Leonardo. E agora, íamos volt
LuísaA festa foi linda. Simples, mas cheia de amor. Laura estava radiante, sorridente, se divertindo com os amiguinhos, abraçando os avós, correndo de um lado para o outro com as bexigas e se deliciando com os doces e o bolo. E no fim, era isso o que eu mais queria: vê-la feliz.Conforme o sol foi se escondendo e o céu começava a se pintar de tons alaranjados, os convidados começaram a se despedir. Ajudamos as crianças a entregarem as lembrancinhas e demos tchau a cada família com um sorriso cansado, mas satisfeito. Foi um dia intenso, cheio de emoção, e eu só conseguia agradecer por cada pedacinho dele.Depois que todos foram embora, a casa estava um pouco bagunçada, mas nada que nos preocupasse. Leonardo levou Luca para o banho e eu fui com Laura para o banheiro dela. Ela estava tão cansada que encostou a cabeça no meu ombro enquanto eu a despia, com os olhos meio fechados.— Foi legal, mamãe… — murmurou ela, sonolenta.— Que bom, meu amor. Era tudo pra você — respondi com um beijo
LuísaAcordei com o coração apertado — mas não de dor, e sim de emoção. Era o aniversário da minha menina. Quatro anos. Já? Me espreguicei devagar e fiquei ali deitada, olhando para o teto por alguns minutos, tentando absorver a dimensão daquele dia. Era impossível não voltar no tempo.Lembrei com nitidez do momento em que tudo começou: A ligação que mudou a nossa vida. Uma criança linda de dois anos, saudável, e já disponível para conhecer a nova família.Lembro do frio na barriga, da mão suada segurando a dele no carro enquanto íamos até o abrigo. O coração acelerado. Quando entramos naquela sala simples, ela estava ali, sentada no cantinho, tímida, linda, os cabelos cacheados caindo sobre os olhos grandes, atentos, desconfiados.Ela parecia comigo. Era como se o destino tivesse dado um jeito de nos encontrar. E quando ela olhou para mim e deu aquele sorrisinho tímido… foi ali. Foi ali que eu soube que ela era minha filha.Lembrei também do dia em que a levamos para casa pela primei
LuísaO tempo estava voando. Na próxima semana eu já voltaria ao trabalho. Parte de mim sentia a necessidade de sair de casa, ver pessoas, falar sobre algo além de fraldas, mamadas e brinquedos espalhados pela sala. Mas, mesmo assim, havia um nó no peito. Eu não me sentia totalmente pronta.Além disso, o aniversário da Laura estava se aproximando, e eu queria organizar tudo com carinho — como nossa princesinha merece.“Gabi, topa ir comigo comprar umas coisas pro aniversário da Laurinha?”“Claro que sim! É só me avisar o horário.”E foi assim que, no sábado, saímos juntas. Compramos itens de decoração, descartáveis e outras coisinhas que eu queria escolher pessoalmente. Depois fomos almoçar. Desde que o Luca nasceu, nós não tínhamos tido um momento só nosso. Estava com saudade disso também.— Lu, as coisas do aniversário estão lindas. Vai ficar perfeito!, disse Gabriella.— Eu tô ansiosa... Às vezes nem acredito que temos ela, sabe?— E ela é tão linda! Você sabe que ainda quero essa
LeonardoFoi intenso. E maravilhoso.Estar com Luísa daquele jeito de novo… depois de tudo o que vivemos, depois da chegada do Luca, depois das noites em claro e da correria do dia a dia — foi como reencontrá-la por inteiro. Eu queria mais. Queria fazer amor com ela em cada canto da casa, em cada oportunidade, em cada silêncio roubado entre mamadas e cochilos infantis.Mas eu também sabia que tinha sido um recomeço. Que o corpo dela ainda estava se adaptando, ainda sensível. E que, mesmo com toda a vontade que existia em mim, o respeito por ela vinha em primeiro lugar.Ficamos deitados, nossos corpos ainda quentes, nossas respirações se acalmando.— Não usamos camisinha... e você também não está tomando nada — comentei, com o olhar fixo no teto, mas o pensamento no que havíamos acabado de viver.Ela virou o rosto para mim, ainda com um leve sorriso.— Acho que não vou engravidar agora. Acabei de ter um filho, meu corpo nem teve tempo de entender isso ainda — respondeu. — E… acho que d







