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CAPÍTULO 6

last update Data de publicação: 2021-09-02 20:30:14

Sua relação com sua mãe não mudou muito do que era, ela decidiu trabalhar e aos finais de semana revezava entre sair com ele, comer pastel no shopping, assistirem algum filme juntos nos cinemas e sair com seus amigos nas rodas de pagode, de vez em quando Daniel ia junto.

Daniel via que a melhor coisa que poderia ter acontecido foi a separação de seus pais, viviam em mundos completamente diferentes e ele estava entre esses mundos e realidades opostas entre si, nunca pendia nem para um lado e nem para outro, ele era, o que eles chamavam de café com leite, mas teoricamente era uma pessoa neutra naquela guerra inútil em que não haviam vencedores.

A única viagem que ele fez com ela foi para a praia com diversas amigas dela e ele era o único rapaz da turma, depois de muitos anos ele foi entender o que elas diziam:

— Uma pena que ele é tão novinho iríamos nos divertir bastante com ele.

Ele nunca soube dizer se aquilo era ter sorte demais no azar, ou azar demais para se ter sorte.

Sua avó Fernanda amava contar as histórias do filho inteligente que aprendia ouvindo a mãe, que até latim e francês falava, tomava a tabuada do filho mais velho que não tinha a mesma facilidade em aprender as lições como tinha o caçula.

Em uma das saídas do jovem Cabo do Exército, perambulando pela praça central de Porto Feliz conheceu a jovem Raquel, ela conhecia a fama dele, mas foi impossível resistir aos encantos dele e começaram a namorar.

A VIDA DE WALTER e Raquel nem sempre foram apenas brigas, eles tinham uma conexão física que fez o casamento dar certo por um bom tempo, os problemas de ambos eram os instintos, Walter, ao mesmo molde de seu pai, Sérgio, era um mulherengo nato e por ser um homem muito bonito e de lábio doce conquistava a garota que quisesse, obviamente que isso foi um grande problema para ele enquanto morava na pacata e interiorana Porto Feliz.

Por ter saído com quase todas as garotas imagináveis da cidade (pelo menos as bonitas), ele e seu irmão, Cláudio, que todos os conheciam por Craucrau, tiveram que fugir no meio da noite aos moldes de Frankenstein de Mary Shelley, com os pais com paus, lanternas e enxadas à procura dos miseráveis que transavam desenfreadamente com todas as filhas e algumas esposas deles também.

Walter fugiu em cima de um caminhão de bananas, enquanto Cláudio fugiu em cima de um caminhão de tijolos e foram parar na megalópole São Paulo em meados de 1980, junto com a sua mãe que aproveitou a deixa e colocou um fogão no fusca de um amigo e nunca mais voltou a ver a cara do marido em vida e mesmo no enterro dele não teve coragem de enterrar o marido.

Cena esta que ficaria gravada no coração de Daniel, pois crescera ouvindo sobre as brigas de ambos, mas no momento fatídico da morte, viu lágrimas correrem pelos olhos da avó que só chorara três vezes na vida e Daniel presenciou todas elas.

Enquanto Quelinha, a nerd da família Gabriel, que na mesma proporção era inteligente e batalhadora, tinha um gênio que não era fácil de conviver, claro que diziam que por ser libriana, não sabia pesar muito bem as atitudes na balança.

No fim das contas, serem bonitos e inteligentes não era suficiente para manterem um casamento e nem de perdoarem as inúmeras brigas, xingamentos e agressões mútuas que haviam se tornado parte fundamental daquele casamento.

Só para que entendam essa relação tempestuosa da forma mais simples possível, seu pai era um "bon vivant", um galã de mão cheia, e sua mãe uma mulher linda, independente e que lutava por um futuro que seus avós não puderam lhe dar, enquanto seu pai desperdiçava o futuro que seus outros avós tentavam proporcionar e ele vivia como se a vida fosse um eterno carnaval.

Nas palavras de Daniel durante o enterro de Cláudio anos depois, tiveram uma vida de eterna adolescência.

Hoje, Daniel via como uma incrível ignorância dele e do seu tio.

Mas quem ele era para julgá-los?

Se tivesse tido tudo do bom e do melhor de mão-beijada também não se preocuparia com o futuro que ninguém saberia o que poderia ser, afinal, como condenar seu pai por ser muito bonito e desfrutar disso ao máximo que podia da vida?

Era o sonho de consumo de qualquer homem.

Mas agora Daniel estava novamente no meio daquele furacão munido por uma experiência que antes não tinha, então focou em tudo aquilo que não era bom, por exemplo, matemática, escalas na guitarra e arremessos de três pontos.

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Último capítulo

  • O PESCADOR DE ILUSÕES   EPÍLOGO

    — ENTÃO?Daniel abriu os olhos e se viu novamente no quarto do hospital junto ao homem que se dizia Deus.— Foi exatamente como disse que seria.O velho riu.— Qual vida foi melhor?— Que pergunta estúpida para quem se diz ser Deus, deve saber qual delas foi melhor.— Eu não disse que era, disse que sou Deus... e minha pergunta foi apenas para você ver como me senti quando disse que se tivesse uma nova vida faria tudo diferente, o que na minha visão, entre a minha pergunta estúpida e o seu desejo estúpido, você ainda ganha disparado.— Talvez...— Talvez não, Anna te disse isso, não é mesmo?O velho olhou para o relógio.— Vai ter algum compromisso?O velho assentiu.— Está quase na hora de um encontro.— Acredito que Deus tenha muitos en

  • O PESCADOR DE ILUSÕES   CAPÍTULO 14

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  • O PESCADOR DE ILUSÕES   CAPÍTULO 13

    Daniel estava em uma encruzilhada, já que ter conhecido Anna da primeira vez tinha sido totalmente casual, mas como ser casual se ele era agora um atleta mundialmente conhecido e um dos melhores músicos de sua geração, ele percebeu que por mais que conhecesse profundamente sua esposa, sua realidade mudou muitas coisas, inclusive as suas próprias vidas mudaram.Daniel viu Anna no show e após tocar tentou encontrá-la sem sucesso, conhecendo como a conhecia, ela já teria ido embora devido o lugar em que morava ser uma comunidade extremamente pobre, até ele mesmo sempre brincava com ela que, na primeira vez em que a levou até lá achou que ela estaria o sequestrando e pensou:Não é possível que esse rostinho lindo me enganou todo esse tempo...Seu pai, João Vitor que havia traído sua mãe, Daniel deu um jeitinho para que ele nunca tivesse con

  • O PESCADOR DE ILUSÕES   CAPÍTULO 12

    Paralelamente à sua carreira de sucesso, Daniel montou uma banda de rock com alguns amigos com o único objetivo de fazerem shows para a caridade e o sucesso das músicas foram tão estrondosas que foram comparadas a ações sociais como o Live Aid, We are the World e outros, ganhando apoiadores de peso como, Bono Vox, Sting, Madonna e muitos outros artistas que sempre apoiavam causas sociais.Daniel não enxergava a imensidão das atitudes que seus atos teciam, era abissal imaginar que ele estaria naquele patamar, mas isso sempre era uma incógnita, pois segundo a sua crença, algo bom sempre acontecia para compensar algo ruim, sua nova vida trouxe glórias, mas levou embora a vida de sua mãe mais cedo.Sua banda, chamada Holyday, tocou em todos os principais canais de Tv e era difícil associar a agenda do futebol com a agenda dos shows, mas dentro do possível sempre estav

  • O PESCADOR DE ILUSÕES   CAPÍTULO 11

    A vida de um homem é sempre regada a glórias e tragédias, quanto mais alto uma pessoa sobre na vida, maior a tragédia parece se instalar e mexer com o processo natural do que as coisas deveriam seguir era algo perigoso demais.Sua mãe, em vez de viver quase cem anos como da primeira vez, morreu com apenas quarenta e cinco anos de idade, numa tragédia em que seu padrasto havia dormido no volante.Na vida passada ambos haviam se separado após ele entrar para a faculdade de Direito e com isso ela teve um desfecho diferente do que qualquer pessoa poderia sonhar, se tornou pastora de uma igreja neopentecostal e passou a se dedicar cada vez mais ao ministério e aos netos.Mas com a quebra daquele fato surgiu um novo empasse nos fios do destino, pois uma alegria sempre é compensada por uma tristeza e vice-versa.Com a morte de seu pai diversos laços foram rompidos, já que Daniel deixou

  • O PESCADOR DE ILUSÕES   CAPÍTULO 10

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