FAZER LOGINProvavelmente a visão da sua avó materna trouxe um pouco de tranquilidade na mesma proporção que rever seu pai acelerou seu coração e sua vida, pois vê-lo novamente no auge da sua beleza e virilidade era uma visão completamente diferente do que ele se lembra do decrépito e falido Walter, trouxe um misto de emoções diferente de tudo o que já havia enfrentado até então.
Vendo-o daquela forma, Daniel fez uma promessa a si mesmo que iria garantir com todas as forças que ele não caísse em desgraça e vê-lo definhar como aconteceu, ao ponto de sua mãe ver uma foto dele e perguntar quem era aquele homem.
Seu pai, como já sabia Daniel, se casou poucas semanas depois de se separar de sua mãe com uma secretária chamada, Marie, e pouco do que se lembrava daqueles momentos terrivelmente tristes, pioraram agora que tinha noção de como o mundo funcionava.
Não que ela fosse má pessoa por fazer seus pais se separarem, Daniel acreditava que Marie realmente amava seu pai à sua maneira, da mesma forma como odiava o fato dele ter uma vida paralela a ela, o que no caso, seria Daniel, o fruto de uma vida antiga e ela jamais poderia se desfazer daquilo, aceitava de malgrado.
O grande problema daquilo tudo era o temperamento explosivo e doentio dela em querer controlar tudo e todos ao seu redor e Daniel, apesar de não ser controlador tinha um sério problema em ser controlado, nem seus pais tinham qualquer poder de influência sobre ele, quiçá um terceiro do qual não gerava qualquer simpatia, então vinham inevitavelmente os atritos, e tudo piorou quando ela anunciou a gravidez de uma filha.
O grande Walter, ou simplesmente Pezão, como o chamavam por causa do seu pé número 44, era um homem fantástico, mas Daniel teve que rever todos os seus conceitos e hoje o classificaria como um homem incrível e um péssimo pai, isso era algo bom? Ele não sabia dizer ou explicar... mas teve que reaprender e tentar mudar aquela realidade, afinal, ele era o seu pai, gostando ou não, sendo ele bom ou não, sendo um pai incrível ou não, era o seu pai e ponto final.
O apelido Pézão veio após ter sido preso por policiais e deu um chute na porta da viatura e ficou a marca certinha do pé e o policial disse ao delegado:
— É lógico que foi ele, quem teria o pé desse tamanho para fazer isso?
Então o delegado o liberou da prisão por falta de provas materiais, mesmo sendo tão óbvio a situação.
Provavelmente uma das maiores alegrias daquela relação de pai e filho que tiveram foi pescar em alto mar, todos os amigos de seu pai tiraram sarro dele falando que ele iria bodar, nome usado para vomitar devido o balanço do mar, coincidência ou não, ele e seu pai foram os únicos que não vomitaram.
Em um momento de cansaço, Daniel foi se deitar em um bote salva-vidas em cima do barco e seu pai achou que ele tinha caído no mar pensando:
Puta que o pariu, o que eu vou falar para a mãe dele?
Quando Walter o encontrou dormindo tranquilamente, quase o jogou no mar pelo stress, mas mesmo assim sentira orgulho do filho que disse que não bodaria e assim o fez, diferente de um garoto da mesma idade de Daniel que usava uma camisa verde do time do Palmeiras e já tinha vomitado tanto que estava da mesma cor de sua camisa e não deixou de ser percebido pelo pai de Daniel:
— Hei! Garoto, vem cevar aqui para ei pegar mais peixes.
Naquele dia somente o Walter pegou peixe e todo mundo levou para casa um animal abatido sob os louros do pai de Daniel.
Na mesma proporção que Walter sentia orgulho do filho, de vez em quando cometia algumas peripécias, como no dia da brincadeira apelidada de aleluia de tijolos, em que jogavam um tijolo por sobre o muro da casa no intuito de acertar alguém e o bilhete premiado caiu sobre Daniel que acertou o dono da casa que estava dando uma bela churrascada, além de ter acabado com o evento, seu pai nunca mais foi convidado.
Mas se Daniel pudesse dizer qual a melhor viagem/ aventura que tiveram, sem sombra de dúvidas a viagem para Acaiaca em que seu pai, o eterno galã de Porto Feliz recebeu um não lindo de uma garota e ela se vira para Daniel e diz:
— Você não, você é velho e feio, ele é bonitinho.
Daniel infernizou o pai durante toda a viagem e a única coisa que o pai teve que fazer é ter orgulho do filho que ele imaginava ser gay por não sair com tantas garotas como ele saía em sua tenra idade.
Com relação às aventuras que viveram, foi maravilhoso Daniel rever cada uma delas, ele adorava pescar, jogar futebol, nadar, era um profissional incrível na área de elétrica e muito inteligente, gostava de beber cerveja e era o melhor jogador de Dominó, Bilhar e Pebolim, o que não deixou barato, pois agora não era uma criança qualquer, era um homem que tinha vivido mais de oitenta anos e estava tendo a oportunidade de realizar todos os sonhos que gostaria de viver, ele sabia o caminho das águas e seu pai ainda não, mas aprenderia.
Pelo menos era isso que ele imaginava, mas não sabia que os fios do destino nunca mudam, mesmo quando temos a oportunidade de mudá-lo.
— ENTÃO?Daniel abriu os olhos e se viu novamente no quarto do hospital junto ao homem que se dizia Deus.— Foi exatamente como disse que seria.O velho riu.— Qual vida foi melhor?— Que pergunta estúpida para quem se diz ser Deus, deve saber qual delas foi melhor.— Eu não disse que era, disse que sou Deus... e minha pergunta foi apenas para você ver como me senti quando disse que se tivesse uma nova vida faria tudo diferente, o que na minha visão, entre a minha pergunta estúpida e o seu desejo estúpido, você ainda ganha disparado.— Talvez...— Talvez não, Anna te disse isso, não é mesmo?O velho olhou para o relógio.— Vai ter algum compromisso?O velho assentiu.— Está quase na hora de um encontro.— Acredito que Deus tenha muitos en
Anna abriu os olhos e viu Daniel dormindo ao lado da cama.— Veja só se não é o louco que me pede em casamento e cinco minutos depois me atropela.Daniel abriu os olhos e a visão dela acordada foi um completo alívio.— Que bom que você acordou, fiquei preocupado.— Poderia ser sem uma perna quebrada, pelo menos, não acha?— Fiquei com tanto medo de te perder mais uma vez.— Ainda está com aquelas ideias absurdas?— Não são ideias absurdas... é a verdade... fomos casados em outra vida.— Se me conhecesse tão bem quanto diz que conhece, sabe que sou cristã e não acredito em “outras vidas”, quantas vezes vou ter que repetir isso?— Não estou dizendo em reencarnação... é difícil de dizer...— Então você é
Daniel estava em uma encruzilhada, já que ter conhecido Anna da primeira vez tinha sido totalmente casual, mas como ser casual se ele era agora um atleta mundialmente conhecido e um dos melhores músicos de sua geração, ele percebeu que por mais que conhecesse profundamente sua esposa, sua realidade mudou muitas coisas, inclusive as suas próprias vidas mudaram.Daniel viu Anna no show e após tocar tentou encontrá-la sem sucesso, conhecendo como a conhecia, ela já teria ido embora devido o lugar em que morava ser uma comunidade extremamente pobre, até ele mesmo sempre brincava com ela que, na primeira vez em que a levou até lá achou que ela estaria o sequestrando e pensou:Não é possível que esse rostinho lindo me enganou todo esse tempo...Seu pai, João Vitor que havia traído sua mãe, Daniel deu um jeitinho para que ele nunca tivesse con
Paralelamente à sua carreira de sucesso, Daniel montou uma banda de rock com alguns amigos com o único objetivo de fazerem shows para a caridade e o sucesso das músicas foram tão estrondosas que foram comparadas a ações sociais como o Live Aid, We are the World e outros, ganhando apoiadores de peso como, Bono Vox, Sting, Madonna e muitos outros artistas que sempre apoiavam causas sociais.Daniel não enxergava a imensidão das atitudes que seus atos teciam, era abissal imaginar que ele estaria naquele patamar, mas isso sempre era uma incógnita, pois segundo a sua crença, algo bom sempre acontecia para compensar algo ruim, sua nova vida trouxe glórias, mas levou embora a vida de sua mãe mais cedo.Sua banda, chamada Holyday, tocou em todos os principais canais de Tv e era difícil associar a agenda do futebol com a agenda dos shows, mas dentro do possível sempre estav
A vida de um homem é sempre regada a glórias e tragédias, quanto mais alto uma pessoa sobre na vida, maior a tragédia parece se instalar e mexer com o processo natural do que as coisas deveriam seguir era algo perigoso demais.Sua mãe, em vez de viver quase cem anos como da primeira vez, morreu com apenas quarenta e cinco anos de idade, numa tragédia em que seu padrasto havia dormido no volante.Na vida passada ambos haviam se separado após ele entrar para a faculdade de Direito e com isso ela teve um desfecho diferente do que qualquer pessoa poderia sonhar, se tornou pastora de uma igreja neopentecostal e passou a se dedicar cada vez mais ao ministério e aos netos.Mas com a quebra daquele fato surgiu um novo empasse nos fios do destino, pois uma alegria sempre é compensada por uma tristeza e vice-versa.Com a morte de seu pai diversos laços foram rompidos, já que Daniel deixou
Os anos passaram rapidamente enquanto Daniel treinava exaustivamente para se tornar o melhor jogador de basquete que o Brasil já havia visto depois de Oscar Schimdt, o maior cestinha de todos os tempos do basquete mundial, e uma de suas inúmeras alegrias foi tirar uma foto com ele durante o campeonato mundial em que foi convidado para realizar uma palestra com a equipe.Tanto Daniel quanto Leonardo se tornaram a dupla inseparável em diversos times que jogaram até que chegou um convite inevitável para ambos...Serem draftados na NBA...Leonardo foi draftado em 12º lugar na primeira rodada e diferente do que todos imaginavam, parecia que Daniel não seria, o que causava angústia em todos, seu grande sonho parecia estar indo por água abaixo quando foi chamado em penúltimo lugar pela equipe do seu coração, o Detroit Pistons.Aquilo trouxe um alívio e obviamente as