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Recalculando a Rota

last update Data de publicação: 2026-08-19 09:58:50

A noite de domingo no meu apartamento pareceu mais longa do que o normal. Passei horas encarando a tela em branco do meu notebook, com o cursor piscando em um ritmo incômodo. Eu prometera a mim mesma e a Henrique que estabeleceria as regras para o nosso novo acordo. No entanto, digitar aquelas condições parecia concretizar um pacto perigoso. O que escrever? Locais neutros? Horários predeterminados? Proibição estrita de qualquer menção à vida pessoal? Cada frase que formulava na mente soava como
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Último capítulo

  • O Pai Ardente da minha Melhor Amiga   O Refúgio no Caos

    O barulho abafado do elevador descendo em velocidade constante parecia o único ruído em um mundo que havia acabado de desmoronar.O choro preso na minha garganta explodiu em soluços convulsivos, fazendo meu peito subir e descer desordenadamente. Minhas pernas, desprovidas de qualquer força, cederam por completo. Eu teria caído contra o piso de espelho se os braços de Lucas não tivessem me amparado com firmeza, segurando-me pela cintura e me trazendo para junto do seu peito.Ele não disse nada naquele primeiro momento. Apenas me segurou com um abraço protetor e quente, permitindo que eu escondesse o rosto no tecido de seu paletó e descarregasse ali cada resquício da humilhação, da culpa e do pavor que me esmagavam.— Calma, Valentina... Já passou. Eu estou aqui — a voz de Lucas veio baixinha, perto do meu ouvido, num tom calmo e constante que funcionava como um bálsamo sobre a minha pele queimada pelo escândalo.Quando a cabine alcançou o subsolo, as portas se abriram para o silêncio d

  • O Pai Ardente da minha Melhor Amiga   A Hora do Show

    O som do telefone sendo recolocado no gancho ressoou como um tiro na minha mesa. A frase de Henrique continuava reverberando na minha mente, paralisando meus dedos sobre o teclado: a Laura estava no prédio. O ar no setor de compliance pareceu congelar, e o bipe característico das portas do elevador se abrindo no andar da diretoria fez meu peito dar um salto doloroso. Laura não foi em direção ao gabinete da presidência. Passos rápidos e pesados cruzaram o piso atapetado. Quando ergui os olhos, ela já estava parada no início da ilha de mesas. O rosto jovem continuava pálido, com marcas profundas do choro da madrugada, mas a postura vinha carregada por uma fúria cega e incontrolável. — Laura... — murmurei em um fio de voz, tentando me levantar. — Não fala o meu nome, sua vadia! — o grito de Laura rasgou o silêncio do escritório como uma bomba. Ao redor, o barulho de teclados cessou instantaneamente. Analistas, secretárias e diretores pararam o que estavam fazendo, virando as cabeças

  • O Pai Ardente da minha Melhor Amiga   O Preço da Ruína

    O relógio de parede da sala marcava seis e quinze da manhã. O som compassado e metódico dos ponteiros era a única coisa que preenchia o vazio dilacerante do meu apartamento. Eu continuava sentada no piso frio, com os joelhos encolhidos contra o peito e o roupão de seda apertado ao redor do corpo, encarando a porta de entrada por onde Henrique passara minutos atrás. A sensação de que o mundo havia ruído sob os meus pés não era uma metáfora; era uma dor física, aguda e sufocante, que tornava cada respiração uma tarefa miserável. As palavras de Laura ainda queimavam na minha pele como ferro em brasa. “Eu tenho nojo de vocês dois! Nojo!” A expressão de puro desprezo e desilusão estampada no rosto da garota que um dia me enxergara como uma confidente repetia-se em um looping infinito na minha mente. Não havia justificativa no mundo, não havia tese corporativa ou discurso sobre casamentos de fachada que pudesse apagar a imagem sórdida que ela presenciou. Eu era a vilã. Eu era a mulher qu

  • O Pai Ardente da minha Melhor Amiga   O Colapso dos Espelhos

    O som das chaves atingindo o piso de madeira ecoou pelo quarto como um estrondo ensurdecedor.Por dois segundos que pareceram uma eternidade agonizante, o tempo congelou dentro daquele espaço. O ar tornou-se rarefeito, sufocante, carregado pela eletricidade estática do choque. Laura permanecia imóvel sob a luz amarelada do corredor, a boca meio aberta, os olhos arregalados em uma mistura de horror, repulsa e uma dor profunda que rasgou a pouca sanidade que me restava. Eu não conseguia respirar. O calor que preenchia meu corpo segundos atrás transformou-se instantaneamente num gelo glacial. — L-Laura... — a palavra saiu da minha boca como um sopro quebrado, um sussurro insignificante de vergonha. Num reação puramente instintiva de pavor, empurrei o peito de Henrique com as duas mãos. Ele se deslocou para o lado da cama de forma pesada, mas sem o menor sinal de pânico ou desespero. Henrique sentou-se na borda do colchão, mantendo a postura ereta, e usou o braço para cobrir a minha ci

  • O Pai Ardente da minha Melhor Amiga   A Invasão do Caos

    O beijo de Henrique se transformou em uma velocidade assustadora, perdendo qualquer traço de mero consolo ou promessa de proteção para se tornar puro fogo, urgência e dominação. Ali mesmo, de pé no pequeno hall junto à porta de entrada, sentir a pressão avassaladora das mãos grandes dele cravando-se na minha cintura e puxando meu corpo com força bruta contra o seu fez todo o pânico que me sufocava ser completamente tragado por uma onda devastadora de desejo. A língua dele mapeava a minha boca com uma possessividade esfomeada que me deixava sem ar, reacendendo cada terminação nervosa que aquela noite de angústia e lágrimas tentara inutilmente apagar. Sem quebrar o contato dos nossos lábios e ainda parados a poucos centímetros do trinco recém-fechado, Henrique passou os braços por baixo das minhas pernas, erguendo-me no colo com uma facilidade e uma firmeza impressionantes. Soltei um pequeno arfar surpreso contra a sua boca, envolvendo o pescoço dele com meus braços enquanto minhas p

  • O Pai Ardente da minha Melhor Amiga   A Tempestade Silenciosa

    A luz cinzenta da alvorada invadiu o meu quarto pelas frestas da persiana sem pedir licença, denunciando que eu não havia pregado os olhos por um minuto sequer. A noite fora um deserto de angústia e insônia, pontuado pelo silêncio opressor do apartamento e pelo remorso que devorava o meu peito. Eu continuava encarando o teto, presa ao emaranhado dos meus próprios pensamentos, quando o som estridente e insistente da campainha cortou a penumbra do imóvel. Sentei-me na cama num sobressalto, o coração disparando instantaneamente contra as costelas. Olhei para o relógio na mesa de cabeceira: ainda não passava das cinco da manhã. A campainha tocou novamente, três, quatro vezes seguidas, com uma urgência que não deixava margem para dúvidas sobre quem estava do outro lado. Levantei-me devagar, ajustando o roupão ao redor do corpo com as mãos trêmulas. Caminhei a passos lentos pelo corredor frio e, ao me aproximar da porta social, espiei pelo olho mágico. Era Henrique. Ele vestia uma camis

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