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Autor: LuadMel
last update Fecha de publicación: 2024-03-11 01:17:08

Do outro lado, Clarisse desceu as escadas correndo quase tropeçando em todos os degraus e atravessou a porta daquela casa. Não esperou o motorista abrir a porta do carro, apenas entrou e pediu para ir embora rápido. Seja lá o que aconteceu naquele quarto. Ninguém podia saber.

Ninguém.

Clarisse não lembrou exatamente quando e porque achou que ir para a faculdade naquele dia, depois de todos os acontecimentos da manhã, iria lhe ajudar. Desde que sentou na cadeira até o levantar para ir embora tudo que ela conseguia pensar era no rosto daquele homem, nos seus olhos claros a devorando, seus lábios abrindo e fechando como se quisesse dizer muitas sacanagens e talvez fosse lindo de ouvir, sua voz grossa falando sacanagens.

Não.

Ela não podia pensar naquilo. Vicent Tornneght era seu sogro, pai do seu namorado e jamais poderia pensar em dormir com ele. Seria estranho, já era estranho ele querer vê-la nua. Dizer que ela era bonita.

Estava claro que ele a queria, mas como? por quê? E odiava também saber que quase cedeu, quis beijar sua boca, sentir seu toque. Não. Não. Aquele não era o comportamento que sua família ensinou.

Talvez se ficasse na sua, nada daquilo iria acontecer novamente. Claro que se não tivesse subido até o quarto dele, não teria ouvido de seus lábios lindos e suculentos que ela seria jogada na cama, e seria tocada, sugada pela língua dele.

Ela queria isso.

Não.

— Não — Murmurou devagar despertar de seus pensamentos e encarar com mais atenção à mulher à sua frente. Havia um sorriso medroso e um livro direcionado a si.

— Só quero saber o valor desse livro, pagar e ir embora. Ou posso só ir embora. Caso queira voltar para seu sono profundo. — a cliente achou graça, enquanto Clarisse apenas assentiu.

Não deveria ter assistido à palestra, nem indo para seu trabalho se tivesse corrido para casa não teria que falar sozinha ou sonhar acordada com o pai do seu namorado. Um homem proibido. E ela amava Ronny. Né?

Amava!

Quando voltou para casa naquela tarde, não escapou dos seus pais em perguntar tudo sobre a festa que ia no Natal, pois ambos estariam juntos assistindo e comendo agarrados, o que não era algo ruim para o casal de senhores apaixonados que davam tudo para estarem juntos.

Porém, a única pessoa de quem Clarisse não conseguiu escapar foi Vivian que invadiu seu quarto com opções viáveis para a festa de Natal. Podiam sair naquela mesma noite para procurarem por um vestido lindo, ou escolher pela internet e encomendar o mais breve possível, afinal, o Natal seria nesse fim de semana e quanto mais rápido se arrumasse, melhor. Porém…

— Então isso quer dizer que ele acha que você não sabe se vestir? — Vivian se jogou na cama ao lado da garota que já abraçava seu urso preferido. — Ou ele quer te colocar dentro de um vestido horroroso?

Por um momento Clarisse pensou nessa questão, e se ele quisesse que ela perdesse todo o tempo que tinha para procurar um vestido bonito e entregar a ela um que não lhe serviria para ela não ter o que vestir.

Porém, e se ele estivesse falando a verdade? Depois das duas últimas trocas de palavras, seria ruim se ele estivesse apenas brincando com sua cabeça, sua mente… mas não, ela era linda sim, e tudo bem um homem como aquele achar também, né?

Né?

— Na verdade ele aceitou que eu vá na festa, pois precisa que Ronny esteja lá. Então se eu não for, Ronny não estará presente para ser apresentado.

— E ser apresentado é tão importante assim?

— Isso é coisa de gente rica, ele quer mostrar que tem um herdeiro. Algo do tipo.

— Que sorte a sua cair numa família assim. Digo… O Ronny é um cara muito bonito e apaixonado por você. E além de tudo, é rico. Você ganhou na loteria.

— Não preciso do dinheiro dele, tenho minha mesada e meu fundo estudantil é mais alto do que você pensa.

Ambas sorriram deixando de lado a preocupação com o vestido, porém, seria mais prudente deixar um de reserva. Vicent Tornneght não iria estragar sua noite.

Assim que terminaram de escolher um possível vestido, Clarisse foi avisada de que o seu namorado estava ali para vê-la.

Tinha dormido com ele, passado uma noite e tomado um café delicioso com ele, ainda assim, era pouco. Amava beijar seus lábios e tocar em seus cabelos.

Ronny era o namorado perfeito? Não sabia, mas queria descobrir um pouco mais.

Jantaram com os pais de Clarisse e sua amiga que não parava de falar sobre a tão sonhada festa dos Tornneght e seria uma pena não poder levá-la, pois a lista de convidados era restrita apenas aos desejos de seu pai.

— De verdade, não é culpa minha não poder levar seus pais, iria gostar de tê-los lá — Ronny confessou ao parar em frente ao seu carro para de despedir da namorada.

— Meus pais entenderam muito bem, e até ficaram mais tranquilos de eu estar com você. Eles ficaram juntos, um jantar romântico, uma troca de presentes linda e fofa, e no final, vão pra cama.

— Hmmmm. Nossa noite também será especial. Porque depois dessa festa chata, vamos passar a noite juntos. Meu pai alugou um barco e vamos fugir para lá antes dele. — Brincou com um sorriso grande ao abraçar a namorada.

— Ah sobre seu pai — Hã? O que ela estava fazendo? Será que contava tudo ao namorado o que estava acontecendo? Ou esperava mais um pouco? Não. Não. Não podia contar nada sobre o que rolou naquele quarto. Não podia. — Ele disse que mandaria alguém procurar alguns vestidos…

— Clarisse, não pense no meu pai como um monstro. — Agarrou as mãos na namorada dedilhando o anel que tinha dado — Ele sabe que se você não for a essa festa, eu não vou. Por isso cedeu e me prometeu que te trataria bem. Apesar de não gostar de você.

Isso era mentira. Ele gostava.

Só não gostava de ver seu filho com ela.

— Ele disse finalmente que não gosta de mim?

— Não, não, não se preocupe. — Tentou desconversar, não queria sua namorada se sentindo mal — Você é minha namorada, e eu gosto de você. E é isso que vale.

E era isso mesmo, né?

NÉ?

A semana da festa passou mais rápido do que Vicent esperava. Quando percebeu, a mansão já respirava Natal: arranjos ocupavam os corredores, luzes refletiam nos vidros e funcionários cruzavam os cômodos em um ritmo quase coreografado. Pela primeira vez em dias, ele afastou parte das obrigações da empresa para acompanhar a secretária e conferir pessoalmente cada detalhe do evento. Nada poderia dar errado, caso contrário, seu nome seria mencionado por todo o ano como alguém que não soube como dar uma festa de Natal.

E melhor ainda, a festa tinha que ser lembrada muito mais por ser justamente o momento em que colocaria seu filho no mundo dos negócios, exatamente na idade e evento que seu pai fez um dia consigo. Isso já estava predestinado.

— O evento vai começar às vinte horas como o senhor planejou, ficará na entrada para cumprimentar seus convidados ao lado de seu filho. Logo após a entrada de todos, pois a maioria já confirmou, começará com seu discurso seguido da apresentação de seu filho. — A secretária caminhava ao lado do homem que avaliava ao seu gosto.

— A festa é amanhã, quem em sã consciência ainda não confirmou sua presença? — Vicent parou assim que avistou no seu jardim, um carro parar e logo sair uma mulher carregando alguns vestidos. Isso claro, seria para Clarisse? Se fosse, não poderia estar mais feliz.

— Sim, alguns acham que podem dizer não ao senhor, ou apenas ignorar. Será que conseguem? Essa festa será lembrada. Mas as pessoas que não confirmaram são por motivos surpreendentes. Como o CEO das exportações de carga, Levi Santiago que depois de muito tempo descobriu que sua ex namorada, uma submissa particular teve três lindas filhas e irá querer passar o Natal juntos — comentou, toda feliz — E o CEO da empresa de tecidos Nicolas Santinelli acabou de descobrir que a garota que ele estava saindo ainda não tem dezoito anos e a família dela está em cima como nunca antes. Acho que terá um julgamento.

— Não quero saber de fofocas do mundo das celebridades no momento, apenas que tudo dará certo, pois não gosto de passar a imagem errada. Meu filho precisa estar impecável.

— Ele estará. Ronny se destacou muito como estagiário, até o trabalho antigo de algumas pessoas começaram a andar, como se Ronny desse a solução tão rápido. Ele herdou isso do senhor, o dom de dominar as situações e achar sempre o melhor caminho. Deve ter muito orgulho dele.

E de fato, havia, sim, um profundo sentimento paternal pelo garoto, a quem amava desde antes de seu nascimento.

— Inclusive, os vestidos para sua nora chegaram, vou mandar que coloquem no quarto de hospedes. — Assim que a mulher deu as costas, feliz da vida para voltar ao seu trabalho, ouviu seu nome ser chamado, voltou-se ao chefe.

— Eu quero ver — Disse de uma vez, assustando a outra — Sai do trabalho para avaliar cada detalhe com atenção, não posso deixar esse pequeno “detalhe” em aberto, talvez sua escolha não seja a mulher.

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Último capítulo

  • O Pai do meu Namorado   - 59 -

    No primeiro dia, Clarisse acreditou que morreria.Não de fome.De medo.Onde Jasper estava?Para onde Ronny o levara?Ele estava alimentando?Estava chorando?Sentia falta dela?— Meu filho…Clarisse ficou junto à porta.— Devolve meu filho.Ninguém respondia.Os empregados tinham sido demitidos.A casa estava vazia.Completamente vazia.Nenhuma Margaret.Nenhuma Melissa.Nenhuma voz.Nada.Apenas Clarisse.No segundo dia, a fome começou.Mas o pior era a sede.Havia água no banheiro.Bebeu.O estômago doía.Abriu gavetas.Nada.Nenhuma comida.— Desgraçado.Tentou a porta.Nada.Janela.Trancada.Procurou alguma coisa.Qualquer coisa.Passou horas mexendo em cada canto.Até encontrar uma pequena peça metálica solta na estrutura de uma gaveta.Tentou a fechadura.Não sabia o que estava fazendo.Tentou mesmo assim.Uma hora.Duas.As mãos começaram a doer.— Abre.Sussurrava.— Abre…Nada.No terceiro dia, conseguiu.Um clique.Clarisse congelou.Girou.A porta abriu.Ficou parada.Não

  • O Pai do meu Namorado   - 58 -

    Desceu pela lateral da casa.Não usou a porta principal.Tinha percebido durante semanas que a porta próxima à lavanderia nem sempre acionava o mesmo aviso que a entrada principal.Abriu devagar.O ar frio atingiu seu rosto.Liberdade.Por alguns segundos, Clarisse apenas respirou.Depois caminhou.Não correu.Ainda.Passou pelo jardim.Atrás das árvores.Chegou próximo ao portão lateral usado pelos funcionários.O coração parecia ensurdecedor.O segurança estava do outro lado, falando ao telefone.Clarisse esperou.Jasper começou a resmungar.— Shhh…Balançou-o.— Só mais um pouquinho.O homem virou.Clarisse congelou.Ele não a viu.Continuou andando.Quando desapareceu…Ela saiu.Atravessou.Um passo.Dois.Três.Clarisse olhou para trás.O portão.A casa.Ronny.Tudo ficou do outro lado.Começou a correr.Não tinha carro.Não confiava em motorista.Caminhou até uma avenida movimentada carregando Jasper e a bolsa.Conseguiu um táxi.Entrou quase tropeçando.— Rodoviária.O motorista

  • O Pai do meu Namorado   - 57 -

    — Isso foi uma punição?— Uma demonstração.Clarisse sentiu náusea.— Do quê?O sorriso veio.Pequeno.Carinhoso.Terrível.— Do que eu sou capaz de fazer por amor.Clarisse parou de respirar.Ronny tocou delicadamente o rosto de Jasper.Ela recuou.— Não encosta.O olhar dele mudou.Clarisse percebeu e corrigiu rapidamente:— Ele acabou de dormir.Ronny sorriu novamente.— Claro.Passou a mão pelos cabelos dela.Clarisse ficou imóvel.— Eu amo você.Ela fechou os olhos.— Amo Jasper.A mão desceu pelo rosto fragilizado.— Amo nossa família.Clarisse sentiu uma lágrima.— E não vou perder nenhum dos dois.Ronny beijou sua testa.Ela teve vontade de se afastar.Não fez.— Entendeu agora?Clarisse abriu os olhos.Olhou para Jasper.Era por ele.Sempre por ele.— Entendi.Ronny sorriu.— Ótimo.Saiu.Clarisse esperou os passos desaparecerem.Então sentou na poltrona.O corpo tremia.Não tinha comido.Estava fraca.Precisava de água.Precisava de banho.Precisava de médico talvez.Mas segu

  • O Pai do meu Namorado   - 56 -

    Depois daquilo, Clarisse passou a temer o anoitecer.Durante o dia ainda conseguia fingir.Tinha Jasper.Tinha o escritório.Tinha as páginas dos livros onde podia inventar mulheres que corriam, gritavam, quebravam portas e conseguiam escapar de homens poderosos.À noite, porém, existia Ronny.E existia a cama.Nos primeiros dias depois de recuperar a saúde, ele ainda fora cuidadoso.Perguntava se estava bem.Beijava sua testa.Abraçava-a.Dizia que não precisava fazer nada enquanto não se sentisse recuperada.Clarisse chegou a acreditar que talvez aquilo permanecesse assim.Não permaneceu.Com o passar das semanas, os abraços começaram a durar mais.As mãos demoravam onde ela não queria.Os beijos que ela evitava passaram a ser cobrados.— O que foi?Ronny perguntava.— Nada.— Então por que virou o rosto?Clarisse inventava.Dor de cabeça.Sono.Cansaço.Jasper havia chorado muito.O corpo ainda não estava completamente recuperado.Qualquer coisa.Ronny aceitava algumas vezes.Em out

  • O Pai do meu Namorado   - 55 -

    Maressa não dormia havia duas noites.Na terceira, desistiu de tentar.Ficou sentada na sala com o telefone apoiado sobre as pernas, olhando para o aparelho como se pudesse obrigá-lo a tocar apenas pela força do desespero.Nada.Nenhuma ligação.Nenhuma mensagem.Nenhuma resposta.Clarisse simplesmente havia desaparecido.Não literalmente.Maressa sabia onde a filha estava.Sabia a cidade.Sabia que estava com Ronny.Sabia que tinha uma casa, dinheiro, empregados, médicos e tudo aquilo que, na cabeça de qualquer pessoa olhando de fora, significaria segurança.Mas uma mãe não precisava enxergar a filha para saber quando havia alguma coisa errada.E havia.Alguma coisa estava terrivelmente errada.— Liga de novo.Gregori estava em pé próximo à janela.Não parecia melhor.O homem que durante toda a vida aprendera a controlar situações difíceis, lidar com criminosos, ameaças, acidentes e problemas que fariam outras pessoas perderem a cabeça agora parecia incapaz de lidar com o silêncio de

  • O Pai do meu Namorado   - 54 -

    Vicent soube do nascimento três dias depois.Três dias.Setenta e duas horas em que, em algum lugar distante, Clarisse havia entrado em trabalho de parto, sofrido, gritado, chorado e colocado uma criança no mundo enquanto ele seguia sua rotina sem saber de absolutamente nada. A notícia chegou de maneira quase ridícula. Uma ligação. Um comentário entre duas pessoas da empresa. Depois uma confirmação que Dylan conseguiu arrancar de alguém ligado à equipe de Ronny. Vicent estava sentado atrás da enorme mesa do escritório quando a secretária entrou sem bater.Não reclamou. Dylan só fazia aquilo quando havia algo realmente importante.— Tenho uma notícia.Vicent sequer ergueu os olhos dos documentos.— Se for sobre o contrato dos holandeses, já falei que—— O filho da Clarisse nasceu.A caneta parou. Vicent não respirou. Dylan ficou diante da mesa esperando. Devagar, muito devagar, ele levantou os olhos.— O quê?— O bebê nasceu. - A voz dela se tornou mais suave. — É um menino.Vicent cont

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