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Capítulo 2

Autor: Geleia de Morango
Justo quando a situação parecia desesperadora, passos rápidos ecoaram pelo corredor.

— Sr. Gibson! — O mordomo correu em nossa direção, a voz carregada de urgência. — Temos problemas: o firewall da empresa está sob um ataque cibernético massivo. Precisamos que o senhor assuma o controle agora!

As batidas na porta pararam.

— Que momento perfeito para complicações. — Murmurou Ethan, com um toque de irritação na voz. — Entendido. Estou a caminho.

Seus passos se afastaram e, com eles, a tensão sufocante diminuiu.

Caí de volta na cama, respirando de forma profunda e irregular. Por algum milagre, eu estava viva. No entanto, a segurança ainda era um sonho distante.

Rastejei pelo chão, peguei um copo de água fria e joguei no rosto da parteira desmaiada. Ela deu um salto, acordando assustada. Peguei uma tesoura e a pressionei contra o pescoço dela, fixando meus olhos em Lydia com um olhar gélido.

— Parece que você esqueceu quem é Ethan. Ele tem pavio curto e não pensaria duas vezes antes de matar! Se ele descobrir que nasceram três aberrações, culpará você por trazer uma maldição para esta casa. Só sairemos vivas dessa se agirmos como se nada estivesse fora do comum!

A parteira e Lydia trocaram um olhar preocupado antes de concordarem, com as mãos tremendo. Sem dizer mais nada, elas saíram apressadas do quarto.

Só relaxei de verdade quando ouvi o clique da porta se fechando. Contudo, minha ansiedade voltou com tudo quando olhei para os três pequenos seres na cama. Ninguém jamais poderia saber deles.

Peguei uma almofada do sofá, enfiei por baixo da minha blusa e fingi que ainda estava grávida.

Nos dias seguintes, mantive os três filhotes escondidos. Mas eles cresciam em um ritmo alarmante. Em apenas algumas semanas, transformaram-se em bolinhas de pelo gordinhas, pulando e tropeçando por todo lado. Eles até começaram a falar.

— Mamãe, estou com fome... quero carne. — Disse Xylon, o mais velho, abraçando minha perna e olhando para mim com olhos grandes e inocentes.

Prendi minha mão sobre a boca dele, com o coração disparado. — Shhh! Lembre-se, você é um cachorro! Não pode falar como nós!

Tyrone, o do meio, não aceitou bem, erguendo as orelhas em desafio. — Não somos cachorros! Somos lobos!

Afaguei gentilmente suas cabeças, sussurrando: — Lobos, humanos, não importa. Vocês só falam perto de mim. Perto de qualquer outra pessoa, ajam como cachorros, ou todos estaremos em perigo.

O mais novo, Ray, que era sempre o encrenqueiro, inclinou a cabeça e soltou um uivo feroz: — Vou morder eles para te proteger, mamãe!

As travessuras deles me enchiam de uma mistura de alegria e tristeza. Tudo o que eu desejava era que alguém assumisse logo o posto de matriarca da família Gibson para que eu pudesse finalmente levar meus pequenos para casa.

Um dia, o choque me atingiu como um raio.

Eu tinha acabado de chegar do jantar quando percebi que as crianças haviam sumido. Meu coração parou por um segundo e saí disparada pela porta, sem nem me preocupar com os sapatos. Procurei freneticamente, gritando seus nomes.

Eu estava prestes a verificar o escritório quando os avistei. Eles estavam amontoados em torno de algo brilhante, mastigando com determinação.

— É tão duro!

— Mamãe disse que mastigar coisas duras é bom para os nossos dentes...

Foi então que percebi o que estavam destruindo. Era o diamante premiado da família de Ethan, geralmente mantido sob segurança em uma vitrine no escritório. Nem o mordomo ousaria encostar o dedo nele, mas lá estava ele, coberto de saliva e arranhões!

Eu tinha acabado de conseguir tirar o diamante deles quando uma voz me gelou o sangue.

— Chloe, o que diabos você está fazendo no escritório do Ethan?

Virei-me, com o coração a mil. Ethan estava em casa, e com ele estava Wendy Lewis, uma mulher focada em ser a próxima rainha da família Gibson. Ela era do tipo que desprezava qualquer um e não estava acima de truques sujos, como daquela vez em que empurrou uma mulher grávida escada abaixo.

Os olhos de Wendy fixaram-se no diamante e brilharam com uma mistura de malícia e deleite.

— Oh, meu Deus! Esse é o tesouro mais precioso do Ethan! Você teve a audácia de pegá-lo e arranhá-lo todo!

Ethan apenas encarava o diamante, seu silêncio pesado com ameaças implícitas.

Eu mal conseguia respirar. Curvei-me repetidamente, gaguejando pedidos de desculpas. — Sr. Gibson, sinto muito! Foi um acidente... eu não tive a intenção de arruinar o diamante...

No meu pânico, movi-me demais e a almofada que eu enfiara sob a blusa escolheu aquele momento para cair no chão com um baque surdo. Sob a mesa ao meu lado, um trio de cabeças peludas de cachorros emergiu.

O quarto ficou estranhamente silencioso.

Olhei para a almofada no chão. Depois, olhei para a minha barriga, agora inequivocamente plana.

Isso era ruim. Muito ruim.

Wendy, inicialmente surpresa, de repente explodiu em uma risada alta e zombeteira. — Você nem grávida está! Está fingindo uma gravidez e ainda tem a ousadia de deixar esses vira-latas estragarem a posse mais valiosa do Ethan!

Ela se virou, sua voz afiada e cortante: — Peguem-na! E peguem esses vira-latas também. Arrastem-nos e joguem-nos no oceano!

O guarda-costas avançou sobre mim em um instante, torcendo meus braços atrás das costas. Fechei os olhos com força, esperando pelo fim.

— Esperem. — A voz de Ethan cortou a tensão.

Todos congelaram. Ele não estava olhando para mim. Também não olhava para Wendy. Seus olhos estavam nos três filhotes, que rosnavam para ele. Ray até conseguiu latir em desafio para Ethan: — Au!

Uma centelha de esperança surgiu em mim. Em seu ato final, meus pequenos lembraram-se das minhas instruções e "atuaram o papel".

A expressão de Ethan tornou-se indecifrável. Ele parecia chocado, mas era como se estivesse juntando as peças de um quebra-cabeça.

Enquanto meu destino parecia selado, Ethan abaixou-se para pegar o diamante. Então, ele deu um tapinha casual na cabeça de cada um dos filhotes, como se fosse um detalhe sem importância.

— Esse latido foi horrível. Não deixe que aconteça uma próxima vez.

Com isso, ele se afastou. Wendy ficou parada ali, com o rosto paralisado em descrença.

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