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O Pequeno Segredo Selvagem
O Pequeno Segredo Selvagem
Author: Geleia de Morango

Capítulo 1

Author: Geleia de Morango
A parteira que eu havia trazido em segredo mal olhou para o meu recém-nascido antes que seus instrumentos médicos se espalhassem com um estrondo pelo chão. Seus olhos reviraram e ela desabou, desmaiada.

Um silêncio sinistro tomou conta do quarto, quebrado apenas pelos sons suaves e úmidos das três criaturinhas sobre a cama, ganindo em meus ouvidos.

— Au... Au...

Seus choros eram fracos, mas me atingiram como uma marreta.

Filhotes? Aquilo não podia estar certo. Era bizarro demais!

Lydia, a criada, cobriu a boca, o corpo tremendo como se tivesse sido pega por um vendaval.

— Monstro... monstro...

— Chloe, está tudo acabado para você. Acabou de vez...

— Dar à luz a... a isso. Você não sabe o que farão com você nesta ilha?

Eu estava estirada na cama, encharcada de suor frio. A dor em meu corpo não era nada comparada ao medo que me sufocava.

— Isso não pode estar acontecendo... Tem que ser um erro...

Pelejei minha perna com força.

A dor latejou.

Não, aquele pesadelo era a minha realidade.

As três criaturinhas, de olhos bem fechados, aninharam-se em mim, buscando o calor da minha pele.

O pânico me dominou e eu explodi em lágrimas.

Era isso: o fim de tudo.

Ethan Gibson certamente me jogaria aos tubarões!

Apenas alguns dias atrás, outra mulher, uma das escolhidas, teve gêmeos. A ilha estava em polvorosa, pronta para uma grande celebração.

No entanto, Ethan as dispensou com um único olhar, dizendo: "Não são meus".

Ela implorou e jurou lealdade enquanto os bebês berravam.

Ethan permaneceu com o rosto de pedra, acenou com desdém e, como se descartasse lixo, seus guardas os arrastaram para o mar.

Tiros ecoaram e eles se foram; a água tingida de vermelho com o sangue deles, um banquete para os tubarões.

Aquele foi o preço por dar à luz a "humanos".

Eu... eu tinha dado à luz a cachorros.

Naquela ilha maldita, provavelmente todos pensariam que eu estava amaldiçoada.

Rumores sobre a maldição da família de Ethan estavam por toda parte, e ele odiava qualquer coisa que sugerisse isso.

Eu tinha certeza de que eles me jogariam aos tubarões ou, pior ainda, me queimariam viva sem hesitar!

— Chloe, abra a porta.

A voz de um homem estraçalhou o silêncio do lado de fora.

Meu coração martelou contra o peito, apertado por uma mão invisível.

Era Ethan, o bilionário.

Aquela voz estava gravada em minha memória.

Um ano atrás, ele declarou que a mulher que gerasse seu filho se tornaria a rainha da família Gibson.

Um enxame de mulheres surgiu, com os olhos no prêmio.

Eu estava encurralada, precisando desesperadamente de dinheiro para salvar minha avó doente, então entrei na disputa.

De alguma forma, meu currículo simples foi o bilhete dourado.

Na ilha, eu sabia que não podia competir com a beleza estonteante de Hannah, o corpo de modelo de Larisse ou o charme aristocrático de Wendy. Eu estava apenas ganhando tempo, esperando por um prêmio de consolação.

Mas então veio aquela noite de lua cheia no jardim, onde encontrei Ethan, com o olhar selvagem e fora de si.

A lua nos envolveu em seu brilho, traçando nossas silhuetas.

O calor subiu grau a grau; o toque dele era fogo em minha pele, seus dentes puxando o botão da minha blusa.

Um perfume exótico encheu o ar, acendendo uma chama dentro de mim, atraindo-me para ele como uma mariposa para o fogo.

Naquela noite, fomos íntimos, e ele até deixou uma marca de mordida no meu pescoço.

Dessa noite em diante, fiquei grávida.

Agora, vozes perfuravam o silêncio novamente.

— Sr... Sr. Gibson... Há um nascimento...

Lydia ouviu: Era a chance de mudar o jogo.

Ela correu para a porta, pronta para revelar a verdade a Ethan.

— Por favor, não diga uma palavra! — Gritei, tentando impedi-la.

Mas eu estava exausta, tinha acabado de dar à luz.

Tentei me levantar, apenas para cair de volta na cama com um baque seco.

— Não é problema meu! Eu não quero morrer! — Lydia não se importava.

Seus gritos cortavam o ar enquanto ela agarrava a maçaneta como se sua vida dependesse disso.

Passos se aproximaram do lado de fora: Os guarda-costas armados de Ethan.

Eu estava petrificada, lutando para respirar.

— Por que esta porta não está aberta? Não quer me deixar entrar? — A voz de Ethan era gélida, ameaçadora como o anjo da morte.

— Eu... eu não consigo... Ela não mexe... — Lydia estava à beira das lágrimas, suas mãos trêmulas incapazes de girar a maçaneta.

— Derrubem-na. — Comandou Ethan, cortando as desculpas.

Um instante depois, um estrondo sacudiu a porta pesada.

A fechadura rangeu, um lamento metálico.

As três criaturinhas na cama, sentindo o perigo, calaram-se.

Elas se agarraram a mim, tremendo contra o meu ventre.

Enquanto a porta começava a ceder, fechei os olhos, sem esperança.
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