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Capítulo 5

Autor: Fernanda Passos
— Senhora? — Maria colocou a cabeça para dentro do quarto. — Ainda não dormiu?

Elena tentou responder, mas a garganta estava tão rouca que nenhum som saiu. Conseguiu apenas emitir um fraco murmúrio.

A governanta se aproximou, tocou sua testa e se assustou.

— Está queimando de febre!

— Acho que peguei muita chuva. — Elena forçou um sorriso. — Já tomei remédio.

— Isso não basta! — A governanta entrou em pânico. — Pode passar mal de verdade se a febre continuar tão alta. — Ela pegou o celular às pressas. — Vou ligar para o Sr. Caio.

Ela ligou, mas ninguém atendeu. Ela tentou outra vez, mas ainda assim não houve resposta.

— Deixa para lá. — Elena apoiou-se com dificuldade na cama para se sentar. — Chame um carro para mim. Eu mesma vou ao hospital.

— De jeito nenhum vou deixar você ir sozinha! — Maria exclamou, aflita. — Eu vou com você.

— Não precisa. — Elena balançou a cabeça e sorriu. — Sozinha vou mais rápido. A senhora fique em casa e descanse.

Ela se levantou devagar, vestiu um casaco, prendeu o cabelo de qualquer maneira e calçou um par de sapatos baixos.

O pronto-socorro permanecia iluminado como se nunca conhecesse a noite. Mesmo de madrugada, o saguão do hospital continuava cheio.

Usando máscara, Elena arrastou as pernas enfraquecidas até o guichê.

Depois de pegar a senha, foi encaminhada para a área de medicação intravenosa.

Algumas pessoas cochilavam enquanto recebiam o soro. Outras aguardavam em macas no corredor.

Elena sentou-se em uma cadeira no canto, encostou a cabeça na parede e sentiu como se todas as vozes ao redor estivessem muito distantes. Foi então que um homem passou pelo corredor, empurrando uma cadeira de rodas, na qual estava sentada uma mulher de vestido longo e solto.

— Srta. Mirela, por aqui. A obstetrícia conseguiu encaixá-la para fazer um ultrassom. — A voz da enfermeira chegou clara aos ouvidos de Elena.

— Obrigado. — A voz masculina veio logo em seguida.

Ela conhecia muito bem aquela voz. Levantando os olhos, viu Caio empurrando a cadeira de rodas de Mirela.

— Caio, estou com medo. — A voz dela tremia enquanto uma das mãos protegia delicadamente o ventre.

O coração de Elena disparou.

— Não se preocupe. — Caio falou baixo. — Vai ficar tudo bem. Eu estou aqui.

— Não precisa ficar tão nervosa. Foi só uma leve escoriação. Não deve ter afetado o bebê. — A enfermeira sorriu. — Depois do ultrassom, vocês ficarão completamente tranquilos.

Bebê.

Ultrassom.

As unhas de Elena afundaram na palma da mão. A dor a ajudou a recuperar um instante de lucidez.

Caio continuou empurrando a cadeira de rodas corredor adentro. Ele estava levemente curvado, murmurando palavras de conforto, enquanto Mirela erguia o rosto para ele com total confiança.

Sentada no canto, Elena tirou o celular e fotografou aquela cena.

A máscara escondia metade de seu rosto e a franja cobria seus olhos, deixando sua expressão indecifrável. No entanto, suas mãos não mentiam e tremiam sem parar.

— Elena? — Uma voz a chamou.

Ela voltou à realidade e virou-se. Uma enfermeira da sala de medicação fazia sinal para ela.

— É a sua vez.

Elena lançou um último olhar para o corredor por onde os dois haviam desaparecido. Já não havia ninguém ali.

Ela guardou o celular e não disse uma palavra, apenas entrou na sala de medicação.

Quando saiu do hospital, já eram seis da manhã. Uma faixa clara começava a surgir no horizonte.

A doença havia chegado de forma rápida e intensa. Metade por causa da chuva, metade porque, desde a morte do pai, seus nervos haviam permanecido tão tensos que finalmente cederam.

Depois do soro, ela se sentia um pouco melhor. Pegou os remédios prescritos e caminhou para a saída.

Apenas queria voltar para casa e descansar, mas o destino parecia determinado a não lhe dar paz.

Na entrada do hospital estava estacionado o Maybach preto de Caio.

— Mirela, devagar. — A voz dele era firme como sempre, mas carregava um cuidado evidente.

Elena olhou na direção. A menos de cinco metros dela, Caio sustentava Mirela pelo braço.

Ela imediatamente se virou, fingindo não ter visto nada. Com máscara, capuz e o rosto quase todo coberto, talvez não a reconhecessem.

Mas mal deu um passo, e suas pernas cederam e seus joelhos bateram com força no cimento.

— Ah! — O grito de dor escapou antes que pudesse contê-lo.

O barulho chamou a atenção dos dois.

— Leninha? — Caio se aproximou rapidamente e só então percebeu quem era. — O que você está fazendo aqui?

Os olhos deles se encontraram.

Ele viu os joelhos dela ralados, mas, com Mirela para amparar, ele não conseguia ajudar mais ninguém.

Elena se levantou com dificuldade, com o corpo oscilando, e tentou se equilibrar. Em poucos segundos, uma fina camada de suor apareceu em sua testa.

— Só uma gripe. — Ela respirou fundo. — Vim buscar remédio.

— Por que não me avisou? — Após um longo silêncio, ele perguntou em voz baixa.

— Eu liguei para você. — Elena baixou os olhos. Seu tom era dócil. — Mas não tive resposta.

O pomo de Adão dele se moveu, mas ele permaneceu em silêncio.

— Elena, por favor, não culpe Caio. — Mirela abriu a boca apressadamente. — Ontem eu sofri um acidente de carro, e ele ficou preocupado, por isso...

— Eu sei. — Elena a interrompeu calmamente e virou-se para ir embora.

— Leninha, eu levo você para casa.

— Não precisa. — Ela continuou sem olhar para trás. — Já chamei um carro. Está me esperando ali na frente.

Ela se afastou. Cada passo doía como uma punhalada.

Caio observou por um segundo a figura dela se afastando. Então voltou-se para Mirela.

Era fim de semana e, pela primeira vez em muito tempo, Caio voltou para casa surpreendentemente cedo.

Elena estava no sofá procurando gaze dentro da caixa de primeiros socorros.

— Voltou cedo hoje? — Ela ergueu a cabeça.

— Não havia muito o que fazer, então voltei para ver como você estava. — O olhar dele caiu sobre o curativo em seus joelhos. — Ainda dói?

— Não é nada. Um pouco de pomada resolve.

— Que bom. — Ele fez uma pausa. — Você sempre teve uma saúde forte.

— Sim.

Caio franziu a testa.

Elena parecia silenciosa demais.

Nesse instante, o celular dele tocou. E a voz de Mirela saiu pelo viva-voz:

— Caio, converse direito com a Elena. Não briguem por minha causa. Explique tudo direitinho...

De repente, ouviu-se um grito, seguido de um forte estrondo.

— O que aconteceu? — O coração de Caio disparou, e ele perguntou com urgência.

— Não foi nada. O chão estava escorregadio... Eu só... — Ela soltou um gemido de dor.

— Não se mexa! — Caio já pegava as chaves do carro. — Estou indo agora mesmo. — Dito isso, ele se virou para ela e disse. — Leninha, descanse. Vou lá ver como ela está.

Elena apenas se virou e subiu as escadas, sem dizer uma palavra.

Observando-a subir mancando, Caio sentiu pela primeira vez um desconforto estranho e difícil de explicar.

De volta ao quarto, Elena lavou o rosto e mediu a temperatura novamente.

39.2º.

Tomou outro comprimido para baixar a febre e estava prestes a se deitar quando o celular acendeu.

Era uma mensagem da advogada Vivian:

[As provas estão praticamente reunidas. Vamos organizar os documentos e iniciar a próxima etapa.]

Aquelas palavras funcionaram como um estimulante. De repente, seu corpo parecia menos pesado.

Faltava pouco. Muito pouco.

Ela se sentou lentamente na beira da cama, respirando com dificuldade.

A febre demorou quase uma semana para desaparecer completamente. Ela também precisou se afastar temporariamente do ateliê.

Naquele dia, estava na sala arrumando flores e trocando o difusor por um aroma de floresta quando Caio a abraçou por trás.

— Leninha, você é tão prendada. — Sua voz soou surpreendentemente suave.

Instintivamente, Elena se afastou meio passo. Logo depois controlou a reação e forçou um sorriso.

— Contanto que você goste.

— Ah, a propósito, amanhã venha comigo a uma reunião de amigos. — Caio apoiou o queixo em seu ombro. — Todos querem te conhecer.

Elena ficou imóvel.

Em três anos de casamento, ele nunca a havia apresentado a nenhum de seus amigos. E agora, de repente, queria levá-la?

Ela não respondeu imediatamente.

— Se ainda estiver se sentindo mal, deixa para lá. — Caio percebeu o silêncio. Sua voz tornou-se compreensiva. — Eu recuso o convite por você. Sei que nunca gostou desse tipo de ocasião.

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