INICIAR SESIÓNELENA MORETTI
As palavras dele eram como chicotes, estalando no ar frio da biblioteca. Fidelidade. Fachada. Um ano. Cada cláusula que saía daquela boca desenhada e cruel parecia um prego a mais no caixão da minha liberdade. Julian Blackwood não falava de amor; ele falava de posse, como se estivesse comprando uma peça rara de leilão para decorar sua mansão vazia. Mas quando ele mencionou Lorenzo, o ar desapareceu dos meus pulmões. Como ele sabia? Sarah... ela não faria por mal, mas sua língua era leve demais para o peso dos meus segredos. Senti uma náusea familiar subir pela minha garganta. O tratamento de Lorenzo na Suíça era a única coisa que me mantinha de pé, o único motivo pelo qual eu suportava os pesadelos noturnos. Sem aquele dinheiro, os aparelhos seriam desligados. Sem o dinheiro, meu irmão seria apenas mais uma vítima da minha incompetência em proteger quem eu amava. — Me conte sobre ele — a voz de Julian baixou, simulando uma empatia que eu sabia que ele não possuía. — O que aconteceu em Nápoles, Elena? O nome da minha cidade natal soou como um gatilho. Por um segundo, não vi o rosto de Julian. Vi o fogo. vi tudo que eu conhecia como família se desfazer em segundo. como minha mãe e meu pai foram brutalmente assassinados. como... como ela foi arrancada de nós... — Minha mãe... ela se foi — consegui dizer, minha voz saindo como um sussurro esmagado pela culpa. — E Lorenzo é tudo o que me restou. Ele não teve culpa. Nada do que aconteceu foi culpa dele. Eu era a culpada. Eu era a razão de estarmos naquela estrada. Eu era a razão de Lorenzo nunca mais poder correr. Julian deu um passo atrás, percebendo que tinha atingido o nervo exposto. Ele não precisava me torturar mais; o silêncio e o desespero já estavam fazendo o trabalho por ele. Ele tirou um cartão de visita do bolso — papel grosso, preto, com letras douradas em relevo. O peso da riqueza ostensiva. — Eu não vou te forçar agora, Elena. Sei que você precisa processar o fato de que sou a sua única saída — ele disse, estendendo o cartão. Seus dedos roçaram nos meus, e o calor do contato me queimou como brasa. — Meu endereço está aqui. Minha cobertura. Você tem até amanhã à noite. Se não aparecer, o financiamento de Lorenzo acaba no fim do mês e eu encontrarei outra pessoa para usar o meu anel. Peguei o cartão com as mãos trêmulas. Ele me olhou uma última vez, um olhar que não era de um futuro marido, mas de um credor esperando o pagamento. — Pense bem, Elena. Você pode continuar sendo uma sombra que organiza livros de outras pessoas, ou pode ser a mulher que salvará o seu irmão. A escolha entre o orgulho e o sangue sempre foi fácil para mim. Espero que seja para você também. Ele se virou e saiu, seus passos firmes ecoando pelo corredor de mármore até desaparecerem. Fiquei sozinha na biblioteca, apertando o cartão contra o peito. O cheiro de sândalo dele ainda estava impregnado no ar, misturado ao cheiro de poeira e papel velho. Olhei para o cartão: Julian Blackwood. Fifth Avenue. Era um convite para o céu dos ricos ou para o inferno que eu tanto temia? Naquele momento, com o peso de Nápoles ainda esmagando meus ombros, eu soube que não importava o quanto eu corresse. O passado sempre encontra uma forma de cobrar a conta, e Julian Blackwood era o cobrador mais implacável que eu já havia conhecido.JULIAN BLACKWOODSaí do jato com Matteo e jade no colo, protegidos pelo meu casaco de lã escura contra o vento cortante do início da primavera nova-iorquina. Elena caminhava ao meu lado, usando óculos escuros e um sobretudo de marca que exalava uma autoridade que ela não possuía antes da Itália. Ela já não era a "noiva troféu" ou a "estudante da Parsons". Ela era a Sra. Blackwood.— Bem-vinda de volta ao centro do mundo, Elena — murmurei, enquanto entrávamos na SUV blindada.— Parece mais frio do que me lembrava, Julian — ela respondeu, segurando a minha mão livre. — Ou talvez seja apenas a sensação de que as paredes aqui têm ouvidos.— Elas têm. Mas agora, nós somos os donos das paredes.ALISTAIR BLACKWOODEsperei por eles na cobertura da Blackwood Tower, e não na mansão. Queria que o regresso fosse marcado pelo ambiente de negócios. O escândalo do jantar tinha sido abafado, mas as placas tectónicas do Conselho tinham-se movido.Quando as portas do elevador privado se abriram, vi um
O sol do Mediterrâneo dourava o convés de teca do *Ametista*, o iate de setenta metros que Alistair presenteara ao casal. Longe da vigilância sufocante de Nova York e das sombras úmidas do Lago di Como, o navio cortava as águas azul-turquesa entre a Sardenha e a Córsega. Não havia sinalizadores de rádio, nem reuniões de conselho, nem vestígios de sangue. Apenas o som do casco cortando as ondas e o riso de Matteo no convés inferior.ELENA BLACKWOODAcordei com o balanço suave da embarcação. O lençol de linho branco era a única coisa que me cobria, e o calor que emanava do corpo ao meu lado era o meu lembrete diário de que tudo aquilo era real. Julian dormia com uma serenidade que eu raramente via. Sem a máscara do "Coringa", ele parecia apenas um homem em paz.Levantei-me silenciosamente e fui até a varanda da suíte master. O horizonte era uma linha infinita de azul. Senti mãos fortes envolverem minha cintura e o toque frio do anel de casamento de Julian contra a minha pele.— Bom dia,
JULIAN BLACKWOODEu estava parado no altar improvisado nos jardins da Villa, de frente para o lago. O meu fato era de um corte impecável, mas o que eu sentia por baixo do tecido não era o peso do poder, era o peso da gratidão. Olhei para o lado e vi Dominic, o meu padrinho, que apenas assentiu com um olhar que dizia: “ você conseguiu ”Adrián estava posicionado discretamente perto da entrada, e Alistair, sentado na primeira fila, segurava Matteo no colo e jade ao seu lado. Ver o meu pai, o homem de gelo, a sorrir para o neto, fez-me perceber que a nossa dinastia tinha finalmente mudado de rumo.A música começou. Uma orquestra de cordas tocava uma melodia suave que parecia acalmar as batidas frenéticas do meu coração. E então, eu vi-a. ELENA MORETTICaminhei sobre a passadeira de pétalas brancas, de braço dado com o meu pai, que tinha vindo de Nápoles apenas para este momento. O meu vestido de renda artesanal, o mesmo que quase foi manchado de sangue em Milão, agora brilhava sob o so
O ar sobre o Lago di Como estava pesado, carregado com a eletricidade que precede uma tempestade de verão. Julian navegava em um barco solitário em direção ao sul da **Isola Comacina**, servindo de isca sob os holofotes de Viktor Volkov. Enquanto isso, do lado norte, as águas escuras eram cortadas silenciosamente por Elena e Dominic, que emergiam como espectros das profundezas, armados e movidos por um instinto puramente primal.ELENA MORETTIA água escorria pelo meu traje tático enquanto eu subia as rochas escarpadas atrás do mosteiro. Meus pulmões ardiam, mas a imagem do berço vazio era o combustível que me mantinha de pé. Dominic estava logo atrás, movendo-se com a precisão de um predador veterano.— Silêncio, Elena — ele sibilou pelo comunicador. — Há quatro guardas no pátio superior.— Deixe-os comigo — respondi, sacando a faca de combate.Neutralizamos a guarda externa sem disparar um tiro. O mosteiro cheirava a incenso velho e pólvora. Seguimos o som de um choro baixo — um som
JULIAN BLACKWOOD chamada foi atendida no terceiro toque. O som da respiração dela do outro lado me fez querer atravessar a linha e esganá-la.— Chloe. Diga o seu preço. Dinheiro, as rotas da Suíça, a renúncia ao conselho dos Blackwood... o que você quiser. Apenas devolva o meu filho.— Dinheiro, Julian? — a risada dela foi um som agoniante, agudo e desprovido de sanidade. — Você ainda não entende? Eu queimei o império do meu pai para chegar aqui. Eu não quero papel. Eu quero o que me foi roubado. Eu quero a família que o destino me prometeu.— Você não tem família, Chloe. Você tem reféns.— Eu tenho o Matteo. E ele tem os seus olhos... os olhos que deveriam estar olhando para mim todas as manhãs. Eu quero você, Julian. E quero o bebê. Nós vamos sumir. A Elena pode ficar com as joias, com a Villa e com a sua memória. Mas se você quiser ver o seu herdeiro respirar amanhã, você virá sozinho para o ponto de extração no norte do lago.ELENA MORETTIEu estava atrás da porta, ouvindo cada p
ELENA MORETTIEu estava sentada na beira da cama, as mãos tremendo. O nome "Theo" latejava na minha cabeça como uma maldição. Eu sabia que era uma armadilha, mas ver o olhar de Julian... aquela frieza... me tirou o chão. Eu não conseguia me mexer. Fiquei ali, esperando que ele voltasse, esperando que o amor dele fosse maior que o seu ego.Eu não ouvi os passos abafados no corredor. Não ouvi o som do silenciador que neutralizou o guarda na porta lateral. O meu instinto, geralmente tão afiado, estava sufocado pelo meu coração partido.— Ele não vem, Elena — sussurrei para mim mesma, abraçando os próprios ombros. — Ele escolheu acreditar no fantasma.CHLOE Mover-me pela Villa era como caminhar por um sonho que eu planejei em cada detalhe nas noites insones da clínica. O Julian estava no cais, perdido em seu próprio inferno. A Elena estava trancada no quarto, desmoronando. O caminho para o berçário estava livre.Entrei no quarto de Matteo com a leveza de uma sombra. Julia, a babá, estav







