Inicio / Romance / O Rei dos Ladrões / Prólogo - Parte 2

Compartir

Prólogo - Parte 2

Autor: NanaBOliver
last update Fecha de publicación: 2024-10-31 05:22:12

Algumas semanas depois

— Eu não quero ir — Annabeth disse, abraçada a Keenan, com o rosto enterrado em seu peito. — Não quero que ninguém pegue o meu lugar.

E aquilo era pura verdade; o maior medo de Annabeth era ser esquecida ou substituída.

— Ei, ei... olhe para mim — ele pediu, tocando delicadamente o rosto dela. — Ninguém pode tomar o seu lugar. Ele é só seu. Você é única!

— Sou mesmo? — perguntou com a voz embargada.

Ele balançou a cabeça, concordando.

— Já podemos ir, Annabeth? — A voz impaciente de seu pai soava irritada.

Nem uma despedida decente eles poderiam ter. Annabeth apertou o abraço em Keenan, sem conseguir imaginar como seria sua vida sem ele. Era seu melhor amigo, e, em todas as confusões em que ele se metia, lá estavam eles juntos.

— Filha, precisamos ir — disse Bozena, a mãe dela.

— Não! — sussurrou Annabeth, enterrando o rosto mais fundo no peito dele.

— Aninha — murmurou Keenan, segurando o rosto dela e o erguendo devagar. — Isso vai ser rápido. Você voltará logo, e estarei aqui esperando por você.

— Promete?

— Sim. — Ele encostou a testa na dela.

— Não quero me casar com um velho fedido.

A risada de Keenan a fez rir também, e ela fechou os olhos ao sentir o nariz dele encostar no seu, em um ato de carinho.

— Não vai. Eu nunca deixaria — ele respondeu rindo e, então, rapidamente encostou os lábios nos dela.

Annabeth ouviu exclamações ao redor, mas não deu atenção. Apenas sentiu o formigamento bom que aquele beijo deixou em seus lábios.

— Annabeth, isso é... — esbravejou o pai, mas foi interrompido pela esposa.

Por alguns segundos, os dois permaneceram de testa colada, tentando entender o que aquele beijo inocente significava. Então, ela abriu os olhos.

— Espere por mim. Prometo não demorar. Voltarei para você! — Annabeth segurou as mãos dele e entregou-lhe seu lenço de cabelo. — Isso fica com você.

Keenan sorriu.

— Estarei aqui.

Annabeth se afastou dele a contragosto e entrou na carruagem, seguida de sua mãe.

— Quando voltarmos, você e eu teremos uma conversa, garoto! — Edward Riley avisou antes de entrar também.

Os pais dela a deixariam com os tios e retornariam para Forwood. Quando a carruagem partiu, Annabeth colocou a cabeça para fora da janela e viu a senhora Gweneth sussurrar algo ao filho enquanto o abraçava em consolo. Ela sorriu e ficou na janela até que seu melhor amigo sumisse de sua vista.

— Ela vai voltar, fique tranquilo. — Gweneth disse, consolando o garoto. — Preciso voltar ao trabalho. E, por favor, não se meta em confusão.

Ele riu e balançou a cabeça.

— Não estou com ânimo para confusões hoje — tranquilizou a mãe. — Vou para casa.

— Tudo bem, querido. — Ela sorriu e beijou a testa dele. — Mais tarde estarei lá.

Ao retornar para casa, Keenan se sentiu desanimado. Nada ali o distraía, e agora, sem sua Aninha, estava mais difícil. Ele pegou a máscara que o pai lhe dera no leito de morte. Seu pai havia morrido há cinco anos, vítima de uma praga que, por sorte, não atingiu ele e a mãe. Estar sozinho em casa sempre o deixava melancólico, e a ausência de Annabeth só piorava as coisas.

Keenan pegou o arco de madeira que havia feito junto com algumas flechas e saiu pelos fundos em direção à floresta. A casa deles era a mais próxima das árvores, então ele praticamente cresceu por ali. Ao chegar a um local onde costumava brincar com Annabeth, mirou em um alvo de madeira e atirou, acertando em cheio. Sorriu, seu pai sempre fora habilidoso com arco e flecha; ele devia ter herdado isso dele.

Continuou praticando, até que um barulho de galho chamou sua atenção, e ele olhou para cima, procurando entre as copas das árvores. Ninguém ia até ali além dele, então estranhou. Sua mãe sempre contava sobre os espíritos da floresta, que protegiam a natureza dos predadores humanos, mas ele não acreditava nessas histórias, pois nunca tinha visto um.

— Quem está aí? Por que está me espionando?

Tudo ficou quieto; só o canto dos pássaros preenchia o ambiente. Ele então se concentrou no vento e no movimento das árvores. Era astuto demais para ser pego de surpresa. Ouvindo outro ruído, retesou o arco, mantendo-se em concentração total.

— Quem está aí? — repetiu, erguendo uma sobrancelha.

Um homem então desceu de uma das árvores com facilidade, levantando as mãos em rendição e sorrindo.

— Peço desculpas se assustei você. Estava apenas observando, e vejo que você tem potencial — disse o estranho, rodeando-o por alguns instantes. — A propósito, meu nome é Apolo.

— Você é um dos espíritos da floresta? — ele perguntou impulsivamente, sem demonstrar medo, mas mantendo o arco apontado para o homem.

— Nossa, se é assim que nos chamam, está bem. — Sorrindo, o homem tirou o capuz, revelando cabelos grisalhos. — Mas não vou machucá-lo; só quero conversar.

— Conversar sobre o quê? — Keenan ergueu uma sobrancelha em desafio, mas abaixou o arco.

— Você tem causado bastante agitação por aí, garoto. Meu pessoal precisa de homens como você, e pelo que vejo, você quer ser um guerreiro, certo? — Apolo esperou uma resposta, mas Keenan ficou em silêncio, e ele entendeu isso como um sim. — Eu sei tudo sobre guerras, lutas, espadas e arco e flecha.

— Arco e flecha! — exclamou, sem conseguir conter a animação.

Agora o homem havia tocado exatamente no interesse dele.

— Interessante que você queira ser arqueiro. Se quiser, posso ensinar você, só precisa de mais prática. Que tal? — Apolo sorriu, mas Keenan permaneceu desconfiado. — Está tudo bem. Não vou lhe fazer mal.

— Não sei se devo confiar em estranhos — Keenan disse, mas foi surpreendido pelo homem, que, com uma velocidade impressionante, pegou uma faca pequena que estava presa à cintura e a arremessou, acertando uma folha que caía de uma árvore, pregando-a em um tronco.

— Como fez isso? — o garoto perguntou, admirado.

— Posso ensinar você, mas precisará manter segredo.

Keenan pensou por alguns instantes. Aquele velho era estranho, mas ele era bom em evitar problemas, então, por que não arriscar?

— Tudo bem. Quero aprender a fazer isso e também descer de árvores como você, além de aprender a usar espadas.

— Quanta exigência! — Apolo riu. — Exatamente o que eu esperava. Muito bem, garoto. Vou ensinar tudo o que quiser aprender. Amanhã, me encontre aqui bem cedo. — Apolo colocou o capuz novamente, escondendo o rosto. — Prepare-se, sua vida vai mudar — avisou antes de desaparecer na floresta.

Keenan respirou fundo; era exatamente disso que precisava — mudanças — e sentia que, ao escolher aquele caminho, nunca mais seria o mesmo. Segurou o lenço que Annabeth havia lhe dado e sorriu. Com certeza, quando ela voltasse, ele a surpreenderia.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • O Rei dos Ladrões    Extra: Kairus - O Duque Almadiçoado

    Prólogo Reino de Burterlling Kairus chegou ao seu castelo e, após respirar profundamente o ar da noite, observou a equipe — composta por cinquenta criados — fazer uma reverência. Joseph, seu mordomo, deu um sorriso cordial, mas carregado de um medo disfarçado. — É bom vê-lo de novo, vossa graça — disse ele, com uma leve reverência. O restante dos criados sorriu, mas a expressão deles transparecia mais medo do que respeito. Kairus observou cada um deles de forma penetrante, sem dizer uma palavra. — O que aconteceu com a Mildres? — perguntou, tirando as luvas e lançando um olhar severo para a equipe. — A senhora Mildres teve um infarto, há alguns dias, vossa graça — explicou Joseph, com a voz trêmula. — Já estou na escolha de alguém para substituí-la. — Faça isso. Minhas mães tiveram algo a ver com isso? — perguntou Kairus, notando os olhares apreensivos trocados entre os criados. — Não, suas mães não têm vindo aqui há algum tempo — respondeu Joseph, com um suspiro de alívio, mas

  • O Rei dos Ladrões    Epílogo

    Onze anos depois— Eu nunca vou acertar essa coisa! — Luca resmungou, tentando mais uma vez disparar a flecha no alvo.Antes que pudesse se frustrar mais, outra flecha veio certeira, cravando-se exatamente onde ele queria. Surpreso, virou-se e viu o pai, Keenan, com a irmã mais velha ao lado.— Papai! — Luca disse, assustado, escondendo a própria flecha atrás de si.— Luca. — Keenan se ajoelhou à frente dele, observando-o com um sorriso contido. — O que houve, filho?— Você não está bravo por eu pegar suas flechas?Keenan riu diante da culpa estampada no rosto do garoto e bagunçou seu cabelo.— Claro que não. Mas não precisava fazer isso escondido de mim.— Eu avisei para ele não vir à floresta sozinho. — Zaya cruzou os braços, arqueando uma sobrancelha como a mãe fazia.— Mexeriqueira. — Luca mostrou a língua para ela.— Maricas. — Zaya retrucou com um sorriso provocador.Antes que a troca de "elogios" escalasse, Keenan assoviou, fazendo os dois pararem instantaneamente, ainda que co

  • O Rei dos Ladrões    Capítulo 94

    Semanas DepoisA coroação do rei Urick aconteceu, e Forwood parecia outra aldeia. Pequenas peças de teatro, encenadas pelas crianças, retratavam a derrota de Esteban. A antiga aldeia na floresta não era mais necessária, e Keenan decidiu encerrá-la.As cabanas que antes abrigavam os refugiados foram reconstruídas, com apoio do reino. As plantações prosperavam, Edward reassumiu o título de xerife e também se tornou chefe da guarda real. A paz, enfim, parecia ter sido restaurada.William recuperou sua ferraria, agora maior e mais moderna. A feira de Forwood nunca estivera tão movimentada e abundante.Enquanto isso, em uma das câmaras do castelo, Annabeth se preparava ao lado de Tina para o casamento duplo que se aproximava. O pequeno volume da barriga de Tina já começava a aparecer, e Anna passou a mão suavemente sobre ele.— Serei uma madrinha incrível! Vou mimá-lo tanto que você nem vai acreditar. — Anna sorriu.— Não duvido disso. — Tina riu. — E você? E Keenan? Já estão pensando em u

  • O Rei dos Ladrões    Capítulo 93

    Uma semana depoisMilo olhou para os amigos reunidos à sua frente, tentando gravar cada detalhe daquele momento. O dia de sua partida finalmente chegara, mesmo com os protestos veementes para que ele ficasse. Havia algo que precisava fazer: descobrir como Kairus estava e retornar à sua antiga casa. Embora Forwood tivesse lhe acolhido de maneira calorosa, aquele não era seu lugar. Porém, prometeu a si mesmo que visitas ocasionais não seriam um problema.O único detalhe que o deixava chateado era a ausência de Jordan para se despedir.Antes de partir, dirigiu-se a Annabeth. Com um sorriso nos lábios, abraçou-a carinhosamente e sussurrou em seu ouvido:— Parabéns, mamãe!— O quê? — Annabeth empalideceu, recuando um pouco. — Eu estou…— É um presente meu — ele piscou para ela, divertido. — Pode pensar em um nome para uma linda menina.Annabeth abriu a boca para dizer algo, mas permaneceu em silêncio, enquanto Keenan observava a troca com desconfiança.Depois disso, Milo fez uma reverência

  • O Rei dos Ladrões    Capítulo 92

    Os alvos foram colocados em fileiras. Keenan observou o duque se posicionando enquanto todos ao redor assistiam a última competição.— Você sabe que Esteban não vai sair tão fácil assim do trono — Kairus disse em tom baixo.— Sim. Já estou cansado disso, preciso fazer algo.— Você tem que revelar que é filho de Urick — sugeriu o homem.— Ninguém vai acreditar nisso — Keenan sussurrou.— A menos que seu pai apareça.Nesse momento, o bandeirinha se aproximou. Keenan segurou o arco e puxou a flecha. Seu braço doía, mas aquilo era muito melhor do que carregar a pesada lança.Quando a bandeira branca balançou, ambos atiraram simultaneamente, acertando o alvo. Empate novamente. O alvo foi deslocado para uma posição mais distante. Keenan mirou, e, ao comando, os dois dispararam outra vez, novamente um empate.Agora, preparavam-se para a última flecha. O jogo continuaria até que um deles errasse.— Muita sorte, Keenan — disse o duque, preparando-se.Keenan fez o mesmo. Ambos atiraram ao mesmo

  • O Rei dos Ladrões    Capítulo 91

    Na manhã seguinte, Keenan acordou mais cedo do que o restante do pessoal e decidiu fazer uma caminhada pelo local, observando o raiar do sol. Sentia uma estranha sensação, como se algo importante fosse acontecer. Talvez fosse uma bobeira... ou talvez não.Ele respirou fundo, sentindo o ar puro encher seus pulmões. Olhou para as arquibancadas vazias e, ao recordar os gritos e a animação do povo de Forwood, uma sensação de gratidão invadiu seu peito. Pela primeira vez, seu povo realmente parecia estar se divertindo, e ele sabia que aquilo precisava acontecer. Seu povo precisava se livrar daquele crápula.O rei dos ladrões já havia cumprido seu papel. Agora, era a vez de Keenan Bentley fazer o seu. Primeiro, ele precisava resgatar Anna, depois cuidaria de Esteban.Keenan voltou para a tenda para se aquecer para o primeiro combate do dia: enfrentaria o Visconde de Trevila. Pelo que seu pai lhe havia contado, aquele homem era um trapaceiro de primeira. Perdera toda sua fortuna por conta de

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status