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CAPITULO 12 - ECOS DO VALE

last update Data de publicação: 2026-02-24 22:44:34

O calor da mão de Malakai era a única coisa que me impedia de desmoronar enquanto descíamos pela vertente oposta da montanha. O céu de 1980 estava estranho; as nuvens tinham uma coloração arroxeada, quase doentia, e o vento carregava um cheiro de ozônio e terra revirada. A fuga da gruta tinha sido silenciosa e urgente. Selina voltaria com reforços, e Malakai sabia que nossa vantagem era temporária.

Cada músculo do meu corpo protestava. A explosão de energia que usei contra Selina tinha deixado
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  • O SACRIFÍCIO DA LUNA   CAPÍTULO 14 - VIDRO SE PARTINDO 

    O estalo do meu amuleto de infância sendo esmagado pela bota de Selina ecoou mais alto do que qualquer trovão. Aquele pequeno pedaço de vidro verde, que eu guardara como uma relíquia de um tempo em que o amor parecia possível, transformou-se em poeira sob o peso do desdém dela. Foi o último fio que me prendia à garota que eu costumava ser. No momento em que ele se partiu, algo dentro de mim também se rompeu, mas não foi um colapso. Foi uma libertação.A barreira do Vale dos Diamantes Esquecidos desapareceu com um gemido metálico, e o frio da praga de Caleb invadiu o santuário. A luz branca e pura que antes emanava das paredes começou a vacilar, sufocada pela névoa negra que saía da Chave das Sombras.— Lyra, afaste-se da bacia! — Malakai gritou.Ele tentou avançar, mas o esforço foi demais. O veneno de Selina ainda agia em seu sangue, e ele caiu de um joelho, usando a espada como apoio. A imagem dele, o Alfa das Sombras, diminuído por minha causa, enviou uma onda de calor pelo

  • O SACRIFÍCIO DA LUNA   13 - O PREÇO DA PUREZA

    O ar dentro da fenda que levava ao Vale dos Diamantes Esquecidos não era frio, mas vibrava com uma eletricidade estática que fazia cada poro do meu corpo formigar. Olhei para trás uma última vez. No alto do cânion, a silhueta de Caleb parecia uma mancha de tinta preta contra o céu arroxeado. Ele não se moveu, mas eu podia sentir o peso do seu olhar, uma âncora de possessividade e fúria que ainda tentava se prender ao vazio no meu peito.— Não olhe para ele — a voz de Malakai soou baixa, quase um comando, mas carregada de uma preocupação que ele raramente deixava transparecer. — Ele não tem mais poder sobre você, Lyra. A menos que você o deixe entrar.Eu me virei, respirando o ar carregado de ozônio. Malakai estava pálido, a mão pressionando o peito onde a substância negra de Selina havia deixado uma marca, mas seus olhos âmbar permaneciam fixos no caminho à frente.— O que é esse lugar, Malakai? — perguntei, minha voz ecoando nas paredes de rocha translúcida que agora nos cercavam.

  • O SACRIFÍCIO DA LUNA   CAPITULO 12 - ECOS DO VALE

    O calor da mão de Malakai era a única coisa que me impedia de desmoronar enquanto descíamos pela vertente oposta da montanha. O céu de 1980 estava estranho; as nuvens tinham uma coloração arroxeada, quase doentia, e o vento carregava um cheiro de ozônio e terra revirada. A fuga da gruta tinha sido silenciosa e urgente. Selina voltaria com reforços, e Malakai sabia que nossa vantagem era temporária.Cada músculo do meu corpo protestava. A explosão de energia que usei contra Selina tinha deixado um rastro de letargia nos meus ossos, como se o cristal tivesse drenado a própria medula para brilhar.— Estamos perto? — perguntei, minha voz mal passando de um sussurro.Malakai parou, seus olhos âmbar vasculhando a linha das árvores abaixo de nós. Ele parecia um predador em seu elemento natural, mas havia uma tensão em seu maxilar que me dizia que ele estava preocupado.— Perto do limite — ele respondeu, voltando-se para mim. Ele limpou um rastro de fuligem do meu rosto com o polegar. O toque

  • O SACRIFÍCIO DA LUNA   CAPÍTULO 11 - REFLEXOS

    A mão de Selina era fria, mas não era o frio da neve que eu vinha enfrentando nas Terras Esquecidas. Era um frio seco, sem vida, como se o sangue dela tivesse parado de circular há muito tempo. O cheiro dela — um perfume caro de jasmim que eu lembrava de sentir nos corredores da Casa Grande, agora misturado com o odor de ferro e podridão — me deu náuseas.— Shh... — ela sussurrou, e eu senti o sorriso dela contra a minha têmpora. — Você sempre foi tão silenciosa, Lyra. Por que mudar isso agora?Eu lutei. Tentei morder a mão dela, tentei me desvencilhar, mas a força de uma loba de linhagem pura, mesmo sob a influência da praga, era infinitamente superior à minha. Meus olhos estavam fixos em Malakai. Ele estava caído perto da entrada, a respiração ruidosa e difícil. Aquela substância negra em seu peito parecia uma teia de aranha viva, pulsando e se expandindo. Ele, que parecia um deus de carvalho e aço, agora parecia tão vulnerável quanto eu.— O que você fez com ele? — consegui m

  • O SACRIFÍCIO DA LUNA   CAPÍTULO 10 - O ABRIGO DAS CINZAS

    O frio das Terras Esquecidas não era como o inverno comum que eu conhecia em Silver Moon. Era um gelo que parecia vir de dentro da terra, subindo pelas solas das minhas botas e se alojando diretamente no meu peito, onde o vácuo deixado por Caleb ainda latejava. Cada passo que eu dava atrás de Malakai era uma luta contra a exaustão. Meus músculos gritavam, e a adrenalina que me manteve viva durante o ataque de Caleb na mina estava desaparecendo, deixando para trás um rastro de tremores e náusea.Malakai não parava. Ele se movia pela encosta íngreme como se a escuridão fosse sua aliada natural. Ele não olhava para trás, mas eu sentia sua consciência focada em mim, como se ele estivesse rastreando o ritmo da minha respiração curta e errática.— Só mais um pouco, Lyra — ele disse, a voz rouca cortando o vento uivante. — Se pararmos agora, o suor vai congelar no seu corpo e você não vai conseguir se levantar de novo.— Eu não... eu não sei se consigo — confessei, tropeçando em uma ped

  • O SACRIFÍCIO DA LUNA   CAPÍTULO 9 - A DILATAÇÃO DO TEMPO

    A luz fluorescente do estacionamento subterrâneo oscilou, emitindo um zumbido elétrico que parecia arranhar o fundo dos olhos de Kenya. O frio não era gradual; ele a atingiu como uma parede sólida, uma massa de ar estagnada que cheirava a metal e a lugares onde o sol nunca ousara tocar.Kenya congelou com a mão na maçaneta do carro. O vapor de sua respiração saía em nuvens brancas e densas, e o silêncio que se seguiu foi tão absoluto que ela podia ouvir o estalo do gelo se formando nas tubulações do teto.— Bit... — ela tentou chamar pelo chip neural, mas sua mente encontrou apenas um vácuo estático. O sistema de comunicação havia sido derrubado. Ela estava sozinha.— Não chame por eles. Eles não podem ouvir o que o gelo silencia.A voz veio da penumbra, entre duas colunas de concreto. Era uma voz que parecia vir de uma era distante, carregada de uma cortesia sombria e uma autoridade que fazia o sangue de Kenya gelar por instinto. Eric Von Draken emergiu da escuridão.Ele não cam

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