INICIAR SESIÓNA porta dos aposentos do Alfa foi empurrada com força. O guarda de elite irrompeu pelo corredor com as botas de combate manchadas de lama, neve derretida e um líquido escuro que parecia sangue. Ele caiu de um joelho no chão de pedra diante de Valerius e Eliz, arfando pesadamente enquanto tentava recuperar o fôlego. — Alfa! Comandante Eliz! — exclamou o soldado com desespero na voz. — Houve um ataque devastador na passagem do rio Oeste! A comitiva de suprimentos que trazia as provisões medicinais e os curandeiros da Alcateia do Leste foi completamente emboscada! Eliz deu um passo firme à frente, a postura rígida de Comandante Tática assumindo o lugar do momento de intimidade e vulnerabilidade de segundos atrás. — Quem atacou a caravana? — perguntou ela, a voz fria, cortante e sem vacilar. — Os relatórios dos batedores desta tarde garantiram que a rota do rio estava completamente limpa de tropas do Norte! — Não foram as tropas oficiais de Kaelen, Comandante — disse o guarda,
A noite avançara consideravelmente no Forte de Ferro, e o ar gélido da montanha invadia os aposentos privados do Alfa através da sacada de pedra aberta para a imensidão escura. Dentro do quarto espaçoso, no entanto, o fogo alto da grande lareira de pedra projetava reflexos dourados, quentes e confortáveis sobre os móveis de madeira maciça, os mapas estendidos e os pesados tapetes de pele de urso. Eliz estava de pé diante da ampla mesa de madeira, inclinada sobre os desenhos detalhados das rotas de suprimentos do Sul. Ela retirara a capa pesada de Comandante, vestindo apenas uma túnica leve de lã verde-escura e calças de couro ajustadas que revelavam sua postura firme de guerreira. Seus cabelos ruivos volumosos caíam soltos sobre os ombros, e suas orelhas de loba moviam-se ligeiramente a cada estalo da madeira queimando na lareira. A porta do quarto fechou-se com um baque suave e abafado. Valerius caminhou lentamente em direção a ela, carregando dois copos de cristal lapidado con
A tempestade de neve que fustigava as montanhas do Sul começara a amainar, mas o ar no pátio interno do Forte de Ferro permanecia tão gelado quanto a lâmina de uma espada recém-forjada. As tochas presas às muralhas de granito estalavam com frequência, lançando sombras longas, dançantes e retorcidas sobre os guerreiros da Alcateia das Sombras que inspecionavam os pesados caixotes de suprimentos e suprimentos de guerra empilhados ao lado do estábulo. Eliz ajustou o manto negro de Comandante sobre os ombros, sentindo o peso do tecido grosso proteger seu pescoço do vento cortante. Suas orelhas ruivas moveram-se levemente no topo de sua cabeça, captando o som de passos ritmados no piso de rocha nua. Não era o caminhar pesado e desordenado dos soldados de guarda comum, mas os passos contidos, calculados e silenciosos de Theron, o veterano braço-direito do Alfa Valerius. — Comandante Eliz — disse Theron, parando a exatos dois passos de distância e fazendo uma breve e formal menção com
A noite da Lua Negra não trouxe apenas a escuridão absoluta sobre o continente; trouxe também a tempestade de neve mais devastadora dos últimos cinquenta anos no Reino do Norte. Os ventos uivavam pelas fendas das montanhas com a força de um monstro enfurecido, arrancando placas de metal dos telhados e quebrando as pesadas janelas de vidro do andar superior da cidadela. No interior do Grande Salão do Trono, a atmosfera era sufocante. A imensa lareira de pedra estava apagada, mas ninguém ousava acendê-la. Repentinamente, no exato segundo em que Eliz cortou o laço espiritual no ritual do Forte de Ferro, Kaelen paralisou no centro do recinto. O Supremo do Norte levou as duas mãos ao peito, cravando as garras na própria túnica cerimonial, e soltou um urro de agonia tão lancinante que fez os guardas das portas caírem de joelhos, cobrindo as orelhas com as mãos. O som não parecia humano ou lupino; era o lamento de uma alma sendo rasgada ao meio. Kaelen caiu de joelhos sobre o chão de márm
A noite da Lua Negra caiu sobre o Forte de Ferro sem que uma única estrela iluminasse o firmamento. O céu parecia um manto de veludo negro cobrindo os picos gelados do Sul. No centro da câmara subterrânea da fortaleza, esculpida diretamente na rocha-mãe das montanhas, a temperatura era sufocante. Círculos de runas antigas desenhadas com cinzas de carvalho e pó de prata cercavam um pequeno altar de pedra onde Eliz estava deitada. Ao redor do altar, três anciãs da Alcateia das Sombras entoavam cânticos graves e monocórdios, cujas notas ressoavam nas paredes de pedra como o sussurro do vento nas cavernas. Valerius permanecia junto à entrada do círculo, os braços cruzados, a expressão tensa e o olhar fixo no frasco de vidro escuro que segurava nas mãos. — Chegou a hora, Comandante — disse a anciã principal, uma fêmea idosa de cabelos prateados chamada Maelis. Ela pegou o frasco das mãos de Valerius e aproximou-se do altar. — O aconito-negro é impiedoso. Ele procurará qualquer dúvida em
O silêncio nos corredores de pedra do Forte de Ferro era quase palpável, quebrado apenas pelo chiado ritmado das tochas presas às paredes de granito. No aposento tático situado na torre mais alta da fortaleza, a névoa fria da noite entrava por uma fresta no arco de pedra, misturando-se com o fumo de ervas medicinais que queimavam em um pequeno braseiro de bronze. Eliz estava sentada diante de uma mesa redonda coberta por pergaminhos, mapas e frascos de óleos essenciais. Seus dedos, finos e marcados pelo uso contínuo de armas, acompanhavam as linhas de suprimentos que abasteciam os acampamentos do Sul. A porta do aposento rangeu ao ser empurrada com lentidão. Valerius entrou sem o peso de sua armadura cerimonial, vestindo apenas uma túnica simples de lã escura e calças de couro. As orelhas de lobo do Alfa estavam eretas, atentas a qualquer som estranho no perímetro externo. — Você não dorme há quase três dias, Eliz — disse Valerius, aproximando-se com passos serenos e pesados. Ele pu







