FAZER LOGINNa noite em que deveria ser coroada Luna, Eliz descobriu o verdadeiro significado da dor. Encontrá-lo nos braços de outra loba foi apenas o primeiro golpe; o segundo veio com as palavras implacáveis que rasgaram sua alma: “Eu, o Supremo dos Lobos do Norte, rejeito você como minha companheira!” Humilhada e com o vínculo ancestral despedaçado, ela desmaiou em meio às suas próprias lágrimas. Na manhã seguinte, desapareceu sem deixar rastros. Ela não era mais a menina ingênua que aceitaria ser pisada. Anos se passaram. Eliz aprendeu a sobreviver nas terras selvagens, tornando-se uma mulher fria, poderosa e inalcançável. Mas quando uma crise política ameaça destruir o Norte, ela retorna — não como a garota rejeitada do passado, mas como a única capaz de salvar a alcateia. Kaelen, o Supremo, descobriu tarde demais que a rejeição destruiu mais do que um laço: destruiu a si mesmo. Agora, consumido pelo arrependimento e pela obsessão, ele fará de tudo para tê-la de volta. Mas o jogo mudou. Ela não confia. Ela não ama. E se o Supremo quiser a sua Luna de volta... terá que se curvar diante dela.
Ver maisO tecido de seda prateada do vestido de coroação roçava contra as pernas de Eliz com um sussurro macio, mas para ela parecia uma armadura de ferro. O espelho de moldura entalhada no aposento refletia uma jovem de pele clara, cabelos ruivos volumosos caindo em ondas até a cintura e olhos verdes brilhantes de expectativa. Suas orelhas de loba ruivas, no topo da cabeça, tremiam levemente a cada som vindo do grande salão da Alcateia do Norte. Sua cauda macia se agitava em um ritmo ansioso.
Aquela seria a noite da sua vida. A Noite do Vínculo e da Coroação. Dentro do seu peito, o laço de companheira primordial vibrava como uma corda de harpa prestes a ser tocada. Ela sentia o pulso de Kaelen — forte, dominante, caloroso —, o ritmo do coração do homem que a Deusa da Lua havia destinado para ser seu parceiro e Supremo. — Você está deslumbrante, Eliz — disse uma das servas, curvando a cabeça antes de deixar a sala. Eliz sorriu para o próprio reflexo, ajustando a pequena presilha de safira no cabelo. Ela era ingênua o suficiente para acreditar que o amor de um Supremo era inabalável. Havia passado os últimos meses se preparando para ser a Luna perfeita: aprendendo os protocolos das alcateias, estudando a diplomacia entre os territórios e reprimindo seus próprios instintos para se encaixar nos moldes que a tradição exigia. Com o coração acelerado, ela decidiu que não esperaria o cortejo vir buscá-la. Queria ver Kaelen antes do ritual. Queria olhar em seus olhos escuros e ouvir, no silêncio da privacidade, a promessa de que ele a protegeria para sempre. Eliz caminhou pelos corredores de pedra do castelo da alcateia. As tochas nas paredes projetavam sombras dançantes, e o cheiro de pinho e neve fresca — a essência marcante de Kaelen — ficava mais forte à medida que ela se aproximava dos aposentos reais do Supremo. As portas duplas de carvalho maciço estavam levemente entreabertas. Eliz ia bater, mas o som que saiu de dentro do quarto a fez congelar no lugar. Um gemido abafado. Feminino. Suas orelhas ruivas se ergueram imediatamente, captando o som com uma precisão dolorosa. O cheiro de pinho e neve de Kaelen estava impregnado por outro odor: o perfume adocicado, pesado e vulgar de lavanda e baunilha. O perfume de Sasha. — Kaelen... — a voz de Sasha veio sufocada, pontuada pelo som de respiração arfante. — A cerimônia vai começar... Eles estão esperando por você e pela sua... Lumina de fachada. — Cale a boca, Sasha — a voz de Kaelen ressoou, grave, rouca e carregada daquela dominância ancestral que sempre fazia os joelhos de Eliz tremerem. Mas não havia afeição na voz dele. Havia apenas desejo bruto. — Você sabe qual é o seu lugar. — Meu lugar é na sua cama — Sasha riu, um som triunfante e baixo. — Mas o trono vai ser daquela garotinha ingênua? Ela não tem pulso para ser a Luna do Norte. Ela é fraca, Kaelen. — A Deusa colocou o laço nela, não em você — Kaelen rosnou baixinho, e o som de tecidos se ajustando ecoou pelo quarto. — Mas a Deusa não governa minhas escolhas na cama. Eliz será a Luna nos papéis e nos rituais. Você continua sendo o meu privilégio. O ar sumiu dos pulmões de Eliz. Ela deu um passo para a frente, a mão tremendo ao empurrar a fresta da porta. A cena que se revelou diante de seus olhos verdes destruiu tudo o que ela conhecia sobre o mundo. Kaelen estava de pé ao lado da grande cama de dossel. Seu porte físico forte e musculoso estava parcialmente descoberto; a camisa de linho preto estava aberta no peito, seus cabelos escuros desalinhados, e suas orelhas de lobo negras estavam eretas. Diante dele, ajoelhada sobre o colchão de veludo, Sasha ajeitava o vestido vermelho desalinhado, mantendo um sorriso vitorioso nos lábios avermelhados, com sua cauda cinzenta balançando devagar. O laço no peito de Eliz não apenas doeu; ele queimou como se garras incandescentes tivessem sido cravadas em sua carne. O som do tecido de seda do vestido de Eliz roçando na madeira da porta fez Kaelen se virar bruscamente. Os olhos escuros do Supremo se cravaram nos olhos verdes dela. Por uma fração de segundo, uma onda de choque e pânico atravessou a postura impositiva do homem, mas ele rapidamente se recompôs, mascarando a culpa atrás de uma expressão fria e distante. — Eliz — Kaelen disse, sua voz sem qualquer tremor, embora a cauda dele tenha dado um solavanco rígido para trás. — O que faz aqui antes do horário? Eliz deu um passo para trás. Seus lábios avermelhados entreabriram-se, mas som algum saiu de sua garganta. Ela olhou para Sasha, que agora exibia um olhar de falsa comiseração, e depois voltou a olhar para o homem a quem havia entregado sua lealdade absoluta. — Você... — a voz de Eliz saiu como um sussurro quebrado, uma rachadura na casca de inocência que ela carregava até aquele segundo. — O ritual... O nosso laço... — Não faça uma cena, Eliz — Kaelen disse, dando um passo firme na direção dela. A barba bem aparada emoldurava uma linha de maxilar rígida e inflexível. — Você é uma loba adulta. Sabe como as coisas funcionam na alta hierarquia. Você terá o título de Luna. Terá a proteção da Alcateia do Norte, o respeito do conselho e a minha semente para dar herdeiros ao trono. O que faço na minha privacidade não diz respeito ao seu papel político. — Privacidade? — Eliz sentiu as lágrimas queimarem suas pálpebras, mas recusou-se a deixá-las cair na frente de Sasha. Ela deu outro passo para trás, afastando-se do toque que Kaelen tentou estender. — Você está me traindo a minutos de me coroar perante o conselho! — Eu sou o Supremo! — a voz de Kaelen ecoou pelo corredor, ativando sua aura de comando. As paredes pareciam tremer com a força do seu rosnado. — Eu dou as ordens nesta alcateia! Você aceitará seu dever como Luna e deixará suas infantilidades de lado. Agora, volte para os seus aposentos e espere o meu sinal. Sasha deu uma risadinha abafada no fundo do quarto. Aquele som foi o estalo final. A dor dilacerante da traição transformou-se em algo frio, denso e desconhecido no fundo do ser de Eliz. Pela primeira vez na vida, a loba ruiva dentro dela não se encolheu diante da dominância de um Alfa. A loba ruiva rosnou de volta. — Não — disse Eliz, a voz de repente perdendo toda a trepidação, tornando-se tão afiada quanto uma lâmina de gelo. Kaelen franziu a testa, surpreso com o tom. — O que você disse? — Eu disse não, Kaelen — Eliz ergueu o queixo, fixando o olhar no Supremo. Suas orelhas ruivas se dobraram ligeiramente para trás em sinal de agressão velada. — Eu prefiro o desterro a me curvar à sua podridão. Sem esperar por uma resposta, sem olhar para Sasha e sem derramar uma única lágrima na presença deles, Eliz virou-se sobre os calcanhares e correu pelo corredor de pedra, deixando o Supremo dos Lobos do Norte estático no limiar de seus aposentos.A porta dos aposentos do Alfa foi empurrada com força. O guarda de elite irrompeu pelo corredor com as botas de combate manchadas de lama, neve derretida e um líquido escuro que parecia sangue. Ele caiu de um joelho no chão de pedra diante de Valerius e Eliz, arfando pesadamente enquanto tentava recuperar o fôlego. — Alfa! Comandante Eliz! — exclamou o soldado com desespero na voz. — Houve um ataque devastador na passagem do rio Oeste! A comitiva de suprimentos que trazia as provisões medicinais e os curandeiros da Alcateia do Leste foi completamente emboscada! Eliz deu um passo firme à frente, a postura rígida de Comandante Tática assumindo o lugar do momento de intimidade e vulnerabilidade de segundos atrás. — Quem atacou a caravana? — perguntou ela, a voz fria, cortante e sem vacilar. — Os relatórios dos batedores desta tarde garantiram que a rota do rio estava completamente limpa de tropas do Norte! — Não foram as tropas oficiais de Kaelen, Comandante — disse o guarda,
A noite avançara consideravelmente no Forte de Ferro, e o ar gélido da montanha invadia os aposentos privados do Alfa através da sacada de pedra aberta para a imensidão escura. Dentro do quarto espaçoso, no entanto, o fogo alto da grande lareira de pedra projetava reflexos dourados, quentes e confortáveis sobre os móveis de madeira maciça, os mapas estendidos e os pesados tapetes de pele de urso. Eliz estava de pé diante da ampla mesa de madeira, inclinada sobre os desenhos detalhados das rotas de suprimentos do Sul. Ela retirara a capa pesada de Comandante, vestindo apenas uma túnica leve de lã verde-escura e calças de couro ajustadas que revelavam sua postura firme de guerreira. Seus cabelos ruivos volumosos caíam soltos sobre os ombros, e suas orelhas de loba moviam-se ligeiramente a cada estalo da madeira queimando na lareira. A porta do quarto fechou-se com um baque suave e abafado. Valerius caminhou lentamente em direção a ela, carregando dois copos de cristal lapidado con
A tempestade de neve que fustigava as montanhas do Sul começara a amainar, mas o ar no pátio interno do Forte de Ferro permanecia tão gelado quanto a lâmina de uma espada recém-forjada. As tochas presas às muralhas de granito estalavam com frequência, lançando sombras longas, dançantes e retorcidas sobre os guerreiros da Alcateia das Sombras que inspecionavam os pesados caixotes de suprimentos e suprimentos de guerra empilhados ao lado do estábulo. Eliz ajustou o manto negro de Comandante sobre os ombros, sentindo o peso do tecido grosso proteger seu pescoço do vento cortante. Suas orelhas ruivas moveram-se levemente no topo de sua cabeça, captando o som de passos ritmados no piso de rocha nua. Não era o caminhar pesado e desordenado dos soldados de guarda comum, mas os passos contidos, calculados e silenciosos de Theron, o veterano braço-direito do Alfa Valerius. — Comandante Eliz — disse Theron, parando a exatos dois passos de distância e fazendo uma breve e formal menção com
A noite da Lua Negra não trouxe apenas a escuridão absoluta sobre o continente; trouxe também a tempestade de neve mais devastadora dos últimos cinquenta anos no Reino do Norte. Os ventos uivavam pelas fendas das montanhas com a força de um monstro enfurecido, arrancando placas de metal dos telhados e quebrando as pesadas janelas de vidro do andar superior da cidadela. No interior do Grande Salão do Trono, a atmosfera era sufocante. A imensa lareira de pedra estava apagada, mas ninguém ousava acendê-la. Repentinamente, no exato segundo em que Eliz cortou o laço espiritual no ritual do Forte de Ferro, Kaelen paralisou no centro do recinto. O Supremo do Norte levou as duas mãos ao peito, cravando as garras na própria túnica cerimonial, e soltou um urro de agonia tão lancinante que fez os guardas das portas caírem de joelhos, cobrindo as orelhas com as mãos. O som não parecia humano ou lupino; era o lamento de uma alma sendo rasgada ao meio. Kaelen caiu de joelhos sobre o chão de márm
Bem-vindo ao Goodnovel mundo de ficção. Se você gosta desta novela, ou você é um idealista que espera explorar um mundo perfeito, e também quer se tornar um autor de novela original online para aumentar a renda, você pode se juntar à nossa família para ler ou criar vários tipos de livros, como romance, leitura épica, novela de lobisomem, novela de fantasia, história e assim por diante. Se você é um leitor, novelas de alta qualidade podem ser selecionados aqui. Se você é um autor, pode obter mais inspiração de outras pessoas para criar obras mais brilhantes, além disso, suas obras em nossa plataforma chamarão mais atenção e conquistarão mais admiração dos leitores.