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Ele nunca me chamava pelo nome

last update Data de publicação: 2026-02-11 05:56:52

Taeju

Sim, a culpa era apenas minha… Ele me seduziu com um gordo salário e desconsiderei as cláusulas absurdas.

No início, achei que iria ser moleza, nada que um funcionário dedicado como eu não desse conta. Mas aqui estou, em pé, olhando ele tomar seu café em silêncio, desejando que ele se engasgasse e partisse dessa para melhor.

Ou pior, quem sabe…

— Secretário, a agenda. — Sua voz cortante me tirou dessa reflexão inútil.

Engoli o suspiro que queria sair e tirei o celular do bolso. A razão pela qual eu detestava o meu chefe não era só pelo acúmulo de tarefas que eu não deveria fazer, mas sim porque ele nunca.

Nunca mesmo.

Chamava-me pelo nome.

Desde o primeiro dia, ele me chamou unicamente de “secretário”. Apenas “secretário”. E só “secretário”.

Aparentemente, ele não conseguia ou não se lembrava de me chamar corretamente: “Secretário Han”.

Bastardo!

Talvez eu estivesse apenas sendo sentimental, mas eu queria ser reconhecido pelo meu nome e não como um secretário qualquer.

Ditei a agenda sem gaguejar. Ele ouviu em silêncio enquanto terminava de comer. Podia não parecer, mas ele estava atento às minhas palavras como um médico com um bisturi na mão.

A família Kang tinha um lado obscuro, havia boatos de que eles eram gangster e de que as pessoas desapareciam, mas ninguém tinha audácia de afirmar nada.

Inclusive, teve um dia que precisei entrar em contato com a ex-secretária para tirar uma dúvida, mas não a encontrei em lugar nenhum. Desde então, fiquei com medo.

Pensando na minha situação, talvez se eu me demitisse pacificamente, não desaparecesse. Certo?

Felizmente, nunca fui envolvido em nada referente a sua família. Embora fosse seu secretário principal que cuidava da agenda empresarial e pessoal, quando se tratava de problemas familiares, o CEO resolvia pessoalmente. Ele mesmo incluía na agenda os horários e me dava folga nesses dias. Eu não achava ruim e não tinha nenhuma curiosidade.

Após terminar sua refeição, subiu as escadas. Enquanto isso, rapidamente limpei a mesa e coloquei as louças no lava louças. Pelo menos não precisava lavá-las com minhas próprias mãos.

Em dez minutos ele retornou e eu o segui a um passo atrás. O perfume que usava era forte e marcante, o mesmo desde que virei seu secretário. Simplesmente combinava com ele.

Ele colocou os óculos escuros assim que se acomodou no banco de trás do carro. Durante o caminho, apenas fui obrigado a curtir o silêncio e a controlar meus nervos por dirigir com aquele carro em um horário de pico.

…

Ao entrar na sala da presidência, conferi rapidamente se estava tudo certo. Devido ao desvio de função, não tinha a chance de preparar a sala antes que meu chefe chegasse. Essa tarefa ficava a cargo da minha assistente.

Havia uma equipe sólida do secretariado, claro, eu não daria conta de tudo, isso seria mais que desumano. Mas eles não trabalhavam nem mesmo neste andar.

Ajudei-o a tirar o paletó e o ajeitei no armário embutido, quase não era possível ver a porta discreta. Não pude deixar de admirar o colete cinza por cima da camisa social branca. Isso apenas mostrava o quanto era bonito e que eu fazia um bom trabalho com as composições de suas roupas.

Dojin sentou na sua poltrona e eu ajustei o arranjo de flores dentro do jarro que ficava no móvel ao lado do armário.

Esse foi um toque meu para que a sala ficasse com uma atmosfera mais leve. Aliás, tinha flores e plantas no departamento todo. Dojin não criou objeções quando sugeri, minha atitude foi boa para criar um ambiente agradável.

— Há algo que precise de imediato? — perguntei, como de costume.

— Não, pode se retirar.

— Com licença.

Quase desmanchei minha expressão branda quando saí da sala, mas o meu rosto já estava engessado.

Contendo um suspiro por estar cansado logo pela manhã, olhei para o relógio. Eu nem tinha tomado café ainda, mas como geralmente não sentia muita fome logo cedo.

Felizmente, meu chefe abusivo mantinha a agenda livre até às nove da manhã, isso me dava tempo para comer alguma coisa. Às vezes eu me iludia achando que esse era o tempo que ele me dava para que eu fizesse uma refeição. Não custava nada pensar assim.

— Como estamos? — perguntei para a minha assistente e dei a volta no balcão baixo onde atrás ficava nossa mesa.

— Calmos que tenho medo.

Franzi o cenho ao olhar seu rosto sério enquanto quase sussurrava. Park Seorin era mais nova que eu, ela trabalhava comigo há dois anos, mas ainda tinha medo de certas coisas.

— E por quê? É bom quando está calmo. — Liguei meu computador e olhei as atas em cima da mesa.

— Eu só tenho essa impressão de que algo pode acontecer. Enfim. Já comeu? — Seorin deu de ombros como se não tivesse chamado o azar.

— Até parece que consigo tão cedo. — Respirei fundo antes de tirar algumas coisas da minha bolsa.

— Eu trouxe hotteok, eu mesma fiz hoje cedinho.

— Hmm… adoro suas panquecas.

— Aproveita e vai comer, eu seguro as pontas por aqui.

— Ah, muito obrigado. Eu já volto.

Apressei-me e entrei na sala do lado oposto. Era um cômodo confortável com uma mesa para fazer as refeições, um sofá grande, um espaço com equipamentos e utensílios. Minha xícara estava no canto da bancada e apenas preparei uma bebida achocolatada.

Eu realmente deveria me preocupar em tomar um bom café da manhã, porém, de uns tempos para cá, estava desanimado. Isso devia ser por causa da minha dedicação em preparar a refeição matinal para meu "querido chefe”.

As panquecas doces estavam em um pote plástico transparente com tampa cor de rosa de bichinhos. Era a cara dela. Seorin era pequena, delicada, mesmo seus cabelos curtos e modernos não tiravam essa impressão.

Saí do pequeno cômodo, eu não podia me dar ao luxo de perder tempo apenas comendo, mas antes de chegar na minha mesa, Dojin saiu de sua sala ajeitando o casaco por cima do terno.

— Secretário, cancele todos os meus compromissos de hoje.

O que?

A caneca tremeu em minha mão.

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