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Um sequestro educado

last update Data de publicação: 2026-02-11 05:58:19

Taeju

— Cancelar? Mas mal chegamos. — Tentei manter minha voz calma. — Além disso, o senhor tem um almoço com um acionista importante que já foi adiado duas vezes.

— Estou de saída.

— Mas…

— Esse é o seu café? — interrompeu-me, encarou a xícara e o pote nas minhas mãos com o cenho franzido.

— Sim, senhor. — respondi como se realmente precisasse. Até porque a questão não era essa. Como ele podia cancelar um dia inteiro de trabalho como se não fosse nada?

— O cartão que dei ao secretário perdeu a serventia?

O que? Para que diabos ele estava falando desse cartão?

— Não, senhor.

— Então, por que não está usando-o para comprar suas refeições?

— Bem…

— Eu gosto do seu trabalho, secretário — interrompeu-me mais uma vez. — Você é competente, tem boa aparência e postura, então, não gostaria de ter que lhe dar uma licença devido a problemas de saúde. Eu também não quero ser acusado de negligência por não estar atento ao bem-estar do meu funcionário.

O que diabos era essa conversa? Ele nunca tinha falado tanto.

Enquanto eu pensava em uma resposta adequada, esforcei-me para manter uma expressão profissional.

A conclusão era óbvia e simples, eu apenas deveria concordar e seguir em frente.

— Claro, senhor. Foi um lapso meu. Mas esses dias ando bastante atarefado e por isso, estou priorizando lanches rápidos.

— Uma assistente não é suficiente? — Olhou para Seorin que parecia nervosa. — Ou ela não está fazendo o trabalho adequadamente?

O problema, na verdade, é a minha carga horária excessiva. É ter que sair de casa tão cedo para acordá-lo como uma princesa. É ter que cozinhar alimentos saudáveis para seu paladar e estômago exigentes. É ser, na verdade, um escravo e não um secretário.

Eu não poderia falar tudo isso, afinal, aceitei as condições para ter um generoso aumento de salário.

— Não se preocupe com isso, senhor CEO. Apenas fui desatento com essa questão, garanto que não irá se repetir.

Sim, essa era a melhor resposta, uma das muitas do meu repertório.

— Tudo bem, secretário. Confio no seu trabalho e creio que fará melhor daqui em diante.

— Certamente, senhor.

— Ótimo. Pegue um táxi para ir para casa.

Dojin sorriu levemente e deu tapinhas suaves em meu ombro antes de caminhar até o elevador.

Eu fiquei um pouco atordoado. Normalmente, não trocava tantas palavras fora do âmbito profissional, nem dava aquele sorrisinho. Foi estranho.

Ainda mantendo a falsa postura inabalável, voltei para minha mesa e bebi um generoso gole do achocolatado excessivamente doce. Diziam que doces faziam bem para a alma.

— Nossa, eu fiquei com medo — Seorin comentou.

— Não se preocupe tanto, ele também não vai demitir ninguém sem um motivo sólido.

— Sim, mas… ele me olhou de um jeito assustador.

— Apenas ignore, vou proteger você. — Sorri, tentando lhe passar conforto. Eu não tinha esse poder, mas tentaria.

— Obrigada, se não fosse por você, não estaria mais nesse cargo.

— Não diga isso, você está aqui por ser competente. Agora vamos deixar isso de lado, tem bastante trabalho. Temos que reorganizar os compromissos. — Suspirei e abri o pote.

O cheiro bom de canela subiu levemente, isso me deixou com saudades. Minha mãe gostava de fazer essas panquecas doces para o lanche da tarde.

Eu mordi um pedaço, sem a menor culpa. Meu “querido chefe” não sabia o que estava perdendo.

— Delicioso — elogiei com sinceridade e Seorin sorriu.

Quando abri a agenda, tentei refletir como se eu fosse uma pessoa compreensiva. Claro, eu não era, mas não custava fingir.

Nem mesmo o doce em minha boca me deixava menos amargo.

Falando nisso, fazia muito tempo que fingia aos quatro ventos. Eu já fazia isso há tanto tempo que havia se tornado natural, quase automático. Até mesmo conseguia segurar meus tiques nervosos.

Mas voltando à reflexão, queria entender o que se passava naquela cabeça bonita por fora e estragada por dentro do meu chefe. Tá certo que ele era chato com a própria comida, mas enfiar o dedo na sopa alheia é outra história.

Porra. Eu podia comer o que quisesse! Não era possível que até isso ele iria controlar como um maldito tirano!

Depois de reorganizar tudo e ouvir sermões desnecessários de alguns clientes, juntei as atas que precisam de revisão e coloquei na minha bolsa. Eu preferia olhar no conforto da minha casa e trabalhar remotamente.

Meu apartamento era quase um local que só ia para dormir, então eu precisava aproveitar qualquer oportunidade para estar dentro dele. Afinal, de que valia o aluguel caro que pagava se não usava o imóvel?

Quando finalmente coloquei os pés para fora daquela empresa era quase meio dia. Mas tudo bem porque logo estaria em casa, de preferência de pijama e com uma máscara hidratante no rosto. Minha pele estava tão seca. Meus produtos iriam acabar vencendo.

— Senhor Han.

Alguém se aproximou, perto demais. Inclinei-me um pouco para olhar o homem robusto e alto usando óculos escuros.

— Sim, sou eu.

— Me acompanhe, por favor.

O homem que parecia uma geladeira de terno preto, apontou para um carro luxuoso estacionado na rua.

— O que? — Agarrei minha bolsa e dei um passo para o lado. Mas ele apertou meu braço com firmeza

— Por aqui, senhor Han.

Depois disso, ele deu um leve empurrão nas minhas costas. Era o suficiente para que eu entendesse que ele me levaria de qualquer jeito.

Andando devagar, olhei para os lados, eu poderia correr, talvez gritar. Teria algum sucesso se fizesse?

Aquilo também não parecia um sequestro. Quem sequestra a vítima educadamente?

Um outro homem abriu a porta do carro e fui conduzido gentilmente para dentro. Assim que sentei, reconheci o autor.

Kang Taesung, o irmão mais velho do meu adorável chefe. Ele, certamente, era lindo assim como aquele bastardo, mas me dava medo.

— Como vai, secretário?

— Senhor Kang.

O carro entrou em movimento e eu permaneci focado no homem ao meu lado.

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Último capítulo

  • O Secretário do CEO   A culpa é dele, afinal.

    TaejuMinha boca estava seca, meus olhos pesados, porém, forcei um pouco mais e consegui abri-los. A claridade incomodou de imediato. — Oh, meu Deus!!! Junseo, nosso filho acordou. Aos poucos a visão foi ganhando foco e pude ver o rosto da minha mãe. — Dojin, Santo Deus. — Meu pai se aproximou apressado, seus óculos de grau estavam tortos. — É um milagre. Nossas orações foram atendidas. — Mamãe se debruçou sobre mim e senti dor. — Oh, me desculpe, você passou por uma cirurgia delicada, mas eu estou tão emocionada. Tentei falar, mas nada saiu, minha garganta estava muito seca. — Não se force, eu vou chamar o médico. — Minha mãe apertou o botão ao lado da cama e alisou meus cabelos. — Eu quase infartei quando cheguei e descobri que estava no hospital, seu pai desmaiou. — Que exagero. Foi só uma queda de pressão. Sorri fracamente ao ver aquela implicância boba. Minha mãe sempre foi falante demais e meu pai não ficava por baixo, no entanto, nunca vi um marido mais obediente do

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    Dojin— Tudo? Ele está louco? Além disso, mesmo que o testamento não tenha sido lido, nós sabemos o que está escrito lá. Seu avô deixou a liderança e quase tudo em suas mãos. — Taesung sabe disso, ele quer que eu modifique as palavras do nosso avô. Sabe que tenho poder para isso. — E você não vai fazer isso não, certo? — Minju encarou-me com dúvidas, mas apenas franzi o cenho. Era tão absurdo que nem ia me dar ao trabalho de responder. — Mande analisar a foto que enviei, quero que meu secretário esteja aqui para receber os pais no aeroporto. Novamente, Minju deu um suspiro cansado, talvez eu devesse cortar sua garganta para que ele parasse com esses sons irritantes. — Depois que essa situação for resolvida, vou querer um bônus. Encarei a foto na tela do meu celular, apesar de ter fotos dele, nenhuma foi tirada com seu consentimento. Talvez por isso fossem bonitas, nelas ele sempre aparecia com expressões espontâneas. Isso me deixava mais irritado, não existia intimidade entre nó

  • O Secretário do CEO   Como ele podia estar tão confortável longe de mim? 

    DojinColoquei os óculos escuros assim que pus os pés para fora daquele lugar imundo. Minju esperou que eu entrasse no sedã, para em seguida senta-se ao meu lado. Olhei para fora assim que o carro entrou em movimento. O dia estava claro. — Vamos direto para a mansão. Os membros da organização confirmaram a presença. — Passe em um lugar antes. — Que lugar? — O apartamento do meu secretário. — Por quê? Você esqueceu alguma coisa lá? Nosso tempo está aper... — Não me importo com o tempo, Minju. Ouvi seu suspiro cansado. Eu não precisava dar explicações, e os outros tinham a obrigação de me esperar pelo tempo que fosse. — Okay, que seja breve. Estou fazendo meu melhor aqui, mas seu irmão também está movendo as peças, inclusive com a posse do seu secretário. Ele conseguiu te desestabilizar. Talvez. Taesung não passa de um homem mimado. Ele teve todo o amor dos nossos pais, mas seus olhos sempre estiveram voltados para mim. Eu não entendo, eu o acho insignificante, como um móvel

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