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Capítulo 5

Autor: Janedoewritings
Raphael

━━ ⛓ ━━

Eu me apoiei contra a parede de tijolos frios da mansão.

De braços cruzados, observava o espetáculo. Nossos soldados estavam ocupados arrastando o lixo para dentro: cinquenta homens, todos com os pulsos amarrados, os rostos cobertos de hematomas e lágrimas.

Estavam enfileirados como gado pronto para o abate.

Aquela era a Caçada da noite, e o ar já cheirava a suor e medo.

Adriano caminhou logo atrás deles, parecendo descontraído demais. Ele mantinha as mãos enfiadas no fundo dos bolsos, com seu casaco caro balançando conforme se movia.

— As celas lá embaixo estavam ficando um pouco cheias. — disse ele, com a voz leve, quase entediada. — Então eu trouxe para você cinquenta dos piores. Traidores, ratos e o tipo de escória que encosta em quem não pode se defender. São todos seus. Faça o que quiser com eles.

Não proferi uma única palavra. Apenas observei, com a mente já calculando a adrenalina da caçada.

Luca se aproximou e agachou-se na frente de um homem que tremia tanto que seus dentes batiam.

No segundo em que os olhos do homem cruzaram com os de Luca, uma mancha escura e molhada se espalhou por suas calças. Ele literalmente se mijou inteiro apenas com um olhar.

Isso fez Luca sorrir.

Não foi um sorriso normal; foi aquele tipo de expressão cruel e carregada de ódio que fazia a pele arrepiar. Ele parecia mais vivo naquele porão do que em qualquer jantar de família.

— É aquele ali? — perguntei, com a voz plana.

Luca não olhou de volta para mim. Continuou encarando o homem, com os olhos escuros e vazios.

— É. — sussurrou ele. — Este é o pedaço de lixo que... fez aquelas coisas com o próprio filho.

Nesse momento, a pesada porta de metal rangeu ao se abrir.

Dante entrou, parecendo irritado enquanto tentava desgrudar uma garota de seu braço. Ela se agarrava à manga dele como se sua vida dependesse disso, mas ele simplesmente a empurrou de volta em direção ao corredor, dizendo algo galanteador para despachá-la.

Ele ajeitou o colarinho e caminhou até nós, avaliando a fileira de homens trêmulos.

— O que eu perdi? — Dante perguntou, checando o relógio. — A festa começou sem mim?

Olhei para os cinquenta homens, depois para os meus irmãos. A noite estava apenas começando, e eu tinha cinquenta maneiras diferentes de garantir que aqueles homens se arrependessem de ter nascido.

— Só estamos nos preparando para brincar. — respondi.

Estendi a mão para pegar a arma que descansava sobre a mesa.

Não era algo que se pudesse simplesmente comprar; eu havia passado meses no meu laboratório construindo-a, peça por peça. Era um arco eletrônico, elegante e preto fosco, parecendo mais um equipamento cirúrgico de alta tecnologia do que uma arma. Era leve como uma pluma, mas forte o suficiente para abrir um buraco em uma parede de tijolos.

Peguei uma das flechas. Eu mesmo as havia projetado também. Elas não eram apenas pedaços de madeira pontiagudos; eram inteligentes.

As pontas eram feitas de um metal especial que não se limitava a perfurar a pele. No momento em que atingiam o alvo, enviavam uma descarga elétrica massiva direto para o coração.

Eu as havia programado para rastrear assinaturas de calor, então, uma vez que eu travava a mira, não havia como fugir. Se eu disparasse, a flecha pensava por mim.

Não importava o quão rápido aqueles homens corressem ou onde tentassem se esconder na escuridão. Minhas flechas os encontrariam, e a última coisa que sentiriam seriam os mil volts da minha marca registrada de justiça.

— Levem-nos para os fundos. — ordenei.

Apontei em direção às imensas paredes de vidro que iam do chão ao teto, com vista para a escuridão. Atrás da mansão ficava o coração da nossa propriedade: hectares e hectares de floresta densa.

Era o nosso parquinho particular, um reino de dor onde as regras do mundo não existiam.

Os soldados começaram a agarrar os homens pelos colarinhos, arrastando-os em direção às pesadas portas de aço.

— Certifiquem-se de que eles entendam o mapa. — acrescentei, com um leve sorriso sombrio surgindo nos meus lábios. — Não há saída. A floresta inteira está cercada por uma cerca eletrificada de três metros de altura, com arame farpado. A única maneira de sair daquelas árvores é voltando por esta casa. E para passar por esta casa, eles têm que passar por nós.

Observei o momento em que a ficha caiu para os prisioneiros.

Seus olhos se arregalaram enquanto olhavam para a linha escura das árvores. Não era apenas uma floresta; era uma jaula. Uma imensa, bela e verde jaula.

Eles podiam correr até os pulmões arderem e os pés sangrarem, mas sempre estariam presos dentro do nosso mundo.

— Dê a eles cinco minutos de vantagem. — ordenei a Adriano. — Quero que sintam que têm uma chance. Quero que seus corações estejam bombeando rápido. Isso faz com que os sensores das minhas flechas travem a mira muito melhor.

A adrenalina da caçada, o poder da tecnologia e o controle absoluto sobre cinquenta vidas. Para a maioria das pessoas, aquilo era um pesadelo. Para mim, era o único momento em que eu realmente me sentia um deus.

O terraço de pedra nos fundos estava lotado com o tipo de homens que governavam o mundo de dentro de arranha-céus de vidro.

Não eram caras comuns; eram os herdeiros, os CEOs, os filhos de senadores. Eram os caras com quem eu tinha frequentado universidades da Ivy League, com quem eu negociava ações e que se sentavam à minha frente em salas de reunião de alto nível.

— Raphael! — uma voz chamou.

Era Julian, o filho de um magnata da tecnologia que eu havia ajudado a assumir uma empresa concorrente no ano passado. Ele ajeitou os óculos de visão noturna na cabeça, segurando um copo de uísque caro na outra mão.

— Ouvi dizer que você atualizou o software dos sensores do perímetro. Por favor, me diga que a "zona de exclusão" perto do arame sumiu. Quero vê-los atingir a eletricidade desta vez.

Eu nem sequer levantei os olhos do meu arco.

— Eu consertei, Julian. Se eles encostarem na cerca, vão acender como uma árvore de Natal. Tente não errar desta vez.

Alguns dos caras riram. Aqueles homens não estavam ali para uma festa de gala ou um leilão de caridade. Estavam ali pela adrenalina que apenas os Capones podiam proporcionar.

Tínhamos crescido juntos, frequentado as mesmas escolas de elite e agora compartilhávamos os mesmos segredos obscuros.

— A taxa de inscrição foi paga? — perguntei, sem olhar para eles enquanto calibrava a tela sensível ao toque do meu arco.

— Cada centavo, Raphael. — respondeu um deles, filho de um bilionário, com um brilho cruel nos olhos. — E as apostas paralelas já estão em dez milhões para a primeira morte.

Olhei para as cinquenta sombras correndo em direção às árvores.

Minha tela ganhou vida, exibindo cinquenta pequenas assinaturas térmicas pulsantes.

— As regras são simples. — anunciei, com a minha voz cortando o tom grave e animado dos homens. — A floresta é um circuito fechado. Se atingirem o arame, morrem. Se ficarem parados, morrem. A única maneira de eles "vencerem" é se conseguirem voltar ao porão da mansão antes do amanhecer.

Fiz uma pausa, com um sorriso frio e afiado se estendendo pelo meu rosto.

— Mas eu nunca tive um vencedor.

Os homens ao meu redor riram. Eles empunharam suas armas — rifles e balestras de última geração —, esperando pelo meu sinal.

Eu era quem fornecia o cenário para os seus desejos mais sombrios, o homem que transformava uma sexta-feira entediante em uma caçada que seria sussurrada em salas de diretoria por meses.

— Os cinco minutos acabaram. — sussurrei, destravando o arco. — O Vazio está aberto. Boa porra de caçada, cavalheiros.

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