INICIAR SESIÓNO Central Park estava ofensivamente ensolarado. Famílias riam, cães corriam e vendedores de pretzel gritavam. Para Jinx, parecia um campo minado a céu aberto.
Ela caminhava ao lado de Aeron, empurrando o carrinho vazio enquanto Luna insistia em andar de mãos dadas com ela, ignorando o pai. Aeron usava óculos escuros estilo aviador e uma camiseta polo azul-marinho que abraçava seus bíceps de uma forma quase indecente.
Jinx tentou não olhar, mas era impossível. O homem era uma muralha de músculos tensionados. Aquela cicatriz dele brilhava sob o sol, um lembrete constante de que ele não era apenas um engravatado de Wall Street.
— Você está tensa, Sarah — Aeron comentou. Ele não olhou para ela quando falou. Seus olhos varriam o perímetro como um radar militar. — Está com medo dos esquilos?
— Não estou acostumada com tanta... fotossíntese — Jinx mentiu, ajeitando os óculos de grau falsos no nariz. — Sou uma garota da cidade. Prefiro ar condicionado.
Na verdade, ela também estava mapeando as rotas de fuga. Havia uma van de manutenção cinza parada com o motor ligado há dez minutos na saída leste. O motorista usava um boné baixo demais.
Seu instinto de ladra gritou. Problema à vista.
— Luna quer ir no balanço — Jinx disse rápido, tentando manobrar a menina para longe da van.
— Os balanços ficam perto da saída norte. Vamos. — Aeron deu o comando.
O celular dele vibrou. Ele atendeu, a postura ficando rígida.
— Venda as ações agora. Eu não me importo com o conselho administrativo! — ele rosnou ao telefone, virando as costas momentaneamente para gesticular.
Foi a brecha de três segundos que os abutres estavam esperando.
A porta lateral da van cinza deslizou com violência. Três homens saltaram. As jaquetas eram largas demais para o calor que estava fazendo. Movimentos rápidos. Coordenados. Eram mercenários, não amadores.
— Peguem a garota! — um deles gritou.
O mundo entrou em câmera lenta para Jinx. O sangue dela esfriou e seu foco estreitou.
O primeiro homem, um brutamontes com tatuagens no pescoço, avançou para pegar Luna.
O cérebro de Jinx gritou a sequência de abate: Golpe na traqueia. Chute na patela. Quebre o pescoço. Seus músculos se contraíram, ansiosos pela violência.
Pare! Se você lutar como Jinx, seu disfarce acaba. Ele vai te matar. Seja a Sarah. Seja inútil.
Jinx soltou a mão de Luna e gritou — um grito agudo, histérico e patético que feriu seu próprio orgulho profissional.
— AAAH! CUIDADO!
Em vez de assumir a postura de combate, Jinx se jogou para a frente, fingindo tropeçar nos próprios cadarços. Foi a coisa mais difícil que ela já fez na vida: parecer fraca quando poderia matar alguém.
Mas foi um tropeço calculado. Geometria do caos.
Ela colidiu com um carrinho de pretzel de um vendedor próximo, impulsionando-o com toda a força das pernas. O carrinho virou um míssil de metal quente e massa assada, atingindo o estômago do primeiro sequestrador com violência.
O homem se dobrou ao meio, sem ar.
O segundo homem puxou uma faca. Jinx, ainda no chão fingindo estar desorientada, agarrou um punhado de terra do canteiro.
— SOCORRO! — ela berrou, jogando a terra para cima em um arco frenético e desordenado.
A areia entrou nos olhos do homem com a faca. Ele parou e ficou xingando tentando limpar a areia do rosto.
Jinx rolou e puxou Luna para baixo de seu corpo, cobrindo a menina como um escudo humano, esperando o golpe do terceiro homem.
— TIRE AS MÃOS DELAS!
Um vulto azul colidiu com o terceiro agressor.
Aeron.
O bilionário não lutou com qualquer técnica de academia; ele lutou com fúria primitiva. Ele derrubou o homem com um tackle brutal, jogando-o no asfalto. Aeron montou sobre ele e seus punhos voaram para o rosto do mercenário.
Um. Dois. Três.
O som de osso quebrando estalou no ar, pois Aeron quebrou o braço do homem sem hesitar.
Os seguranças do parque e a polícia apareceram correndo com seus apitos soando. Tarde demais, como sempre.
Aeron se levantou, ofegante. Os nós dos dedos da mão direita sangravam. E correu ao encontro de Jinx e Luna que estavam no chão.
— Vocês estão bem? — A voz dele falhou. O terror estampado no rosto daquele homem frio foi um choque para Jinx.
Jinx estava sentada na terra, abraçando Luna que chorava baixinho.
— Eu... eu tropecei! O carrinho voou... foi tudo tão rápido! — Jinx soluçava, tremendo as mãos propositalmente. — Me desculpe, Sr. Vale! Eu sou tão desastrada!
Aeron ajoelhou-se. Ele não brigou com ela. Ele puxou as duas para um abraço esmagador. O cheiro dele envolveu Jinx — um cheiro de suor, sangue e adrenalina pura.
— Você foi incrível — ele sussurrou no ouvido dela, a respiração quente causando arrepios na nuca de Jinx. — Você a protegeu com o próprio corpo. E aquele golpe com o carrinho foi um milagre.
Jinx sentiu o coração acelerar. Não pelo perigo, mas pela proximidade dos dois. O braço forte dele ao redor dela parecia… certo demais.
Os policiais estavam algemando os homens. Um deles, o que Jinx havia cegado com areia, passou por eles sendo arrastado. Ele piscou, limpando os olhos vermelhos, e focou em Jinx.
O homem parou. A expressão de dor mudou para reconhecimento. Era "Dente de Ouro", um capanga de um cartel de Miami que Jinx havia roubado no ano passado.
— Jinx? — ele grasnou, incrédulo, cuspindo sangue.
O som foi baixo, mas Aeron estava perto.
O bilionário virou a cabeça bruscamente, como um tubarão sentindo vibração na água. Ele soltou Jinx e olhou para o bandido.
— O que ele disse? — Aeron perguntou, os olhos se estreitando perigosamente.
Jinx sentiu o mundo parar.
Pensa rápido, mentirosa. Pensa rápido.
— Ele disse... "Jeans" — Jinx improvisou, arregalando os olhos castanhos atrás dos óculos tortos. — Acho que ele gostou da minha calça rasgada. Ele deve estar delirando de dor.
Aeron olhou para o bandido sendo jogado na viatura. Depois olhou para Jinx. Olhou suas sardas falsas. Olhou para a calça jeans rasgada no joelho pela queda.
O silêncio entre eles durou uma eternidade.
Aeron não acreditou. Jinx viu nos olhos dele. Ninguém diz "Jeans" depois de apanhar. Mas ele não a desmascarou ali, na frente da polícia. Ele armazenou aquela informação na pasta mental dele de "coisas suspeitas sobre a babá".
— Jeans... — Aeron repetiu, a voz fria, calculista e mortalmente calma. — Claro. Deve ser isso.
Ele se levantou e estendeu a mão ensanguentada para ajudá-la.
— Vamos para casa, Sarah. Precisamos ter uma conversa muito séria sobre a sua sorte inacreditável.
Enquanto caminhavam para o carro blindado, Jinx sabia. O jogo tinha mudado. Aeron Vale não acreditava mais na "babá desastrada". Ele agora estava caçando a verdade.
[FIM DO CAPÍTULO]
O sol estava se pondo sobre o vale do rio Hudson, pintando o céu de tons violentos de roxo e laranja, como um hematoma cicatrizando.Aeron estava na varanda de pedra da casa principal, apoiado no parapeito largo, segurando uma copo de uísque envelhecido. O líquido âmbar capturava a luz do crepúsculo.Lá embaixo, no gramado que se estendia até a orla da floresta, a vida acontecia.Luna estava correndo atrás de vaga-lumes, com um pote de vidro na mão, rindo enquanto as luzes piscavam ao redor dela. Liam, agora com passos firmes e desajeitados de um ano e meio, tentavam seguindo a irmã, caindo na grama macia e levantando-se com a determinação teimosa de um Vale. O cachorro da família — um pastor alemão aposentado da unidade K-9 que Jinx adotou de um canil da polícia — vigiava as crianças com uma paciência estoica.Era uma cena perfeita. Era tudo o que Aeron pensou que nunca teria, porque homens como ele não tinham finais felizes; eles tinham danos colaterais.— Você está pensando demais,
A festa tinha acabado.O silêncio desceu sobre a casa de campo como um cobertor pesado e confortável. Os convidados tinham ido embora, Bit tinha se retirado para sua "caverna" na casa de hóspedes (provavelmente para limpar o glacê do teclado), e as crianças... bem, as crianças tinham desmaiado.Liam dormia em seu berço, exausto pela overdose de açúcar e atenção. Luna tinha adormecido no sofá da sala e Aeron a carregou para o quarto dela minutos atrás.Jinx estava sozinha no quarto principal.Ela caminhou até o closet.Haviam vestidos de seda, casacos de caxemira e sapatos de grife. Roupas de uma mulher que frequenta leilões beneficentes e jantares de gala.Jinx passou a mão pelos tecidos caros, sentindo a maciez. Eram bonitos. Eram confortáveis. Mas não tinham história.Ela caminhou até o fundo do closet, onde uma prateleira alta, quase fora de alcance, guardava caixas de armazenamento. Ela pegou uma escada de mogno e subiu.Lá, escondida atrás de uma caixa de chapéus de inverno que n
Jinx segurava a faca como se fosse matar alguém.Seus dedos se fecharam no cabo, calculando o ângulo de ataque. A lâmina era longa, serrilhada e brilhava sob a luz do sol que inundava o jardim. Ela respirou fundo, focou no alvo e desceu o braço.— Sarah, querida, você está tentando assassinar o bolo ou quer cortar uma fatia?A voz da Sra. Potts quebrou o transe.Jinx piscou, olhando para o bolo de três andares coberto de glacê azul-bebê à sua frente. Ela tinha acabado de decapitar um urso de açúcar com uma violência desnecessária.— Desculpa, Sra. Potts — Jinx murmurou, soltando a faca de corte e pegando a espátula. — São velhos hábitos.O jardim da Fortaleza estava irreconhecível. Onde antes havia perímetros de segurança e sensores de movimento, agora havia balões prateados e azuis amarrados às árvores. Onde antes tinham atiradores de elite, agora havia uma mesa de buffet carregada de doces que poderiam induzir um coma diabético em um exército.Era a festa de um ano de Liam Vale.E e
POV AeronAeron já tinha ouvido muitos tipos de gritos. Gritos de dor em campos de batalha, gritos de raiva em salas de interrogatório, gritos de terror durante sequestros. Ele conhecia a frequência exata do desespero humano.Mas nada, absolutamente nada, o preparou para o som que Jinx fez naquela sala de parto.Não era um grito de vítima. Era um rugido. Primitivo, gutural, rasgando o ar estéril da sala de parto do hospital como se ela estivesse declarando guerra contra a própria biologia.— Aeron! — Ela esmagou a mão dele. Ele sentiu os ossos de seus dedos estalarem sob a pressão. Se ela não estivesse conectada a monitores, ele juraria que ela quebraria sua mão. — Se você disser "respire" mais uma vez, eu juro que arranco sua laringe!Aeron estava pálido. O suor escorria por suas costas, encharcando a camisa cirúrgica azul que o obrigaram a vestir. Ele era um homem que comandava exércitos privados, mas ali, segurando a mão da mulher que amava enquanto ela se contorcia em uma agonia q
O quarto do bebê cheirava a tinta fresca, madeira serrada e frustração masculina.Jinx estava sentada na poltrona de amamentação — um móvel absurdamente confortável que custava mais do que o primeiro carro de fuga que ela roubou —, com as mãos pousadas sobre a barriga de oito meses.O bebê se mexeu. Não foi um chute delicado. Foi um movimento de rolamento, como se ele estivesse tentando encontrar uma posição tática melhor ou, mais provavelmente, tentando escapar do útero. Jinx soltou um gemido baixo, massageando a pele esticada.— Ele está agitado — ela comentou.— Ele está sentindo a tensão no ambiente — Aeron resmungou do chão.O CEO da Vale Security, o homem que projetava sistemas de defesa para governos e bancos internacionais, estava sentado no tapete felpudo, cercado por peças de madeira branca, parafusos e uma chave Allen minúscula. Ele estava sem camisa, o suor brilhando em suas costas largas, e parecia pronto para declarar guerra contra o berço desmontado.— Essa instrução es
POV AeronAeron saiu do quarto como quem foge de um incêndio invisível.Ele disse a Jinx que precisava de café. Disse que precisava ligar para a Sra. Potts para avisar que eles passariam a noite no hospital por precaução. Era mentira. Ele precisava sair daquele quarto porque o ar lá dentro tinha ficado subitamente pesado demais para seus pulmões.O corredor da ala VIP do hospital estava deserto. Eram três da manhã. O silêncio era quebrado apenas pelo zumbido elétrico das lâmpadas fluorescentes e pelo som distante de um elevador subindo.Aeron caminhou até o final do corredor, onde uma janela panorâmica dava para a cidade.Ele apoiou a testa no vidro frio. A cidade brilhava lá fora, indiferente.Grávida.A palavra ecoava em sua mente, batendo contra as paredes do seu crânio. Depois do primeiro susto, a palavra “gravidez” o atingiu. A notícia deveria ser o ápice da felicidade humana. Mas para Aeron Vale, aquela palavra começou a ter gosto de metal retorcido e cheiro de gasolina queimada







