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O Sonho Que o Destino me Roubou
O Sonho Que o Destino me Roubou
Autor: AneteSalvatore

sonho roubado

last update Data de publicação: 2025-07-20 18:38:18

Capítulo 1

Ester Rossini

Me pergunto todos os dias: “Por que eu tive que acabar assim?” “O que eu fiz de tão ruim para que meus sonhos fossem destruídos?”

Eu não posso começar a contar a minha história sem que saibam o meu passado. Eu já fui uma garota feliz e alegre, cheia de vida, rodeada de pessoas brilhantes e com um grande futuro pela frente. Mas eu cometi um grave erro há dois anos: me apaixonei pelo namorado da minha irmã mais velha. Despertei seu ódio e sua inveja quando fui aceita em meu primeiro desfile, há dois anos…

— Ester, querida, tenha calma — disse minha mãe, sorrindo. Estávamos em mais um teste para um novo desfile.

— Desculpe, estou bastante nervosa, mamãe — ela me sorriu docemente. Logo meu nome foi chamado. Respirei fundo e segui para o teste.

Segui as orientações dos jurados e fiz o teste, tentando me manter calma. Após o teste, fui dispensada e só teria de esperar eles me ligarem.

— Você foi bem — disse minha mãe. Sorri, e seguimos para casa.

Já em casa, minha mãe foi fazer seus afazeres e eu fui até o quintal. Nós éramos vizinhos de uma família muito rica e famosa no Brasil: os Bernard. Eu era apaixonada pelo filho mais novo deles. Jamais havia visto o mais velho, mas Gabriel Bernard despertava alguma coisa em mim.

O vi sair de casa sem camisa, mostrando seu peitoral atraente. Ele me viu e veio até mim com um sorriso sensual nos lábios. Infelizmente, ele era o namorado da minha irmã mais velha, Kate, e eu sabia que não teria chances com ele.

— E aí, Ester? Como foi o teste? — perguntou, ficando em minha frente. Levantei-me, corada, e fiquei muda, sem saber o que dizer.

— Você passou? — perguntou novamente. Abaixe a cabeça.

— E-eu… n-não sei… e-eles vão l-ligar… — disse, gaguejando. Sempre que estava com ele, eu ficava assim.

— Hm, boa sorte, então. Eu já vou indo, tenho um encontro com a sua irmã. — Assim, ele voltou para sua casa.

— Burra, burra, burra… — me xinguei, batendo em minha própria cabeça. Suspirei, desanimada, e entrei em casa, indo para o meu quarto.

Olhei pela janela e vi Gabriel trocando de blusa e se olhando no espelho. Suspirei, boba.

— Você foi aceita. Vai desfilar amanhã — assim que ouvi a voz de Kate, olhei para ela, corada.

— O que tanto olha? — perguntou, irritada. Ela veio até a janela e olhou na mesma direção que eu olhava antes. — Você está olhando o meu namorado trocando de roupa? — perguntou furiosa.

— N-não, eu só abri a janela agora — disse, sem saber como me defender.

— Sua mesquinha! Está tentando roubar o meu namorado na maior cara de pau. Vou te ensinar a não tentar obter o que é meu!

Senti Kate pegar em meus cabelos e me puxar para longe da janela. Ela me jogou no chão, subiu sobre o meu corpo e começou a desferir t***s, arranhar meu rosto e puxar meus cabelos.

— Kate, para, por favor… para! — pedi, chorando, mas ela não parava. Continuou a me bater.

— Você nunca vai ter um homem. Ninguém nunca mais vai te achar bonita — disse, rindo.

Kate pegou um espelho pequeno que eu tinha e o derrubou, quebrando-o. Em seguida, pegou um dos cacos e tentou me cortar.

— Não! — a empurrei para longe e me levantei, pronta para correr para fora do quarto.

— Aonde pensa que vai? — perguntou, puxando-me novamente pelos cabelos e me fazendo virar. Perdi o equilíbrio e caí sobre minha mesa de estudos, que era de vidro. Tudo se quebrou, e senti uma dor aguda no rosto.

— Isso vai te ensinar uma lição — disse, saindo do quarto rindo. Permaneci caída, sem conseguir me levantar.

Pouco depois, ouvi os gritos da minha mãe e perdi a consciência. Quando acordei, estava em um hospital, com o rosto enfaixado. Naquele momento, percebi que todo o meu sonho havia acabado. Eu jamais iria desfilar, e nunca um homem olharia para mim. Ninguém me acharia bonita. Estava destinada a esconder o meu rosto para o resto da minha vida.

Atualmente

Agora, eu me tornei apenas uma assistente. Tenho que cuidar do bem-estar de um modelo. Fui contratada apenas para esse fim: estar a todo momento disponível para ele e dar-lhe o que ele pedir.

Eu ainda não o conheço. Hoje será o meu primeiro dia de trabalho como assistente/ajudante deste modelo. Dizem que ele é muito famoso e exigente, tem todas as mulheres a seus pés. Mas eu não vou ser assim. Não serei idiota de me apaixonar por alguém que nunca poderá me pertencer.

Samuel Bernard

Eu sou um modelo famoso. Fotos minhas estão constantemente em outdoors e em revistas. Estou acostumado a ser contratado para todo tipo de campanha publicitária. Tornei-me modelo há cinco anos, depois de ser descoberto durante um jogo de basquete, sem camisa, por uma agência de modelos que passava casualmente próximo à escola que eu frequentava.

Tudo estava indo bem, mas aí meu meio-irmão resolveu fazer o teste há um ano e vem me atormentando para que eu ceda algum contrato para ele. Não sou egoísta, mas ele não tem talento algum; só entrou nesse mundo para obter dinheiro e fama. E também para tentar ajudar a namorada dele a se tornar modelo.

Aqueles dois estão sempre tentando uma maneira de estar na mídia, seja por algo bom ou ruim.

Após mais um ensaio fotográfico para uma linha de cuecas boxer, finalmente pude ir para casa descansar. Entrei na minivan, exausto, e relaxei no banco.

— Encontrei uma assistente para você hoje, Samuel — olhei para Miguel, meu motorista e amigo.

— Já estava na hora. Você não dá conta de tudo — respondi, sem olhá-lo.

— Ela é uma garota. O único termo dela é que possa usar, o tempo todo, uma máscara no rosto. Ela parece um pouco estranha, mas é bem competente e sabe como o mundo da moda funciona — disse ele, ligando a minivan e dirigindo para o meu apartamento.

— Quando ela começa? — perguntei.

— Amanhã, ela estará em seu apartamento bem cedo — respondeu.

— Ótimo.

O silêncio se instalou dentro da minivan. Cheguei em meu apartamento e, depois de um banho, fui dormir para acordar cedo no dia seguinte.

Ao amanhecer, acordei com uma claridade irritante nos olhos. Abri-os e vi que as cortinas estavam abertas. Sentei-me na cama, incomodado.

— Mas quem diabos abriu as cortinas? — perguntei.

— Fui eu — ouvi uma voz e olhei para onde vinha.

Vi uma mulher alta, de cabelos pretos, que usava uma máscara.

— Eu sou Ester Rossini, a sua nova assistente. O senhor tem vinte minutos para se aprontar ou vai se atrasar — sua voz era fria, mas algo nela me chamava atenção. Só precisava descobrir o que.

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