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Capítulo 53

Autor: A. OLIVEIRA
last update Data de publicação: 2026-09-09 09:28:03

Desci já arrumada pro trabalho, o coração ainda meio bagunçado depois da manhã constrangedora, e encontrei Antônio sentado à mesa, terno impecável, como se aquela cena toda no quarto tivesse acontecido há um século, e não alguns minutos atrás.

— Só vou pegar um café e já vou indo — falei, sem graça, evitando encarar ele direto nos olhos. — Não quero chegar atrasada.

— Senta e come direito — ele pediu, puxando a cadeira ao lado com o pé. — Você precisa se cuidar, Angel, principalmente com o dia
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  • O acordo perfeito   Capítulo 109

    Acordei às 03:10 da manhã sem saber por quê.O quarto estava azul de luar, o ar-condicionado zumbindo baixinho, os lençóis embolados nos meus pés. Demorei um segundo pra entender o que tinha me tirado do sono. Não foi barulho. Foi silêncio demais. Daquele que parece que alguém prendeu a respiração do outro lado da parede.Virei de lado.O Antônio dormia ao meu lado, de bruços, sem camisa, um braço dobrado debaixo do travesseiro e o outro esticado na minha direção, com a mão aberta sobre o lençol, como se, mesmo dormindo, estivesse me protegendo. O luar desenhava uma linha prateada ao longo das costas dele, descendo pela curva do ombro, e a respiração subia e descia tão pesada, tão tranquila, que fiquei um bom tempo só olhando.Ele não parecia um CEO que vivia apagando incêndios, nem o filho que ouvia sermão do pai, nem o homem que tinha trancado uma porta por causa de uma traição. Parecia um menino que, depois de muito tempo, tinha finalmente aprendido a dormir.Eu o amava.Não adiant

  • O acordo perfeito   Capítulo 108

    Ele tinha esperado a Júlia sair. Entrou sem bater, as mãos nos bolsos, o olhar de quem acabou de ver uma cena engraçada e finge não ter visto.No instante em que ele entrou, deslizei a mão pra dentro da gaveta, sem desviar os olhos dele, e apertei o botão. A luzinha vermelha acendeu no escuro da gaveta.— Está tudo bem? — perguntou, com um sorriso de canto. — Eu ouvi um barulho.— Controla a sua namorada. — Eu não elevei a voz dessa vez. Falei devagar, pausada, cada palavra caindo como pedra. — Ela está me ameaçando.Ele arregalou os olhos, num susto tão exagerado que dava pra rir.— Do que você está falando? A Júlia não machucaria nem uma formiga.— Lucas.— Sério, Angel. Você anda estressada. Isso de ficar vendo ameaça em tudo... — Ele fez um gesto vago com a mão, quase compadecido. — Eu posso te ajudar com alguma coisa?— Só se for assunto de trabalho. — Apontei a porta. — Se não for, pode se retirar.Ele ficou me olhando por três segundos, calculando. Depois deu de ombros, um sorr

  • O acordo perfeito   Capítulo 107

    Na manhã seguinte, o dia começou como todos os outros nas últimas semanas: com o Antônio no volante, a mão dele na minha, e a certeza idiota de que nada podia dar errado. Eu devia ter desconfiado. Em novela, quando tudo está bonito demais, é porque o vilão está só afinando a trilha.Até as 10:00 horas, o Lucas apareceu três vezes na minha sala. A primeira, pra perguntar se eu preferia o relatório em PDF ou impresso. A segunda, pra confirmar um horário de reunião que eu tinha confirmado por e-mail na véspera. A terceira, pra me avisar que ia almoçar mais tarde. Eram perguntas inúteis, ele apenas queria me lembrar de que estava por perto, respirando no mesmo andar e isso estava me irritando muito, mas eu respondia a todas com a mesma cordialidade seca, o sorriso colado, a caneta vermelha por cima da mesa pronta pra jogar nele, caso me sentisse ameaçada.Às 11:30h, as batidas na porta vieram curtas, e eu levantei a cabeça sem esperar ninguém. Muito menos ela.— Posso entrar?A Júlia já e

  • O acordo perfeito   Capítulo 106

    Cheguei na minha sala com as mãos geladas. Fechei a porta, encostei nela e fiquei ali, de olhos fechados, repetindo a frase como quem decora uma lição: "Quando ele perder a pobre noiva dele." Perder. Peguei um bloco de notas e escrevi tudo, palavra por palavra, com a data e a hora. Duas vezes. Se um dia eu desaparecesse e alguém viesse me procurar, teria pistas ali, na minha sala: uma folha dobrada entre dois livros decorativos na minha estante, a outra na gaveta de baixo, embaixo das pastas, e o gravador no fundo da gaveta de cima, apenas com minha conversa com o Lucas, que não era nada incriminador ainda. Precisava trazer a Júlia pra sala, para tentar coletar alguma prova contra ela.Pensei em ligar pro Antônio. Abri o nome dele no celular, e o dedo ficou parado em cima. Mas não liguei. Como eu ia contar aquilo, se o Antônio nunca soube o que o Lucas e a Júlia tentaram fazer comigo no lago?Eu tinha medo de como ele reagiria. Conhecia o Antônio o suficiente pra saber que ele ia fica

  • O acordo perfeito   Capítulo 105

    Eu não bati.Empurrei a porta com a ponta dos dedos, milímetro por milímetro, e deslizei pra dentro da sala como uma sombra de salto alto. O pior que a situação era séria, mas eu estava com uma vontade louca de rir. Parecia que eu era uma criança brincando de se esconder da mãe,Parei no canto, ao lado da estante de livros, onde a luz da janela não chegava e uma planta enorme fazia sombra. Dali eu via a mesa do Antônio de lado, a nuca da Júlia de costas, e a sala inteira num ângulo que nunca tinha visto.— ...e eu pensei no senhor — dizia ela, numa voz tão doce que dava vontade de pedir insulina. — Eu trouxe isso porque imagino que não deve ser fácil cuidar de uma empresa sozinho, tão novo. Todo mundo olhando, cobrando e criticando... O senhor merece um mimo.Antônio não levantou os olhos da tela. Os dedos continuavam no teclado, num ritmo sereno, quase entediado.— Pode deixar aí.— O café é de uma cafeteria que eu...— Obrigado.A palavra caiu na sala como um cubo de gelo num copo v

  • O acordo perfeito   Capítulo 104

    Acordei com o sol me fazendo cócegas na cara.Era uma luz dourada, preguiçosa, entrando em riscas pela janela do quarto dele, e eu ainda estava naquele estado bobo em que a gente não sabe se está sonhando ou se a vida finalmente resolveu ser boa comigo.Aí vieram os dedos.Primeiro na barriga, leves, por cima do pijama. Depois nas costelas. Depois num ponto que eu nem sabia que tinha, bem debaixo do braço.— Para! — gritei, me encolhendo, rindo, o rosto enfiado no travesseiro. — Antônio! Eu estou dormindo!— E você fala dormindo? — A voz dele, rouca de sono, colada no meu ouvido. — Bom dia, dorminhoca.Virei. Ele estava deitado de lado, de camiseta, o cabelo bagunçado, a barba por fazer, os olhos escuros ainda meio fechados e um sorriso torto que eu ia guardar pra sempre. Tinha cara de quem dormiu. De verdade. Pela primeira vez desde que eu o conhecia, tinha cara de quem dormiu.— Bom dia — respondi, e o meu coração fez aquela coisa idiota. — Dormi a noite inteira, sabia? Nem um pio d

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