Compartir

Capítulo 5

Autor: Ella
last update Fecha de publicación: 2024-11-27 08:36:09

A coisa mais difícil foi chegar em casa. Havia dado algumas voltas pela cidade, tentando encontrar coragem para voltar para casa. Depois de uma conversa que teve com seu primo após despertar de um sono muito bom, diga-se de passagem, percebeu que o melhor a se fazer era tirar um tempo a mais por ali. Quando despertou a refeição estava pronta. Théo era daqueles que gostava de aconselhar as pessoas. E por isso Oliver gostava de conversar com ele. Principalmente quando tudo que ele mais precisava no momento, era de conselhos. Eles conversaram – ele mais que o primo –, jogaram videogame – ideia para que ele não ficasse pensando o tempo todo em seus problemas com a esposa –, e então, descansou mais um pouco. Já passava das 19h quando saiu da casa de Théo, agradecendo por tudo, e quando percebeu, estava dando voltas pela cidade, temendo, pela primeira vez, por algo em sua vida. Não queria estar em casa, muito menos quando sabia que sua esposa estava acordada. Ela odiava estar sozinha, mas odiava ainda mais quando ele chegava tarde em casa. Na verdade, tudo era motivo para briga. Ele chegava tarde, brigavam, ele chegava cedo, brigavam, e piorava quando ele não fazia seus afazeres de casa. E naquele dia, ele tinha uma louça para lavar na qual provavelmente já estaria nos armários.

Depois de umas boas duas horas vagando pela cidade, finalmente decidiu ir para casa. Sua casa. Se é que podia chamar ela de sua ainda. Deixou o carro no estacionamento, o travou após sair e seguiu até a porta, de forma tão lenta, que ele nem mesmo percebia. Girou a chave e bem devagar, para não fazer barulho, entrou em casa. Seguiu pelo corredor extenso após fechar a porta, retirando os sapatos no meio do caminho, pegando-os com a mão livre. Deixou sua maleta em cima da poltrona, após a luz – na qual acendia quando percebia a presença de alguém –, acender, deu um longo suspiro e então começou a subir as escadas. Ao chegar ao topo, olhou para o outro corredor, se perguntando se “ela” estava dormindo. Suspirou mais uma vez e seguiu para o próprio quarto. De repente ouviu um som irritante, e mais outro e outro, e só soube o que era quando se aproximou de seu quarto. Adentrou encontrando sua esposa, abrindo as gavetas da mesa de cabeceira, parecendo procurar por algo.

— Felicity?

Ela o olhou de soslaio.

— Uau! Um record, você não chegou após as onze. 

Ele revirou os olhos, seguindo até sua cama, sentando-se nela.

— O que está procurando?

— Como se realmente se importasse. 

Ele a olhou, pronto para retrucar, mas então ouviu as palavras de seu melhor amigo em sua mente, e então respirou fundo.

— Talvez eu possa ajudar.

— Não quero sua ajuda. 

Fechou os olhos e balançou a cabeça.

Se controle, se controle, diz mentalmente, várias e várias vezes a si mesmo.

— Eu vou tomar um banho. – Diz para si, seguindo até o cômodo a frente, ainda ouvindo o som irritante de abrir e fechar gavetas. 

Oliver passou alguns minutos debaixo daquela água deliciosa; ela tocava seus ombros, suas costas, seu peito, seus cabelos, seu rosto, e de olhos fechados, ele se tentava se concentrar apenas naquela sensação, mas ficava um pouco impossível quando o som de antes, o som de quando entrou em quarto continuava a acontecer. Se ela dissesse o que procurava, se ela pelo menos perguntasse onde estava seja lá o que ela procurava, poderia acabar logo com aquela agonia; tanto dela quanto dele. 

Por algum motivo ele se lembrou de sua antiga secretária. Havia a demitido depois de sua falta de profissionalidade. Todos sabiam de sua situação com Sakura, principalmente após uma discussão entre eles na empresa em frente a todos os funcionários e amigos do casal, e por isso a mulher se achou no direito de adentrar sua sala, com uma roupa no mínimo indecente, andando até ele de forma sexy demais para uma “simples” secretária, e não só sentou em seu colo – o que o deixou bem indignado –, como também tentou beijá-lo. E como estava possesso naquele dia por conta de mais uma discussão com sua querida esposa, a humilhou completamente, a expulsou de sua sala e a demitiu por justa causa. 

Mas por que se lembrar dessa mulher?

Porque tinha meses que não tocava em nenhuma. Ele sempre teve olhos apenas para a sua amada esposa, mas com tudo que estava acontecendo, estava difícil resistir a alguns olhares, difícil de resistir de olhar para outras, principalmente quando elas estavam com roupas nas quais sua antiga secretária vestia-se no dia em que tentou “conquistá-lo”.  Mas é claro que ele não era um traidor. Já foi traído antes. Não faria isso, jamais, mesmo naquelas circunstâncias. Mas era homem, poxa, claro que tinha pensamentos intrusivos. E idiotas. E ele realmente se sentia um idiota quando acontecia. Passava o dia sozinho, ou procurava um dos amigos para lhe fazer companhia e ajudá-lo a se distrair. De tudo e todos, inclusive das mulheres. Principalmente aquelas que já tinham percebido que havia algo de errado entre ele e a esposa, e faziam questão de se insinuar. 

Se olhou no espelho por um momento, pensando nas horas que passou fora de casa. Foi um dia razoávelmente agradável. Mas ali estava ele novamente. Tenso. Dentro de sua própria casa. Será que ele se sentiria assim pelo resto da vida. Será que algum dia, sua esposa deixaria aquela amargura de lado e o deixaria se aproximar novamente? Será que eles voltariam a ser o casal apaixonado que sempre foram? Parecia que a resposta era não pela forma como ela vinha sendo "irritante". Sim, muito irritante. E de uma forma que ele nunca achou que ela seria um dia. Seu casamento estava indo pelos ares. Mas ainda assim, ele tinha certeza de que valia a pena lutar por ele. Seu casamento. Porque apesar de tudo, tudo mesmo, ele amava Felicity. 

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • O amor suporta tudo   Epílogo

    Um Ano Depois — Vamos lá, Olívia, não seja preguiçosa. — Não fale assim da nossa irmãzinha. — Ela tem que ser instigada a andar. Os trigêmeos insistiam nisso desde que Olívia fez seus sete meses. A escola lhes tomava o tempo, mas era só tirar um tempinho, que lá estavam eles, tentando fazer a irmãzinha dar seu primeiro passinho. Mas era sempre a mesma coisa no fim do dia. Ela tentava, tentava, e caía de bumbum no chão, isso quando ela não emburrava e desistia, o que vinha acontecendo muito. Esse era o motivo de Samuel chamar a irmã de preguiçosa. Ela podia desistir, mas ele não. Pelo menos até ela ficar irritada, porque quando acontecia, seu pai aparecia e a pegava no colo, fazendo suas vontades. Sim, Samuel e Benjamin diziam que o pai fazia as vontades de Olívia e que por isso ela havia se tornado uma bebezinha preguiçosa. E manhosa também. Como ela era manhosa. Se tirasse qualquer coisa de suas mãozinhas, algo que gostava muito, ela abria o berreiro como se alguém estivesse lh

  • O amor suporta tudo   Capítulo 46

    As crianças vibraram — sobre os olhos e sorrisos de sua mãe — após rasgarem o papel de presente e descobriram o que havia dentro da caixa — que teve de ser empurrada por Felicity até onde os filhos estavam — e quase que imediatamente os três insistiram para que o pai — que saia do banho — montasse o pula-pula. E ele o fez após o café-da-manhã, que naquele dia em especial havia sido a refeição mais curta do mundo que fizeram juntos. Oliver deixou o “brinquedo” no jardim, a uma distância na qual ele e a esposa poderiam observar; principalmente por ser três e um. Por quase vinte minutos, Felicity ficou encostada sobre o batente da porta que levava para o extenso jardim de sua casa, de olho em seus três filhos que se encontravam juntos dentro do pula-pula, pulando juntos em meio a risadas e brincadeiras; uma delas, a que mais preocupou aquela mamãe cuidadosa; dois pulavam enquanto que o outro se deitava, sendo impulsionado para o ar. Claro que ela gritou pedindo por cautela quando viu su

  • O amor suporta tudo   Capítulo 45

    Era cedo, bem cedo quando Oliver despertou, já energizado, principalmente por seus pequenos e elétricos filhos terem adormecido mais cedo na noite anterior. Sim, todos eles. Por incrível que pareça, até a menorzinha, já com seus sete meses e meio havia adormecido mais cedo. Tomou um banho relaxante e bem refrescante, enxugando os cabelos com a toalha e deixando-a sobre a pia antes de deixar aquele cômodo apenas de boxer, e só porque era cedo demais e impossível um de seus filhos — ou mesmo os três — aparecerem em seu quarto. Quando seus olhos fitaram a esposa, percebeu que uma estava descoberta, deitada de costas contra o colchão, com uma das pernas levemente flexionada, o que lhe dava a possibilidade de ver tudo que tinha abaixo da saia daquela camisola extremamente curta em sua opinião; não que estivesse reclamando, claro. Uma das alças estava caída, então parte do seio direito estava a mostra, quanto que o outro, ainda que tampado, ficava pressionado contra o tecido daquela vestime

  • O amor suporta tudo   Capítulo 44

    Felicity estava no hospital desde as quatro da manhã. Já havia andado por todo o quarto, comido um lanche e agora esperava deitada sobre aquela cama hospitalar. Não sentia dor alguma e a dilatação estava mínima ainda. A bolsa estourou, ela sentiu aquela água descer por suas pernas e mesmo assim, ainda não estava pronta para ter sua filha. Sua garotinha. Ela não esperava que fosse acontecer logo naquele dia. Ainda faltava mais ou menos uma semana. Estava preparada, claro, tinha tudo pronto, mas achou que levaria mais um ou dois dias para sua garotinha nascer. Ela queria muito que a bebê nascesse no dia do aniversário de seu marido. Sonhou muito com isso. E só faltava algumas horas para que esse dia chegasse, então ela não estava nervosa ou mesmo pedia para que nascesse de uma vez, principalmente quando não sentia dor alguma. Mas estava ansiosa. Isso ela não poderia negar. Esperou tanto pelo momento em que tivesse seu bebê em seus braços finalmente. Só queria que ela esperasse só mais u

  • O amor suporta tudo   Capítulo 43

    — Que nojeira é essa? Felicity até tentou responder ao marido, mas como estava com a boca cheia, tudo que ele escutou foi “nham,nham,nham”. Ou quase isso. Ele franziu o cenho, mas o motivo não era pelas palavras que tentaram sair dos lábios da esposa, mas sim pela “coisa” que ela comia com a boca mais deliciosa do mundo. Seria normal se ela comece tudo aquilo separadamente, mas ela havia misturado a torrada com molho de tomate, pasta de amendoim e nuttela. Junto. E misturado. Muito misturado. O estômago dele chega deu uma reviravolta. — Hum. Entendi tudo. — Está uma delícia. — Querida, delícia, eu tenho certeza de que não está. Ela apenas de ombros, continuando a comer. — Seus desejos estavam normais até ontem. Ela havia comido tomate com sal, manga com açúcar, kiwi com chocolate derretido, bolo de cereja com nutella. Até aí, tudo muito normal para ele. E os desejos nunca vinham acontecendo de madrugada, mas á noite. Depois das dez. Até há dois dias atrás, quando ele se levan

  • O amor suporta tudo   Capítulo 42

    Felicity se sentia preparada como não sentiu quando descobriu a gravidez. O que era natural. Estava com medo. Um medo que era normal quando já havia perdido um filho. Filha. Mas não era assim que se sentia mais. Não com todo o cuidado que recebia do marido. Era como se todo aquele sentimento ruim tivesse desaparecido. Se olhava no espelho quase todos os dias. Fitava a própria barriga, tocava com ambas as mãos, e já imaginava a si mesma com um barrigão. Sabia que ainda levaria mais algumas semanas para ter aquela barriga de grávida, mas se sentia ansiosa para a chegada daquele momento especial. Alguns diziam que era estranho, mas ela havia se acostumado na última gestação. Era incrível como uma barriga podia crescer tanto em um mês. Menos de um mês. Com Lívia havia sido bem devagar. E nem havia crescido tanto também. Sua barriga não tinha ficado um terço do que a barriga de Laura quando ela teve o Levi. E o dela também era apenas um bebê. Uma engordou muito mais que a outra. Aquele s

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status