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Capítulo 191

last update Fecha de publicación: 2025-05-18 21:21:42

Priscila Barcella

A manhã chegou com um sol dourado atravessando as cortinas do hotel, enchendo o quarto com uma luz suave e acolhedora. Mavie já estava acordada, sentada entre os travesseiros, apertando a raposa de pelúcia com as duas mãos. Ao lado dela, Nina balbuciava sons doces, encantada com os gestos da irmã.

— Olha, Nina, essa aqui é a Raposa Laranja. Ela é corajosa, igual a gente — dizia Mavie, balançando o bichinho com carinho. — Hoje a gente vai pra casa. A mamãe disse que todo mundo
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  • O babá    Capítulo 266

    Priscila BarcellaEu já estava no limite, atravessando o outro lado do Beach Park, perguntando pra todo mundo. Mostrava a foto no celular, mostrava o rostinho delas, implorava:— Você viu minhas meninas? Viu essas duas?Ninguém sabia responder. Alguns balançavam a cabeça, outros nem olhavam direito. Meu coração parecia um tambor descontrolado, e minhas pernas tremiam como se fossem me deixar cair a qualquer momento. Eu estava completamente desesperada.O telefone vibrou na minha mão trêmula. Atendi sem nem olhar o visor.— Priscila, o Pedro achou as meninas! — a voz da Vitória saiu quase gritando.Naquele instante, o ar voltou pros meus pulmões de uma vez só. Era como se alguém tivesse me devolvido a respiração que eu tinha perdido desde a hora que percebi que elas não estavam mais perto de mim.Minhas meninas. Minhas pequenas. O Pedro tinha achado.Senti as lágrimas queimarem meus olhos, mas dessa vez não eram de pavor: era de alívio.Eu saí correndo, o celular quase escorregando da

  • O babá    Capítulo 265

    Mavie Barcella A raiva ainda queimava dentro de mim, como quando a gente fica no sol muito tempo sem chapéu e parece que a cabeça vai explodir. Eu via a carinha da Marcelina, toda molhada de lágrima, e sentia o coração bater “tum-tum-tum” forte, como se fosse um tambor de guerra. Eu sabia que a gente não podia deixar aquilo passar. O menino tinha sido cruel, cruel de verdade. Ele não só empurrou a Marcelina, mas também falou aquelas coisas horríveis, dizendo que ela ia para o inferno. Como alguém podia ser tão maldoso? A Marcelina acreditou na hora. E agora estava ali, agarrada no pescoço do pai dela, gritando entre soluços que não queria ir pro inferno, que não queria sumir pra sempre. A cena parecia um redemoinho. Todo mundo em volta dela tentava ajudar. A tia Vitória falava rápido, quase se atropelando nas palavras: — Isso é mentira, Marcelina, mentira! A mamãe fazia carinho na cabeça dela, repetindo: — Calma, Princesa A vovó esta indignada com a situação e falando para o

  • O babá    Capítulo 264

    Liam Matarazzo Eu ainda estava tentando digerir a raiva que sentia daquela cena toda. Como podia existir criança tão maldosa? Como podia uma mãe ensinar tanta crueldade ao próprio filho? A fúria latejava em mim, mas eu também precisava respirar, me acalmar, porque tinha uma responsabilidade muito maior: cuidar da minha família.Priscila, no entanto, não se acalmava. Ela estava vermelha, os olhos faiscando, a respiração acelerada. Desde o momento em que levantou a voz para aquela mulher, eu percebi que a intensidade dela estava prestes a transbordar. E eu não podia ignorar um detalhe a Priscila estava grávida. E por mais que ela fosse forte, a raiva, o estresse, o desespero... tudo aquilo me fazia temer pelo bebê.— Amor… — tentei puxá-la de leve, mas ela se virou de repente, os olhos faiscando.— Como um pai e uma mãe podem ensinar crueldade? Como?! — ela disse, quase cuspindo as palavras. — Isso me dá nojo, Liam! Nojo! Eu a abracei apertado para acalmar ela.— E eles iam bater em v

  • O babá    Capítulo 263

    Vitória Matarazzo Eu fiquei em silêncio, parada alguns passos atrás, um observadora invisível daquele quadro tão terno quanto complexo.Pedro, apoiado nas muletas, o corpo inclinado em um equilíbrio precário, transformava a única mão livre em um instrumento de pura ternura ao acariciar os cabelos da Marcelina. A forma calma e convicta como ele falava com a menina… não havia sombra de dúvida de que ele acreditava em cada palavra que dizia.— Princesa, ouve o tio — ele sussurrava, a voz um pouco rouca. — Aquele menino estava errado. As únicas opiniões que importam são das pessoas que te amam. E nós te amamos mais que tudo nesse mundo, entendeu? Mais que tudo.Eu senti um nó na garganta. Não era só o jeito protetor ou o sorriso doce, mesmo em meio às lágrimas da pequena. Era a firmeza com que ele defendia o que amava, a segurança que transmitia, e aquela sensibilidade rara em um homem que já tinha vivido tanta coisa difícil.O Pablo estava ali, claro, sendo o pai incrível que todo mundo

  • O babá    Capítulo 262

    Priscila Barcella Estava uma loucura aquele passeio, as crianças estavam muito animadas e não paravam nenhum minuto.— Eu estou ficando velha — minha sogra falou sentando comigo na sombra enquanto o Liam e o Eduardo cuidavam das meninas.— Que isso, as meninas é que estão muito elétricas — falei bebendo um pouco de água de coco.— Priscila o que você achou do Pedro? — ela perguntou assim do nada e podia ver o seu olhar de mãe preocupada.— Ele parece uma boa pessoa e a Vitória está feliz é o que importa.— É verdade… — Isabel suspirou, mas com um sorriso no rosto. — Mesmo de gesso, ele veio. Isso já diz muito, não acha?— Diz sim — respondi animada. — Dá pra ver que ele tá feliz, sabe? É daquele tipo de pessoa alto-astral, que não deixa nada estragar o momento. E a Vitória tá radiante. É tão bom ver isso.Isabel assentiu, apertando a minha mão com carinho. Eu sempre achei bonito como ela cuidava de todo mundo, mesmo sem precisar.— Mas me diz, Priscila… e você, como está? — perguntou

  • O babá    Bônus do Pablo

    Não estava nos meus planos passar as férias em Fortaleza. A ideia era ir para o Pará, como sempre, para que as crianças ficassem com a mãe da Marília. Fiz essa promessa a ela, lá atrás, e nunca deixei de cumprir. Mas, dessa vez, tudo mudou de repente. Meu irmão sofreu um atropelamento, e foi impossível negar o pedido das crianças. Elas estavam ansiosas, querendo vir vê-lo, e a verdade é que eu também não conseguiria ficar longe sabendo que ele precisava de mim. Então, mesmo com a mala já quase pronta para outra direção, troquei a rota. Marília… faz cinco anos que ela partiu, e ainda dói falar o nome dela. Lembro do sorriso sereno quando decidiu manter a gravidez da Marcelina, mesmo sabendo que o câncer avançava. "Ela precisa nascer, Pablo. Depois a gente vê o resto", disse, com aquela calma que eu nunca consegui entender. Eu vi o "resto" de perto. Vi a vida dela se apagando na mesma madrugada em que segurei nossa filha pela primeira vez nos braços. Foi a noite mais feliz e mais dolor

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