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Capítulo 03

Autor: S.R.Silva
last update Data de publicação: 2024-05-06 19:04:25

Após mais um dia cansativo de trabalho, fui para casa completamente cansada e quando cheguei Maria Fernanda estava jogando bola na sala e quanto Joyce falava ao celular animadamente, fui até minha filha peguei sua bola e dei com ela na cabeça de Joyce que protestou. 

— Aí, doida! O que foi? Não viu que estou no telefone? – Joy, alisou sua cabeça onde eu havia acabado de lhe dar na bolada. 

— E você, não viu a MaFê jogando bola dentro de casa? O que eu disse para você sobre isso? Ela podia quebrar a televisão que ainda nem terminamos de pagar. 

— Para de ser chata! A bichinha só estava jogando um pouquinho. Ela não quebrou nada. 

Decidi que não iria me estressar com as duas, estava cansada e só queria tomar um banho e relaxar um pouco, mas aí minha filha insistiu para que eu a levasse para a praça um pouquinho e depois de ver que ela havia feito a lição de casa, chamei minha amiga para o ir junto, mas ela disse que iria sair com um cara. Minha amiga continua saindo com esses caras aleatórios, isso é outro assunto que não vou mais discutir com ela, parece que não ver noticiários. 

— Mamãe, ‘vamo’ logo na pracinha. – Maria Fernanda estava animada e me fez levar a sua bola. 

Chegando lá ela não encontrou crianças para brincar de bola com ela, então mesmo cansada fui brincar de bola, assim que ela se cansou compramos um sorvete e sentamos um pouco para descansar. 

— Mamãe, as minhas amigas tem avós, ‘po que’ não tenho? 

Olhei para seus olhos verdes e respirei fundo, como explicar para uma criança de quatro anos que a mãe dela não tem mãe? 

— Filha, a mamãe, cresceu em um lugar chamado orfanato, lá as crianças como eu e a dinda não tinham pais, eram as cuidadoras que cuidavam da gente. 

— Vocês não tinham mãe? – Neguei a ela. — Então quem fazia café da manhã de aniversário, cuidava dos machucados e dava beijinho de boa noite. 

— A mamãe não teve nada disso, então por isso que eu faço tudo por você meu amor e sempre vou fazer. 

Ela olhou para mim com pesar  e me deu um abraço bem apertado. Acho que ela entendeu o que eu quis dizer. 

— Mamãe, e meu papai? O que aconteceu com ele? 

— Hoje tirou o dia para perguntas difíceis, não é? – Fiz cócegas nela que sorriu. — Um dia a mamãe te conta sobre ele tá bom. 

Ela assentiu e quando terminou o seu sorvete fomos para casa, enquanto caminhavamos ela me contava animada como havia sido o seu dia e eu ouvia tudo atentamente. Quando chegamos pedi a ela que fosse para a sala enquanto eu preparava o jantar. 

Joyce se aproximou, olhou para mim e perguntou o que havia acontecido, contei a ela sobre as perguntas difíceis que Maria Fernanda havia me feito e ela sentou na mesa. 

— Ela te perguntou tudo isso? – Joy, estava incrédula. 

— Sim, sobre a vó dela eu não soube responder, mas sobre seu pai disse que contaria outra hora, mas quando chegar essa hora não faço ideia do que dizer. 

— Inventa algo como: ter comido sementinha de abóbora, cegonha. Alguma coisa do tipo. 

— Joyce, às crianças de hoje não são bobas como a gente era na idade delas. 

Joyce ponderou por um momento, enquanto pegava café na garrafa. 

— Você tem razão, An. Talvez seja melhor ser honesta com ela, mas de uma forma que ela possa entender. 

— Tenho que pensar nisso direitinho, não quero confundi-la ainda mais. – Voltei a me concentrar nas panelas. 

Terminei de preparar o jantar e chamei Maria Fernanda para a mesa. Enquanto comíamos, ela começou a contar sobre seus planos para o futuro: queria ser médica para cuidar das pessoas e dos animais e ser goleira da seleção brasileira feminina de futebol, ela se inspirava na goleira Bárbara e me fazia assistir os jogos da seleção, na verdade ela assistia qualquer jogo e por conta dela deixei de ser flamenguista e me tornei vascaína assim como ela. Sua empolgação era contagiante, e me fez sorrir. 

— Você pode ser tudo o que quiser filha, estude bastante e se dedique ao máximo e assim você irá conseguir tudo que sonhar. – Minha pequena balançou a cabeça concordando. 

Depois do jantar, ajudei Maria Fernanda a tomar banho e a se preparar para dormir. Enquanto ela estava deitada em sua cama, pronta para dormir, me sentei ao seu lado e acariciei seus cabelos.

— Mamãe, quando você vai me contar sobre meu pai? – Ela me olhou com expectativa. Droga! Não sabia que ela iria me perguntar sobre isso novamente. 

Engoli em seco, me preparando para a conversa difícil que viria a seguir.

— Filha, sei que tem muitas perguntas sobre seu pai, e eu prometo que vou te contar tudo quando você estiver pronta para entender. Por enquanto, o mais importante é que saiba o quanto é amada e especial para mim e pra dinda também. 

Ela olhou para mim com seus olhos verdes, cheios de confiança e carinho.

— Eu sei, mamãe. E você também é muito especial para mim. 

Um nó se formou em minha garganta, e eu a abracei com força, fiquei fazendo carinho em sua cabecinha, até que ela fechou os olhos. 

Depois que ela adormeceu, voltei para a sala, onde Joyce estava sentada no sofá, mexendo no celular. 

— Como foi? Ela perguntou mais alguma coisa? 

— Sim, sobre o pai dela novamente. Eu disse que vou contar quando ela estiver pronta. – Soltei o ar pesarosamente. 

Joyce assentiu, colocando o celular de lado e olhando para mim. 

— Você vai encontrar as palavras certas quando chegar o momento. Ela confia em você, An. 

Agradeci a Joyce por suas palavras reconfortantes e me sentei ao seu lado, ao observar as suas roupas de dormir perguntei sobre o encontro que ela teria, mas ela me avisou que o cara furou. 

— Amiga, vamos assistir O Diário de Uma Paixão? – Esse é o nosso filme favorito. 

— Vou fazer a pipoca. 

Me levantei rapidamente e fui para cozinha preparar a pipoca, coloquei no balde do filme da Barbie e nos acomodamos para assistir, como previsto, chegando ao final estávamos com os olhos vermelhos de tanto chorar, e essa foi mais uma das nossas noites. 

Quando o filme acabou, me despedi de minha amiga e fui para minha cama, durante a madrugada, tive um sonho erótico com o cara forte tatuado dos olhos verdes. Como o sono resolveu me abandonar, fui para a cozinha e preparei um chazinho de camomila para tentar dormir. Porque toda vez que sonho com esse homem, não consigo me lembrar do seu rosto?

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Comentários (2)
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Lidiane Siqueira
Já estou curiosa para conhecer o moçoilo...
goodnovel comment avatar
Lua
Esse livro vai ser sucesso certeza.
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