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André e a quebra do protocolo do divórcio

Autor: DhaSantana
last update Data de publicação: 2025-12-12 07:47:30

André e a Quebra do Protocolo do Divórcio

​A conversa com Isabella havia sido uma cirurgia fria. A Matriarca havia exposto a ferida de André e exigido uma solução, não um curativo. Ele concordou em terminar o casamento, não por amor ou mágoa, mas por disciplina: ele precisava de um final para restaurar a sua integridade operacional.

​Horas após o desjejum, André contactou Dante através da linha criptografada, o tom de voz rigidamente profissional, como se estivesse a reportar uma falha de har
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Último capítulo

  • O bebê, um contrato e um marido secreto    Epílogo

    Sara Ventura O sol de domingo sobre o jardim da mansão Moratti parecia ter uma tonalidade diferente hoje. Não era apenas a luz dourada que banhava as colunas de mármore e os gramados perfeitamente aparados; era o brilho de um novo ciclo. Se a Holding era o monumento da nossa família ao mundo, este jardim, repleto de brinquedos espalhados e o som de risadas infantis, era o nosso monumento à vida.Estávamos comemorando o primeiro mês de Alice. Trinta dias que pareceram um século de aprendizado e um segundo de pura magia.Eu, Sara, observava a cena da varanda, segurando uma taça de água com gás e limão, sentindo uma paz que nenhuma auditoria bem-sucedida jamais me proporcionou. Ao meu lado, Gabriel encostou o braço no meu, compartilhando o silêncio cúmplice de quem sobreviveu ao primeiro mês de "gestão de crise" doméstica e saiu dela muito mais apaixonado.No centro do gramado, sob a sombra de uma magnólia centenária, Dante Moratti estava vivendo o seu momento de glória mais improvável.

  • O bebê, um contrato e um marido secreto     A Primeira Soneca Longa: O Vazio do Poder

    Sara Ventura Se a gestão de uma multinacional me ensinou a ler mercados e antecipar crises, a convivência exclusiva com Alice nessas semanas de licença-maternidade me ensinou que o tempo é uma entidade completamente diferente quando não está atrelado a um relógio de pulso ou a uma planilha de metas.Minha vida, que antes era medida em trimestres fiscais e reuniões de conselho, agora era fragmentada em janelas de sono, ciclos de amamentação e a busca incessante por um olhar que fizesse sentido. Eu, Sara Moratti, a mulher que nunca se permitiu o "luxo" da improdutividade, estava descobrindo que as horas mais produtivas da minha existência eram passadas em absoluto silêncio, apenas observando os movimentos involuntários de um pequeno ser que tinha o poder de paralisar o meu império com um simples resmungo.Gabriel estava na Holding, ocupando sua nova sala, exercendo o poder que conquistou com tanto mérito. Eu ficava em casa, e o que no início parecia um "confinamento" para a minha mente

  • O bebê, um contrato e um marido secreto    Novo Território

    Gabriel Ventura O elevador da Holding Moratti subia com uma suavidade quase imperceptível, mas dentro de mim, a engrenagem era outra. Era o meu primeiro dia oficial como Diretor de Desenvolvimento Sustentável e Inovação Urbana. O título era pomposo, admito, mas o que realmente importava era o caminho que me trouxera até aqui.Meses atrás, quando a notícia da gravidez da Sara ainda era um segredo guardado a sete chaves, Dante Moratti tentou me "presentear" com uma cadeira na diretoria. Naquela época, recusei. Não por orgulho bobo, mas por arquitetura pessoal. Eu não queria ser o genro que ganhou uma sala com vista; eu queria ser o profissional que projetou a própria fundação. Lutei, apresentei projetos, bati de frente com conselheiros que achavam que sustentabilidade era apenas um selo verde em um relatório anual, e venci.Ganhei a posição por mérito, por estratégia e por teimosia — as três moedas que realmente valem algo neste edifício de vidro e aço.Quando as portas do elevador se

  • O bebê, um contrato e um marido secreto    Visitando a Vila Madalena

    Sara Ventura Se a vida é uma sucessão de decisões estratégicas, atravessar a ponte que separa os Jardins da Vila Madalena naquela manhã de sábado foi, talvez, a manobra mais simbólica que já realizei. Eu, que passei décadas acreditando que o mundo se resumia ao eixo corporativo de São Paulo — onde o asfalto é liso e as fachadas são de vidro temperado —, estava agora no banco do passageiro de um SUV carregado de fraldas, mantas e uma ansiedade que nenhum IPO jamais me causou.No banco de trás, Alice dormia no seu bebê-conforto de última geração, alheia ao fato de que estava prestes a conhecer o "outro lado" da sua herança. Gabriel dirigia com um sorriso que eu raramente via quando estávamos discutindo os orçamentos do Instituto. Era um sorriso de quem está voltando para casa, não para um endereço, mas para uma identidade.— Você está tensa, Sara — Gabriel observou, mudando a marcha enquanto subíamos a ladeira da rua Harmonia. — O coeficiente de atrito das ruas da Vila é maior do que o

  • O bebê, um contrato e um marido secreto    O Café da Manhã das Três Gerações

    Sara Ventura Dizem que a economia é a ciência da escassez, mas naqueles sete dias em que a Dona Maria transformou o nosso apartamento nos Jardins em uma extensão da Vila Madalena, eu descobri que o afeto é a única moeda que gera inflação positiva sem nunca desvalorizar o mercado.Hoje era o dia da despedida. O dia em que o "treinamento de campo" terminava e eu, Sara Moratti, teria que assumir o comando da unidade mais complexa da minha vida sem a consultoria sênior da minha sogra.Acordei com o som baixo de uma cantiga vindo da cozinha. Não era o alarme do meu iPhone me avisando sobre a abertura da Bolsa de Londres. Era a voz da Dona Maria Helena, um som terroso e acolhedor, competindo com o chiado da cafeteira. Olhei para o lado e vi o Gabriel ainda mergulhado em um sono profundo, o rosto relaxado como eu raramente via desde que a Alice nascera. No berço ao lado da nossa cama, a pequena Alice também dormia, um milagre de bochechas rosadas e respiração rítmica.Levantei devagar, sent

  • O bebê, um contrato e um marido secreto     O Confronto de Logísticas: A Prática vs. A Teoria

    Gabriel Ventura Atravessar o umbral da nossa porta nos Jardins com a Alice nos braços foi como inaugurar a obra mais importante da minha vida, mas com uma sensação estranha de que eu não tinha o manual de instruções do proprietário. Eu, que passei anos desejando essa família que estamos formando, e agora sentia que o peso de três quilos e meio daquela pequena criatura desafiava todas as leis da física que eu conhecia.O apartamento, que sempre foi um santuário de design e silêncio, parecia ter mudado de acústica. O mármore do hall, a madeira de demolição da sala, as paredes de concreto aparente... tudo parecia estar à espera do primeiro choro que quebraria a sobriedade dos Moratti.Sara caminhava ao meu lado, ainda com aquele passo cauteloso de quem passou por uma maratona física e emocional. Ela estava linda, de uma forma que o cansaço apenas acentuava: os olhos focados na Alice, a mão protegendo a mantinha rosa contra o vento leve do ar-condicionado. Atrás de nós, trazendo o equilí

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