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Capítulo 12 — O Homem que Morreu

Author: Dona Alencar
last update publish date: 2026-10-21 23:26:16

A revelação deixou Henrique imóvel.

Durante toda a vida, acreditara que seu tio Ricardo havia morrido em um acidente de carro, anos antes de ele assumir a presidência da empresa. Agora, sua mãe afirmava que Ricardo estava vivo — e que poderia ser o verdadeiro responsável por tudo.

— Você tem certeza? — perguntou Henrique.

A mulher sentada na cama segurou sua mão com dificuldade.

— Eu vi Ricardo naquela noite. Ele discutia com seu pai e Augusto. Depois, ouvi um disparo.

— Por que nunca cont
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    A revelação deixou Henrique imóvel. Durante toda a vida, acreditara que seu tio Ricardo havia morrido em um acidente de carro, anos antes de ele assumir a presidência da empresa. Agora, sua mãe afirmava que Ricardo estava vivo — e que poderia ser o verdadeiro responsável por tudo. — Você tem certeza? — perguntou Henrique. A mulher sentada na cama segurou sua mão com dificuldade. — Eu vi Ricardo naquela noite. Ele discutia com seu pai e Augusto. Depois, ouvi um disparo. — Por que nunca contou? — Porque fui mantida presa. Augusto dizia que, se eu falasse, mataria você e Helena. Henrique desviou o olhar, tentando conter a raiva. — Você deixou que eu acreditasse que estava morta. — Eu não tive escolha. Clara aproximou-se com cuidado. — Precisamos sair daqui. O atirador pode voltar. O delegado concordou e ordenou a retirada imediata. A mãe de Henrique foi transferida para um local protegido, enquanto Helena permaneceu ao lado dela. Henrique e Clara seguiram para uma sala reserv

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    As luzes se apagaram completamente. Clara ouviu o som de uma porta sendo trancada e sentiu Henrique procurar sua mão no escuro. — Estou aqui — sussurrou ele. — Eu sei. No palco, Beatriz permaneceu imóvel, como se conhecesse cada canto do teatro. — Vocês sempre acreditaram que Augusto era o único vilão — disse ela. — Isso tornou tudo muito fácil. Henrique avançou alguns passos. — Pare de fazer jogos. Quem está ajudando Augusto? Beatriz acendeu uma lanterna. O feixe iluminou Helena. — Pergunte a ela. Helena empalideceu. — Eu já contei tudo. — Não contou a parte mais importante. Clara observou o rosto de Helena. Havia medo ali, mas também culpa. — O que você está escondendo? — perguntou. Helena fechou os olhos. — Na noite em que nosso pai morreu, eu entreguei a Augusto a chave do escritório. Henrique ficou imóvel. — Por quê? — Ele disse que precisava pegar documentos para provar que nosso pai estava roubando a empresa. Eu acreditava nele. — E depois? — Ouvi a discuss

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    Na manhã seguinte, Henrique chegou ao escritório antes de todos. A mensagem recebida durante a noite continuava aberta em seu celular: **“Procure no cofre do seu pai. E não confie em Helena.”** Clara entrou poucos minutos depois, carregando dois cafés. — Você não dormiu — observou. — Dormi o suficiente. — Isso significa que não dormiu. Ele aceitou a bebida. — Precisamos conversar com Helena. — Sem acusá-la antes de termos provas. — Eu sei. — E sem esconder nada de mim. Henrique segurou o olhar dela. — Não vou esconder. Helena chegou meia hora depois. Ao entrar na sala, percebeu imediatamente que havia algo errado. — O que aconteceu? Henrique mostrou a mensagem. Ela leu em silêncio e empalideceu. — Eu sabia que isso aconteceria. — O quê? — Augusto sempre teve uma obsessão pelo cofre do nosso pai. — Você sabia que ele existia? — Sabia que havia um cofre, mas nunca soube a combinação. Clara observou a reação dela. — Onde fica? Helena hesitou. — Na antiga bibliote

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    A antiga estação ferroviária estava cercada por mato e ferrugem. Henrique estacionou longe da entrada, enquanto Clara observava as janelas quebradas. — Isso parece uma armadilha — disse ela. — Provavelmente é — respondeu Helena. — Então por que estamos entrando? Henrique segurou a mão de Clara. — Porque Alberto pode ser a única pessoa capaz de revelar a verdade. Os três avançaram pelo saguão escuro. O vento atravessava as paredes quebradas, fazendo as placas antigas rangerem. No chão, havia marcas recentes de pneus e pegadas na lama. Clara apontou para elas. — Alguém esteve aqui há pouco tempo. Henrique fez sinal para que permanecessem em silêncio. Um ruído veio dos trilhos abandonados. — Alberto? — chamou Helena. Nenhuma resposta. De repente, uma figura surgiu atrás de uma coluna. Era um homem idoso, magro e cansado, segurando uma lanterna. — Helena? — perguntou ele. Ela correu até ele. — Alberto! O homem a abraçou brevemente, depois olhou para Henrique. — Você se p

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    Na manhã seguinte, Clara acordou no quarto de hóspedes com a sensação de que tudo havia mudado. O beijo, a declaração de Henrique e a invasão da noite anterior pareciam pertencer a uma realidade distante. Ao sair do quarto, encontrou Henrique na cozinha, preparando café. — Bom dia — disse ele. — Bom dia. Por alguns segundos, os dois ficaram em silêncio. — Sobre ontem… — começaram ao mesmo tempo. Clara sorriu. — Você primeiro. Henrique apoiou a xícara sobre a bancada. — Não quero que pense que disse aquilo por causa do susto. — Eu não pensei. — Eu amo você, Clara. E sei que não posso exigir que sinta o mesmo agora. Ela se aproximou. — Eu também amo você. Henrique ficou imóvel. — Tem certeza? — Tenho. Só estava com medo de admitir. O sorriso dele foi discreto, mas verdadeiro. Henrique segurou as mãos dela. — Então vamos fazer isso com calma. — Sem segredos? — Sem segredos. Na empresa, porém, a tranquilidade durou pouco. A polícia informou que o advogado havia recebi

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