LOGINÀs oito em ponto da manhã, Clara Mendes atravessou as portas de vidro da Valença Corporation segurando uma pasta contra o peito e tentando ignorar o frio no estômago. Era seu primeiro dia como secretária executiva de Henrique Valença, o CEO mais jovem e comentado do setor financeiro. Ela já tinha ouvido histórias sobre ele: brilhante, exigente, irresistivelmente charmoso e conhecido por nunca repetir uma companhia por muito tempo. Clara não queria saber de sua fama. Precisava daquele emprego.
View MoreA Nova Secretária
Às oito em ponto da manhã, Clara Mendes atravessou as portas de vidro da Valença Corporation segurando uma pasta contra o peito e tentando ignorar o frio no estômago. Era seu primeiro dia como secretária executiva de Henrique Valença, o CEO mais jovem e comentado do setor financeiro. Ela já tinha ouvido histórias sobre ele: brilhante, exigente, irresistivelmente charmoso e conhecido por nunca repetir uma companhia por muito tempo. Clara não queria saber de sua fama. Precisava daquele emprego. — Senhorita Mendes? — perguntou uma mulher elegante, aproximando-se. — Sou Patrícia, do departamento de Recursos Humanos. O senhor Valença está esperando por você. Clara respirou fundo e a acompanhou até o elevador privativo. O escritório de Henrique ocupava todo o último andar. As paredes de vidro ofereciam uma vista impressionante da cidade, enquanto móveis escuros e modernos transmitiam poder e sofisticação. Henrique estava de costas, observando o movimento lá embaixo. Vestia um terno azul-marinho perfeitamente ajustado. Quando se virou, Clara entendeu por que tantas pessoas falavam dele. Ele tinha um olhar intenso, um sorriso preguiçoso e uma confiança que parecia preencher o ambiente. — Clara Mendes — disse ele, consultando um tablet. — Formada em Administração, três anos como assistente executiva e referências excelentes. — Espero corresponder às expectativas. — Gosto de pessoas que não prometem demais. — Ele se aproximou e estendeu a mão. — Bem-vinda à minha empresa. O aperto de mão durou apenas alguns segundos, mas Clara sentiu uma corrente elétrica percorrer seu braço. Soltou-o depressa e abriu a pasta. — Trouxe os documentos solicitados e organizei sua agenda da semana. Henrique ergueu uma sobrancelha. — Já organizou minha agenda antes de conhecer minha rotina? — Analisei seus compromissos anteriores e os horários das reuniões. Também deixei espaços livres para imprevistos. Pela primeira vez, ele pareceu verdadeiramente interessado. — Você sempre se prepara tanto? — Quando o trabalho exige, sim. Um sorriso surgiu no rosto dele. — Acho que vamos nos dar bem. Clara percebeu o tom provocador, mas manteve a expressão profissional. — Espero que sim, senhor Valença. — Henrique. — Prefiro manter a formalidade no ambiente de trabalho. — Como quiser, senhorita Mendes. A manhã passou rapidamente. Clara descobriu que Henrique trabalhava com intensidade quase assustadora. Ele tomava decisões rápidas, exigia precisão e parecia lembrar-se de cada detalhe dos contratos que assinava. Também descobriu que ele gostava de testar as pessoas. — Remarque esta reunião para amanhã — ordenou, entregando-lhe uma pasta. Clara examinou o documento. — Amanhã o senhor estará em São Paulo. Henrique a encarou. — Tem certeza? — Absoluta. Seu voo sai às seis e meia da manhã. Ele pegou o celular, conferiu a agenda e soltou uma risada baixa. — Você está certa. — Eu costumo estar. A frase escapou antes que pudesse impedi-la. Henrique inclinou a cabeça, divertido. — Isso foi uma provocação? — Foi uma observação. — Interessante. Clara voltou para sua mesa, tentando não demonstrar o quanto aquele olhar a desconcertava. Henrique era perigoso não porque fosse grosseiro, mas porque parecia enxergar além das palavras. Durante o almoço, uma mulher loira entrou no escritório sem bater. Usava um vestido elegante e carregava uma pequena bolsa de grife. — Henrique, querido — disse ela, beijando o rosto dele. — Você desapareceu ontem. Clara fingiu concentrar-se nos e-mails, mas ouviu a resposta: — Tive trabalho. — Você sempre tem trabalho quando não quer atender minhas ligações. Henrique lançou um olhar rápido para Clara. A mulher também a observou, avaliando-a dos pés à cabeça. — Sua nova secretária? — Clara Mendes. — Espero que saiba lidar com ele — comentou a mulher, com um sorriso insinuante. Clara respondeu educadamente: — Estou aqui para cuidar da agenda do senhor Valença. — A agenda é a parte mais fácil — disse ela, antes de entrar no escritório. Clara sentiu o rosto aquecer. Não precisava perguntar quem aquela mulher era. As histórias sobre Henrique provavelmente eram verdadeiras. No fim do expediente, quando a maioria dos funcionários já havia ido embora, Clara ainda revisava alguns relatórios. Henrique saiu do escritório e parou diante da mesa dela. — Você ainda está aqui? — Estou terminando o relatório da reunião de amanhã. — Pode terminar pela manhã. — Prefiro deixar tudo pronto. Ele apoiou uma mão na mesa. — Você não precisa provar seu valor todos os dias. Clara levantou os olhos. — Talvez eu precise provar para mim mesma. A expressão dele mudou. Por um instante, o homem confiante desapareceu, dando lugar a alguém mais atento. — Está insegura? — Não. Apenas quero fazer um bom trabalho. — Então já começou bem. O elogio a surpreendeu. Henrique não parecia o tipo de homem que distribuía elogios facilmente. — Obrigada. — Vou levá-la para jantar. Clara piscou. — Perdão? — É seu primeiro dia. Um jantar de boas-vindas. — Não acho apropriado. — Por quê? — Porque o senhor é meu chefe. — E eu sou perfeitamente capaz de separar trabalho e vida pessoal. Clara fechou a pasta. — Talvez o senhor seja. Eu prefiro não misturar as duas coisas. Henrique ficou em silêncio por alguns segundos. Em vez de se irritar, apenas assentiu. — Tudo bem. Ela esperava uma insistência, uma piada ou alguma tentativa de charme. Mas ele simplesmente se afastou. — Boa noite, Clara. Foi a primeira vez que ele a chamou pelo nome. E, contra sua vontade, aquilo ficou em sua mente durante todo o caminho para casa. Nos dias seguintes, a rotina dos dois se tornou intensa. Clara organizava reuniões, filtrava ligações e acompanhava Henrique em compromissos importantes. Aos poucos, percebeu que ele confiava nela mais do que em qualquer outro funcionário. Henrique, por sua vez, começou a notar detalhes que antes ignorava. Clara sempre prendia os cabelos quando estava concentrada. Bebia café sem açúcar. Tinha o hábito de morder o lábio quando lia algo preocupante. Ele também percebeu que ela nunca tentava agradá-lo. Se discordava, dizia. Se achava uma decisão ruim, explicava o motivo. Isso o fascinava. Henrique estava acostumado a mulheres que se aproximavam por causa de seu dinheiro, de sua aparência ou do poder que exercia. Clara parecia imune a tudo isso. Certa tarde, durante uma reunião, um dos diretores fez um comentário desrespeitoso sobre ela. — Talvez devêssemos deixar essa decisão para alguém com mais experiência — disse ele, olhando para Clara. — Afinal, ela está aqui apenas para cuidar da agenda. Henrique fechou a pasta lentamente. — A senhorita Mendes foi quem identificou o erro no contrato que você apresentou esta manhã. O diretor empalideceu. — Eu não sabia que— — Esse é exatamente o problema. Você fala antes de verificar os fatos. A sala ficou em silêncio. Henrique voltou-se para Clara. — Continue sua apresentação. Ela o fez, mantendo a voz firme, embora o coração batesse mais rápido. Quando a reunião terminou, Henrique esperou que todos saíssem. — Você não precisava me defender — disse ela. — Eu não estava defendendo você. Estava corrigindo uma injustiça. — Ainda assim, obrigada. Ele se aproximou, mas parou a uma distância respeitosa. — Não gosto quando subestimam pessoas competentes. Clara sustentou seu olhar. — E o senhor costuma subestimar as pessoas? — Algumas vezes. — Eu imaginei. Henrique sorriu. — Você gosta de me desafiar. — Talvez o senhor goste de ser desafiado. A tensão entre os dois cresceu, silenciosa e evidente. Por alguns segundos, nenhum deles falou. Então Clara deu um passo para trás. — Preciso enviar os documentos da reunião. — Claro. Ela saiu, sentindo o olhar dele acompanhá-la até a porta. Naquela noite, Henrique permaneceu sozinho no escritório, olhando para a cidade iluminada. Pela primeira vez em muito tempo, não pensava em uma mulher que havia acabado de conhecer em um restaurante ou em uma festa. Pensava em Clara. Na doçura escondida por trás da postura firme. Na inteligência. No modo como ela o enfrentava sem medo. E isso o incomodava. Henrique Valença sempre controlara seus desejos. Nunca permitia que uma mulher se tornasse importante demais. Mas Clara Mendes não parecia disposta a ser apenas mais uma pessoa em sua vida. E, pela primeira vez, ele começou a suspeitar que talvez fosse exatamente isso que o atraía tanto.A revelação deixou Henrique imóvel. Durante toda a vida, acreditara que seu tio Ricardo havia morrido em um acidente de carro, anos antes de ele assumir a presidência da empresa. Agora, sua mãe afirmava que Ricardo estava vivo — e que poderia ser o verdadeiro responsável por tudo. — Você tem certeza? — perguntou Henrique. A mulher sentada na cama segurou sua mão com dificuldade. — Eu vi Ricardo naquela noite. Ele discutia com seu pai e Augusto. Depois, ouvi um disparo. — Por que nunca contou? — Porque fui mantida presa. Augusto dizia que, se eu falasse, mataria você e Helena. Henrique desviou o olhar, tentando conter a raiva. — Você deixou que eu acreditasse que estava morta. — Eu não tive escolha. Clara aproximou-se com cuidado. — Precisamos sair daqui. O atirador pode voltar. O delegado concordou e ordenou a retirada imediata. A mãe de Henrique foi transferida para um local protegido, enquanto Helena permaneceu ao lado dela. Henrique e Clara seguiram para uma sala reserv
As luzes se apagaram completamente. Clara ouviu o som de uma porta sendo trancada e sentiu Henrique procurar sua mão no escuro. — Estou aqui — sussurrou ele. — Eu sei. No palco, Beatriz permaneceu imóvel, como se conhecesse cada canto do teatro. — Vocês sempre acreditaram que Augusto era o único vilão — disse ela. — Isso tornou tudo muito fácil. Henrique avançou alguns passos. — Pare de fazer jogos. Quem está ajudando Augusto? Beatriz acendeu uma lanterna. O feixe iluminou Helena. — Pergunte a ela. Helena empalideceu. — Eu já contei tudo. — Não contou a parte mais importante. Clara observou o rosto de Helena. Havia medo ali, mas também culpa. — O que você está escondendo? — perguntou. Helena fechou os olhos. — Na noite em que nosso pai morreu, eu entreguei a Augusto a chave do escritório. Henrique ficou imóvel. — Por quê? — Ele disse que precisava pegar documentos para provar que nosso pai estava roubando a empresa. Eu acreditava nele. — E depois? — Ouvi a discuss
Na manhã seguinte, Henrique chegou ao escritório antes de todos. A mensagem recebida durante a noite continuava aberta em seu celular: **“Procure no cofre do seu pai. E não confie em Helena.”** Clara entrou poucos minutos depois, carregando dois cafés. — Você não dormiu — observou. — Dormi o suficiente. — Isso significa que não dormiu. Ele aceitou a bebida. — Precisamos conversar com Helena. — Sem acusá-la antes de termos provas. — Eu sei. — E sem esconder nada de mim. Henrique segurou o olhar dela. — Não vou esconder. Helena chegou meia hora depois. Ao entrar na sala, percebeu imediatamente que havia algo errado. — O que aconteceu? Henrique mostrou a mensagem. Ela leu em silêncio e empalideceu. — Eu sabia que isso aconteceria. — O quê? — Augusto sempre teve uma obsessão pelo cofre do nosso pai. — Você sabia que ele existia? — Sabia que havia um cofre, mas nunca soube a combinação. Clara observou a reação dela. — Onde fica? Helena hesitou. — Na antiga bibliote
A antiga estação ferroviária estava cercada por mato e ferrugem. Henrique estacionou longe da entrada, enquanto Clara observava as janelas quebradas. — Isso parece uma armadilha — disse ela. — Provavelmente é — respondeu Helena. — Então por que estamos entrando? Henrique segurou a mão de Clara. — Porque Alberto pode ser a única pessoa capaz de revelar a verdade. Os três avançaram pelo saguão escuro. O vento atravessava as paredes quebradas, fazendo as placas antigas rangerem. No chão, havia marcas recentes de pneus e pegadas na lama. Clara apontou para elas. — Alguém esteve aqui há pouco tempo. Henrique fez sinal para que permanecessem em silêncio. Um ruído veio dos trilhos abandonados. — Alberto? — chamou Helena. Nenhuma resposta. De repente, uma figura surgiu atrás de uma coluna. Era um homem idoso, magro e cansado, segurando uma lanterna. — Helena? — perguntou ele. Ela correu até ele. — Alberto! O homem a abraçou brevemente, depois olhou para Henrique. — Você se p






Bem-vindo ao Goodnovel mundo de ficção. Se você gosta desta novela, ou você é um idealista que espera explorar um mundo perfeito, e também quer se tornar um autor de novela original online para aumentar a renda, você pode se juntar à nossa família para ler ou criar vários tipos de livros, como romance, leitura épica, novela de lobisomem, novela de fantasia, história e assim por diante. Se você é um leitor, novelas de alta qualidade podem ser selecionados aqui. Se você é um autor, pode obter mais inspiração de outras pessoas para criar obras mais brilhantes, além disso, suas obras em nossa plataforma chamarão mais atenção e conquistarão mais admiração dos leitores.