Se connecterO padrasto de Kaya e pai de Nilufer, foi buscá-las, elas estavam com a mãe, guardaram as malas e entraram no carro.
Logo a casa surgiu no final da rua como uma promessa na qual Kaya não acreditava. Era grande demais para parecer acolhedora e antiga demais para ser chamada de nova. A pintura clara tentava disfarçar as rachaduras sutis nas paredes externas, e o jardim, embora aparado, tinha algo de abandonado, como se tivesse sido cuidado apenas para impressionar e receber eles. Nilufer praticamente saltou do carro assim que o motor foi desligado. — É perfeita! — disse, com os olhos brilhando como se tivesse acabado de ganhar exatamente o que sempre quis. — Vocês viram isso? Parece aquelas casas de filme! Mãe, eu vou amar, viver onde você cresceu. Kaya permaneceu sentada por alguns segundos a mais, observando tudo pela janela, com a sensação estranha da cidade ainda grudando nela como umidade, com o mesmo silêncio pesado e o mesmo cheiro distante de terra molhada. — Parece um mausoléu. — murmurou, antes de finalmente abrir a porta. Nilufer fez uma careta, mas ignorou o comentário, enquanto os pais começavam a descarregar as coisas do porta-malas. A mãe estava visivelmente cansada da viagem e tentava manter o controle, enquanto o padrasto já assumia aquele ar autoritário que vestia como uma segunda pele. Ele olhou para o final da rua. — Vamos logo, não quero nada largado na calçada. Quero causar, boa impressão. — disse, sem olhar para ninguém em específico, mas Kaya sabia que aquela frase nunca era realmente para Nilufer. Dentro da casa, o cheiro de ambiente fechado era ruim, Callum havia chegado dois dias antes e mesmo tentando, a casa ainda não estava em ordem. Kaya se sentiu enojada, cheirava madeira antiga, poeira, algo metálico no ar. As portas e janelas, rangiam, as torneiras tinham gotejamento. — Eu fico com esse quarto! — Nilufer anunciou, pegando o maior, sem esperar resposta. — Nilufer! Calma. — a mãe chamou, mas já era tarde. Kaya suspirou, pegando duas caixas marcadas com seu nome e foi indo ver o outro, sem pressa, sentindo cada passo pesar como se carregasse algo além do próprio corpo. O quarto que lhe coube ficava no final do corredor. Era menor que o da irmã, como sempre, mas tinha uma janela grande que dava para os fundos da casa, onde o fim do quintal se misturava com árvores altas demais para um bairro residencial. — Ótimo — falou pensativa. — Pelo menos não vou ouvir tanto a voz dela. E vou ter boa iluminação, para desenhar. Fechou a porta com o pé e começou a empilhar as caixas sem qualquer cuidado, sem vontade nenhuma de organizar nada, porque cada objeto parecia carregar memórias que preferia deixar enterradas. Os últimos anos, haviam sido o auge, do sofrimento e conflito interno. Ela havia deixado a vida e os poucos passa tempos que tinha, poucos mesmo, para trás sem nem ter a opção de recusar, e ainda era julgada por se entristecer com isso. Desempacotou apenas algumas poucas coisas: roupas pretas, cadernos de desenhos, lápis coloridos, bijuterias, roupas de correr, e um espelho pequeno, rachado em um dos cantos. Foi então que ouviu a porta abrir com força. — O que é isso, Kaya? De novo, você com essa porcaria. A voz da mãe veio dura, tensa. Yesenia era uma mulher normalmente doce, mas com Kaya parecia que as coisas nunca eram doces nem fáceis, tudo era pesado demais, irritante demais, porque as duas nunca se deram bem como ela e Nilufer se davam. Kaya se virou lentamente. Ela estava parada no meio do quarto, segurando um maço de cigarros amassado entre os dedos, como se fosse uma prova de crime. — Onde você achou isso? — Kaya perguntou, já sentindo o estômago se revirar. — Numa das suas caixas! — a mãe respondeu, erguendo o objeto. — Você tem ideia do que isso significa? O que pensa que está fazendo? Você prometeu. — Significa que são meus. — Kaya tentou pegar. O silêncio que se seguiu foi rude. — Você está na minha casa — a mãe disse, com a voz tremendo entre raiva e frustração. — Não vou tolerar esse tipo de coisa! Já te disse isso várias e várias vezes, vai se arrepender, de não me respeitar — Não é droga, mãe. É só um cigarro. Seu marido vive bêbado e você não diz nada. — Não interessa! — respondeu Yesenia possessa. — Você não aprende nunca? Sempre querendo chamar atenção! Kaya riu, sem humor. — Engraçado você dizer isso agora… Yesenia abriu a boca para responder, mas Callum apareceu na porta antes que ela pudesse. — Qual é o problema aqui? Ela já quer estragar, nosso dia? — O problema — respondeu, sem tirar os olhos de Kaya. — É que sua enteada continua sendo um péssimo exemplo. Irresponsável. Mentirosa. Ele entrou no quarto, cruzando os braços. — Eu já disse isso antes — começou, com aquele tom condescendente que Kaya odiava. — Você podia muito bem se espelhar na sua irmã. Olha a Nilufer. Educada. Apresentável. Não anda por aí parecendo… Ele fez um gesto vago com a mão, apontando para as roupas dela. — Isso. Kaya sentiu algo estalar dentro de si. E o enfrentou como nunca fazia. — Termina a frase — disse, avançando um passo. — Parecendo o quê? — Parecendo uma qualquer, uma pu.ta, que vai ficar mal falada de novo, na cidade toda. — ele respondeu. — Essa roupa, essa postura… você envergonha sua mãe. A mim. — Já chega, Callum… — Yesenia tentou intervir, mas já era tarde. — E ainda fuma, se droga escondida. — ele continuou. — Você acha isso bonito? Acha que alguém vai te respeitar assim? Por isso, era tão mal falada. Kaya sentiu o rosto queimar. — Você não sabe nada sobre mim. Devia se preocupar mais, com a sua filha. — Sei o suficiente — ele retrucou. — Sei que você só dá trabalho, que nunca agradece nada. Que… — Você não é meu pai! Não tem o direito de ficar falando essas mer.das pra mim, por.ra! — Kaya gritou. — Um dia, vou sair e nunca mais voltar. A frase ecoou pelo quarto como um soar de guerra. Callum ficou imóvel por um segundo e Yesenia empalideceu. — Não fala assim com ele! Ele não é seu pai, mas é quem te cria e me ajuda a te sustentar, tem que respeitar ele, Kaya! — disse, dando um passo à frente. — Não seja ingrata. — Eu não devo respeito a quem nunca me respeitou! — Kaya respondeu, com a voz embargada. — Você deixa ele falar comigo desse jeito e espera o quê? Que eu sorria? Ele nem gosta, de você, sua corna. O tapa veio rápido e o som seco ecoou no quarto. Kaya sentiu o impacto antes da dor, sua cabeça virou de lado, e o gosto metálico se espalhou pela boca enquanto o quarto parecia girar por um instante. — Aqui você vai aprender a respeitar — Yesenia disse, com a voz fria demais. — Não importa o que você ache. Enquanto depender de nós, vai obedecer. Do corredor, Nilufer assistia a tudo encostada na parede, com os braços cruzados, incomodada. Não disse uma palavra. Não precisava. Aquilo foi o que mais doeu. — Saiam — Kaya disse, com a voz baixa. — O quê? — Callum perguntou. — Saiam do meu quarto. — Ela disse segurando a porta. — Não ouse… — A mãe dela falou, segurando a porta. — SAIAM! — ela gritou. Por um segundo pareceu que ele iria a agredir, mas a esposa o puxou pelo braço. — Chega por hoje — disse. — Você está de castigo. Sem sair de casa, Kaya. Entendeu? Kaya não respondeu, apenas bateu a porta com força, girou a chave e apoiou a testa na madeira, respirando com dificuldade enquanto as mãos tremiam e o rosto ardia onde havia sido atingida. O silêncio voltou, mas agora era sufocante. Ela se virou de repente e chutou a primeira caixa que viu pela frente. Depois outra. Seus cadernos caíram no chão, roupas se espalharam, e ela empurrou tudo, jogando objetos contra a parede, com o som dos impactos ecoando como gritos que não conseguia mais conter. — Eu odeio essa vida… — sussurrou, sentando no chão nervosa, sentindo mais raiva, que o normal. O peito doía, foi então que seus olhos encontraram a janela. A cortina leve balançava com o vento e, do lado de fora, as árvores se moviam lentamente, sombras se alongando conforme o céu escurecia. Pensou na liberdade, que tanto almejava. A ideia surgiu clara, simples. Kaya se levantou, limpando o rosto com a manga da blusa, trocou de roupa, então abriu a janela e o ar frio do fim de tarde, entrou no quarto, trazendo novamente aquele cheiro familiar. Ela olhou para trás uma última vez. A casa não parecia um lar. Parecia uma prisão. E Kaya não tinha a menor intenção de ficar, caso realmente fosse expulsa.Kaya assentiu, ficou quieta. Na manhã seguinte foram até o hospital, Zay ficou acompanhando os procedimentos padrões para humanos, os dois trocavam olhares divertidos, percebendo que a bebê era muito saudável e que aquilo era desnecessário. Elas ficariam em observação até o dia seguinte, ele as deixou lá e foi ao velório. Kaya estava sozinha no quarto, com Sumayla junto. Cochilou e acordou sentindo a irmã, muito triste, pode ouvir ela chorando, no quarto ao lado, pode ouvir vozes quase discutindo, Nilufer dizia que não conseguia, Rick insistia para ela pelo menos tentar, Kan dizia que Rick deveria entender o que ela estava passando. Sumayla estava no corredor, entrou no quarto falou desconcertada. — É, o karma existe. A coisa não está nada boa, aí do lado. — Você já deve ter ouvido. Te acordaram? Kaya se sentou sentindo os s.eios doerem, estava com a camisola molhada de leite, Sumayla pegou a bebê, entregou a ela, Kaya falou pensativa, incomodada com o choro dos gêmeos. Sentin
Kaya falou arrasada baixinho. — Vamos. Zay a olhou alguns segundos, respondeu para Lorian. — Preciso verificar. Assim que saiu da caverna, quebrou o pescoço de Lorian o fazendo desmaiar, eles sabiam que ele tentaria impedir, de irem adiante, Kaya se aproximou andando toda ensanguentada com a bebê nos braços, sem vida. Zay as pegou no colo e levou para o antigo cemitério, a onde havia escondido as facas, correu pela mata com a velocidade de vampiro. Eles já haviam decidido desde que reataram, que se não pudessem salvar a bebê, desistiriam de tudo, chorando, entraram juntos no mausoléu da família dele, ele pegou as facas, deitaram próximos abraçados, com a bebê no meio, Kaya falou pegando uma das facas. — Sky, é o nome dela. Ela precisa de um nome. Ele pegou a outra faca, disse posicionando na direção do coração de Kaya. — É um lindo nome, mas precisa ser composto. Sky Blue. — Nós vamos te amar, eternamente filha. Perdão, por não ter conseguido te salvar. — Disse beijando a beb
Rick ficou calado, sério, Kaya falou apreensiva. — É melhor eu ir pra casa. Não sou médica mesmo. Minerva falou que poderia levar ela, Zay falou exultante. — Então, é que a Nilufer pediu pra vocês ficarem com ela. — Eu não posso decidir nada por ninguém. Só estou dando o recado. — Vou preparar tudo. Amor, se quiser ir embora, só não vai sozinha, tá bom? — Disse acariciando Kaya na barriga. Ela assentiu, ficou parada olhando os lanches, Rick esfregou o rosto, suspirou e confessou, que tinha medo, de assumir um compromisso, que não ia conseguir, e decepcionar o filho. Kaya falou pensativa. — Para com isso, você é bom em tudo o que faz. Quem tem que ter medo, sou eu. — Depois de tantos meses, sem uma ligação. Sem nenhuma conversa. Nilufer chegou, eles puderam sentir mais não viram, porque estavam longe nos fundos da fazenda. Ele suspirou e disse que ia, pois estava sentindo o bebê, e algo dentro dele não o deixaria ficar longe. Ele beijou Minerva e foi, Kaya ficou olhando pensat
Zay ficou triste, respondeu pensativo. — Eu não sei, mas tenho medo. Por ele. — Nunca vi o Rick desistir de nada. A Nilufer poderia ter feito tudo diferente. — Sido mais amiga, parceira. Se ela pelo menos entendesse, que a Monaylle manipulou a todos. Kaya respondeu triste, pensando na irmã. — É que ela não quis entender, nem a mim. Ou a ele. — Mas quer saber, não é problema meu. Zay ficou pensando no quanto Évora era boa e em como foram amigos no passado, nos dias seguintes procurou Rick, e tratou da papelada da fazenda, com um advogado. Em menos de um mês, tudo ficou pronto, os lobos cuidaram voluntariamente da parte de construir alojamentos, galpões para aulas, tudo reforçado para os esportes que os lobos jovens necessitavam praticar. As bruxas cuidaram da parte da biblioteca, doaram tudo o que as crianças iriam precisar para estudar magia, fizeram um museu com objetos, fotos, lá tinha tudo sobre os an
Ela o beijou lentamente, se virou de frente para ele, o acariciando com as mãos no rosto, ombros, sussurrou contra a boca dele.— Irei esperar, ansiosamente. Para que de sentido aos meus dias vazios e tristes.Foi se afastando com um sorriso malicioso. — Vou tomar banho, você vem? Ele sorriu desacreditado, respondeu tirando a camiseta. — Sempre irei te seguir. Não importa onde você for. Ela deixou o vestido cair lentamente, no corredor, foi para o banheiro só de calcinha, ele tirou o restante da roupa no caminho, entrou só de cueca, começou a beijar nas costas, foi tirando a calcinha dela, enquanto ela ligava o chuveiro. Kaya entrou primeiro, ele foi logo em seguida e a beijou lentamente, a puxando contra si, acariciando seu corpo todo, ela estava menos contida, o olhando fixamente nos olhos, falou rindo enquanto ele a erguia no colo, abraçados de frente. — Achei que eu ia precisar pedir. Ele a penetrou profundamente, respondeu de olhos fechados a beijando sutilmente várias vez
Kaya estava séria, falou desconfiada. — Não. Eu não quero drama, cercando o meu bebê. — Não posso e nem vou tentar convencer o seu irmão a nada. — Sumayla, eu te respeito e admiro. Mas, isso não é sobre você. A minha vida toda, deixei que decidissem tudo por mim. — Não vou mais permitir que isso se repita. Sumayla ficou séria, falou abrindo a porta. — Ok cunhadinha, eu vou ficar bem longe de vocês. Porque não consigo assistir sem fazer nada, o meu irmão que eu tanto amo, errando. Kaya ficou séria olhando, não respondeu nada, começou acariciar a barriga pensando no bebê, falou com ele. — Eu só quero que você seja feliz, não importa quanto tempo. A mamãe te ama muito. E faria qualquer coisa por você. Zay estava entrando, ouviu tudo, falou parado na porta. — O papai também faria qualquer coisa. Tudo bem? — Você sabe que pode conversar comigo. Sobre qualquer coisa. Se aproximou a envolvendo em seus braços, ela o abraçou forte, falou se sentindo muito bem, feliz. — T







