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capítulo 7

Autor: Loba azul
last update Data de publicação: 2026-08-06 02:02:36

CAPÍTULO 7

LUANA

Depois que saímos da lanchonete, achei que cada uma seguiria para casa. Conhecendo a Duda, era óbvio que eu estava errada.

Ela bateu palmas no meio da calçada.

Duda: — Hoje tem balada.

Paloma sorriu imediatamente.

Paloma: — Finalmente.

Jéssica balançou a cabeça.

Jéssica: — Vocês nunca cansam?

Duda: — A gente descansa quando morrer.

Olhei para as três e sorri. Era impossível não rir perto delas.

Luana: — Eu não trouxe roupa.

Duda abriu a mochila que carregava nas costas e jogou uma blusa preta na minha direção.

Duda: — Eu trouxe.

Fiquei encarando aquela doida.

Luana: — Você já sabia que ia me sequestrar.

Ela deu uma piscadinha.

Duda: — Claro.

Rimos juntas.

Duas horas depois, eu estava dentro de uma balada completamente diferente da festa da Beatriz.

Ali ninguém queria saber meu sobrenome. Ninguém perguntava quanto dinheiro eu tinha e ninguém fingia simpatia. As pessoas simplesmente dançavam, cantavam e viviam.

Era exatamente daquele tipo de lugar que eu sentia falta.

Duda já estava no meio da pista, enquanto Paloma dançava como se o mundo fosse acabar naquela noite e Jéssica ria das duas. Olhei ao redor e respirei fundo.

Aquilo...

Sim.

Aquilo parecia minha vida.

Enquanto dançávamos, Duda aproximou o rosto do meu.

Duda: — Tá vendo aquele cara?

Olhei discretamente. Um rapaz bonito sorria para mim do outro lado da pista.

Dei de ombros.

Luana: — Tô vendo.

Duda: — Vai lá.

Balancei a cabeça.

Luana: — Não.

Ela arregalou os olhos.

Duda: — Desde quando você recusa homem bonito?

Ri.

Luana: — Desde sempre.

Ela começou a rir também.

Duda: — Você nasceu quebrada.

Empurrei seu ombro.

Luana: — Eu só não gosto de gente insistente.

Ela levantou as mãos em rendição.

Duda: — Tudo bem, madame. Fica aí com seu orgulho.

Voltei a dançar, rindo.

Eu não precisava de um homem para me divertir. Naquela noite, queria apenas estar com minhas amigas, ouvir música e esquecer, por algumas horas, toda a confusão que tinha começado desde que descobrira a minha família biológica.

...

Do outro lado da cidade, Matheus acabava de sair de um jantar com alguns empresários. Entrou no carro, ligou o motor e estava prestes a seguir para casa quando Rafael ligou.

Rafael: — A gente está naquele bar perto da avenida. Vem.

Olhei para o relógio. Ainda era cedo.

Matheus: — Estou indo.

O bar ficava na mesma rua da balada.

Assim que estacionei o carro, ouvi a música vindo do outro lado da avenida. Meu olhar foi automaticamente para a fila que se formava diante da entrada.

Foi então que congelei.

Luana.

Ela ria de verdade, sem preocupação, sem aquela postura discreta que mantinha nos eventos da família. Vestia uma calça jeans rasgada, uma blusa preta simples e um tênis branco. Parecia completamente diferente.

Ou talvez parecesse exatamente quem realmente era.

Ao lado dela estavam três garotas. Falavam alto, riam e uma delas praticamente arrastou Luana para dentro da balada.

Ela entrou sem olhar para trás.

Fiquei parado, observando a porta por alguns segundos.

Rafael: — Vai entrar ou pretende virar estátua?

Olhei para o lado.

Ele e Diego tinham acabado de chegar.

Balancei a cabeça.

Matheus: — Nada. Vamos.

Entramos no bar.

Mas minha cabeça permaneceu do outro lado da rua.

...

Uma hora depois, Diego percebeu meu silêncio.

Diego: — Você está péssimo para conversar hoje.

Peguei o copo de uísque.

Matheus: — Estou ouvindo.

Rafael riu.

Rafael: — Não está. Você está pensando em outra coisa.

Respirei fundo. Não sabia exatamente por que estava prestes a falar sobre aquilo, mas acabei contando.

Matheus: — Vi a Luana entrando naquela balada.

Os dois olharam pela janela.

Diego: — E daí?

Dei de ombros.

Matheus: — Nada. Só achei estranho.

Diego voltou a me encarar.

Matheus: — Ela mora em uma mansão, convive com empresários e pessoas daquele círculo... e prefere uma balada como aquela.

Rafael sorriu.

Rafael: — Talvez ela só goste de viver.

Fiquei em silêncio.

Talvez fosse isso.

Talvez eu estivesse começando a perceber que, apesar de tudo o que sabia sobre a família Andrade, eu não fazia ideia de quem Luana realmente era.

E quanto mais eu descobria um novo lado dela...

Mais difícil ficava tirá-la da cabeça.

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