Mag-log inBridget ainda sentia o calor da mão de Andrew quando ele finalmente a soltou. O sorriso dele era confiante, mas havia algo nos olhos que parecia... perdido. Como se ele estivesse buscando algo que nem ele sabia o que era.
Camila, sempre atrevida, não perdeu a oportunidade de intervir: E então, Andrew, você costuma invadir cafés e quebrar vitrines ou é só quando encontra uma mulher bonita? Andrew riu, ajeitando a gravata suja de café. Normalmente, eu tento evitar o espetáculo. Hoje parece ser um dia especial. Bridget tentou não revirar os olhos diante do charme óbvio dele, mas não conseguiu evitar um pequeno sorriso. Antes que pudesse responder, Marcos aproximou-se, tentando salvar a situação. Desculpem pela confusão. Andrew tem essa habilidade única de transformar qualquer momento tranquilo em um desastre.Ah, relaxa – disse Camila, com um sorriso malicioso. – Na verdade, isso tornou nosso dia muito mais interessante.
Vitória, mais tímida, murmurou para Bridget:
Ele é charmoso... mas parece um imã de problemas. Bridget não respondeu. Algo na presença de Andrew a deixava desconfortavelmente intrigada. Talvez fosse o jeito como ele a olhava, como se a conhecesse de algum lugar. Ou talvez fosse o fato de que, no fundo, ela sentia o mesmo – uma estranha familiaridade. Bom, foi um prazer conhecê-las – disse Andrew, finalmente se recompondo. – Talvez um dia eu possa compensar essa entrada desastrosa. Ele lançou um último olhar para Bridget antes de sair, com Marcos resmungando algo sobre "responsabilidade pública". Assim que ele estava fora de vista, Camila deu um empurrãozinho no ombro de Bridget. Amiga, o que foi isso? Ele estava totalmente te comendo com os olhos!Camila! – exclamou Bridget, corando. – Não foi nada disso. Ele só... estava sendo educado.
Educado? – riu Camila. – Aquilo foi tudo, menos educado. Foi intenso. Vitória concordou silenciosamente, mas não quis alimentar mais a conversa. Bridget, tentando ignorar as provocações, mudou de assunto. Vamos continuar? Ainda quero saber como vocês duas estão e o que têm feito da vida. Apesar das risadas e histórias que se seguiram, a mente de Bridget continuava voltando para Andrew. Quem era ele? E por que parecia tão familiar?Enquanto isso, do outro lado da cidade...
Andrew estava no carro, dirigindo em silêncio enquanto Marcos falava sem parar.
Você percebeu que acabou de conhecer a neta de Sandro Jones? A famosa Bridget Jones? Andrew virou a cabeça para o amigo, surpreso. Neta de Sandro Jones? Como você sabe disso?Eu sei de tudo, lembra? – respondeu Marcos, com um tom de superioridade. – Aquela família é famosa pelas intrigas. A avó dela está doente, e parece que a madrasta está tentando tomar o controle de tudo. É um caos completo.
Andrew franziu a testa.
Então ela é envolvida em toda essa confusão?Exatamente. E devo dizer, meu amigo, ela é perigosamente linda. Cuidado para não se envolver demais.
Andrew não respondeu. Por mais que quisesse afastar o pensamento, ele não conseguia tirar Bridget da cabeça. Havia algo nela – algo nos olhos dela – que o fazia sentir coisas que ele não entendia.
Talvez o destino esteja jogando comigo – murmurou para si mesmo.
O quê? – perguntou Marcos.
Nada. Só pensando alto.
Marcos o observou por um momento, mas decidiu não pressionar. Conhecia Andrew bem o suficiente para saber que ele estava mergulhado em pensamentos profundos – e, provavelmente, perigosos.
Na mansão Jones...
Enquanto Bridget voltava para casa após o encontro com as amigas, Agnes e Callie estavam ocupadas planejando o próximo movimento.
Então, ela se encontrou com as amiguinhas no shopping? – perguntou Callie, com um tom de desprezo. Sim, mas isso não importa agora – respondeu Agnes. – O que importa é que o casamento com o Miller aconteça. E se Bridget estiver aqui para interferir, teremos que tomar medidas. Callie suspirou, passando os dedos pelos cabelos perfeitamente arrumados. Espero que isso termine logo. Não aguento mais essa palhaçada de “família unida”. Agnes sorriu, fria. Não se preocupe, querida. Tudo está indo exatamente como planejado.Enquanto Bridget estacionava em frente à casa de sua avó, sentiu um arrepio subir pela espinha. Algo não estava certo. Mesmo depois de uma tarde divertida, havia uma sombra pairando sobre ela – uma sensação de que o caos estava apenas começando.
E, no fundo, ela sabia que Andrew Miller, mesmo que acidentalmente, acabava de se tornar parte desse caos.A sessão finalmente chegou ao fim. Andrew soltou um longo suspiro quando a terapeuta encerrou as anotações. Ele se levantou um pouco incomodado por ter falado demais, especialmente quando o nome Clarice escapou sem que ele percebesse.— Acho que já chega por hoje, senhor Miller. — disse a terapeuta, oferecendo um sorriso compreensivo. — Às vezes, as respostas vêm quando menos esperamos.Andrew assentiu, evitando o olhar dela. Pegou o casaco, agradeceu rapidamente e saiu. O ar fresco do lado de fora o atingiu como um soco, e ele balançou a cabeça tentando afastar a estranha sensação que o acompanhava desde o momento em que mencionou aquele nome.Entrou em seu carro e dirigiu-se direto para a empresa. O trânsito parecia ainda mais lento que de costume, e sua mente vagava entre lembranças confusas e inquietação no peito.Quando estacionou na garagem do edifício, seu celular vibrou no banco do passageiro. Andrew pegou o aparelho distraído, mas congelou ao ver o número desconhecido piscand
Andrew dirigia rápido, os dedos tamborilando no volante enquanto xingava baixo.— Droga… já estou atrasado — resmungou, apertando ainda mais o pedal do acelerador.Ele havia perdido a noção do tempo depois do encontro desastroso com Clarisse no motel. O arrependimento queimava em sua mente, e a cada quilômetro percorrido, sentia o peso da decisão errada que havia tomado.Quando estacionou em frente ao prédio do consultório, respirou fundo. O relógio do painel mostrava que já estava vinte minutos atrasado.— Ótimo, Andrew, muito responsável — ironizou para si mesmo.Subiu os degraus depressa e entrou na recepção. A secretária o olhou com uma sobrancelha arqueada.— Boa tarde, senhor Miller. A doutora já está à sua espera.Ele passou a mão pelos cabelos, tentando disfarçar o nervosismo.— Eu… houve um imprevisto no caminho. — Sua voz soou rouca, quase um pedido de desculpas.A secretária apenas fez um gesto, indicando a porta. Andrew respirou fundo antes de girar a maçaneta e entrar.No
Andrew saiu cedo da mansão Miller naquela manhã. Vestia apenas uma camisa simples, calça jeans e o semblante pesado de quem carregava dentro de si mais perguntas do que respostas. A sessão de terapia estava marcada, e parte dele queria acreditar que dessa vez poderia, de fato, se encontrar.No entanto, ao atravessar a rua em direção ao estacionamento, uma voz feminina o chamou:— Andrew?Ele se virou e encontrou Clarisse, encostada em um carro importado vermelho, óculos escuros e um sorriso que carregava malícia.— Clarisse… — ele murmurou, franzindo a testa. — O que faz aqui?Ela tirou os óculos lentamente, revelando os olhos claros que pareciam analisá-lo dos pés à cabeça. — Coincidência… ou destino — disse com ironia. — Estava passando, e olha só com quem eu me encontro.Andrew suspirou, já desconfiado. — Estou indo para a terapia, não é um bom momento.Clarisse caminhou até ele, muito próxima, seu perfume adocicado o envolvendo. — Terapia? — ela arqueou a sobrancelha. — Ah, qu
— Obrigada por nos ouvir — disse ela, olhando para todos na sala. — É difícil, mas precisava ser honesta. Quero viver essa fase da minha vida com clareza, verdade e amor.O silêncio que se seguiu foi carregado, mas desta vez não havia hostilidade. Apenas compreensão lenta e aceitação — exceto da vovó Nívea, que permanecia observando, rígida, mas menos intensa do que antes.Maxwell passou o braço pela minha cintura e me puxou para perto, e naquele gesto simples, senti que juntos, poderíamos enfrentar qualquer tempestade que viesse a seguir.Eu sorri, aliviada e feliz, sabendo que, mesmo com toda a tensão, estávamos prontos para enfrentar juntos o que viesse. Maxwell estava ao meu lado, e isso bastava para me dar força.— Pois bem… — começou Nívea, sua voz cortando o ar. Não era áspera, mas também não tinha a suavidade que eu ansiava. — Clareza e amor são virtudes. Mas lembre-se, menina, que nem sempre o amor protege de todas as dores.Ela se levantou, ajeitando o xale sobre os ombros,
MaxwellA atmosfera mudou. Minha atenção imediatamente se voltou para Andrew, que estava parado próximo à porta, claramente convidado pela vovó Nívea.Ela, com o rosto fechado e braços cruzados, não escondia a desaprovação que sentia por mim. O olhar de Andrew era intenso, misturando dor, raiva e uma possessividade que queimava por dentro.— Andrew — comecei, mantendo a voz firme, mas controlada — sei que isso é difícil de engolir. Mas não estou aqui para tomar nada de você. Estou aqui para estar ao lado de Bridget.Ele me lançou um olhar que misturava raiva e incredulidade. — Difícil? Você está assumindo minha… minha vida com ela como se fosse um prêmio.Bridget se adiantou, erguendo a mão levemente para interromper. — Andrew, isso não é sobre trocas ou prêmios. É sobre mim… sobre nós.Bridget Olhei para minha família reunida na sala. Minha mãe segurava minhas mãos, Callie permanecia em silêncio, ainda processando, e a vovó Nívea observava com o olhar crítico que só ela sabia faze
BridgetO corredor parecia mais longo do que eu lembrava. Maxwell caminhava ao meu lado, sua mão firme envolvendo a minha, transmitindo segurança. No fundo, meu coração martelava como se quisesse fugir antes de eu dizer qualquer palavra.Quando chegamos à sala, meus pais estavam sentados no sofá, a vovó Nívea em sua poltrona favorita, e Callie folheava uma revista, mas parou assim que nos viu entrar. O olhar dela passou de mim para Maxwell, curiosa.— Bridget, querida… — minha mãe se levantou, vindo me abraçar. — Você está bem? Parece pálida…Olhei para ela e senti aquele nó subir pela garganta. Mas não dava mais para adiar. — Mãe… pai… vovó… Callie… eu preciso contar algo muito importante.Maxwell apertou minha mão, um gesto rápido, mas suficiente para eu lembrar que não estava sozinha.— Eu… — respirei fundo — estou grávida.O silêncio caiu como um cobertor pesado. Minha mãe piscou várias vezes, tentando assimilar. Meu pai endireitou a postura, o olhar sério. Callie soltou um “meu







