LOGINEle tem idade para ser o pai dela. Ela é a melhor amiga da sobrinha que ele prometeu proteger. Apaixonar-se nunca fez parte dos planos de nenhum dos dois. Aos quarenta e dois anos, Adrian Castelli retorna à cidade que abandonou anos atrás para assumir a tutela da sobrinha, Elena, após uma tragédia familiar. CEO de um dos maiores grupos empresariais do país, aprendeu a controlar tudo ao seu redor, menos o próprio coração. Tudo muda quando conhece Lívia Moreau, a melhor amiga de Elena. Jovem, inteligente e dona de uma personalidade tão intensa quanto imprevisível, Lívia desperta em Adrian algo que ele acreditava ter enterrado para sempre. O que deveria ser apenas uma convivência inevitável transforma-se em uma atração crescente, irresistível... e absolutamente proibida. A diferença de idade, a proximidade com sua sobrinha e o peso da responsabilidade tornam qualquer sentimento entre eles inaceitável. Ainda assim, quanto mais tentam manter distância, mais difícil se torna ignorar a conexão que os une. Enquanto Adrian luta contra a culpa de desejar a mulher que jamais deveria amar, Lívia precisa decidir se vale a pena enfrentar os julgamentos, os preconceitos e as consequências de entregar o coração a um homem marcado pelo passado. Entre encontros proibidos, silêncios carregados de desejo e escolhas capazes de mudar suas vidas para sempre, ambos descobrirão que existem amores que desafiam todas as regras. Mas quando o coração insiste em escolher o impossível... será que fugir ainda é uma opção?
View More“Eu ainda não sabia quem estava do outro lado da porta, muito menos o lugar que aquela pessoa ocuparia na minha vida.”
O toque insistente da campainha arrancou Lívia do sono.
Ela abriu os olhos, desorientada, e procurou o celular sobre o criado-mudo.
03h40.
A campainha tocou outra vez.
— Quem, em nome de Deus, aparece na casa dos outros a esta hora?
Afastou o edredom, calçou os chinelos e saiu do quarto prendendo os cabelos num coque improvisado. Antes de descer, olhou para a porta entreaberta do quarto onde Elena dormia.
Depois de tudo o que a amiga havia atravessado, vê-la descansar lhe trouxera algum alívio. Se o infeliz do outro lado da porta a acordasse…
A campainha tornou a soar.
— Já vai — resmungou, descendo as escadas. — Se quebrar essa campainha, vai pagar outra.
Acendeu a luz da entrada e girou a chave sem se lembrar de que vestia apenas uma camiseta curta de algodão e uma calcinha vermelha de renda, minúscula, que a barra mal cobria.
Abriu a porta.
— Mas que droga você pensa que está…
A reclamação morreu no meio.
Adrian Castelli ocupava boa parte do vão da entrada.
Lívia o reconheceu pelas fotografias que Elena lhe mostrara, mas nenhuma delas a havia preparado para encontrá-lo tão perto. Os cabelos castanho-escuros estavam desalinhados, a barba por fazer marcava seu rosto e a gravata frouxa pendia sobre a camisa branca, aberta no colarinho.
Os olhos azuis se fixaram nos dela.
Depois desceram.
Foi um movimento breve, mas Lívia percebeu o instante em que ele reparou na renda vermelha sob a camiseta. Adrian ergueu os olhos imediatamente, contraindo a mandíbula.
Ela segurou a barra do tecido e a puxou para baixo.
A atração inesperada só aumentou sua irritação.
Aquele era o homem por quem Elena esperava. O homem cuja ausência a amiga tentava justificar mesmo quando estava magoada demais para esconder.
— Com licença.
Lívia desviou a atenção para Gabriel, parado ao lado dele.
— A Elena está aqui?
— Está dormindo. Ou estava, antes dessa tentativa de acordar a rua inteira.
Gabriel aceitou a repreensão com um movimento de cabeça.
— Desculpe. Eu tentei ligar para você.
— Meu celular está no quarto.
Adrian deu um passo à frente.
— Vim buscar minha sobrinha. Pode chamá-la?
Lívia cruzou os braços.
— Agora você resolveu aparecer?
Gabriel fechou os olhos por um instante.
Adrian permaneceu olhando para ela.
— Como é?
— São quase quatro da manhã. Ela está descansando.
— Entendi na primeira vez. Chame Elena, por favor.
— E eu estou dizendo que ela está dormindo.
A barra da camiseta subiu quando Lívia ergueu um dos braços para apontar o relógio na parede. Adrian desviou os olhos, mas não antes de notar outra vez a pequena faixa de renda.
Aquilo o irritou. Estava preocupado com a sobrinha, não tinha paciência para discutir e, ainda assim, precisava se esforçar para manter os olhos no rosto da mulher à sua frente.
— Olhe aqui, menina…
Lívia ergueu uma sobrancelha.
— Começou mal.
— Você não sabe o que está acontecendo.
— Sei que Elena finalmente conseguiu dormir.
— E eu preciso vê-la.
A resposta veio mais firme. Por um instante, Lívia percebeu algo além da impaciência na voz dele.
Mesmo assim, não saiu da frente.
— Então poderia ter começado dizendo isso, em vez de chegar dando ordens.
— Lívia — Gabriel interveio. — Ele está preocupado.
— Ótimo. Somos dois.
Adrian olhou para o amigo.
— Você a conhece?
— Conheço.
— Então explique que eu não vou embora sem falar com Elena.
— Ele sabe explicar sozinho? — Lívia perguntou.
Adrian voltou o rosto para ela.
Os dois se encararam.
Ele parecia pouco acostumado a encontrar resistência. Lívia, por sua vez, estava cansada, assustada com tudo o que ainda não conseguira assimilar e completamente sem disposição para facilitar a vida daquele homem.
— Você sempre recebe as pessoas desse jeito? — ele perguntou.
— Só as que se penduram na minha campainha de madrugada.
— Se tivesse atendido ao telefone…
— Eu estava dormindo. É uma atividade bastante comum neste horário.
Gabriel passou a mão pelo rosto.
— Podemos diminuir o volume?
— Tio?
A voz de Elena interrompeu a discussão.
Adrian ergueu os olhos. Ela estava no alto da escada, segurando o corrimão.
— Elena…
Ele deu um passo para dentro, mas parou quando ela começou a chorar.
Lívia se virou imediatamente para a amiga e Adrian olhou de uma para a outra.
— O que aconteceu?
Lívia havia imaginado muitas vezes o que diria àquele homem. Agora, diante daquela pergunta, não podia responder por Elena.
“Eu conhecia todos os motivos para parar. Mesmo assim, queria combinar quando aconteceria outra vez.”Adrian CastelliLívia olhou para os botões da minha camisa antes de erguer o rosto com um sorriso.— Você está me dando ideias, titio.Segurei sua mão antes que os dedos avançassem até o próximo botão.— Você já tem idéias demais.— E você parece gostar de algumas.Sorri, ainda segurando sua mão. Negar àquela altura seria ridículo, principalmente com a outra mão firme em sua cintura. Eu tinha acabado de beijá-la contra a estante do meu escritório, ainda sentia suas unhas na minha nuca e continuava segurando sua cintura, excitado demais para soltá-la. Minha vontade mesmo, era arrancar aquele biquíni e fazer ela gemer o meu nome por horas. Ela acompanhou meu olhar até sua boca.— Vai me mandar sair mesmo?— Estou tentando.Lívia soltou uma risada baixa, satisfeita demais com a dificuldade.Afastei-me o suficiente para deixá-la passar, mas ela permaneceu diante de mim, ajeitando a faix
“Eu tinha ido atrás dele porque queria um beijo. Um só deixou de ser suficiente depressa demais.” Lívia Moreau Adrian me puxou pela cintura e tomou minha boca num beijo que me deixou sem fôlego. Agarrei sua camisa e correspondi, erguendo o rosto enquanto sua outra mão se firmava em minha nuca.Quando entreabri os lábios, ele aprofundou o beijo e me apertou contra o corpo, revelando uma urgência que desmentia toda a calma de antes. Soltei sua camisa e passei os braços por seus ombros, puxando-o ainda mais para perto.Eu tinha imaginado aquele beijo desde a noite anterior, mas nenhuma das minhas tentativas chegou perto.Fiquei na ponta dos pés e deslizei os dedos por seus cabelos. Adrian me manteve junto ao corpo, e um som baixo escapou de mim antes que eu pudesse contê-lo. Ele se afastou o suficiente para me olhar.Mantive os braços ao redor de seu pescoço.Não queria que confundisse minha falta de ar com vontade de parar.Puxei-o de volta.Adrian me recebeu com um beijo mais inten
“Eu entrei procurando uma resposta. Não esperava que ele a desse tão perto da minha boca.”Lívia Moreau Quando olhei outra vez para a janela do escritório, Adrian já tinha se afastado.Adam continuava ao meu lado, agora contando sobre uma viagem que pretendia fazer nas férias. Sentada na espreguiçadeira depois de sair da água, eu respondia, mas meus olhos voltavam à casa com uma frequência difícil de disfarçar.Foi então que procurei Louise.Ela também não estava mais no jardim. Havia muitas explicações possíveis para aquilo, mas minha cabeça escolheu justamente a que me fez levantar.— Já volto.Adam interrompeu a própria frase.— Vai me deixar falando sozinho?— Pode guardar o resto para quando eu voltar.Peguei a saída de banho e a vesti enquanto caminhava. Não precisava procurar Adrian. Ele podia conversar com quem quisesse, e eu não tinha motivo algum para entrar naquela casa atrás dele.Ainda assim, atravessei a varanda.Encontrei Louise na sala, perto do corredor que levava ao
“Eu já conhecia o carinho dele. Naquela tarde, descobri que também podia ser desejo.”Elena CastelliGabriel estava me contando alguma coisa quando alguém pulou na piscina atrás de nós.A água atingiu minhas pernas e uma parte da calça dele. Dei um passo para o lado, tarde demais, e ouvi sua risada antes de olhar para o tecido molhado.— Desculpa.Ele baixou os olhos para a própria roupa.— Você não pulou.— Mas a festa é minha.— Então vou enviar a conta.Ri, pegando a toalha que tinha deixado sobre uma cadeira.— Você pode reclamar com a organização.Estendi a toalha, mas Gabriel não a pegou imediatamente. Seus olhos passaram pelo meu rosto, e demorei um instante para perceber que ele estava sorrindo para mim.— O que foi?— Nada. Estou gostando de ver você assim.Apertei a toalha entre as mãos.— Molhando os convidados?— Rindo.Baixei os olhos antes que ele percebesse o quanto aquela resposta tinha me atingido.Gabriel conhecia meus silêncios. Tinha atendido ligações em que eu qua












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