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CAPÍTULO 27 ENRICO CASANOSSA

last update Data de publicação: 2021-05-17 20:07:48

ENRICO FOI LEVADO PARA O APARTAMENTO de Gwen por Carlos Ortiega. Suas coisas que estavam jogadas no corredor sumiram rapidamente, levada pelos vizinhos que estavam esperando o tempo certo para agirem e lucrarem algo com o vizinho – e foragido mais conhecido do mundo.

Carlos Ortiega se gabava a viagem inteira por ser o preferido do mestre – Enrico não entendia porque Ortiega sempre chamou Donald Dunhill de mestre, mas também nunca questionou, afinal, Enrico sabia que Ortiega o odiava, afinal, quando eles se conheceram, Donald Dunhill tinha prometido sua filha para ele, mas Enrico chegou na frente, prometendo mil coisas pelo amor de Gwen. Carlos Ortiega jurou por si mesmo que mataria Enrico, mas Gwen sempre intercedeu junto ao pai por seu marido, e por essa razão Donald Dunhill jamais permitiu que encostassem um dedo sequer em Enrico, principalmente Ortiega.

Carlos Ortiega falou de todas as vítimas famosas que ele tinha feito nesse um ano e meio que Enrico estava afastado – Enrico estava cada vez mais assustado por saber que iria ser a vítima, e a preferida, daquele maníaco que adorava matar pelo simples prazer se ouvir o tombo no chão – Carlos Ortiega tinha matado cinco governadores, três presidentes latinos que se opunham ao no governo e dois papas, depois disso, a igreja católica decidiu colaborar fielmente aos planos de Donald Dunhill, ninguém sabia como Ortiega conseguia fazer aquelas façanhas, todos sabiam simplesmente que ele era o melhor no que fazia.

Ortiega adorava falar sobre o medo que via nos olhos das pessoas – ele só matava se via o medo nos olhos de alguém, se não existia medo, ele forçava a pessoa até conseguir que ela sentisse o medo nela –, infelizmente ninguém jamais conseguiu sair vivo para contar história e se gabar de ser o único a sair vivo de suas mãos.

Enrico ouviu que também o algoz adorava experimentar o sangue de suas vítimas, ele sempre colocava seu dedo indicador no furo – ou de faca, ou de tiro – e provava o néctar que somente o sangue dava a ele. Carlos Ortiega até brincou com Enrico dizendo que se ele não fosse o próximo da lista, teria o privilégio de participar de um banquete com ele, afinal, se o mestre gostava dele, porque ele também não poderia gostar um pouquinho?

Dunhill gostar de mim? Isso sim é uma piada extremamente engraçada... – pensou Enrico tentando se livrar dos pensamentos, que estaria morto em poucas horas.

Enrico sentia um medo terrível de Ortiega. Ele sempre usava óculos escuros. Uma vez, Enrico viu por entre a fresta de seus óculos que os olhos de Carlos Ortiega eram vermelhos como o sangue – era algo surreal –, mesmo assim, Enrico tinha cartão verde por ser genro do chefe, então, ninguém poderia encostar um dedo sequer no futuro herdeiro de todo o império de Dunhill, pelo menos era isso que Enrico pensava.

Quando eles chegaram ao apartamento em que Enrico morava com Gwen, Carlos Ortiega amarrou Enrico na cadeira – que Ortiega considerava a sua favorita –, pegou outra cadeira e se sentou – com ela ao contrário –, encostando sua cabeça por entre seus braços descansando no encosto da cadeira, olhando fixamente nos olhos de Enrico.

— Agora, é só esperar o mestre para começarmos a brincadeira – disse Ortiega com o mesmo sarcasmo de sempre.

Ortiega tirou seus óculos e Enrico viu o medo que ele sentia fluir dentro dele. Aqueles olhos eram um poço sem fundo, irradiavam ódio, terror, amor à morte...

Amor não... prazer pela morte...

Aqueles olhos não mostravam rancor algum em puxar o gatilho, ou de torturar alguém, era prazeroso para ele, se muitas pessoas sentem prazer quando fazem sexo com alguém – assim como Enrico – Carlos Ortiega sentia o mesmo prazer quando matava alguém, principalmente quando tinha tempo de matar aos poucos, isso sim era diversão para ele.

Ortiega disse que não seria ele a fazer o serviço, que também não o tinha amordaçado porque o mestre adorava ouvir os gritos de dor de suas vítimas – ou suas vítimas –, que por mais que ele quisesse, jamais poderia passar por cima das ordens do mestre.

Sem perceber, Enrico urinou nas calças.

 DEPOIS DE SEIS HORAS ESPERANDO, Donald Dunhill enfim chegou, como um rei chega em sua corte, repleto em uma glória única. Seus dois seguranças particulares ficaram esperando na porta – um de cada lado. Donald Dunhill entrou sozinho, tirou o seu blazer Armani, jogou-o no sofá e foi em direção a Enrico.

Donald Dunhill segurou o queixo de Enrico cuidadosamente e logo em seguida desferiu-lhe um golpe que fez Enrico ver estrelas – e quase desmaiar.

Carlos Ortiega olhava tudo sem demonstrar um mínimo de sentimento – nem alegria e nem tristeza, apenas o observava friamente, sem nem sequer piscar.

— Você é a pessoa mais inocente que conheci em toda a minha vida Enrico Fuerte – disse Donald dando ênfase ao fuerte –, veja as notícias na televisão... sou adorado em todo o mundo – Donald abriu os braços olhando a cidade, como se fosse o dono dela –, consegui convencer os idiotas do Oriente médio a darem um tempo em sua guerra ridícula, ouça o povo gritando pelo meu nome... sou um deus agora, Enrico... um deus... – gritou ele – Você teve muita sorte de ter sido o genro de um deus, sabia?

Enrico ficou olhando sem falar nada para seu sogro desfrutando de todas as suas vitórias e sua glória.

— Aonde vou acontecem coisas maravilhosas – continuou Donald Dunhill se vangloriando –, as pessoas foram curadas definitivamente do câncer, AIDS, estamos acabando com a fome e a miséria do mundo todo, a ONU está mais do que nunca aos meus pés, até mesmo o Vaticano com seus padres velhos e incrédulos me ovacionam, sabia que o atual Papa era amigo de infância daminha família? Claro que você não sabia... você é um inútil.

Donald deu uma gargalhada que arrepiou o corpo inteiro Enrico.

Donald deu-lhe outro soco que dessa vez quebrou três dentes de Enrico, o qual os cuspiu para fora com uma força que ia além de seus limites.

— Vou contar um segredinho só nosso, Enrico Fuerte... – falou Donald num sussurro em seu ouvido – sou o anticristo que os loucos pregam, sou eu a personificação de todo o mal, o homem que governará o mundo, que trará o caos ao mundo que conhecemos. Meus exércitos estão prontos para saquear todas as igrejas do mundo e assim começar a maior caça de toda a história, o que o imbecil incompetente do Hitler fez não vai ser nada ao que vou fazer com todos no mundo, se você acha que os judeus sofreram no século passado, o que os cristãos irão ver vai ser brincadeira de criança, uma pena que você não estará vivo para ver, Enrico, sempre gostei de você, é o melhor no que faz, assim como eu... a diferença entre nós dois é que nasci para o sucesso e você para o fracasso, seu dom é fugir, Enrico, como um rato com o rabo entre as pernas, só que sou um caçador implacável, jamais falho, Enrico...

Donald ficou cara-a-cara com Enrico, olhando nos olhos de seu genro e, quando Donald Dunhill menos esperava levou uma cuspida repleta de sangue bem no seu olho direito.

Enrico se esforçou a dar uma gargalhada, mas não conseguiu, seu corpo doía muito, aqueles socos causaram um estrago muito maior do que Enrico imaginava.

Nem aproveitar meu momento de glória eu posso... – pensou Enrico com raiva de si próprio.

Enrico esperava que com esse ataque certeiro no ego de seu sogro Donald Dunhill acabasse logo com aquilo, mas Donald pediu apenas para Carlos ir buscar seu instrumento de tortura favorito no quarto.

QUANDO ORTIEGA SE LEVANTOU, a porta foi arrombada inesperadamente e o invasor encapuzado deu um tiro em Donald e um tiro em Ortiega que caiu para trás com tudo, quebrando a mesa de vidro que Enrico tinha comprado no quinto aniversário de casamento dele e Gwen.

Enrico já não conseguia enxergar nada por causa dos dois socos avassaladores que levou de seu sogro.

O invasor encapuzado desamarrou-lhe e o ajudou a escapar dali apoiando-o em seu ombro esquerdo. As pernas de Enrico não estavam muito cansadas, mas da cintura para cima.

— Vai ficar tudo bem, vou cuidar de você – disse o encapuzado para Enrico, mas ele ouviu a voz muito distante.

Aquela voz lhe soou familiar, Enrico não sabia se era melhor morrer naquele momento, ou antecipar sua morte, mas ficou feliz, afinal, Enrico era o rei no que fazia, escapar das enrascadas era o seu talento, sua fama não poderia acabar assim do dia para a noite.

Enrico passou sem perceber por dois seguranças mortos – quase tropeçou no que estava do seu lado.

Eles saíram sem problemas do prédio.

QUANDO O SALVADOR DA PÁTRIA e Enrico entraram no furgão, o invasor tirou o capuz e Enrico percebeu – antes de fechar seus olhos e desmaiar – que era uma mulher muito bela que o salvara.

Até nisso tenho sorte... – pensou Enrico sarcasticamente antes de desmaiar.

NA SALA ONDE ESTAVAM OS DOIS CORPOS estendidos no chão aconteceu uma cena que poucas pessoas imaginariam que pudesse acontecer no mundo dos vivos. O tiro de revólver disparado pelo invasor em Donald Dunhill pegou apenas de raspão, mas o susto foi tão grande que não deu para reagir.

Donald abriu os olhos, mexeu a boca como se estivesse mascando um chiclete.  

Donald Dunhill cuspiu em cima de Carlos Ortiega que acordou imediatamente completamente ileso por causa do colete balístico.

O tiro tinha sido de raspão também.

— Levanta, Carlos – ordenou Donald Dunhill com um sorriso no rosto –, temos uma bela caçada pela frente.

Carlos Ortiega se levantou sem falar nada, deu um sorriso para Dunhill, pegou seu casaco e saiu.

DONALD FOI ATÉ A JANELA, OLHOU PARA O CARRO em fuga e disse:

— A brincadeira só está começando, meu queridinho genro... – Donald Dunhill olhou para o horizonte com um olhar que mostrava toda a perversidade em seu coração – simplesmente... só está começando...

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