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CAPÍTULO 35 ENRICO CASANOSSA

last update Data de publicação: 2021-05-17 20:14:33

ENRICO ESCAPOU PULANDO DENTRO DE UM BUEIRO aberto que estava com placas ao redor indicando que tinha homens trabalhando ali.

Ele se escondeu em um buraco, sentou-se e começou a chorar desesperadamente.

Não sei se Deus existe, mas... se existe, dá uma força, vai...

Sem que desse conta, Enrico sentia falta de sua esposa Gwen, ele não sabia como consertar as coisas, talvez fosse tarde demais para ele, mas agora que o mundo todo estava nas suas costas, era mais fácil de admitir seus erros estúpidos.

Enrico se lembrou de todos os bons momentos que viveu ao lado de Gwen, todas as viagens, todos os carinhos diários que ela fazia. Enrico não sabia de onde tinha tirado essa história de gostar de Alicia...

Foi tudo uma grande ilusão...

 Ela sempre foi grosseira com ele, estava sempre de mau humor, descontava nele todas as suas preocupações, era desequilibrada, além de continuar transando com juízes e promotores para conseguir vencer inúmeros casos.

Enrico chorava por se sentir o pior dos homens nesse mundo. Nada no mundo o estimularia a se levantar e encarar o que tinha que enfrentar pela frente.

ALGUÉM SE SENTOU AO SEU LADO, mas Enrico não tinha coragem de olhar, para ele era Ortiega, e a última imagem que Enrico queria ter da sua vida miserável não era de um algoz, ele queria morrer sonhando com sua amada esposa, abraçado com ela no mesmo paraíso que se despediu dela.

— Pode acabar com isso, Ortiega, me entrego – disse ele sem preocupação alguma na voz, apenas olhando para baixo.

— Deus perdoou seus pecados, meu filho – disse padre Rossi com um sorriso no rosto – fica com seu coração em paz, você é um bom homem Enrico meu filho.

Os dois se abraçaram como um pai abraça um filho, de repente, Enrico sente um cheiro estranho no ar.

— Que cheiro de merda é esse, padre?

O padre corou-se e respondeu:

— Me desculpe, filho, quando estava saindo, vi Ortiega indo atrás de você, minhas roupas estavam tão velhas ao escapar da explosão que ele achou que eu fosse um mendigo, apenas fingi ser cego e escapei, mas mesmo assim borrei nas calças de tanto medo.

Enrico caiu na risada, o padre não achou tanta graça assim.

APÓS COMPRAREM ROUPAS NOVAS para ele e o padre, Enrico jogou fora o chip e decidiram andar tranquilamente nas ruas, ninguém ousou chegar perto deles – mesmo repleto de comentários em baixa voz.

Enrico viu Ortiega encostado na sua Harley-Davidson fumando seu charuto cubano.

Ortiega abaixou seus óculos escuros e sorriu, Enrico acenou para ele, e Ortiega devolveu-lhe o aceno.

Os dois andaram tranquilamente até um hospício abandonado e dormiram por lá, eles sabiam que era inútil fugir, decidiram entregar suas vidas nas mãos de Deus, se fosse para morrer, pelo menos eles morreriam com dignidade, como homens.

Enrico teve um sonho estranho.

ENRICO ESTAVA TENTANDO SE SUICIDAR em cima da ponte de São Francisco, quando o homem belo que se dizia ser Jesus chegou perto dele e disse:

— Você não precisa disso, Enrico... Gwen perdoou você, ela entende que você teve uma vida difícil e que, de certa maneira, não foi culpa sua, mas que foi homem suficiente para reconhecer seus erros e aprender com eles, você foi homem suficiente de dar a outra face para baterem, você provou ser digno de ser chamado de meu irmão...

Enrico abraçou Jesus e continuou chorando, ambos sabiam que aquele momento era especial. Tanto Jesus quanto Enrico queriam que aquele abraço não acabasse nunca.

Jesus sorriu e disse:

— Para quem mentiu para si mesmo a vida inteira, é fácil ver a verdade quando alguém a diz, não é verdade? Como é olhar para dentro de si mesmo e ver que é um homem de verdade, Enrico?

— É como se eu fosse um novo homem.

Jesus sorriu.

— Para Deus não existe ex-drogados, ex-prostitutas, ex-falidos etc. Para Deus existem novas criaturas, você faz parte do clube agora, Enrico, não se esqueça que sempre estarei ao seu lado, indiferente da situação...

Enrico enxugou as lágrimas e percebeu que a luz estava ofuscando a vista.

Nesse momento uma nova onda de choque ocorreu como naquele dia em que havia perdido Gwen, e tudo se tornou a mais absoluta escuridão.

QUANDO ENRICO ACORDOU, estava amarrado em um tronco em uma praça pública junto com Padre Rossi.

Seu sogro estava ao lado de Carlos Ortiega, ambos sorriam triunfalmente para a grande multidão que gritava.

Deus somos nós... Deus somos nós...

DUNHILL AGITAVA TODO O POVO – gritavam desesperadamente.

 “Deus somos nós... Deus somos nós...” – gritava o povo.

 Essa seria a primeira vez que ele presidiria pessoalmente o julgamento em público.

— Meu povo – disse Donald Dunhill para todo o povo – estou aqui para mostrar que a lei está acima de todas as coisas, esse que será julgado aqui hoje – apontou o dedo para Enrico – tive a infelicidade de chamá-lo de genro, o tratei como um filho, dei a ele tudo do bom e do melhor sabe o que ele fez? Matou a minha filha, matou a própria mãe, o que fazemos com pessoas assim? – perguntou ele excitando a multidão:

Matem-no... Matem-no... – gritava a multidão eufórica.

 Enrico olhou para o padre, mas ele estava olhando para o céu admirado – seus olhos brilhavam de uma maneira diferente – Enrico não sabia o que pensar, o padre sempre fora um covarde, de repente:

Não estava nem aí para o que estava por vir?

Mas quando Enrico olhou para o céu, viu algo que não podia descrever, Enrico viu um trono reluzente repleto de anjos ao redor, sua mãe e Gwen estavam sorrindo felizes da vida, aquilo fez tão bem para Enrico que ficou com o mesmo sorriso que seu parceiro mártir naquele momento.

As pessoas começaram a apedrejar o padre, mas o padre parecia que não sentia dor alguma, estava anestesiado pela visão que estava tendo.

Quando chegou a vez de Enrico, Donald chegou perto dele e falou num sussurro em seu ouvido:

—Isso é só o começo, uma pena que você não poderá compartilhar do meu momento de glória.

Enrico não ouviu uma palavra sequer de Donald, Gwen o estava chamando e ele queria atender desesperadamente ao seu chamado.

Donald olhou furiosamente para Enrico e percebeu que ele estava olhando para algo.

Quando Donald olhou para trás viu Willian Johnson e seus dois filhos.

A multidão gritou ainda mais calorosamente.

Enrico olhou ao seu redor e viu que muitos já haviam morrido, mas um casal em especial estava na fila da morte...

 A presidente Wilkinson e seu marido...

 Enrico percebeu que Willian estava andando em sua direção e parou perto de Donald e disse:

— Você teve a oportunidade de fazer tudo diferente, Donald, quer roubar o mundo que eu desenhei? Você deixou o ódio consumir seu coração, foi o mais fraco dos homens, eu tinha tantos planos para você, mas virou as costas para mim... Você é um covarde, fraco, gosta de causar dor, mas detesta a dor...

Donald se esforçou em se levantar, mas Ted deu-lhe um chute no rosto que fez Donald se lamentar.

— Eu disse que nenhuma religião sobreviveria no futuro, você e seus fanáticos pagarão caro por tentarem roubar meu trono, e outra, seu lacaio matou a minha garota, nada e nem ninguém toca no que é meu, está me entendendo?

— Me ajude, mestre, eu preciso...

Foram as suas últimas palavras de Donald Dunhill, antes que o fogo o consumisse de vez.

— Enrico... irmão de Juanes Casanossa?

Enrico confirmou com a cabeça.

Victor ficou apreensivo com aquilo, aquele homem era irmão do homem que roubou a mulher que amava...

 Se Juanes não pagou o preço, esse garoto vai pagar... – pensou Victor.

 — Seu irmão salvou minha vida, devo uma a ele, pagarei a você a dívida, como sobreviveu ao Vírus-Ômega, é meu convidado a participar da Nova Ordem Mundial...

Seus homens soltaram Enrico do poste.

— É um homem livre, Enrico.

— Só que não.

Victor puxou a arma e antes que conseguisse atirar, em um golpe certeiro Willian Johnson arrancou a mão do filho com um golpe de faca.

— Maldito – gritou Victor segurando a mão cortada pelo próprio pai.

— Isso é para você aprender quem manda aqui.

ENRICO CHEGOU ATÉ A ESQUINA com o coração acelerado não acreditando em tudo o que havia acontecido, segundo o que Willian Johnson tinha falado, sobreviver ao tal Vírus-Ômega tinha sido uma baita sorte, ele era o que as pessoas falavam de escolhido, mas viver naquele inferno não era lá o que ele chamava de muita sorte.

 — Você deve nos seguir, Enrico Fuerte.

— Quem diabos são vocês?

Quando ele pensou em correr, sentiu alguém segurá-lo por trás e colocar um pano em sua boca e nariz, aos poucos tudo ficou a mais absoluta escuridão.

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