Compartir

Cap. 6

last update Fecha de publicación: 2025-05-21 04:26:46

Capítulo 6

Manha seguinte pos acontecimentos.

A casa estava silenciosa, como se o próprio ar estivesse evitando tocar no nome dela.

Rafael encarava a xícara de café em mãos, ainda vestido com a mesma camisa amarrotada da noite anterior a que havia usado para substituir a que estava suja e encharcada. A mãe dele, Lívia, entrou na sala apressada, segurando o celular com força.

— Você já tentou ligar pra ela hoje? — ela perguntou, com a voz aflita, como se estivesse tentando evitar entrar em pânico.

Rafael balançou a cabeça com um meio sorriso forçado.

— Mãe... Angela nos abandonou. Fugiu. É isso. Não tem mais o que pensar.

Lívia parou, incrédula.

— Fugiu? Como assim, Rafael? Vocês estavam casados! Tudo estava pronto, acertado. Ela sabia o que estava em jogo! Hoje era para você estar começando a tomar posse dos bens que são seus por direito! — ela bateu o pé com força.

Ele deu de ombros, olhando para a janela como se esperasse vê-la surgindo de algum canto do jardim, ao mesmo tempo que sentiu receio dos próprios pensamentos.

— Pois é... e mesmo assim, sumiu. No pior momento. No dia seguinte à assinatura dos papéis. Como se tudo não tivesse significado nada pra ela, não sei como meu tio vai reagir quanto a isso...

— Isso é impossível — Lívia se irritou, batendo o celular na mesa. — Angela não faria isso! Ela aceitou esse acordo por você. Por todos nós! Ela sempre se mostrou sincera, a não ser... — a voz dela sumiu desconfiada.

O silêncio foi quebrado pela entrada de Kellen, com os cabelos impecavelmente presos e um ar ensaiado de preocupação.

— Eu sempre desconfiei... — murmurou ela. — Angela nunca foi estável. Tinha um ar meio... impulsivo.

Lívia virou-se para ela, os olhos se estreitando.

— E você? Você não sabe de nada? Não ouviu, não viu nada? Você estava lá, Kellen, como você esta aqui hoje, mas sua irmã desapareceu? Vocês dois não estão aprontando, certo?

Kellen ergueu as sobrancelhas, fingindo indignação.

— Eu já disse, não vi nem ouvi nada. Só sei que ela estava estranha ultimamente. Pensando demais... talvez tenha se arrependido.

— Isso não faz o mínimo do sentido já que quem ganharia mais com isso seria ela, porque despareceria assim? Não tem a mínima logica!

Um silêncio constrangedor tomou conta da sala.

Foi então que a voz grave e fria de Lúcios se impôs do alto da escada.

— Ganhar o quê e quem desapareceu?

Todos se viraram ao mesmo tempo. Lúcios, com sua presença imponente mesmo na cadeira de rodas, os encarava com os olhos semicerrados. Tinha acabado de chegar com uma expressão cansada ainda assim elegante com seus trajes impecáveis como sempre mesmo em uma cadeira de rodas.

— Eu ouvi você dizer, Lívia... estávamos prestes a ganhar, Ganhar o quê?

O coração de Rafael disparou. Lívia engoliu em seco.

— É... é modo de dizer, Lúcios — tentou justificar, dando um passo à frente. — Você sabe, estávamos felizes pelo casamento... tudo isso era uma grande conquista para a família.

Lúcios arqueou uma sobrancelha, sem desviar o olhar de Rafael.

— Que curioso. Porque, pra mim, parecia que a única pessoa que conquistou alguma coisa... foi aquela mulher repudiável, já que ela acabou de entrar para a nossa família.

— tio! Ela está desaparecida, supostamente ela deve ter fugido, eu... parece que ela me enganou.

— Você tem provas, afinal se ela fez significa que metade da herança ainda não poder ir para suas mãos já que o acordo não foi cumprido.

— espere tio, por favor! — Rafael suplicou.

O silêncio se instalou mais uma vez, dessa vez carregado de culpa, medo e suspeita, lúcios apenas o encarou com um sorriso de deboche e se virou na intenção de ir embora.

O som das botas de Rafael contra o piso de mármore ecoava como o de um réu se aproximando do juiz. Ele se aproximou devagar, os ombros curvados, a cabeça baixa. Diante dele, Lúcios, impassível em sua cadeira de rodas, observava-o como um predador entediado diante de uma presa fácil.

— O que você quer?

— você tem que cumprir a sua palavra, você disse que depois do casamento eu poderia ser herdeiro...

— Calado! O que acha que eu sou para você?  — Lucio asseverou com um olhar frio para o homem ao seu lado, seu assistente que estava contigo todos os momentos.

Um sujeito magro com olhar afiado, entendeu o comando com perfeição. Sem hesitar, ergueu a bengala e acertou com precisão cruel a panturrilha de Rafael, que caiu de joelhos com um gemido abafado.

— Você acha que eu sou cego, Rafael? — a voz de Lúcios era baixa, mas cortante. — Acha que não sei dos produtos desviados, dos números alterados, das encomendas fantasmas?

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Obsessão pelo tio do meu marido.   Cap.166 Encerramento

    Cap.166Ângela seguiu até a cozinha e encontrou a mulher sentada, enquanto os empregados a serviam. Ela mal sabia dizer do que gostava ou não; parecia que nada que era posto na mesa lhe era familiar.Assim que viu Ângela, afastou-se da comida como se estivesse sendo proibida de tocar.— Tia... desde que você foi embora, se casou cedo... a gente não tinha te visto mais. Que saudades! — Ângela disse, indo em sua direção e a abraçando.— Obrigada por me receberem... eu não sabia para onde ir.— Você não precisa ter medo. Quero que more comigo. Vou te oferecer um lar, segurança e, se você quiser, pode me ajudar com os trigêmeos. Preciso de alguém que cuide deles comigo, e eu quero que você tenha uma chance de recomeço também ao meu lado. O que acha?Helena engoliu em seco, os olhos marejados.— Você... faria isso por mim? — sua voz saiu quase sussurrada.— Sim. — Ângela sorriu, sincera. — Todo mundo merece uma segunda chance. Você vai estar segura aqui.Ângela se sentou próxima a ela, olh

  • Obsessão pelo tio do meu marido.   cap.165

    Cap.1652 meses depois.Lúcios e Ângela estavam finalmente casados, e agora parecia que as coisas estavam retomando ao seu lugar, ou indo por novos caminhos, já que tudo precisava se realinhar e se reorganizar.Abigail havia deixado de lado os projetos que Ângela também desistira, e agora trabalhava como professora de meio período na faculdade. Mesmo que apenas para ocupar o tempo, parecia que, aos poucos, as determinações de cada um já não faziam mais sentido.Enquanto a aula não começava, ela estava sentada no pátio, conversando com Júnior.— Que engraçado, não é? De repente todas as nossas obstinações se tornaram nada quando Kellen morreu. Quem imaginaria que as nossas ambições estavam dependendo dela para continuar?— Verdade, eu também não vejo motivo para continuar com as pesquisas. Me sinto egoísta por isso, porque devíamos continuar e salvar pessoas.— Mas soube que Lúcios não abriu mão. Ele disse que contratou novos especialistas e que as portas estariam sempre abertas, já qu

  • Obsessão pelo tio do meu marido.   cap.164

    Cap.164Arthur pegou o tablet que trazia consigo. Um simples toque fez a tela acender, revelando imagens que Ângela não reconheceu de imediato. Até que o coração dela parou por um instante: era o dia do parto.O vídeo mostrava a correria dos médicos, os equipamentos sendo preparados e, no centro da sala, ela mesma, desacordada e em estado crítico.O som da gravação trazia ordens rápidas, urgentes, e um detalhe a fez prender a respiração: Lúcios. Ela o reconheceu no processo da cirurgia; viu-o cuidando dela, viu o vídeo dele e soube que foi ele quem salvou as crianças e fez o parto acontecer com segurança, sem arredar o pé, os olhos fixos nela como se sua vida dependesse disso.Ângela levou a mão à boca, trêmula.— N-não… — murmurou, em choque. — Pai… não foi o senhor?Arthur a fitou, sério, sem desviar o olhar.— Eu não estava apto para realizar a cirurgia. Se tivesse tentado… teria perdido você e as crianças. — A voz dele vacilou por um instante. — Foi Lúcios quem a salvou. Ele… e ap

  • Obsessão pelo tio do meu marido.   cap.163

    Cap.163O dia seguinte amanheceu cinzento, o céu carregado parecia chorar junto com todos. O caixão de Kellen, fechado, repousava diante do pequeno cortejo. Flores brancas o cercavam, mas nada era capaz de aliviar a sensação de tragédia que pairava no ar.Ângela mal conseguia ficar em pé. Os olhos marejados, a pele pálida, o corpo curvado como se todo o peso da dor tivesse se alojado em suas costas.Abigail e Júnior a amparavam de cada lado, sustentando a amiga que parecia desabar a cada passo.Kaedra se aproximou lentamente. O semblante que sempre fora firme agora estava desfeito.O choro vinha em soluços sufocados, o orgulho que sempre a acompanhava tinha desaparecido.Ao se ajoelhar diante do túmulo, a mulher que parecia inabalável se rendeu ao peso da culpa.— Me perdoa, minha filha… — murmurou, com a testa encostada na pedra fria. — Me perdoa pelas vezes que não disse que te amava. Me perdoa por ter escolhido caminhos errados acreditando que te salvaria… quando só te machuquei at

  • Obsessão pelo tio do meu marido.   cap.162

    Cap.162Kaedra atravessava o portão principal do hospital apressada, os passos firmes, mas o coração inquieto. Mal teve tempo de respirar quando Miquelangelo surgiu diante dela, o rosto transtornado.— É sua culpa! — gritou, a voz embargada pela fúria e pela dor. — Se não fosse você, Ângela e Kellen nunca teriam sido atacadas! Elas quase foram mortas, Kaedra! Ângela levou uma facada! Você sabe o quanto isso é grave?Kaedra parou, o corpo rígido. O olhar dela vacilou, perdida entre orgulho e culpa.— Eu… eu não sabia que isso aconteceria — murmurou, sem forças. — Sinto muito, Miquelangelo… eu juro que sinto muito.As palavras mal haviam saído quando um som seco, terrível, ecoou alguns metros atrás deles. Algo havia caído com violência, atraindo o olhar dos dois.Miquelangelo foi o primeiro a ver. Não precisou se aproximar para reconhecer. O rosto dele empalideceu instantaneamente, as mãos subiram para cobrir a boca. Ele recuou, cambaleando, balbuciando como se não quisesse acreditar.—

  • Obsessão pelo tio do meu marido.   cap.161

    Cap.161O sol entrava timidamente pelas janelas do hospital, refletindo nas paredes brancas e esterilizadas.Ângela abriu os olhos lentamente, sentindo a cabeça pesada, mas logo percebeu que não estava mais em casa, e sim em um quarto de hospital. Não tinha ideia de quando foi socorrida ou do que aconteceu depois. Seu lado doía de forma irritante, a ponto de mal conseguir se mover. Seus olhos se arregalaram ao se lembrar de Kellen, mas suspirou aliviada ao vê-la ali. Ainda assim, a dor em seu corpo a lembrava de que nada do que aconteceu tinha sido mentira; a cena de Kellen e toda aquela loucura estava gravada em sua mente.Ao seu lado, Kellen respirava de forma irregular, os olhos arregalados e molhados de lágrimas.— Kellen… — Ângela chamou baixinho, segurando a mão dela ao se esticar até a cama ao lado. — Está acordada.Kellen se virou, quase tremendo, e encarou a irmã com um olhar que misturava medo, culpa e desespero.Cada lembrança da noite anterior parecia gravada em sua mente

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status