Compartilhar

Capítulo 2

last update Data de publicação: 2024-01-22 20:31:24

Cadu

Meu nome é Carlos Eduardo Viturino, mais conhecido como Cadu. Tenho dezenove anos e moro em São Francisco, Califórnia. Sou brasileiro de nacionalidade, mas nos mudamos para os Estados Unidos quando eu tinha apenas seis meses de vida e como não adquiri nenhum costume de meu país de origem, me considero americano.

Cresci aprendendo os dois idiomas e ao longo dos anos, fiz aulas particulares de Língua Portuguesa a mando de meu pai, mas nunca tive a intenção de voltar ao Brasil. Minha vida é, e sempre será aqui.

Como sempre estudei com os mesmos colegas de turma e a maioria escolheu cursar arquitetura por vontade própria — que não é o meu caso — novamente vamos estar juntos durante mais quatro anos. E como todos já sabem, o título de popular continua sendo meu.

A verdade é que eu não sou nada modesto e adoro ver as garotas se jogando aos meus pés. Não tenho problema algum em admitir que pego várias ao mesmo tempo, mas todas sabem e se elas não se importam, eu menos ainda.

A loira que vive em cima de mim é a Madison. Eu pego ela desde o ensino médio, e por isso ela pensa que tem algum direito sobre mim. Mas não tem. Às vezes vem com uma ideia torta, querendo assumir um relacionamento que não existe, mas eu já deixei claro que comigo não tem essa de namoro. Se quiser continuar me dando vai ser assim. Do contrário, tem várias querendo preencher a vaga.

Ainda à pouco esbarrei com uma gatinha que apesar de ter se mostrado arisca, parece uma princesa da Disney, com aquele belo par de olhos azuis vibrantes e um cabelão preto, que aliás, aparenta ser muito bem cuidado. Ela tem um corpo escultural… curvas perfeitas, seios avantajados e uma bela bünda, que eu já imaginei sentando em mim como se não houvesse amanhã. O único problema, é que ela também já mostrou que tem uma personalidade fortíssima, o que me deixou em um tremendo misto de devo me afastar e não vou desistir.

Eu estava tão distraído, perdido em meus pensamentos, que só me dei conta que estava distante quando voltei a realidade com Madison pressionando meu braço.

— Não está me ouvindo, Cadu? Eu estou falando com você! — Ela reclamou.

Olhei preguiçosamente para ela e tirei o celular do bolso, para me certificar de que não havia quebrado.

— O que você quer, hein?

— Pensa que não vi o jeito que você olhou para ela? — Ela continuou com seus chiliques.

Eu dei de ombros.

— E daí? Que eu saiba, não devo satisfação a ninguém. Por isso, posso ficar com quem eu quiser.

— Com aquela vädia, não!

É claro que eu ri do absurdo que ouvi. Madison está confundindo seu posto.

Tranquilamente guardei o celular outra vez no bolso e olhei para ela enquanto dizia:

— Olha só, vamos deixar uma coisa bem clara aqui, outra vez. Você está fantasiando coisas que não existem entre nós. Se quer romance vai ler um livro, porque comigo já sabe como funciona, então não se confunda. Agora pare de se intrometer na minha vida e vamos para a aula. O sinal já tocou. — Falei e saí andando.

Ela me acompanhou tagarelando feito uma matraca quebrada, mas eu nem dei atenção.

Ao entrar na sala de estudos, meus olhos cruzaram justamente com os da única pessoa que eu jamais poderia imaginar que estaria na mesma turma que eu: a princesa estressadinha. Ela estava sentada na segunda carteira da fileira da janela, então eu me sentei no último lugar da fileira da porta, assim posso observá-la melhor. Nosso primeiro encontro não foi dos melhores, por este motivo preferi me manter um pouco afastado.

Após todos se acomodarem, o professor começou a se apresentar:

— Bom dia, classe! Meu nome é Elliot Franklin, eu sou o professor de desenho artístico. Nós vamos trabalhar juntos durante o primeiro ano letivo. Aos poucos vamos nos conhecendo, e então eu irei associando os rostos aos nomes, mas agora quero fazer uma breve explicação do que aprenderemos ao decorrer deste tempo. Prestem atenção.

Ele virou-se para a lousa e então começou a construir um resumo que chamou de pontos mais importantes.

— Iniciaremos o curso através dos Fundamentos Básicos do Desenho, onde ensinarei sobre estrutura e proporção, luz e sombra, passando pela anatomia humana e animal, até chegar na perspectiva artística, desenvolvendo toda a sua capacidade criativa para que com o meu auxílio, vocês possam encontrar seu estilo próprio e os temas que irão assinar suas obras futuramente. — Ele fez uma pausa para se certificar de que todos estavam prestando atenção. — Além disso, na etapa final já terão noção sobre a teoria das cores e suas harmonias, conteúdo que possibilitará que obtenham melhores efeitos em seus projetos artísticos. Agora podem copiar! — Ele sentou-se em sua cadeira e nos deu um tempo para que pudéssemos concluir a anotação.

Comecei a escrever e no meio do processo me distraí, olhando na direção da novata. Ela estava séria e concentrada no que fazia. Seu cabelo preto e liso, caía no rosto o tempo todo, mesmo que ela o colocasse atrás da orelha. Mais algumas tentativas de fazê-lo parar no lugar e ela desistiu e soltou a caneta. Com delicadeza ela o envolveu em um coque despojado e ao terminar, olhou para trás. Seus olhos penetrantes cruzaram com os meus, e eu me senti como no primeiro instante em que nos vimos. Uma sensação desconhecida, mas positiva. Era como se eu quisesse me aproximar e ao mesmo tempo me afastar. Chega a ser louco!

O contato visual não durou mais do que alguns segundos. Ela revirou os olhos, outra vez pegou a caneta e voltou sua atenção para o quadro. Aquela atitude me deixou incomodado. Quem ela pensa que é para me tratar assim?

Tirando-me de meus devaneios, o professor se levantou, correndo os olhos pela sala.

— Todos terminaram?

Algumas vozes responderam em um uníssono “não”.

Elliot nos deu mais alguns minutos para terminar. Eu olhei para o quadro e corri para terminar minhas anotações. Assim que todos terminaram, ele prosseguiu.

— Chegou a hora de colocar em prática meu modo de lecionar. Por favor, dividam a sala em dois grupos.

Madison mal esperou que ele terminasse de falar e já colou em mim. Aquela gatinha marrenta juntou-se ao outro pessoal, onde Emilly estava. O professor colocou dois potes sobre a mesa dele e continuou:

— Escrevam seus nomes em um pedaço pequeno de papel, dobrem e coloquem nestes potes. O lado da porta será o grupo A. O lado da janela, grupo B. — Falou indicando as turmas. Nós fizemos o que ele disse.

Quando voltamos para nossos lugares, ele embalou os nomes do grupo A em uma folha, amassou e guardou em sua pasta.

Ver aquilo me deixou confuso. O que diabøs este homem está fazendo?

— Vocês devem estar se perguntando o porquê disso tudo, e eu vou explicar. Eu costumo trabalhar com duplas, as quais serão trocadas no início do próximo semestre. Cada membro do grupo A, sorteará um nome do grupo B para que as duplas se formem

— Professor! — Emilly o interrompeu. — Por que não deixa que nós mesmos escolhemos com quem queremos estudar?

— Essa com certeza é a dúvida de toda a turma. — Ele fez um sinal com a mão, apontando para ela. — Boa pergunta, senhorita… qual é o seu nome?

— Emilly.

— Bom, respondendo a pergunta da nossa colega, Emilly, não permito por razões óbvias. Vou dar um exemplo: vamos supor que nesta turma haja um casal. Claro que ambos vão preferir estudar juntos. Porém, qualquer desentendimento entre eles, irá atrapalhar o desempenho acadêmico. É exatamente isso que o sorteio evita.

— Mas pode acontecer de um sortear o outro, não pode?

— Dificilmente. Mas essa é outra pergunta interessante! Quando pedi a divisão da turma, os possíveis casais que existam aqui, com certeza foram para o mesmo lado. Este também é o motivo que me levou a guardar os nomes do grupo A em minha pasta. Vou jogar somente no lixo da minha casa, para evitar a manipulação das duplas em benefício próprio. Alguém tem mais alguma dúvida? — Ele outra vez olhou para todos e como ninguém se manifestou, ele concluiu. — Bom, então vamos dar continuidade. Vou pedir que não abram ainda.

Ele começou a caminhar entre as carteiras e cada um foi tirando um papel. Após todos pegarem, o professor voltou para a frente da sala e pediu que fôssemos falando os nomes das duplas. Aos demais, orientou que levantassem a mão, conforme ouvissem seus nomes.

— Eu gosto de ser bem aleatório, então vamos começar pelo fundo. Você aí, na última carteira… qual é o seu nome? — Indagou apontando para mim.

— Carlos Eduardo, mas pregiro ser chamado de Cadu!

— Ok! Cadu, leia em voz alta o nome que você sorteou.

Tranquilamente desdobrei o pedaço de papel em minhas mãos e fiquei desapontado ao ver um nome desconhecido. Enchi os pulmões de ar e soltei, então olhei para o professor e falei:

— Verônica.

A sala inteira permaneceu em silêncio e nem uma aluna se manifestou, o que me levou a pensar que a tal Verônica havia faltado. Olhei para Emilly e ela estava segurando o riso, isso me deixou intrigado. Antes que eu pudesse concluir meu pensamento, Eliot intercedeu.

— Senhorita, Verônica, está presente?

Foi neste momento que quem eu menos esperava, levantou a mão.

— Sou eu!

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • Orgulho e Paixão    Capítulo 53

    Cadu Chegamos no prédio e fomos direto para o elevador, indo para o último andar onde fica o escritório do meu pai. Quando as portas se abriram, eu estava com a mão no quadril da Verônica, mas o que eu não esperava era ver aquele monte de gente saindo da sala de reuniões no final do corredor, inclusive meu pai, Lorenzo e Enrico. Meu coração deu um salto e pareceu parar no mesmo instante. Eu senti os músculos do meu rosto se contraírem, tentei sorrir mas foi em vão. Verônica percebeu minha tensão. — Cadu? O que houve? Você está gelado! — Não é nada, baby. Eu estou bem. — murmurei baixinho, tentando melhorar minha expressão, enquanto sentia as mãos transpirando. Não tive tempo de pensar em uma resposta melhor. Meu pai já estava caminhando em nossa direção, com Lorenzo e Enrico atrás dele. Quando chegaram perto, o olhar que meu pai me lançou, dizia: “cuidado com o que você vai dizer.” — Filho, não esperava você por aqui hoje. — ele olhou para Verônica com um sorriso educado. — Como

  • Orgulho e Paixão    Capítulo 52

    CaduAcordei com o sol entrando pela janela e um sorriso que não cabia no meu rosto. Pulei da cama, quase tropeçando no cobertor que havia rolado para o chão e corri para tomar banho. Em alguns minutos eu já estava pronto: camiseta e tênis brancos, calça jogger e jaqueta de couro, pretas. Estava arrumando a mala, quando Sophia entrou no meu quarto com uma pilha gigante de toalhas e lençóis cheirosos de amaciante. Quando me viu, parou de repente na porta.— Caramba! Você acordado às seis da manhã num sábado? Parece que as coisas estão mesmo mudando por aqui! — ela pôs as roupas de cama na minha cama, ajeitou o cobertor que eu tinha deixado no chão e olhou para mim com um sorriso divertido. — Eu encontrei algo esses dias, quando estava lavando suas roupas… caiu do bolso da sua bermuda azul, aquela que você usa para dormir. Estava só esperando você aparecer com essa cara de quem ganhou na loteria para perguntar… — ela meteu a mão no bolso do avental, tirou uma calcinha de renda branca e

  • Orgulho e Paixão    Capítulo 51

    CaduA porta do carro fechou e eu liguei o motor. O caminho até Vale do Silício começou em silêncio, um silêncio que pesava o ar, tão incômodo que eu quase ouvia o barulho dele. Não consegui aguentar por mais de cinco minutos: alcancei o botão do rádio e aumentei o volume, só o suficiente para não ficar mudo, mas também não para não podermos conversar, caso ela quisesse.A primeira nota suave de Because of You do Ne-Yo começou a soar pelos alto-falantes e eu senti ela se encolher na poltrona do passageiro. Olhei por cima do ombro e a vi levantar a mão e começar a mexer no próprio cabelo, passando os dedos por trás da orelha, sem parar. Nervosa. É claro que ela ficou nervosa! Aquela música era nossa. A música que eu toquei e cantei pra ela no meu quarto, naquele dia que nunca saiu da minha cabeça.Verônica passou toda a viagem olhando pela janela, de frente para o céu laranja que já começava a pintar o fim do dia. Mas eu não sou bobo: toda vez que eu dava uma olhada rápida nela, conseg

  • Orgulho e Paixão    Capítulo 50

    VerônicaDiante daquela situação, eu não tinha outra alternativa a não ser tentar me explicar, mesmo sabendo que seria difícil pra caramba. Olhei para o Benjamin, que parecia confuso, e disse:— Já volto.Levantei e saí rapidamente da cafeteria, mas quando a porta bateu atrás de mim, Cadu já estava atravessando a rua.— Cadu, espera! — gritei, mas ele nem diminuiu o passo. Aquele orgulho me irritava, mas eu precisava que ele entendesse. Ele tinha que saber a verdade, não a versão distorcida que sua mente maluca havia criado.A buzina estridente de um carro me assustou, mas, ver o Cadu se afastando me impulsionou para frente. Ignorei os olhares furiosos dos motoristas e continuei correndo, porque, no fundo, eu não queria nem pensar na hipótese de me afastar dele. Cadu já tinha se tornado mais importante do que eu tinha coragem de admitir em voz alta, e a ideia de perdê-lo doía mais do que eu poderia imaginar.Finalmente o alcancei, e o agarrei pelo b

  • Orgulho e Paixão    Capítulo 49

    Verônica Assim que fechei a porta do apartamento, um suspiro de alívio escapou dos meus lábios. Que manhã! Eu precisava urgentemente de um momento de silêncio, porque a veia da minha cabeça estava prestes a explodir. A enxaqueca estava me matando. Tomei um banho morno e vesti roupas leves, depois fui para a cozinha, preparar um macarrão instantâneo.— Uau, que cheirinho bom! Cozinheira de mão cheia agora? Faz um pouco pra mim? — Isabella invadiu a cozinha, carregando sacolas de compras. — Passei no mercado e trouxe frutas frescas. Vou fazer uma salada. Quer?A tagarelice dela é um sinal claro de nervosismo, uma forma de evitar encarar algo que a incomoda.— Oi, Isa! Claro, quero sim. Mas deixa a salada de frutas pra depois, porque já vou servir o macarrão. Assim, você pode me contar o que está te deixando inquieta, enquanto nós almoçamos. — Falei, pegando os pratos e servindo as porções.Ela inspirou, arrastando uma cadeira para se sentar à mesa.— É o Vinícius… ele quer me apresenta

  • Orgulho e Paixão    Capítulo 48

    Cadu— E chegamos à Fallingwater, a Casa da Cascata de Frank Lloyd Wright, — o professor Elliot anunciou, e a imagem da icônica casa, equilibrada sobre a cascata, surgiu no telão. — Wright não apenas projetou uma casa, ele criou uma simbiose perfeita entre a arquitetura e a natureza. Observem como as linhas horizontais da construção ecoam as camadas rochosas, como a água se torna parte integrante do espaço habitável.Simbiose perfeita, arquitetura e natureza… blá, blá, blá. A casa é legal, não vou mentir, mas eu não consigo prestar atenção. Minha cabeça está em outro lugar, mais especificamente, nas últimas duas semanas com a Verônica. A gente tem se visto quase todas as noites, e nos finais de semana, somos quase inseparáveis. Temos nos divertido pra caramba, rindo de coisas idiotas, descobrindo lugares novos nas outras cidades. Mas, sei lá, às vezes ela parece meio distante, como se estivesse com a cabeça em outro lugar também.— A Casa da Cascata é um manifesto da arquitetura orgân

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status