LOGINLeonor Montenegro é amiga de infância de Darían Al-Assad. E a vida familiar os levou a trabalhar na mesma empresa. Enquanto Darían é o respeitado CEO da Titanium, uma renomada empresa de engenharia e arquitetura, Leonor atua como arquiteta, movida muito mais pela paixão do que pela necessidade. Entre reencontros, lembranças do passado e desafios profissionais, ambos descobrirão que o destino pode ter planos muito diferentes daqueles que imaginaram. Será que uma antiga amizade está prestes a se transformar em algo muito maior?
View MoreOi, Leonor! Me passa o arquivo dos projetos daquele prédio da cidade de Fortaleza.
— Oi, Naomi. Vou enviar para o seu e-mail. Ainda não fiz a impressão. — Tudo bem. Peço para a Abigail imprimir. Você vai mesmo para a Conferência, Leonor? — Sim, Irei. Próxima semana viajo para São Paulo para uma Conferência Internacional. Fiquei pensativa. Dá um frio na barriga só de pensar que não estarei em casa no próximo final de semana. Mais um dia comum na empresa. Às vezes fico pensando se tudo o que estudei foi em vão... — Leonor, está na hora do café! Vamos? — O quê? — Mulher, para de pensar na morte da bezerra! Você vive no mundo da lua. Sorri de leve. — Ah... sim. Vamos. Assim que chegamos à copa, Eduardo olhou para mim e sorriu. — Ei, Leonor, você tem folga no sábado? — Não tenho, Eduardo. — E quando vai ter? Você vive trabalhando. Tem que pegar mais leve. Antes que eu respondesse, Henry percebeu um homem mais velho me observando. — Quem é aquele velho que está olhando para você, Leonor? — Um dos investidores da empresa. Naquele instante, o investidor se aproximou com um sorriso que me causou arrepios. Ei, Leonor. O café está acabando. Poderia pegar um pouco para mim? Permaneci em silêncio. Então ele continuou e piscou um olho para mim. — Poderia levar na minha sala? Olhei para ele e mantive a calma. — Com licença, Senhor. A máquina de café fica logo ali. O senhor pode se servir, se desejar. Ele franziu a testa. — Você não pode trazer um café para mim? Respirei fundo antes de responder. — Não, senhor. Sou arquiteta da Titanium. Estou aqui para desenvolver projetos, não para servir café. Se o senhor quiser um, fique à vontade para fazer o seu. O ambiente ficou em silêncio. E Abigail começa a tossir. O investidor sorriu com ironia. — As mulheres de hoje perderam a educação. — Não, apenas aprendemos que respeito e profissionalismo valem para todos. Arregalei ainda mais os meus olhos. Assustada, senti a indignação tomar conta de mim. Ele chega perto de mim e sussurra. —Mas bem que mulher só deveria servir café. iArregalei ainda mais os meus olhos. Assustada, senti a indignação tomar conta de mim. — O quê? Seu velho descarado! Sem pensar duas vezes, dei um tapa no rosto dele. Ele levou a mão ao rosto, completamente indignado. — Você ficou maluca, menina? Tem ideia do que fez? Eduardo se colocou entre nós. — Olha, vamos até a sala do Darían. O senhor acabou de cometer dois erros gravíssimos. Na verdade, isso é crime. — Crime?? Eu só pedi um café!! — Mas o senhor poderia preparar o seu próprio café. Não há motivos para que a Leonor o leve para a sua sala. Disse Henry como se fosse um padre dando sermão. Enquanto Eduardo e Henry conduziam o investidor até a sala do Darían, minhas amigas tentavam me consolar. Mas eu já sabia quem era aquele homem. Alguns dias antes, ele havia me convidado para um jantar no Angel Parque. Naomi me olhou surpresa. — Você conhece um desses investidores? Mas você só faz os desenhos da empresa. Meu coração acelerou. Fiquei preocupada que elas descobrissem a verdade. Respirei fundo antes de responder. — Eu o conheci em uma apresentação de trabalho aqui na empresa. Ele esteve presente naquele dia. Elas pareceram acreditar na minha resposta. Mesmo assim, eu sabia que não poderia esconder aquilo para sempre. Preciso criar coragem para contar às minhas amigas que sou CEO e proprietária de outra empresa. Trabalho aqui apenas desenvolvendo os projetos de arquitetura para contribuir com a empresa da minha tia. Suspirei profundamente. Talvez tenha chegado a hora de seguir outro caminho. Abigail me olhou apreensiva. — Acho que o Darían não vai dizer nada. Aquele homem é um investidor importante. Respirei fundo. — Vocês me dão licença? Vou passar no RH. Ela arregalou os olhos. — Leonor... você não vai pedir demissão, vai? Olhei para ela e tentei sorrir. — Gente, eu só preciso de um tempo. Vou sair um pouco para respirar. Eduardo e Henry se aproximam. — Eu sinto muito pelo acontecido. Disse Henry me dando um abraço. E depois Eduardo. — Bem que eles merecia uns t***s. Disse Eduardo furioso. Naomi logo intervém falando. — Calma, gente. Tudo será resolvido. Caminhei até a sala do Darían. Meu coração estava acelerado. Bati na porta. — Pode entrar. Entrei e fechei a porta atrás de mim. — Oi, Darían... Vim pedir demissão. Ele levantou a cabeça imediatamente. — O quê? Que história é essa, Leonor? Só porque aquele homem pediu um café? E aqui como você sabe aqui não é o RH. Balancei a cabeça. Ele apenas ergueu uma sobrancelha. — Que Problema foi esse, Leonor, hein??! Balancei a cabeça. "Nem parece aquele menino que cresceu comigo. Às vezes me pergunto se o melhor não seria deixar essa empresa de uma vez por todas." Mas, no fundo, eu sabia que aquela história entre nós dois estava longe de terminar. — Engraçadinho. Não é isso, e você sabe muito bem. — Então é o quê? — Eu preciso focar mais nas minhas coisas. Na minha empresa. Quando você precisar de mim, pode me ligar. Eu sempre vou ajudar. Darían cruzou os braços. — Você trabalha aqui só no período da tarde e está dizendo que não consegue conciliar? Parece que está procurando qualquer motivo para ir embora. Aquilo me irritou. — Engraçado... você prefere criticar a minha decisão do que enxergar o que realmente aconteceu. Eles estavam fazendo comentários misóginos, dizendo que nós, mulheres, servimos apenas para levar café aos homens. Ele passou a mão no rosto. — Eu entendo que o seu orgulho ficou ferido. Aquele sujeito é um completo sem noção. Mas você não precisa sair da empresa por causa dele. Suspirei. — Não é por causa dele. Eu estou cansada, Darían. Preciso de um tempo para mim. Ele ficou em silêncio por alguns segundos. Depois perguntou em um tom mais baixo: — Vai me abandonar, Leonor? Meu coração apertou. — Eu nunca abandonaria você. Só preciso focar mais na minha empresa. Vou continuar te ajudando no que for possível. Mas isso é chantagem emocional, Darían! Você não pode usar a nossa amizade para me fazer ficar Ele desviou o olhar. Respirei fundo antes de sair da sala do Darían. Ainda estava magoada, mas decidi ouvir o conselho dele e ir para casa. Peguei a pasta e saí da empresa bufando. Enquanto caminhava pelo estacionamento, não consegui evitar o pensamento. "Que homem mais orgulhoso..." No dia seguinte... — Leonor, está tudo bem? — perguntou Abigail, aproximando-se. — Está sim, Abigail. E contigo? — Estou bem, mas fiquei preocupada com você. Naomi também se aproximou. — Leonor, aquele projeto foi um sucesso! Os investidores elogiaram muito o seu trabalho. Está todo mundo comentando. Você merece esse reconhecimento. Sorri de leve e respondi: — Obrigada, Naomi. Seguimos em direção à copa. — Vamos tomar um café? — sugeriu Abigail. — Vamos. Respondi um pouco desanimada. Enquanto preparavam o café, Cora entrou na sala. — Sinceramente, acho que aquele senhor não falou nada demais. Homem é assim mesmo. Você exagerou. A encarei, decepcionada. — É justamente por pensamentos como esse que tantas mulheres deixam de denunciar o desrespeito. Quando uma mulher minimiza o que outra sofreu, o problema nunca acaba. Cora apenas deu de ombros e saiu. As palavras dela ficaram ecoando na minha mente. Não era apenas o investidor. Era a naturalidade com que algumas pessoas tratavam aquele comportamento.Começo a digitar uma resposta para tranquilizá-la. “Está tudo bem, mãe. Eu só tirei uns dias de folga da Titanium porque já tinha adiantado algumas coisas. Mas hoje preciso passar na empresa Montenegro para acompanhar a questão dos orçamentos do Projeto Marisol. Como o projeto vai se estender pelos próximos seis meses, precisamos continuar avaliando os custos e fazendo os ajustes necessários ao longo desse período. Paro por um instante antes de continuar: “Depois, vou para a minha empresa. Também tenho algumas coisas para resolver por lá e um trabalho que preciso finalizar. Então meu dia vai ser um pouco corrido, mas está tudo bem. Não precisa se preocupar comigo.” Ela me manda outra mensagem. **Mãe:** “Tudo bem, filha. Quero lhe ver logo. Posso ir ao seu apartamento?” Sorrio ao ler. **Eu:** “Pode, mãe. Eu já estou indo para a empresa.” Poucos segundos depois, ela responde: **Mãe:** “Ah, então nos vemos lá.” Coloco o celular sobre a cama e me levanto. Vou t
Depois do passeio, decidimos parar em um restaurante antes de voltar para a Casa do Lago. Ainda estava com a sensação agradável daquela tarde. O passeio de bicicleta, o sorvete, as risadas... por algumas horas, eu havia conseguido esquecer todos os problemas. No restaurante, a música “Se lembra coração” na voz de Lucy Alves e Waldonys, começa a tocar. Algumas pessoas se levantam e começam a dançar, deixando o ambiente ainda mais leve e descontraído. Darían olha para mim e sorri. — Quer dançar, Leonor? Olho para ele, um pouco surpresa. — Eu não danço muito bem. Ele arqueia uma sobrancelha, divertido. — Está tímida? — Não estou. Ele estende a mão para mim. Por alguns segundos, fico apenas olhando para aquela mão, como se aceitar significasse atravessar uma fronteira invisível. Então, sorrio e seguro sua mão. Darían me conduz até o espaço onde algumas pessoas dançavam. Coloco uma das mãos em seu ombro, enquanto ele segura delicadamente a minha cintura. Começamos
Por alguns segundos, nenhum de nós fala. — O que foi? — pergunto. — Nada. — Então por que está me olhando desse jeito? Ele sorri de canto. — Porque você fica bonita quando tenta fingir que não está nervosa. Sinto meu rosto esquentar. — Eu não estou nervosa. — Não? — Não. Ele dá um pequeno passo para trás. — Então olha para mim e repete. Encaro seus olhos. Tento falar, mas as palavras não saem. Darían sorri. — Foi o que pensei. — Você é muito convencido. — E você gosta de me provocar. — Talvez. — Talvez? Ele se aproxima novamente, mas para antes de chegar perto demais. Meu coração dispara. — Darían... — O quê? — Você não deveria estar cozinhando? Ele olha para a cozinha. — Deveria. — Então vá. Ele ri. — Está bem. Começa a se afastar, mas antes de voltar para o fogão, olha novamente para mim. — Só uma coisa. — O quê? — Se continuar me olhando assim, o almoço vai demorar. Fico sem resposta. Ele volta para a cozinha.
Baixo os olhos para o livro. — Melhor continuar cozinhando. — Está tentando fugir da conversa? — Estou tentando ler. — E está conseguindo? Olho para a mesma página. — Não muito. Ele solta uma risada baixa. Alguns minutos depois, Darían se aproxima para pegar alguma coisa na mesa ao meu lado. — Quer experimentar? — Agora? — Só um pouco. Ele se inclina e me oferece uma pequena porção. Provo. — Está muito bom. — Eu disse. — Não fique convencido. — Difícil, depois desse elogio. Ele permanece ali, perto demais. Levanto os olhos e encontro os dele. Quando chegamos ao quarto, Darían me colocou cuidadosamente sobre a cama. Ele se sentou ao meu lado. Olhei para ele. — Obrigada por ficar ao meu lado. Ele segurou minha mão. — Eu prometi que não deixaria você sozinha. E…obrigada por ficar comigo aqui. Fiquei em silêncio. Naquela noite, deixamos de lado as perguntas, os segredos e o medo. Ficamos juntos, tentando aproveitar aquela pequena tré






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