ログインLá fora chove e o frio invade a janela, fazendo-me encolher de frio. Desço a escada que se parece mais um lustre, totalmente limpa e reluzente. Avisto umas pessoas conversando na sala e, assim que chego, eles param para me olhar. Sinto-me como um peixe fora d'água, na verdade sou, pois não pertenço a este lugar e muito menos a essas pessoas.
_ Você não tomou banho ainda?_ O Lorenzo pergunta descaradamente com um sorriso no canto dos lábios. _ Sim!_digo cabisbaixa, olhando a barra do meu vestido. _ Então, porque é a mesma roupa?_ Mais uma vez ele pergunta. _ Calado, Lorenzo! Chega de tanto interrogatório._ Olho para a porta quando um homem alto, branco, cabelos ruivos em um tom amarelado e barba por fazer entra. Ele tem todas as características de um personagem de um livro que li um vez. Ele usa um terno na cor azul quase jeans. _ Olá! É um prazer conhecê-la, provavelmente você é minha futura noiva._ Ele arruma o terno e continua com sua postura dura. _ Nossa, Matteo, você está sendo tão formal com sua Noiva, cadê o beijinho?._ Lorenzo alfineta. _ Eu, no seu lugar, estaria agora a caminho do galpão. Marcello Capone está lhe procurando há um tempinho._Lorenzo sorri sarcástico para Matteo. _Marcello Capone está aqui, para seu mais desprazer. Na sala de reuniões, aguardando o filho pródigo chegar... CANDACE! Avise meu pai que Matteo capone acaba de chegar._Lorenzo diz olhando para Matteo. Marcello Capone! Então esse é o nome do senhor Capone. _ Sente-se, senhorita Haley._ Matteo me dirige a palavra. Lorenzo sorri alto. _"Minha logo senhora Capone."_ Lorenzo imita a voz do Matteo. _ Deixa de ser infantil, Lorenzo._Senhor Capone chega fazendo barulho com a bengala. _ Finalmente chegou, Matteo. Estava ansioso para apresentá-lo sua futura noiva. Como já sabe, Haley será sua esposa por um ano e ambos deverão cumprir e manter o respeito durante todo o relacionamento. Precisamos que a cúpula aceite esse noivado para que você possa tomar posse do cargo de chefe. Provavelmente será no sábado. Que conversa fiada é essa? Cúpula? O que é isso? Porque alguém tem que aceitar noivado? Mil e uma perguntas se formam em minha mente, tirando-me o sossego. _ Você não precisa saber de nada, futura senhora Capone, apenas case-se com o bundão do meu irmão e de resto nós cuidamos. Lorenzo pisca para mim. _ Agora está liberada Haley, pode ir descansar._ Não espero nem o senhor Capone fechar a boca e saio o mais rápido possível. Olho todos os lados do quarto e me jogo na Cama, não consigo pensar em nada, pois o cansaço me domina. (...) Abro os olhos lentamente, olho para o vidro da janela e ainda é noite. Levanto-me cambaleando até o banheiro. Saio do quarto procurando a cozinha para beber água e comer alguma coisa. Estou com muita fome, se posso tomar banho o quanto quiser, também posso comer a hora que quiser. Entro na cozinha muito bem organizada, abro a geladeira encontrando muita coisa, suco, fruta, bolo, pudim e muitas outras coisas. Pego um pedaço de bolo e coloco em um pires, despejo um pouco de suco no copo e bebo um gole. Sento-me para comer. Termino de comer e lavo o que sujei. _ Assaltando a geladeira, ratinha?_ Assusto-me colocando a mão no peito. _ Eu... Perdão, eu estava com muita fome, então achei que não seria um problema comer alguma coisa. Com a Claridade da lua, que b**e na porta de vidro e a proximidade de Lorenzo consigo ver seu rosto com um sorriso sapeca, o corpo grande com uma camisa branca e short cinza. Mordo o canto da boca tentando disfarçar a timidez. Observo cada parte do rosto bonito do Lorenzo. Ele aproxima-se mais do meu rosto. _ Como eu queria morder essa boca._ arregalo os olhos com tamanha sinceridade, não consigo abrir a boca apenas olho para ele. _ Não tem problema algum você comer ratinha, mas você terá que me dar um beijo._ Meu coração saltita de medo, surpresa e vergonha. Como farei isso se nem ao menos sei? Não sei como beijar. Começo a me tremer por dentro. _ Eu... Nunca... Eu não sei isso!_ Ele olha com uma diversão no olhar para mim. _ Posso te ensinar, assim ó._Ele coloca a mão em minha nuca e fica a centímetros da minha boca. Abro um pouco minha boca e, encosto minha mão na barriga dele. _ Cazzo!_ ele suspira e puxa meu lábio debaixo, segura em minha cintura com força e cola nossos corpos. _ Isso é errado... Vou me casar com seu irmão._ Ele não solta minha cintura e continua com o rosto colocado ao meu. _ Errado ratinha, é sentir vontade e não fazer. Abre a boca e segue o que faço!_ Ele beija minha boca com um movimento bom e lento, logo a língua dele invade minha boca e parece que estou nas nuvens. Sinto minha parte íntima pulsar e não sei que sentimento é esse. _ Seu cheiro... É... Tão...bom._ Diz entre pequenos beijos. _ Agora o que vamos fazer com meu amiguinho?_ Ele diz olhando em meus olhos. _ Amiguinho?_Ele olha para a parte debaixo dele. Minha pele queima de vergonha. Tento me soltar dele, mas sem sucesso. _Solta! _ Depois que me usa acha que pode fazer o que quer?_ Lorenzo pergunta! _Você que me beijou, não te beijei._ ele sorri jogando a cabeça para trás. _ Beijou sim ratinha.__ Ele acaricia minha bochecha. _ Me solta agora, por favor._Sinto um nó em minha garganta ao me sentir presa. _ Posso fazer isso, se você me dá um beijo de despedida. _ Porque está fazendo isso comigo?_ Sinto uma lágrima escorrer em minha bochecha. _Ei, não chora, não vou te forçar a nada._ Ele diz com a voz baixa e acariciando meu rosto. Os braços dele frouxam da minha cintura. _ Não gosto quando me prendem com força. _ Vamos dormir, posso te dá um beijo?_ sei que é errado, mas não consigo recusar a esse pedido. Aceno com a cabeça e Lorenzo segura meu rosto e beija meus lábios com gosto...Algumas histórias não terminam com “felizes para sempre”.Algumas terminam com cicatrizes.Com perdas. Com escolhas difíceis.A minha não foi diferente.Eu perdi meu filho. Perdi parte de mim. Mas, no meio de tudo isso... encontrei algo que eu não esperava:Força.Nem toda mãe carrega um filho nos braços… algumas carregam no peito.Eu perdi um filho… mas ainda tenho uma filha para amar. A dor não foi embora… mas eu aprendi a viver com ela.E, pela primeira vez… continuar não parecia tão impossível.E eu quero continuar, quero continuar por Mia, Lorenzo, Matteo e Candace.Serei eu a melhor mãe para Mia, a melhor esposa para Matteo e Lorenzo e a melhor amiga para Candace.Mesmo que os Capones não possam se libertar dessa máfia maldita, eu irei estar sempre ao lado deles. Mesmo querendo fugir disso tudo.Não me arrependo de ter dado um fim em Isabella, até porque ela deu um fim em um bebê que nem tinha nascido ainda. Mas também não fico mais remoendo, pois ele não vai voltar.Segundo Mat
A vida não parou depois que Vicenzo se foi, mesmo que eu tivesse desejado com todas as forças que ela tivesse parado. Eu queria ter tido o direito de me trancar em um quarto e deixar a tristeza me engolir inteira, sem ouvir ninguém dizer que eu precisava ser forte.— Você precisa comer alguma coisa, Haley — Matteo dizia baixinho da porta do quarto.Eu apenas virava para o outro lado da cama.— Eu não quero comida.Ele suspirava, cansado, mas sem desistir.— Então grita. Me xinga. Faz qualquer coisa… mas não fica sozinha nessa dor.Mas eu queria ficar sozinha.Ou talvez não.Talvez eu só não soubesse mais existir sem meu filho.No começo foi horrível. Eu olhava para qualquer criança pequena e meu peito queimava de um jeito impossível de explicar. Às vezes passava a mão na barriga por impulso e a sensação de vazio voltava tão forte que parecia arrancar o ar dos meus pulmões.Lorenzo sempre percebia.— Amor… olha pra mim.Eu limpava o rosto rápido.— Tô bem.— Não precisa mentir pra mim
Seis dias haviam passado.Ainda havia sangue de Isabella em meus sonhos.Mas pela primeira vez desde a morte de Vicenzo… eu conseguia ver manhã.Estamos nos preparando para a audição de adoção de Mia.Chegamos pela manhã para termos um tempinho com as crianças.Eu estava com muita saudades de Mia... E ela assim que me viu, bateu as mãozinhas e sorriu alegremente.Peguei Mia no colo e ela ficou dizendo: “mamã” o tempo o todo.Arrumei Mia com um vestido rosa bebê, soltei o cabelo dela e coloquei um lacinho. Dei a mamadeira que Benta preparou.Fomos de carro para o fórum. O advogado já estava nos esperando.Assim que fomos chamados, entramos. O coração na mão e a respiração falha.A sala parecia pequena demais para tudo que eu estava sentindo.Mia estava no meu colo, mexendo distraída no botão do meu casaco, completamente alheia ao peso daquele dia.Matteo de um lado.Lorenzo do outro.Como sempre, como deveria ser.A juíza analisa os documentos por longos segundos.Longos demais.Meu c
Tem um bom tempo que torturo Isabella psicologicamente.Eu não sou um monstro. Não mataria o pai dela sem que ele tivesse qualquer envolvimento nisso.Ela é quem tem que pagar.Foi ela quem matou meu filho.— Assim que seu pai chegar, irei cortar cada dedo das suas mãos. Depois farei cortes profundos nas suas pernas e braços... e então acabarei com ele.Mas Isabella não precisava saber quais eram minhas verdadeiras intenções.Ela tinha uma expressão estranha, como se não se importasse mais. Como se tudo o que fez tivesse valido a pena, independentemente do que o pai sofreria.E, para dizer a verdade, isso me horrorizava.— Não vejo problema algum nisso. Faça com ele o que quiser — ela diz, quase indiferente. — Pelo menos eu tive tempo suficiente para viver com ele, ser amada, abraçá-lo, participar da vida dele...Meu sangue ferve.A raiva que carregava no peito piora.Ela sorri.— E seu filhinho? O que aconteceu com ele? Ele se foi... você nem teve tempo de participar da vida dele.El
Eu não queria, não conseguia tirar meus olhos do monstro que estava na minha frente. Do monstro que levou um sonho, que levou minha vida, que levou meu filho.Ela me olhava com um certo deboche no olhar, e a única reação que tive foi ir para cima dela, tentando acertá-la com chutes e socos.Mas meu corpo é segurado, não sei por quem, e minha garganta arde com as palavras presas nela.— Por quê? Por que você fez isso? Por que levou meu filho de mim? Como você teve coragem de fazer isso? Você é um monstro!— Sabe... eu queria mesmo era que você também tivesse morrido. Os dois, não só o bastardinho.Quando ela chama meu filho de bastardo, vou novamente para cima dela, só que dessa vez ninguém me segura.Acerto um soco no meio do nariz dela e o sangue espirra em mim.Meu corpo entra em alerta e começa a agir por si só. Acerto socos e chutes em qualquer parte do corpo dela. Ela estava sentada e amarrada, e mesmo assim eu não me importava por parecer covarde.Ela foi covarde por tirar a vid
Já se foram dois meses desde a partida do meu filho.Ainda dói, porque essa dor é impossível de esquecer.Mas eu precisei seguir em frente. E aqui estou.Já não choro com frequência. Sorrio dando gargalhadas das palhaçadas de Lorenzo e ainda ajudo Lorenzo a acabar com o juízo de Matteo.Agora estamos eu e Candace conversando sobre relacionamentos.Átila a pediu em namoro e ela está receosa em aceitar, por ter medo de ele ir embora de novo.— Se você ama ele, aceita! Acho que ele não vai embora. Acho quase impossível. Não viu como ele estava animadinho com você?— Eu sei, mas ainda assim tenho medo de ele se rebelar do nada e ir embora.— Relaxa, Candy. Só relaxa.— E você e seus Capones, como estão?Ela pergunta com um sorriso sereno.— Estamos bem... eu pedi pra Matteo acabar com tudo isso aqui e irmos embora desse lugar. Mas, como eu imaginava, ele disse que não é tão fácil assim.Suspiro antes de continuar.— Ele disse que se você é da máfia, é da máfia para sempre. Não pode simple







